quarta-feira, 3 de junho de 2026

 a ler sim este texto do David Dinis no Expresso

Lei laboral: o estranho caso do silêncio de Cavaco, do acrescento de Passos e dos documentos do Governo

Viva! Tudo bem por aí?

Hoje trago-lhe uma dúvida que me nasceu nestes dias: se Cavaco Silva voltou a escrever pelo menos uma vez por mês; se Pedro Passos Coelho fala uma ou duas vezes por semana; se Cavaco e Passos têm em comum a expectativa de que o Governo "apresse o passo" ou lance “reformas estruturais”; e se ambos estão particularmente focados na necessidade de aumentar a produtividade do país…
…. então por que voltou o ex-Presidente a escolher a reforma do Estado como tema do seu mais recente artigo? E Passos, agora que o Governo está perante uma segunda greve geral, por que decidiu ele ignorar o tema, mesmo na iniciativa onde esteve à frente de André Ventura, que chegou a criticar por impor condições impossíveis à provação da reforma?

Passos Coelho, Cavaco Silva e Luís Montenegro, na campanha de 2024

Se há ponto em comum entre Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho é que os dois têm um gosto especial em basear as suas opiniões em dados e estudos. Uns dirão que é política à moda antiga, outros dirão que é TINA – “The Is No Alternative”, um acrónimo de tecnocracia que arrisca a mitigar as diferenças entre os campos ideológicos.
Deixo essa discussão (interessante) para outro tempo, porque me parece interessante agora, em véspera da segunda greve geral contra o pacote laboral do Governo, fixar os termos da discussão. É que, para já e além da polémica legislação sobre imigração, a reforma laboral é, bem ou mal, a que mais aproxima Luís Montenegro da marca de “reformista” – um adjetivo que é sempre muito desejado pelos líderes à direita.
Começo por um elogio ao atual Governo: não se pode dizer que Montenegro, aqui, esteja a seguir os populistas, ou tão pouco a tentar ser popular. Como mostrava a nossa sondagem na semana passada, uma larga maioria dos portugueses acha que a proposta define as prioridades erradas. E nem mesmo os simpatizantes do PSD desalinham nessa ideia.
Se é assim, se Montenegro segue contra todos, dir-se-ia que só pode ser convicção. Neste caso, a convicção de que a reforma laboral é tão decisiva para a melhoria da nossa competitividade que vale uma guerra política e social, até com o seu eleitorado. É uma opção de alto risco político, tão rara nestes tempos que mereceria ser assinalada. Mas é, preciso, antes, responder a uma dúvida:

Essa convicção é fundada em quê?

Não há nenhuma dúvida sobre o diagnóstico. E ele até é mais preocupante agora: a economia portuguesa dá sinais preocupantes de desaceleração, confirmados agora mesmo pela OCDE e as exportações portuguesas estão a perder quota de mercado. São sinais alarmantes que reclamam mudanças estruturais. Mas o facto é, também, que nenhuma das grandes organizações internacionais identifica a legislação laboral portuguesa como “obstáculo principal” ao aumento da produtividade. Por outras palavras, todas concordam que Portugal tem produtividade estruturalmente baixa, que o diferencial face à UE/OCDE é persistente, e que as causas principais são estruturais – mas que elas não passam necessariamente pelas leis do trabalho. Vamos por pontos:

  • A Comissão Europeia, no último relatório sobre Portugal, a baixa produtividade é associada sobretudo a baixa qualificação média, excessiva regulamentação das empresas, fraca difusão tecnológica, fragmentação do tecido empresarial e limitações na concorrência, não à lei do trabalho como fator dominante;
  • A OCDE, em análises de produtividade e de reformas estruturais, enfatiza reformas em educação, mercados de produto, justiça económica, I&D e inovação, e só trata a legislação laboral como uma entre várias dimensões institucionais, nunca como o “principal travão”;
  • O FMI até elogia o crescimento recente da produtividade (desde 2019 Portugal cresceu em média o dobro da zona euro), mas recomenda um reforço do investimento em capital físico e humano, melhoria do ambiente de negócios, políticas que incentivem inovação e subida na cadeia de valor, e reformas que aumentem a participação no mercado de trabalho, sobretudo num contexto de envelhecimento acelerado;
  • Já nos indicadores do Banco Mundial, Portugal surge com ambiente de negócios médio, precisando melhorias em alguns domínios, sobretudo para ultrapassar a persistência de dificuldades em licenciamento, justiça económica e execução de contratos.

A mensagem transversal é, assim, cristalina: se o objetivo for fazer Portugal mais produtivo, o Governo precisa de aumentar o investimento em inovação, digitalização e capital humano, reduzir barreiras à entrada, crescimento e saída de empresas, e fortalecer instituições (regulação, Justiça, Administração Pública) para permitir que recursos se desloquem para empresas mais produtivas.
Mas há um outro dado curioso: é que mesmo o Governo, na sua correspondência oficial com a Comissão Europeia, não fala da legislação do trabalho como reforma estrutural.
Por exemplo, no Plano Orçamental de Médio Prazo, que o ministro das Finanças entregou em Bruxelas em abril, conta-se que “o crescimento da produtividade média do trabalho é projetado em 1,4% entre 2025 e 2028. Esta expectativa encontra-se inalterada face a abril, e representa um patamar elevado numa perspetiva histórica”. Isso, leu bem: o Governo estima que a produtividade crescerá mais nos próximos anos, mesmo sem contar com as políticas que está a implementar. E, nas reformas que apresenta à Comissão, tão pouco menciona a laboral, preferindo sublinhar decisões fiscais, de formação, financiamento da inovação ou digitalização.
Já no Relatório Anual de Progresso, repete-se o esquecimento: sem referir esta reforma, propondo o caminho para um “país mais rico, inovador e competitivo”, o texto do Ministério das Finanças apresenta um quadro com a evolução de “indicadores de contexto” que podia, na verdade, ser um bom cartaz de promoção das políticas do PS de 2020 a 2024 – assinalando por exemplo um crescimento da produtividade acentuado nesse período (ver na página 30, para os mais curiosos):

Na verdade, dir-se-ia que Cavaco Silva tem razão: provavelmente a reforma do Estado pode ser bem mais decisiva para o país do que a divisiva lei laboral. Quanto a Passos Coelho, ele que chegou a falar da reforma laboral como exemplo único de uma agenda transformadora deste Governo, decidiu nas últimas semanas passar por cima dela. Ele que já tinha avisado que a lei do trabalho é apenas uma peça e pede um pacote mais amplo de reformas para ter efeitos reais; ele que já tinha explicado que a única área em que o atual Governo “poderia realmente fazer a diferença” é a justiça, defendendo aí mudanças profundas para melhorar o ambiente de investimento, a confiança e o funcionamento da economia.
Aliás, na longa aula que deu na semana passada, Passos preferiu sublinhar os riscos da "substituição tecnológica", que pode colocar em causa o direito fundamental que é o direito ao trabalho. Ora eis um tema, esse sim, que merece uma boa discussão pública e de que ainda não ouvi este Governo falar.
Até para a semana!

terça-feira, 2 de junho de 2026

 isto não é um país, é uma espécie de qualquer coisa

- um diretor de recursos humanos prendeu uma funcionária com fita cola à cadeira para a obrigar a acabar um serviço para além do seu horário laboral.
e o novo pacote laboral ainda não foi aprovado.

- um investidor imobiliário comprou todas as casas de uma rua em Vila Nova de Gaia e agora não quer renovar os contratos aos moradores (alguns moram lá há 40 anos).

- o Tribunal Constitucional vetou por unanimidade a questão da perda da nacionalidade e o Chega, deitando por terra toda a ética, vai reagendar o diploma para reapreciação pelo Parlamento.

- a democracia portuguesa está mesmo em perigo.

os verdadeiros democratas-cristãos devem sentir-se envergonhados com Paulo Núncio.
eu se fosse sentiria

sexta-feira, 29 de maio de 2026

mas afinal o que quer Passos Coelho?
debita frases, críticas, mas sobre as suas ideias, nem uma palavra.
talvez vá ao congresso social democrata e bote faladura.

400 inspetores, show imenso e afinal os acusados saem com a pena mais ligeira
estou curioso sobre o andamento da coisa
o "Tutti Frutti" já leva quanto tempo?

o juiz Carlos Alexandre quer ser o novo candidato presidencial daqui a cinco anos?

terça-feira, 26 de maio de 2026

a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. e o Primeiro  Ministro, apoiados por meia dúzia de apaniguados seus (Hugo Soares e Pedro Duarte, entre outros), tentam a todo o custo vender a ideia de que a nova legislação laboral é de excelência e que todas as linhas vermelhas foram alteradas.
tudo é deveras curioso... como se a relação empregador/empregado fosse igual!
como se o projeto agora apresentado contemplasse as contribuições das centrais sindicais...
eu sei que isto é simplista, mas gostava de ser o empregador dos membros do governo, porque ia adorar aplicar esta nova legislação.

SIRESP continua a chumbar políticos desde a sua criação.

o acordo estabelecido entre o Fisco e Trump, resultante do processo de Trump contra o IRS (Serviço de Receita Federal dos Estados Unidos)  vai mais além que um litígio legal porque tenta isentar o Presidente, a sua família e os seus negócios das leis.
é um ataque velado à democracia tal como a conhecemos, e é-o de tal forma que até deixa desconfortáveis alguns congressistas do seu próprio partido. 


domingo, 24 de maio de 2026

alguém me explica como é que Cotrim de Figueiredo tem um espaço de comentário na SIC Notícias?

quinta-feira, 21 de maio de 2026

vem cedo a tentativa de vitimização de Luís Montenegro.

manter na CNN o comentador Marcos Serronha que defendeu que com 3 bombas nucleares sobre o Irão parava a guerra e a Helena Ferro Gouveia defensora acérrima das atrocidades em Gaza e na SIC a Maria João Marques é uma ofensa à nossa sanidade mental.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

hoje quero apenas deixar uma questão:
o que acontece às coisas que seguem nas flotilhas que caminham para Gaza e que são detidas ilegalmente por Israel?

 a ler sim este texto do David Dinis no Expresso Lei laboral: o estranho caso do silêncio de Cavaco, do acrescento de Passos e dos documento...