quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Há momentos em que julgamos estar parvinhos porque não entendemos o porquê do que estamos a ver, mas depois e após alguns momentos de reflexão, constatamos que afinal não somos nós.
Vem tudo isto a propósito de uma certa ideia para rever a legislação laboral e aumentar a competitividade que o governo transmitiu aos parceiros sociais para debate. Refiro-me concretamente ao não envio à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT)  dos mapas com os horários de trabalho.
Que eu saiba, os mapas de horário de trabalho são essenciais para determinar as horas extraordinárias trabalhadas e eventualmente por pagar, embora seja voz corrente de que muitas empresas têm um mapa oficial e outro oficioso.
Seja de que forma for, a existência do referido mapa, acaba por vincular a empresa.
Agora o Governo vem apresentar a justificação de que: "o envio do mapa do horário de trabalho para a ACT não assegura a integridade do documento nem o escrupuloso cumprimento do mesmo, facto que apenas uma acção inspectiva pode acautelar".
Pois se com envio é como é, sem envio vai ser um must, mas claro que isso ao Governo pouco ou nada importa.
Assim fazem o horário que querem e lhes der mais jeito diariamente, com ou sem as pausas de descanso que estão regulamentados, enfim vai ser um salve-se quem puder, sendo que o único que não se consegue salvar será sempre o trabalhador.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pois é a coisa promete. As vozes críticas internas adensam-se e com naturalidade Passos Coelho vai trilhar o caminho das pedras que ele próprio arranjou.
Julgava ele que o simples facto de chamar uns ilustres académicos seria tão só suficiente para resolver a questão.
Engano puro e duro. A crise não se resolve só com teorias fabricadas em salas de aula.
Mas o problema não foi só este.
O grande problema é que estes senhores "atacaram" o poder após propalarem aos quatro ventos de sabiam quais os problemas e já tinham as soluções que mais se impunham para resolver as questões.
Constata-se que afinal era tudo mentira. Não há soluções novas. São sempre as mesmas: aumenta-se os impostos sobre o trabalho e sobre os produtos.
Para soluções destas era necessários ir buscar os tais senhores catedráticos??????

Mas um outro problema se acentua. Paulo Portas, parceiro de coligação deste Governo, não vê com bons olhos para a sua estratégia de futuro, este aumento desmesurado de impostos. Assim sendo, Portas encontra-se numa encruzilhada: apoia em pleno este Governo de que faz parte e fica "queimado" para o futuro face a esta política de aumento desmesurado de impostos ou rompe em definitivo e provoca uma hecatombe repentina e vê gorada a hipótese de chegar à liderança da direita e centro-direita, o que não lhe interessa de maneira alguma.
Assim sendo, opta por ir zurzindo de "mansinho" e em surdina as políticas económicas de aumento de impostos através dos seus deputados e por bater forte e feio na Madeira por forma a captar os dividendos do descalabro de Alberto João Jardim.
É uma posição inteligente. O único problema é que os dividendos do caso madeirense poderão não ser suficientes para contrabalançar a desgraça que é a política de economia e finanças que o governo a que pertence vai aplicando a uma classe média já deveras estrangulada.

Por fim resta-me prestar um agradecimento a Menina Marota, seguidora deste Blog por me recordar do aniversário. Pois é, foi a 6 de Setembro de 2005 que nasceu o por muito que...
Obrigado pela recordação.
Um agradecimento muito grande para todos quantos me lêem e comentam. OBRIGADO



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aí está o motivo do tal 2.º Orçamento Rectificativo: a alteração do IVA para compensar a descida da TSU. Não deixa de ser deveras curioso que mais uma vez somos nós todos que vamos suportar as medidas de apoio às empresas.
O tal estudo pode ser visto aqui. Agora uma coisa o Governo tem de pensar: esta medida pode colocar em causa a sustentabilidade da segurança social.
Mas se a questão da segurança social motiva preocupação, não deixa de igualmente preocupar a questão do corte na TSU. A quem se destina? Como vai ser feita? Quem beneficiar terá obrigações de empregabilidade? Os empresários com dívidas à Segurança Social estão abrangidos pela medida?
Sobre o IVA e as alterações da taxa falaremos proximamente.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ontem foi apresentado o Orçamento Rectificativo na Assembleia da República. O motivo dete prende-se, diz o Governo, com o acomodar no limite global de endividamento do Estado, o valor do empréstimo internacional que é destinado à banca e respectivas garantias bancárias.
Isto é mesmo surreal...
A Banca responsável por este Orçamento, é a mesma que obrigou à feitura do acordo com a troika e que lhe teceu os melhores elogios e é a mesma que agora vem dizer que afinal o acordo tem de ser melhorado.
Tenham lá paciência, mas tudo isto é demasiado, é muita hipocrisia para a minha condição de humano

Ontem foi o primeiro dia do aumento brutal e descabido dos transportes. Mais do que cinco vezes a inflacção. Assombroso.
Pagamos a inépcia da gestão, os desmandos de uns senhores gestores, e a hipocrisia de um Estado que gosta de ficar pelas meias tintas: não assumem os transportes como serviço público, mas também não são privados... ficam ali num nimbo.
Mas o mais engraçado, se é que ainda existe alguma graça, é que o Estado olha para nós como sendo a galinha dos ovos de ouro.
Só que, vamos lá nós perceber, o Estado em vez de proteger a galinha, quer acabar com ela...
Fica com os ovos todos de uma vez, fica com o poleiro, com o ninho e ainda está disposto a fazer uma canja com a dita cuja...
Mas atenção que ficam sem galinha...

Os americanos parece que chegaram a acordo para não terem problemas de incumprimento...
Não sei se já passou um mês da célebre frase proclamada por Obama, de que os EUA não eram a Grécia, nem eram Portugal...
Obama tem toda a razão, mas em dívida soberana e questões de incumprimento, não sei quem estará pior...
Pela boca morre o peixe...

E lá foi o BPN... nós pagámos ao BIC (aquele que é dirigido pelo carregador de pianos do cavaquismo) e eles  lá aceitaram.
Por 40  milhões e com o Estado a pagar as indmnizações, até eu teria sido banqueiro...
os brasileiros têm uma frase muito engraçada: me engana que eu gosto, mas eu digo: pensam que eu sou parvo

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A história vinda a público sobre a vice-presidência da Caixa Geral de Depósitos espelha bem qual a postura face à gestão do bem público. Aliás a lista é um perfeito paradigma de coisa estranha.
Ver esta actuação e lembrar o que sempre disseram sobre boys e outros que tais, é mais que razão para nos preocuparmos.

O abandono de direitos especiais (golden shares) na PT, Galp e EDP foi hoje publicado em Diário da República e entra em vigor já amanhã para respeitar compromisso assumido com a troika.
É fantástico. Somos uns pacóvios do melhor. 
Primeiro porque vamos oferecer estas participações numa bandeja aos já accionistas ou possivelmente a novos accionistas.
E como se já não bastasse esta oferta a troco de "meia dúzia de cêntimos", ainda somo confrontados com o facto de a nós é proibida essa participação, mas a Alemanha, Bélgica, Itália e a Inglaterra (só para citar alguns) não abdicam das suas golden shares.
Que Europa é esta...

sábado, 16 de julho de 2011

O "Expresso" desta semana é um manancial. Desde a história de Bairrão até à Oigoing é um fartar.
A primeira que destaco é a história de Bernardo Bairrão e os serviços secretos. Tivesse esta história ocorrido durante o  governo de Sócrates e já teria caído o Carmo e a Trindade.
Onde é que está a dignidade desta gente. E a ser verdade a questão do telefonema de Moura Guedes a Passos Coelho, então a coisa piora ainda mais.
Caia quem cair, mas sejam dignos do lugar que ocupam.

E depois até parece que as coisas estão interligadas. Bairrão é contra a privatização da RTP e a Ongoing, onde Moniz é vice presidente - Moniz que é marido de Moura Guedes -, quer a RTP. O Expresso diz que a Ongoing entra em África com a ex-empresa de Passos. A ser assim, está tudo truncado e voltamos à dignidade.

Também esta semana a educação voltou a estar na ordem do dia. Primeiro porque o sr. ministro mandou às malvas algumas das suas ideias e afirmações e salientou que 266 escolas irão encerrar de imediato. 
Mas nem só por isso foi a educação destaque.
Os resultados dos exames mostraram um agudizar nos resultados quer em português quer em matemática. E eis que o sr. ministro decidiu de imediato mandar às urtigas quer a área de projecto quer o estudo acompanhado e privilegiar o português e a matemática em termos de carga horária.
Penso que o sr. ministro leu os indicadores e deu conta de que o grave problema se situa na escrita e na interpretação.
Assim importa reforçar as competências de interpretação. De que importa ter mais tempo em matemática se os alunos não souberem fazer interpretação do que está escrito?
Para quem vinha decidido a acabar com experimentalismo e a fazer mil e uma coisas logo nos primeiros dias, estou esclarecido... ou não


Ainda no Expresso desta semana saliento o excelente artigo de Pedro Adão e Silva "Um pouco mais de política" 


A terminar. Como é que querem que lá fora nos levem a sério se apresentamos como medidas para cortar nas gorduras do Estado o fim da utilização das gravatas para não ligar os ar condicionados... tenham dó



domingo, 3 de julho de 2011

Mais uma semana repleta. Vou servir-me das palavras de Paulo Portas no discurso de encerramento do debate do programa de Governo. Disse pois o actual ministro dos Negócios estrangeiros que: “precisamos como de pão para a boca não apenas de uma cultura de acordo político, mas de uma cultura de acordo social e de negociação” e ainda “os portugueses não terão demasiado indulgência para com aqueles que queiram ignorar o voto popular e cansar o país com recurso a greves sistemáticas”.
Temos de concordar que são palavras lindas.
Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Paulo Portas clama agora por aquilo que nunca ofereceu: diálogo, empenho e não descansou enquanto o Governo do PS, eleito pelo voto popular, não caiu...
Mas não ficamos só por aqui.
Nuno Crato, o novo ministro da Educação, fez questão de dizer que afinal não quer implodir o ministério, mas fez questão de afirmar que “o Ministério da Educação é uma máquina gigantesca que, em muitos aspectos, se sente dona da educação em Portugal. Eu quero acabar com isso.”
Então qual é o futuro da educação? É entregue a alguma comissão saída do “Compromisso Portugal”? Ou será do “Mais sociedade”?
Mas isto ainda não é a cereja no topo do bolo.
A cereja foi dada pelo Primeiro-Ministro. Passos Coelho lançou um novo e arrepiante imposto, isto apesar de ter criticado os anteriores aumentos de impostos. Mas não só. Passos Coelho sempre afirmou que iria orientar a sua acção no corte das “gorduras” do Estado...
Tretas, o primeiro ataque foi ao “osso do contribuinte”.
De uma penada foram 800 milhões no subsídio de Natal.
Mas para nos tentar dizer que os esforços são de todos, acabou por referir que vai cortar mil milhões na despesa do Estado.
Que curioso, para aumentar a receita sabia logo onde ir buscar, mas para cortar na despesa não sabe...
Então não estavam todos bem preparados e cheios de sabedoria sobre o governo deste país?!
O senhor da “pentelhice” falou tantas vezes em “gorduras” que tinha obrigação de saber onde estava o tecido adiposo.
Afinal o que se depreende é que estes senhores estão todos “às apalpadelas” e a única certeza que têm é utilizar a medida que sempre criticaram aos outros: aumentar impostos.
Em jeito de conclusão sobre o programa de Governo, apraz-me salientar que ele é muito mais duro que o PEC IV e que eu me lembre esse PEC foi chumbado por ser um ataque aos portugueses.
Pois é, quanto a ataques estamos conversados: este foi tão só um massacre.

Mas nem só de Governo viveu a semana, o senhor Presidente também deu uma ajudinha. Decidiu pedir aos portugueses para se agarrarem à solução que escolheram.
Pois bem, tenho a ligeira impressão de que se se agarrarem estão bem tramados.
Esta é a cooperação activa????????

Estou à espera que a história que hoje é contada na página 10 do Expresso de ontem “Como as guerras com Moniz e Moura Guedes tramaram Bairrão” seja investigada a sério, porque a ser verdade ela comporta factos que demonstram submissão a poderes extra-governo, falta de ética, o que por si consubstancia uma falta de credibilidade para o exercício de funções governativas.
Acresce o facto de Balsemão ter “tirado” o programa a Moura Guedes.
Importa também não esquecer que durante o governo anterior foi criada uma comissão de inquérito sobre o caso TVI...

Para finalizar importa dizer que o secretário de Estado da Cultura ainda não se demitiu.
Se tomarmos em consideração que é voz corrente que Passos Coelho impôs que não podiam entrar para o Governo quem tivesse eventuais “casos” jornalísticos ou judiciais... então estamos conversados.

estou de acordo com Erdogan. aquando da formação do governo de Montenegro coloquei reservas na ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho...