quarta-feira, 30 de abril de 2008

Eu já tinha dito que o período eleitoral no PSD ia ser de arromba e não me enganei. Passos Coelho lança farpas a Manuela Ferreira Leite, Santana lança indirectas aos dois, Jardim, que julgava que todos desistiriam a favor dele, bate em todos, Patinha Antão e Neto da Silva não batem em ninguém porque não são deste campeonato, jogam nos "distritais".
Entretanto Passos Coelho diz que está preparado para ser primeiro-ministro. Está ele, estou eu, estão os meus amigos Henriques, Enes, Victor, Duque, etc. etc.
Agora importa não esquecer que não são só os notáveis que votam e que bem podem os líderes distritais dizer que a distrital apoia A ou B se na altura o que conta são os votos e a menos que se formem sindicatos de votos, este é livre e pode dar origem a grandes surpresas.

Não há pior cego do que aquele que não quer ver. Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude, é um caso desses.
A propósito do discurso e do estudo dado a conhecer por Cavaco no 25 de Abril, Laurentino Dias disse que não está preocupado com a escassa participação política dos mais novos e valorizou inclusive o aumento da participação cívica dos jovens.
Tadito. Este senhor ainda não percebeu que são os jovens e uma boa parte da população que se está borrifando para a política e em especial para os políticos. A classe descredibilizou-se a si mesma e hoje é uma pálida amostra de uma geração que pontoou no final da ditadura e nos anos que se seguiram ao Abril de 74.

Ainda sobre Abril, eu tinha prometido que deixava aqui o discurso do Deputado social democrata Luís Montenegro e como o prometido é devido leiam esta pérola e pessem na batalha que corre dentro do PSD e depois... riam-se à vontade meus amigos

Sessão Solene Comemorativa do XXXIV Aniversário do 25 de Abril
SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, SENHOR PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO, SENHOR PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA, SENHOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL, DEMAIS ALTAS ENTIDADES DO ESTADO, SENHORAS E SENHORES MEMBROS DO GOVERNO, SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS, ILUSTRES CONVIDADOS, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,
Tenho hoje a honra de transmitir a Vossas Excelências e ao povo português a visão do Partido Social Democrata sobre a vida do país, sobre os caminhos que trilhamos e sobre os desafios que o 25 de Abril impõe que vençamos.
É um privilégio da democracia e um privilégio da liberdade.
Como filho de Abril tenho o dever histórico de saudar, de agradecer, orgulhoso, aos progenitores da democracia que quotidianamente, desde 1974, vimos construindo e realizando.
Deixo, pois, de forma genuína, um justo tributo aos políticos, aos militares e aos concidadãos que sabiamente romperam e debelaram a asfixia da ditadura.
Mas à nossa geração, não se pede apenas este reconhecimento.
À nossa geração exige-se a ambição suprema de aproveitar a oportunidade para concretizar, aprofundar e desenvolver a liberdade, traduzindo-a no respeito pela pessoa humana, na garantia do pluralismo de opinião, na prossecução do interesse colectivo gerador de mais qualidade de vida dos cidadãos.
SENHOR PRESIDENTE,SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS,
No nosso sistema político-constitucional, é o Chefe de Estado o depositário supremo dos valores democráticos. Cumpre-lhe zelar, garantir e compreender a vontade soberana do povo.
O Grupo Parlamentar do PSD cumprimenta Vossa Excelência, Senhor Presidente da República, enaltecendo a forma com que vem marcando o exercício das suas altas funções.
O facto, indiscutível, de Vossa Excelência estar a conduzir o seu mandato cumprindo os pressupostos que colocou aos portugueses por altura da sua eleição, dignifica o Estado, prestigia a democracia e inspira-nos para a valorização da acção política, vertida no espírito de serviço cívico que a todos deve guiar.
SENHOR PRESIDENTE, SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS,
Neste percurso de 34 anos todos reconhecemos que se cometeram alguns erros. Mas num contraditório que é também motor do desenvolvimento, observamos que o País está melhor. Demos passos importantes, de que relevo o mais recente, constituído pela ratificação, por este Parlamento, do Tratado de Lisboa. Ao longo destes anos, o arco dos partidos aqui representados pode orgulhar-se sobre a instituição do sufrágio e da representatividade democrática; o resguardo das liberdades públicas; o reforço das autonomias regionais e do poder local; uma maior liberdade de expressão; a reaproximação política, cultural e económica nos países que falam português e connosco partilham uma história comum; entre múltiplos avanços permitidos pelo nosso empenho no estabelecimento e amadurecimento na democracia.Sucede que essa avaliação, globalmente positiva, não deve conduzir-nos à vertigem de quem não quer ver a realidade. Liberdade implica responsabilidade. E, como diz Fernando Pessoa, «hoje a vigília é nossa». Se em Abril de 1974 o país se libertou da asfixia da ditadura, em Abril de 2008 impõe-se que Portugal respire mais e, sobretudo, melhor democracia.
O Partido Social Democrata nunca teve, não tem, um pensamento derrotista sobre o país.
O Partido Social Democrata nunca teve, não tem, uma conduta política alarmista.
Mas hoje, seguindo a lição do nosso fundador, Francisco Sá Carneiro, manda a nossa responsabilidade, a nossa vocação reformadora e reformista e a nossa intransigência face aos princípios e valores democráticos, questionar:
Quando se incute, alimenta ou pactua com atitudes de condicionamento do exercício das liberdades individuais, com actos persecutórios de responsáveis da Administração, não estamos a asfixiar a democracia?
Quando uma força ou agente policial, perturba o exercício dum direito fundamental, exorbitando a sua missão de preservação da ordem pública e desrespeitando os princípios da proporcionalidade e adequação, não estamos a asfixiar a democracia?
Quando se persiste, isoladamente, em promover alterações em pilares do Estado de Direito, como o sistema de segurança e a investigação criminal, potenciando a sua governamentalização e denegando o equilíbrio de poderes, não estamos a asfixiar a democracia?
Ou, noutra dimensão, Quando nos domínios mais emblemáticos da governação, na economia, na fiscalidade, nos transportes, nos apoios sociais, nas políticas de emprego, nas aposentações, na administração pública, se ferem de morte os compromissos eleitorais, desvirtuando a manifestação da vontade popular e prejudicando a confiança dos cidadãos nos seus representantes, não estamos a asfixiar a democracia?
Ou quando, pela voragem economicista, senão mesmo puramente contabilística, encerramos serviços públicos, afastando as populações – sobretudo as mais vulneráveis e as do interior – do seu acesso, na saúde, na educação, na justiça ou na segurança, com isso fomentando desigualdades e iniquidades, não estamos a asfixiar a democracia? Quando a entidade reguladora do sector, identifica categoricamente uma sub-representação do maior partido da oposição nos serviços informativos da televisão pública ou quando se adequam prazos e procedimentos dum processo de atribuição de novas licenças televisivas ao calendário eleitoral, não estamos a asfixiar a democracia?
Ou, finalmente, quando cedemos às tentações centralistas, ignorando ou desvalorizando o merecimento das autonomias regionais e do poder local, não estamos a asfixiar a democracia?SENHOR PRESIDENTE, SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS,
O País está numa encruzilhada.
Por um lado, assiste a uma postura da maioria que desqualifica a democracia, que visa a hegemonização dos poderes e tenta dificultar a alternância e a confrontação democrática.
Por outro lado, não há ambição ou esperança que resistam à mediocridade dos resultados governativos.
Três anos depois de iniciar funções, o Governo falhou.
Propôs-se colocar o País a crescer economicamente acima da média da União Europeia e estamos a crescer menos.
Propôs-se diminuir o peso do Estado na distribuição dos recursos públicos, e afinal apenas cortou nos investimentos.
Propôs-se erigir novas políticas de emprego e assistiu, impotente, ao aumento da taxa de desemprego até ao nível mais alto das últimas duas décadas, ao mesmo tempo que se instalava uma nova vaga de emigração, sobretudo para Espanha, para onde mais de cem mil portugueses tiveram de ir à procura de sustento.
Propôs-se preservar os direitos adquiridos pelas pessoas, assegurar aos mais desfavorecidos o acesso a bens essenciais, e provocou o maior retrocesso no Estado Social do pós 25 de Abril.
E tudo isto fustigando os portugueses com mais impostos, com sacrifícios acumulados que eles sentem não terem sido compensados.
SENHOR PRESIDENTE, SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS,
Uma democracia asfixiada. Um Governo Falhado.É aqui que entra a nossa responsabilidade.
A responsabilidade que o PSD, como partido alternativo de governo, não pode, não vai enjeitar. Vivemos tempos de decisão.
Portugal precisa do PSD.
Sabemos que da nossa diversidade, da nossa pluralidade, da nossa democraticidade interna, porque não dizê-lo assim mesmo, terá de emergir uma proposta nova, um projecto governativo ambicioso, mobilizador para os nossos jovens, para as famílias e para as empresas.
Estamos à altura das nossas responsabilidades.
Por isso termino afirmando convictamente o meu pensamento e o de todos os meus colegas deputados do Grupo Parlamentar:
Acreditamos muito no valor colectivo do Partido Social Democrata.
Acreditamos e respeitamos o papel de todos os demais partidos, com quem queremos contraditar as nossas ideias e opções.
Acreditamos nas instituições do Estado e na dinâmica da nossa sociedade civil.
Mas, acima de tudo, honramos a liberdade acreditando em Portugal e nos portugueses.
Disse. Luís Montenegro

Estes senhores querem o quê? Governar? Mas governar o quê?

E quanto ao acordo ortográfico avante Graça Moura.

E os preços dos combustíveis? Ainda têm dúvida da cartelização?

sexta-feira, 25 de abril de 2008


Hoje é dia de festa, merecemos algo que nos faça rir e provoque a nossa boa disposição, por isso vos deixo aqui uma apreciação do Público sobre os discursos de hoje na Assembleia.


quinta-feira, 24 de abril de 2008

Que grande desespero. Algumas hostes social-democratas estão a entrar em desespero profundo. Só isso explica este pseudo-movimento em torno de Alberto João Jardim. A movimentação de Menezes, Marco António e Carreiras são o exemplo claro disso mesmo.
Afinal sempre há dissonâncias entre Menezes e Santana. Se tudo estivesse óptimo não veria os menezistas a fugirem a um apoio claro e inequívoco a Santana.
Aliás estou convencido que para uma determinada ala do partido qualquer candidato serve, nem que seja o "Tatonas", o "Carlitos", o "Pirilau" ou até mesmo o Teixeira(figuras muito conhecidas no meio conimbricense) desde que se afastem dos actuais candidatos.

Mas o post anterior remete-nos para mais movimentações. A ser verdade o que o ex-secretário-geral adjunto do PSD-Madeira, Filipe Malheiro diz no seu blog (devem ler-se os posts do dia 23 e 24), bem como a reflexão do mesmo elemento num outro blog.
A leitura destes textos leva-nos a pensar o que fará correr Santana Lopes.
Vamos esperar pelo avanço ou não do enfant terrible para depois constatar qual o seu caminho e motivação, sendo certo que se ele avançar Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho terão de se acautelar bem.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ora bolas. Afinal o abandono da liderança do PSD por parte de Menezes não se fica a dever ao facto de ter sido alvo constante das farpas de muitos dos seus correlegionários, mas antes a uma reportagem do Correio da Manhã Vidas.
Qual Pacheco Pereira, qual Aguiar Branco, qual Ângelo Correia, qual Capucho, ... qual quê! Correio da Manhã, pois então.
Têm dúvidas? Leiam o 24horas de hoje e as declarações da ex-comunista Zita Seabra.
E o primeiro de Abril que já passou.

Ontem foi publicado em Diário da República o diploma que consagra o regime de autonomia e gestão das escolas.
O Decreto-Lei 75/2008, aprovado em Fevereiro pelo Conselho de Ministros, tem como aspecto mais emblemático a substituição dos conselhos executivos - o modelo de gestão até agora praticado na generalidade das escolas públicas - por um director com poderes reforçados. A assembleia de escola é também substituída por um conselho geral - cujas competências incluem a eleição e destituição do director -, que integrará representantes da comunidade (pais e autarquia), professores e alunos (secundário), sendo que nenhuma das partes pode ser maioritária nesta estrutura. O conselho pedagógico mantém-se, mas passa a ser designado pelo director, em vez de os seus membros serem eleitos.
Logo no imediato Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof apelou aos docentes para que não se candidatem aos conselhos gerais transitórios dos seus estabelecimentos de ensino, como forma de protesto contra este regime.
Porquê tanto medo dos directores? Eu se fosse professor ficava radiante.

Depois ficam todos muito zangados com a Lei das finanças locais. Com casos destes querem o quê?

O futuro Código do trabalho. Aqui fica um excelente trabalho do "Público".

terça-feira, 22 de abril de 2008

Os seis meses de liderança de Menezes deram muito pano para mangas, mas os candidatos e o período pré-eleitoral também prometem.
As coisas começam a definir-se para o bem e para o mal.
Hoje assume a candidatura Manuela Ferreira Leite, sendo que Passos Coelho continua, Aguiar Branco vai dar uma volta e Patinha Antão e Neto da Silva (que não constavam da minha lista de onze incógnitas) assumem ir até ao fim.
Posso estar errado, mas julgo que da linha protagonizada pela anterior liderança não vai aparecer ninguém.
Assim sendo, a batalha será entre Passos Coelho e Ferreira Leite, já que os outros dois são meros figurantes nesta peça teatral e nem mesmo a ligação entre Santana e Patinha Antão será suficiente para que daí resulte qualquer benefício.
E aqui reside o problema.
A fazer fé nas notícias, a lista de Ferreira Leite vai tentar congregar as diversas sensibilidades dentro do PSD, a saber barrosistas e cavaquistas, sendo por isso que se fala já dos nomes de Rui Rio, António Borges, Morais Sarmento e outros.
Mas será de esperar que os mendistas não acompanhem Ferreira Leite e isto porquê, porque mantém atravessado aquele episódio relativamente ao último congresso entre Mendes e Menezes em que a "dama de ferro" portuguesa teve alguns laivos decisórios pró-Menezes (facto que motivou alguma troca de palavras mais duras entre Marcelo e Ferreira Leite).
Se não acompanharem Ferreira Leite, a sua candidatura fica fragilizada logo à partida. Mas não será só este facto que irá fragilizar a candidatura, existem outros.
O primeiro resulta da aglutinação dos dois ou mais ismos. Quando se trata de derrubar alguém que não pertence à linha a junção serve perfeitamente, mas quando se trata de poder os -ismos não são capazes de serem um só.
O segundo tem a ver com o excesso de economistas que ficam na liderança. António Borges(não devo estar errado se disser que ele deseja ardentemente o Banco de Portugal), Ferreira Leite e Rui Rio são economistas com visões muito opostas, visões que vão desde o neoliberal puro ao economista de cariz social.
O terceiro prende-se com a imagem que Ferreira Leite deixou enquanto ministra quer da educação, quer das finanças e que, convenhamos, não é uma imagem deveras agradável.
O quarto e último tem a ver com a ligação de Manuela Ferreira Leite a Cavaco Silva. Ora todos sabemos que ela é uma das defensoras acérrimas do cavaquismo o que obrigaria Cavaco a ter redobrado cuidado. Por outro lado se ela ganhasse as eleições em 2009 e significaria que Cavaco não seria reeleito presidente, o que também não está nos seus planos.
Sendo assim a candidatura de Manuela Ferreira Leite não é algo de muito propício para o PSD, para além de que convém não esquecer que as bases não são tão "elitistas" e não gostam de uns certos senhores que têm a mania que tudo sabem, mas são incapazes de manter uma conversa com um qualquer militante numa qualquer secção.
Tratada que está a "dama de ferro", vamos a Passos Coelho.
Pedro Passos Coelho poderá configurar a grande surpresa e isto por várias razões.
Primeiro porque congrega aqueles que não perdoam aos nomes sonantes do partido não terem tomado as "rédeas" do PSD aquando da passagem de Santana como primeiro-ministro.
Segundo porque Ângelo Correia ainda é o que é e apoia Passos Coelho.
Terceiro porque pode receber o apoio dos mendistas que não esqueceram a postura de Ferreira Leite na vitória de Menezes.
Terceiro porque pode receber o apoio dos menezistas e santanistas que sem se exporem directamente se vingam destes seis meses.
Quarto porque tem o apoio de Marcelo que não perdoa a Ferreira Leite as palavras que esta lhe dirigiu a propósito do caso das eleições.
Quinto porque é um nome "limpo".
Esperemos pois o desenrolar de todos os factos.



Hoje é o Dia da Terra




O Dia da Terra foi criado em 1970 quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. É festejado em 22 de Abril e a partir de 1990, outros países passaram a celebrar a data.
Alguns textos importantes para hoje:
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/300131
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/300222
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/300699
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/300642
e o suplemento Meia Hora.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A viajem fez-lhes mal. Decorreu no fim-de-semana e continuam hoje em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, as Jornadas Parlamentares do PCP.
Nada de anormal, não fosse uns deslizes que penso não serem por acaso.
O primeiro está relacionado com Vitalino Canas.
Diz o PCP, pela boca de Bernardino Soares, que vai propor à comissão parlamentar de Ética que analise o que considera ser a situação de incompatibilidade do deputado socialista e também porta-voz do Partido Socialista Vitalino Canas, por este ser também provedor das empresas de trabalho temporário. O líder parlamentar dos comunistas diz ainda que Vitalino, enquanto provedor das empresas de trabalho temporário, em nome de instituições privadas, está a negociar com organismos do Estado, como a secretaria de Estado das Comunidades e Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), pelo que «é manifestamente uma matéria que cai dentro das proibições ao nível dos impedimentos dos deputados e merece a atenção da comissão de ética».
Talvez fosse interessante que o PCP tivesse ido à página da APESPE e verificasse o que é um Provedor do trabalhador temporário. Ficava-lhes bem.
Mas o PCP não se limitou a Vitalino Canas, estendeu-se a Jorge Coelho.
Estou perfeitamente à vontade para falar nisso, já que expressei aqui a minha posição quanto ao caso de Coelho e ao caso de Ferreira do Amaral, sendo que não sou um grande fã destas movimentações. Mas embora não sendo não percebo este ataque do PCP.
Dizem os comunistas que deve alargado de três para cinco anos o prazo para impedir um ex-governante de exercer funções em empresas que tutelou.
Que eu saiba Coelho cumpriu um período de sete anos...

Preciso de voltar à entrevista de Mário Crespo a Luís Filipe Menezes na sexta-feira passada. É urgente que o ex-presidente do PSD diga de quem foram os telefonemas que recebeu para não avançar com investigações às off-shores, ao Banco de Portugal, para estar quieto e não mexer em vários assuntos e quem são os militantes do PSD que andam a mendigar assessorias nas Câmaras Municipais.
Penso que pelo bom nome da democracia e do não à corrupção que o PSD tanto defende esses nomes devem ser públicos, e vou mais longe, penso ser urgente que a Procuradoria Geral da República chame Menezes para que ele comprove o que disse e assim se possam limpar mais uma série de figuras vampirescas e quejandas que polulam no espaço que é de todos.

A carta. Anda por aí no ar uma carta que possui contornos deveras estranhos. Num texto de opinião publicado por Anónio Barreto no "Público" de 13 de Abril é abordado um livro de nome Holocausto em Angola, cujo autor é Américo Cardoso Botelho.
O texto de António Barreto é o seguinte:

Angola é nossa!
Só hoje me chegou às mãos um livro editado em 2007, Holocausto em Angola, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega). O subtítulo diz: “Memórias de entre o cárcere e o cemitério”. O livro é surpreendente. Chocante. Para mim, foi. E creio que o será para toda a gente, mesmo os que “já sabiam”. Só o não será para os que sempre souberam tudo. O autor foi funcionário da Diamang, tendo chegado a Angola a 9 de Novembro de 1975, dois dias antes da proclamação da independência pelo MPLA. Passou três anos na cadeia, entre 1977 e 1980. Nunca foi julgado ou condenado. Aproveitou o papel dos maços de tabaco para tomar notas e escrever as memórias, que agora edita. Não é um livro de história, nem de análise política. É um testemunho. Ele viu tudo, soube de tudo. O que ali se lê é repugnante. Os assassínios, as prisões e a tortura que se praticaram até à independência, com a conivência, a cumplicidade, a ajuda e o incitamento das autoridades portuguesas. E os massacres, as torturas, as exacções e os assassinatos que se cometeram após a independência e que antecederam a guerra civil que viria a durar mais de vinte anos, fazendo centenas de milhares de mortos. O livro, de extensas 600 páginas, não pode ser resumido. Mas sobre ele algo se pode dizer.
O horror em Angola começou ainda durante a presença portuguesa. Em 1975, meses antes da independência, já se faziam “julgamentos populares”, perante a passividade das autoridades. Num caso relatado pelo autor, eram milhares os espectadores reunidos num estádio de futebol. Sete pessoas foram acusadas de crimes e traições, sumariamente julgadas, condenadas e executadas a tiro diante de toda a gente. As forças militares portuguesas e os serviços de ordem e segurança estavam ausentes. Ou presentes como espectadores. A impotência ou a passividade cúmplice são uma coisa. A acção deliberada, outra. O que fizeram as autoridades portuguesas durante a transição foi crime de traição e crime contra a humanidade. O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta [negro da minha responsabilidade] do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República. Diz ele: “Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela”.
Estes gestos das autoridades portuguesas deixaram semente. Anos depois, aquando dos golpes e contragolpes de 27 de Maio de 1977 (em que foram assassinados e executados sem julgamento milhares de pessoas, entre os quais os mais conhecidos Nito Alves e a portuguesa e comunista Sita Valles), alguns portugueses encontravam-se ameaçados. Um deles era Manuel Ennes Ferreira, economista e professor. Tendo-lhe sido assegurada, pelas autoridades portuguesas, a protecção de que tanto necessitava, dirigiu-se à Embaixada de Portugal em Luanda. Aqui, foi informado de que o vice-cônsul tinha acabado de falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Estaria assim garantido um contacto com o Presidente da República. Tudo parecia em ordem. Pouco depois, foi conduzido de carro à Presidência da República, de onde transitou directamente para a cadeia, na qual foi interrogado e torturado vezes sem fim. Américo Botelho conheceu-o na prisão e viu o estado em que se encontrava cada vez que era interrogado. Muitos dos responsáveis pelos interrogatórios, pela tortura e pelos massacres angolanos foram, por sua vez, torturados e assassinados. Muitos outros estão hoje vivos e ocupam cargos importantes. Os seus nomes aparecem frequentemente citados, tanto lá como cá. Eles são políticos democráticos aceites pela comunidade internacional. Gestores de grandes empresas com investimentos crescentes em Portugal. Escritores e intelectuais que se passeiam no Chiado e recebem prémios de consagração pelos seus contributos para a cultura lusófona. Este livro é, em certo sentido, desmoralizador. Confirma o que se sabia: que a esquerda perdoa o terror, desde que cometido em seu nome. Que a esquerda é capaz de tudo, da tortura e do assassinato, desde que ao serviço do seu poder. Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam. A esquerda e a direita portuguesas têm, em Angola, o seu retrato. Os portugueses, banqueiros e comerciantes, ministros e gestores, comunistas e democratas, correm hoje a Angola, onde aliás se cruzam com a melhor sociedade americana, chinesa ou francesa. Para os portugueses, para a esquerda e para a direita, Angola sempre foi especial. Para os que dela aproveitaram e para os que lá julgavam ser possível a sociedade sem classes e os amanhãs que cantam. Para os que lá estiveram, para os que esperavam lá ir, para os que querem lá fazer negócios e para os que imaginam que lá seja possível salvar a alma e a humanidade. Hoje, afirmado o poder em Angola e garantida a extracção de petróleo e o comércio de tudo, dos diamantes às obras públicas, todos, esquerdas e direitas, militantes e exploradores, retomaram os seus amores por Angola e preparam-se para abrir novas vias e grandes futuros. Angola é nossa! E nós? Somos de quem? (http://pt.no-media.info/162/holocausto-em-angola).

Cada um é livre de escrever o que quiser, só que neste caso e a fazer fé em duas crónicas de Ferreira Fernandes no DN de 15 de Abril e de hoje, a referida carta é falsa.
Ora tal como Ferreira Fernandes, também eu penso que estamos perante uma matéria demasiado séria para que possa ser tratada levianamente.
Sendo assim é urgente que tal matéria passe das colunas de jornais para a investigação e com urgência. É demasiado bárbaro o que aqui fica para que possa somente andar por aí.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Acabei agora de assistir à entrevista de Menezes no Jornal das 9 na SICNotícias. Muito blá blá e nada mais.
Mas uma coisa é importante, ele desvaloriza todos e valoriza Passos Coelho.
Continua tudo muito confuso e estranho, para além de ter chamado à coacção demasiadas vezes os militantes de base.
Atenção que vem aí asneira.
Só mais uma coisa: a defesa de Rui Gomes da Silva foi patética e demonstrou que Gomes da Silva foi mesmo o moço de fretes. Só para que conste...

o Observador babou-se todo com a entrevista de Passos