16 de Fevereiro de 2012

políticos de pacotilha

Nestes dois últimos dias assistimos a declarações que acentuam a nossa revolta. Um jovem deputado de seu nome João Almeida disse alto e bom som que "os funcionários públicos que entendam que a mobilidade proposta não é solução podem, no seu interesse, negociar a rescisão."
Negociar rescisão??? Se não estivéssemos  perante uma frase tão triste, quase se poderia dizer que isto foi devido ao Carnaval... Mas o problema é que estes senhores não estão a brincar.
Tive curiosidade em ir ver o Curriculum deste senhor e procurei na Assembleia da República e encontrei este. Percebi de imediato.
Ainda não estava refeito desta triste frase e eis que um ministro, curiosamente ou não, do mesmo partido do sr. deputado referido anteriormente, que decidiu dar mais 47 milhões para o reforço dos refeitórios sociais.
Preferimos gastar 47 milhões do que abrandar o "garrote" que se colocou aos portugueses. Estou a imaginar a satisfação do sr. ministro a ver as filas nesses refeitórios.
Estas duas situações provocam-me asco, repugnam-me... e fazem-me sentir que este povo está entregue a gente sem alma, a gente que diz "custe o que custar", a gente que mais nada fez do que passear nos corredores da política.
Depois de saber disto fui informado de que o governo gastou 12 mil euros em 100 exemplares  do programa do governo e a minha revolta triplicou.



18 de Janeiro de 2012

Hoje o ponto de ordem é a assinatura do acordo de concertação social. Todos falam da excelência, da importância, de tudo...
Estamos perante a maior alteração alguma vez produzida nas leis laborais, desde que foi instaurada a democracia.
Penso mesmo que seremos o país com as leis mais liberais, ou se assim não for, estaremos em segundo logo atrás da Irlanda.
O patronato atingiu finalmente o que ansiava à muito tempo. 
Mas importa aqui deixar duas pistas para reflexão que ainda não vi referidas.
Primeiro, está consignado que a fraca produtividade é motivo suficiente para despedimento. É curioso. Afinal o que é que se pretende? Não é incentivar a produtividade? Se é para quê despedir? Porque não premiar quem produz bem, para que aquele que menos produz queira também produzir bem para auferir esse incentivo?
Não percebo porque se continua sistematicamente na penalização? E os incentivos? 
Já alguém imaginou o que seria se no início de cada ano as administrações das empresas dessem conhecimento aos seus trabalhadores que os objectivos para esse ano serão de X e que se forem alcançados será dividida pelos trabalhadores uma percentagem dos lucros?
A segunda reflexão que aqui deixo é a seguinte: até hoje o patronato sempre se escudou na lei laboral para todos os males que atingem as empresas e mesmo os partidos do arco governativo da direita (que agora assinaram este acordo) sempre acusaram as leis laborais para o não investimento das empresas estrangeiras em Portugal.
Pois bem, acabou-se a moleta. A partir de agora não há desculpas. A partir de agora vamos ver qual a real capacidade de gestão do patronato português e do governo para captar investimentos.
E que me desculpem, mas o problema não estava na lei... mas isso vamos constatar a partir de agora.



6 de Novembro de 2011

Lembram-se de um livro que propunha umas ideias para Portugal. O título é "Voltar a crescer" e o autor chama-se Pedro Reis.
Fiquei a saber pelo Expresso deste fim-de-semana que a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal já tem presidente. Tem sido um caso estranho as voltas e mais voltas deste AICEP.
Passos Coelho empurrou o AICEP para as mãos de Paulo Portas, mas porque não tem confiança no seu companheiro de coligação, pediu um estudo ao arqui-inimigoo de Portas, o famoso Braga de Macedo.
Feito o estudo, Passos Coelho resolveu a questão de uma forma pouco saudável - penso eu - aliás é minha convicção de que a coisa vai borbulhar.
Reparem só na constituição, Portas fica com a tutela, Braga de Macedo fica na equipa que vai ser presidida por Pedro Reis, o tal que escreveu o livro das ideias. 
Quer isto dizer que Coelho dá a tutela a Portas, mas para que este não se estique forma a equipa directiva da sua confiança.
Ahhhh e para que conste Pedro Passos Coelho assina o prefácio do dito livro... estamos conversados, sim que esta coisa de boys tem que se lhe diga.

A JSD quer investigar políticos. Por mim estão à vontade, mas espero que este súbito desejo não seja só mera vingançazinha e se estenda a todos os políticos independentemente da sua cor, porque meus amigos isto vai de um extremo a outro.

22 de Outubro de 2011

Ao ler o Expresso de hoje deparei-me com dois artigos deveras interessantes. O primeiro assinado por A.F e P.P., refere que quando Francisco Van Zeller (presidente do Conselho para a Promoção da Internacionalização - coisa pomposa a julgar pelo nome) diz a norte-americanos ou a britânicos que empresas portuguesas pagam dois salários em agosto sem que haja produção, os interlocutores desatam à gargalhada e acham "fantástico".
O segundo artigo é um artigo de opinião assinado por Mário Crespo que igualmente refere que "há uns tempos teve imensas dificuldades dificuldades em explicar a um casal amigo em Washington que em Portugal havia um mês por ano em que não trabalhávamos e  em que recebíamos o dobro" e o artigo continua, fértil em  arremedos contra este e o subsídio de Natal.
Pois bem gostaria de deixar aqui o meu modesto contributo para a grande dissertação destes dois senhores.
Permitam-me que vos sugira o seguinte: em vez de dizerem aos americanos e aos ingleses que os trabalhadores recebem dois ordenados sem trabalharem digam tão só que o nível salarial em Portugal é tão mau que foi decidido pagar dois meses a mais durante o ano na tentativa de compensar esse tão baixo nível salarial.
E se eles tiverem dúvidas deixo-vos aqui um link para consultarem e tomem atenção que no caso dos americanos e dos ingleses o valor apresentado foi calculado com 14 meses, sendo que quer na Inglaterra, quer na América isso não existe, logo o valor apresentado é inferior ao real já que nestes dois países só têm 12 meses.

21 de Outubro de 2011

Começo a ficar deveras desconfiado desta espécie de guerrilha que se montou acerca dos subsídios, de Cavaco, do diz, do toma a resposta. E começo porque me parece que estamos todos a ser "comidos" por trouxas.
Se não vejamos bem as coisas: à três, quatro meses atrás não era necessário cortar subsídio nenhum, agora são dois. A TSU era para alterar, mas afinal era uma medida experimentalista, é melhor manter tudo na mesma. O IVA ia ser alterado porque se ia mexer na TSU e agora, não se mexe na Taxa, mas altera-se na mesma o imposto. Ainda não foram capazes de dizer onde está o buraco nas contas. Temos um ministro da Economia (mas será que temos) a quem ainda não escutei uma medida válida para o arranque da economia e temos um ministro das Finanças que sabia tudo e afinal ainda não garantiu uma única medida para a reforma do Estado, sendo que o que fez foi cortar salários e isso é tão só tapar a ferida e não sará-la.
Depois tenho escudado uns quantos senhores que referem que os cortes de subsídios só penalizam os funcionários públicos e que deveria haver equidade...
Sem querer parecer que estou de acordo com a medida, porque não estou, acho-a mesmo desumana e a despropósito, gostaria de recordar que os privados pagam esta desumanidade com uma outra desumanidade ainda maior e que ninguém fala.
Diz o governo que o corte nos subsídios é para diminuir a despesa.
Por acaso alguém se lembra de que forma os privados diminuem a despesa? Pois bem me parecia que não.
Os privados não cortam subsídios: despedem.
Alguém pensou nisto.
Agora a desconfiança que tenho é que todo este cenário que se está a criar em torno das declarações do Presidente e as próprias declarações só têm um fim em vista: alargar a medida aos privados.
Por isso talvez seja bom estarmos de sobreaviso, até porque neste lado corta-se nos subsídios e despede-se na mesma.




15 de Outubro de 2011

O "Expresso" de hoje desvenda a história do "agachamento" referido por Marques Mendes. Parece que alguém quer bater com a porta lá pelas bandas do executivo. Trata-se do secretário de Estado da Energia que encontrou uma solução para diminuir o déficit tarifário e ainda de dar um jeito na nossa factura energética. Só que o presidente da EDP meteu-se ao barulho. Passos Coelho deverá dar ouvidos às federações do seu partido que estão fartas de o avisar sobre o "Álvaro" (é assim que o sr. ministro da Economia gosta de ser tratado), deixar de lado os lobbies (Compromisso Portugal, Mais Sociedade e outros) e pensar que mais vale promover um bom secretário de Estado a ministro do que aguentar a todo o custo um mau ministro.

8 de Outubro de 2011

Gosto do novo porta-voz do super-ministro da Economia. Vê-se que sabe decorar os textos que lhe dão. Claro que me estou a referir a Marques Mendes.
Este senhor foi à TVI mostrar o plano para os transportes na quinta-feira à noite. 
Na sexta-feira o senhor ministro da Economia fez o favor de ir apresentar o plano (em powerpoint como diz o Ricardo Costa no Expresso) à respectiva comissão no parlamento.
Pouco me importa o fusuê que o plano gerou, sendo que é opinião unânime que o sr. ministro foi o grande culpado, o que motiva estas palavras é que o plano deveria ter sido apresentado (com um exemplar a cada deputado) no parlamento e depois difundido.
Caso não se recordem estes mesmos senhores fizeram burburinhos ensurdecedores quando no passado aconteceu, clamando que era uma falta de respeito para com o Parlamento.
Agora é o quê? Uma necessidade estratégica?
Aliás este senhor é melhor que se cuide, já que as baterias das várias distritais do PSD estão a começar a preparar a mira e todos sabemos que na política entre o ajuste da mira e o premir do gatilho vai só "um tirinho".