25 de julho de 2011

A história vinda a público sobre a vice-presidência da Caixa Geral de Depósitos espelha bem qual a postura face à gestão do bem público. Aliás a lista é um perfeito paradigma de coisa estranha.
Ver esta actuação e lembrar o que sempre disseram sobre boys e outros que tais, é mais que razão para nos preocuparmos.

O abandono de direitos especiais (golden shares) na PT, Galp e EDP foi hoje publicado em Diário da República e entra em vigor já amanhã para respeitar compromisso assumido com a troika.
É fantástico. Somos uns pacóvios do melhor. 
Primeiro porque vamos oferecer estas participações numa bandeja aos já accionistas ou possivelmente a novos accionistas.
E como se já não bastasse esta oferta a troco de "meia dúzia de cêntimos", ainda somo confrontados com o facto de a nós é proibida essa participação, mas a Alemanha, Bélgica, Itália e a Inglaterra (só para citar alguns) não abdicam das suas golden shares.
Que Europa é esta...

16 de julho de 2011

O "Expresso" desta semana é um manancial. Desde a história de Bairrão até à Oigoing é um fartar.
A primeira que destaco é a história de Bernardo Bairrão e os serviços secretos. Tivesse esta história ocorrido durante o  governo de Sócrates e já teria caído o Carmo e a Trindade.
Onde é que está a dignidade desta gente. E a ser verdade a questão do telefonema de Moura Guedes a Passos Coelho, então a coisa piora ainda mais.
Caia quem cair, mas sejam dignos do lugar que ocupam.

E depois até parece que as coisas estão interligadas. Bairrão é contra a privatização da RTP e a Ongoing, onde Moniz é vice presidente - Moniz que é marido de Moura Guedes -, quer a RTP. O Expresso diz que a Ongoing entra em África com a ex-empresa de Passos. A ser assim, está tudo truncado e voltamos à dignidade.

Também esta semana a educação voltou a estar na ordem do dia. Primeiro porque o sr. ministro mandou às malvas algumas das suas ideias e afirmações e salientou que 266 escolas irão encerrar de imediato. 
Mas nem só por isso foi a educação destaque.
Os resultados dos exames mostraram um agudizar nos resultados quer em português quer em matemática. E eis que o sr. ministro decidiu de imediato mandar às urtigas quer a área de projecto quer o estudo acompanhado e privilegiar o português e a matemática em termos de carga horária.
Penso que o sr. ministro leu os indicadores e deu conta de que o grave problema se situa na escrita e na interpretação.
Assim importa reforçar as competências de interpretação. De que importa ter mais tempo em matemática se os alunos não souberem fazer interpretação do que está escrito?
Para quem vinha decidido a acabar com experimentalismo e a fazer mil e uma coisas logo nos primeiros dias, estou esclarecido... ou não


Ainda no Expresso desta semana saliento o excelente artigo de Pedro Adão e Silva "Um pouco mais de política" 


A terminar. Como é que querem que lá fora nos levem a sério se apresentamos como medidas para cortar nas gorduras do Estado o fim da utilização das gravatas para não ligar os ar condicionados... tenham dó



3 de julho de 2011

Mais uma semana repleta. Vou servir-me das palavras de Paulo Portas no discurso de encerramento do debate do programa de Governo. Disse pois o actual ministro dos Negócios estrangeiros que: “precisamos como de pão para a boca não apenas de uma cultura de acordo político, mas de uma cultura de acordo social e de negociação” e ainda “os portugueses não terão demasiado indulgência para com aqueles que queiram ignorar o voto popular e cansar o país com recurso a greves sistemáticas”.
Temos de concordar que são palavras lindas.
Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Paulo Portas clama agora por aquilo que nunca ofereceu: diálogo, empenho e não descansou enquanto o Governo do PS, eleito pelo voto popular, não caiu...
Mas não ficamos só por aqui.
Nuno Crato, o novo ministro da Educação, fez questão de dizer que afinal não quer implodir o ministério, mas fez questão de afirmar que “o Ministério da Educação é uma máquina gigantesca que, em muitos aspectos, se sente dona da educação em Portugal. Eu quero acabar com isso.”
Então qual é o futuro da educação? É entregue a alguma comissão saída do “Compromisso Portugal”? Ou será do “Mais sociedade”?
Mas isto ainda não é a cereja no topo do bolo.
A cereja foi dada pelo Primeiro-Ministro. Passos Coelho lançou um novo e arrepiante imposto, isto apesar de ter criticado os anteriores aumentos de impostos. Mas não só. Passos Coelho sempre afirmou que iria orientar a sua acção no corte das “gorduras” do Estado...
Tretas, o primeiro ataque foi ao “osso do contribuinte”.
De uma penada foram 800 milhões no subsídio de Natal.
Mas para nos tentar dizer que os esforços são de todos, acabou por referir que vai cortar mil milhões na despesa do Estado.
Que curioso, para aumentar a receita sabia logo onde ir buscar, mas para cortar na despesa não sabe...
Então não estavam todos bem preparados e cheios de sabedoria sobre o governo deste país?!
O senhor da “pentelhice” falou tantas vezes em “gorduras” que tinha obrigação de saber onde estava o tecido adiposo.
Afinal o que se depreende é que estes senhores estão todos “às apalpadelas” e a única certeza que têm é utilizar a medida que sempre criticaram aos outros: aumentar impostos.
Em jeito de conclusão sobre o programa de Governo, apraz-me salientar que ele é muito mais duro que o PEC IV e que eu me lembre esse PEC foi chumbado por ser um ataque aos portugueses.
Pois é, quanto a ataques estamos conversados: este foi tão só um massacre.

Mas nem só de Governo viveu a semana, o senhor Presidente também deu uma ajudinha. Decidiu pedir aos portugueses para se agarrarem à solução que escolheram.
Pois bem, tenho a ligeira impressão de que se se agarrarem estão bem tramados.
Esta é a cooperação activa????????

Estou à espera que a história que hoje é contada na página 10 do Expresso de ontem “Como as guerras com Moniz e Moura Guedes tramaram Bairrão” seja investigada a sério, porque a ser verdade ela comporta factos que demonstram submissão a poderes extra-governo, falta de ética, o que por si consubstancia uma falta de credibilidade para o exercício de funções governativas.
Acresce o facto de Balsemão ter “tirado” o programa a Moura Guedes.
Importa também não esquecer que durante o governo anterior foi criada uma comissão de inquérito sobre o caso TVI...

Para finalizar importa dizer que o secretário de Estado da Cultura ainda não se demitiu.
Se tomarmos em consideração que é voz corrente que Passos Coelho impôs que não podiam entrar para o Governo quem tivesse eventuais “casos” jornalísticos ou judiciais... então estamos conversados.