30 de agosto de 2006

Lembram-se da guerra entre o secretário de Estado da Educação e a Associação de Editores e Livreiros por causa dos livros escolares? Lembram-se que os editores acusaram, utilizando até alguma linguagem menos consentânea, o Ministério da Educação de ser o principal responsável por os livros escolares não estarem prontos a tempo e horas, e que o ano lectivo iria começar sem manuais, etc e etc.
Vejam lá se eles estão ou não estão prontos.
Não que os livros escolares são um grande filão.
Com a chegada da certificação é que vamos ver.

Ainda o futebol. "Ou o Gil Vicente desiste da acção nos tribunais ou este assunto é mais um caso Bosman." Esta foi a frase sapiente de Valentim Loureiro, que ainda é presidente da Liga, porque o outro Loureiro ainda não tomou posse.
Sem ser um grande conhecedor destas matérias, apraz-me dizer que não é caso Bosman nenhum, é antes uma falta de dignidade, de respeito e de responsabilidade dos dirigentes do futebol nacional. Importa salientar que este assunto se arrasta deste Fevereiro. Foi preciso começar de novo o campeonato para chegarmos a estas trapalhadas.
Ninguém sai limpo desta história.
Não sai limpa a Federação Portuguesa de Futebol e o seu presidente; não sai limpa a Liga de Clubes (ainda não percebi o porquê deste organismo); não sai limpo o Belenenses porque reclama na secretaria o que não conseguiu dentro das quatro linhas e não sai limpo o Gil Vicente, porque desrespeitou as leis que regem o desporto profissional.
Por isso todos merecem ser castigados, mas todos sem excepção.
O último reparo vai para Hermínio Loureiro (a Liga bem que podia designar-se por Loureiro & Loureiro Limitada).
Não fosse a impugnação levada a cabo pelo Nacional da Madeira e este senhor já estaria a ocupar o lugar de Presidente da Liga e é curioso que ainda não lhe ouvi um ai ou um ui sobre a matéria. Convenhamos que é esquisito.

Os contratos das empresas municipais vão estar sujeitos ao visto do Tribunal de Contas e os seus gestores poderão ser responsabilizados por gastarem mal o dinheiro público. Estes são alguns dos novos poderes do Tribunal de Contas, presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, que decorre da nova Lei 48/06, que pode assim fiscalizar melhor todo o sector municipal. Sobre esta matéria só posso afirmar uma coisa: trata-se de uma medida que só peca por tardia e nada mais.

29 de agosto de 2006

Expliquem-me de mansinho senão os meus chips não aguentam. Alguns bens essenciais como o açúcar, o arroz, o trigo e o café estão a sofrer aumentos significativos nos mercados internacionais, o que faz prever subidas nos preços de venda ao consumidor.
Vamos lá por partes.
Quanto ao açúcar e ao café, paciência, são culturas que estão para os nossos terrenos, como eu estou para a profissão de padre, ou seja de costas voltadas, embora que no caso da cana sacarina seja possível produção nos terrenos continentais, para além de existir igualmente a beterraba sacarina. Acresce a isto tudo que a Madeira é um produtor privilegiado de cana-de-açúcar, sendo que talvez seja tempo de os movimentos entre o continente e a ilha não se resumirem ao envio de verbas para satisfazer os dislates de Alberto João.
Já no que concerne ao trigo e ao arroz outro galo canta.
Vejamos: O trigo é uma mercadoria cujo preço está a subir, devido às más colheitas provocadas pelo mau tempo que tem assolado a Europa.
Mas é ou não verdade que o Alentejo possui capacidade de produção de trigo? Então porquê esta
problemática. Em vez de criarmos campos de golf e montes de luxo produzimos trigo. Cria-se riqueza, postos de trabalho e nem é preciso esperar pelos subsídios.
No arroz continuamos para bingo.
Os especialistas apontam para uma duplicação dos preços do arroz em dois anos, até 2008, devido à redução das áreas de produção na China, onde os arrozais têm vindo a ser substituídos por fábricas e estradas.
Mas para que raio é que eu hei-de estar dependente do arroz da China? Eu nem gosto de arroz chau-chau.
É engano meu ou a região do Baixo Mondego é uma zona de produção de arroz por excelência.
Assim nem o país cresce, nem a gente melhora.

28 de agosto de 2006

Tem piada. Manuel Monteiro e o seu partido, o PND, têm clamado várias vezes contra o governo, acusando-o de compadrio, favorecimento e outros mimos que tais.
Pois é, diz o povo e com razão, que "quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras" ou "que desta água não beberei", etc. e etc.
O caso conta-se de uma penada. A reentré do PND estava marcada para ontem na marginal de Vila Praia de Âncora, mas existia um problema: Manuel Monteiro e o seu partido esqueceram-se que era necessária autorização da capitania.
Sabem como é que foi resolvida a situação?
Manuel Monteiro telefonou a António Costa, ministro da Administração Interna, e o adjunto do ministro telefonou ao Governador Civil de Viana do Castelo e este resolveu a questão.
Isto de atacar é muito lindo, mas na hora da verdade a cunha não tem ideologia: é de esquerda, de direita, do centro, etc., etc., etc..

Começou o campeonato nacional de futebol, e como é evidente começou embrulhado. Primeiro os membros eleitos da Liga de Clubes não puderam tomar posse devido a uma providência cautelar interposta pelo Nacional da Madeira, segundo porque não se vislumbra solução para o caso Mateus.
Quanto aos novos dirigentes da Liga já referi que não deveria ter sido candidato um político, mas sim um homem do futebol.
Quanto ao segundo caso ele é mais preocupante.
A embrulhada que eu vislumbro no horizonte vai sair cara ao Gil Vicente. Este clube tem de perceber que quando se assume como sócio da Liga ou da Federação assume as leis desportivas ditadas pela FIFA e pela UEFA. Sendo assim não posso aceitar que a proibição ditada pela FIFA sobre os clubes recorrerem aos tribunais civis para problemas desportivos seja excelente numas circunstâncias, mas já não preste noutras. E não venham com desculpas de que estamos perante um caso de direito do trabalho, porque o que está em causa é a inscrição de um jogador e nada mais.
Por outro lado, tudo tem estado bem porque os grandes ainda não entraram na dança. Porque não exista a menor dúvida assim que a FIFA proibir o Porto, o Sporting e o Benfica de continuarem na Champions, ou a Selecção ser arredada do Europeu ou do Mundial, podem ter a certeza que o Gil Vicente ou acaba de imediato ou vai para os distritais e ponto final.
Faz-me impressão que o sr. Professor Marcelo venha agora referir que nada se sobrepõe a justiça nacional e à Constituição.
É lamentável que o recém-nomeado comentador desportivo da RTP (o topa a tudo) não tenha referido antes esta posição a propósito de outras situações.
A propósito quantos clubes da I Liga tem os impostos e as contribuições da Segurança Social em dia, ou que pelo menos estão a respeitar o Plano Mateus?

25 de agosto de 2006

Golpe palaciano. O presidente da Câmara Municipal de Setúbal foi demitido das suas funções, mas não foi demitido pelos munícipes que o elegeram, nem pela Assembleia, muito menos pelo IGAT ou até mesmo pela CDU coligação por onde concorreu. Pois é: foi demitido pelo PCP sem apelo nem agravo.
E, pessoalmente, não acredito que tenha sido resultado da auditoria da IGAT, que apontavam para a possibilidade de perda de mandato do presidente da Câmara de Setúbal e a dissolução do executivo camarário, que levou o PCP a afastar Carlos Sousa e isto porque desde Outubro de 2005, pelo menos, que se sabe que a Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) detectou graves irregularidades na autarquia.
Esta situação vem levantar uma questão de fundo: nas eleições, votamos em partidos ou nos cabeças-de-lista?
Para além desta questão ficamos já avisados que (se é que dúvidas havia!) os autarcas do PCP estão ao serviço do partido e não ao serviço das populações, que o partido interfere na gestão do município, sendo que esta interferência tem de ser analisada ao pormenor e deve ser do conhecimento público o que se está a passar com outros municípios CDU e de que forma esta a ser feita essa interferência.
Talvez Carlos Sousa, sem o desejar, tenha sido o coveiro do PCP/CDU nas eleições autárquicas.

Ao que parece António José Saraiva, ex-director do "Expresso" e director do "Sol" tem na forja uma nova edição (aumentada, melhorada, o que quiserem) de "Confissões de um director de jornal".
Se a primeira já é engraçada (é um livro a que facilmente recorro) estou a imaginar esta nova edição. Por certo que o Tio Balsemão não vai escapar, bem como as tricas que ocorreram com a saída de Sarraiva do "Expresso". Ao que consta nem a Maçonaria escapa.
Dizem também que a única coisa que escapa é a Opus Dei e é evidente que eu percebo, bastando olhar para um velho ditado "não se morde a mão que nos dá de comer" e que neste caso poderá ser atenção que o capital do "Sol" é do BCP.

23 de agosto de 2006

É tudo uma questão de postura. A Câmara de Coimbra aprovou uma postura municipal que impede os camiões carregados com resíduos industriais perigosos (RIP) de chegarem à cimenteira de Souselas, através da proibição do seu trânsito na Estrada Municipal n.º 336.
A questão de Souselas não é nova e merece mais atenção do que medidas que nada mais representam do que muita parra e pouca uva, porque, como é evidente, esta proibição é irrelevante do ponto de vista jurídico, já que o Governo tem possibilidades de contrariar a decisão através de actos normativos de hierarquia superior.
Mas vamos lá percorrer os caminhos sinuosos da história.
Desde que eu me lembro de ser gente que sempre ouvi falar de Souselas por variadas razões (atenção que sei do que falo, pois nasci e vivi muitos anos - trinta e muitos - a sete km de Coimbra).
Ouvi falar de uns quantos que fizeram fortunas, vendendo os seus terrenos à Cimpor, ouvi falar de que Souselas era a Cimpor e a Adega Cooperativa e ouvi as gentes da terra a queixarem-se que era uma desgraça com o pó que saía da Cimpor. Mas claro nesse tempo Souselas existia e não recebia a visita de uns quantos faunos e não era notícia em lado nenhum.
Só após a questão da co-incineração é que apareceram uns quantos armados uns em ambientalistas, outros em revolucionários de meia tijela. São os famosos "nimby" (a solidariedade nacional é muito bonita, mas não perto de mim -‘not in my back yard’).
Talvez toda esta movimentação fizesse sentido se tivesse como finalidade obrigar o Governo e a Cimpor a dotar a fábrica de todos os requisitos técnicos e científicos que evitassem a propagação de gases, poeira e afins.
Exigir contrapartidas para a população no campo da saúde e do bem-estar, exigir a existência permanente de uma entidade credenciada e independente que vigiasse quer o processo quer o impacte ambiental diário.
Mas não. Em vez dessa luta, opta-se e incentiva-se à demagogia.

Espero que um dia se conheça a verdadeira história da "queda" (forçada) do presidente da Câmara de Setúbal, Carlos Sousa.
Enquanto a história não se conhece, vamos esperando que o PCP pare de "queimar" alguns dos seus melhores elementos, só porque estes não seguem ao milímetro as orientações do partido.

21 de agosto de 2006

Lemos, ouvimos e abrimos a boca de espanto. Não é novidade para quem segue as minhas crónicas de que apoio o ministro da Agricultura e que a CAP, para mim, é mais uma estrutura política, do que sectorial.
A provar isto mesmo, está a entrevista dada por João Machado, ao Correio da Manhã.
Diz o referido senhor, presidente da CAP, que: "Não há plataformas de entendimento entre nós e o ministro. O ministro da Agricultura não fala connosco desde Fevereiro. O ministro da Agricultura é a cúpula do Ministério e é ele que tem a direcção política do Ministério. A CAP representa a liderança do movimento associativo... se o presidente da CAP não fala com o ministro da Agricultura desde Fevereiro obviamente que há problemas políticos que não podem ser resolvidos. O ministro da Agricultura é, apesar de fazer declarações muito fortes e muito dinâmicas, é o ministro do imobilismo. Não fez nada até hoje." e continua "Na altura da seca, não ajudou os agricultores. Na altura dos fogos florestais e do granizo no Douro não ajudou em nada. Nas agro-ambientais, não só não pagou os contratos que estavam em vigor como fechou as candidaturas em 2006. Na electricidade verde, suspendeu os pagamentos. O ministro é neste momento o grande entrave ao desenvolvimento da agricultura em Portugal."
Bastará ler estes dois trechos para perceber de imediato os problemas.
"... se o presidente da CAP não fala com o ministro da Agricultura desde Fevereiro obviamente que há problemas políticos que não podem ser resolvidos". Mas a agricultura tem problemas políticos? Desde quando? Que eu saiba a agricultura portuguesa tem problemas de fundo que vão desde o emparcelamento, aos produtos cultivados, passando pelo tipo de agricultura praticado. Mas estes problemas não são políticos.
A nossa agricultura tem um custo deveras pesado, se bem que ainda não tenha percebido porquê, o que se traduz no facto de os agricultores não estarem dispostos a investir fortemente no sector sem contrapartidas.
E isto leva-nos para uma outra afirmação: "Na altura da seca, não ajudou os agricultores. Na altura dos fogos florestais e do granizo no Douro não ajudou em nada. Nas agro-ambientais, não só não pagou os contratos que estavam em vigor como fechou as candidaturas em 2006. Na electricidade verde, suspendeu os pagamentos." E aqui reside o grande problema. Em Portugal habituaram-se aos subsídios por tudo e por nada, nem que esses subsídios tivessem como destino a frota automóvel e não o parque de máquinas, nem que esse subsídio tivesse como finalidade o "palacete" com piscina em vez de servir para investimento noutros produtos e mercados, enfim o tal portuguesismo saloio que só olha para o umbigo.
A agricultura, tal como a educação serão somente sorvedoiros de dinheiro se não existir alguém que de uma vez por todas rompa com as correntes viciadas que se estabeleceram ao longos dos anos e que não só atravessam diametralmente os partidos políticos, como, em muitos casos estão para além de todas e quaisquer clientelas partidárias.

Os israelitas lá continuam a fazer pouco de tudo e de todos. Ditam leis, como se fossem os senhores do mundo. Continuam a fazer raides no Líbano; proibiram as tropas libanesas de ocuparem posições no sul do Líbano (?!); a aviação continua a invadir o território libanês; violou o cessar-fogo, enfim é um fartar vilanagem.
Mas nem só do Líbano se faz a desfaçatez dos israelitas. Na Palestina tem sido um ver se te avias e convém não esquecer a Faixa de Gaza.
Aliás expliquem-me o facto de tropas israelitas terem neste fim-de-semana quue passou terem raptado o vice-primeiro-ministro palestiniano, Naser al Shaer, na sua casa em Ramala, na Cisjordânia (19/8) e o vice-presidente do Parlamento palestiniano e deputado do Hamas Mahmud al-Ramhi (21/8).
Aliás, Israel raptou desde finais de Junho mais de duas dezenas de membros do Hamas(na sua maioria membros do Parlamento) e ministros palestinianos, que convém não esquecer são homens eleitos nas primeiras eleições livres ocorridas na Palestina.

17 de agosto de 2006

Hoje apetece-me começar pelo futebol. Chegou ao fim a história (que só era história para alguns) do Jesualdo Ferreira. E podemos dizer que o início da temporada não começa nada bem.
O Boavista, no final da temporada passada, estabeleceu contrato com o técnico Jesualdo Ferreira - entretanto saído do Braga - para ser o treinador do Boavista por dois anos, contrato aceite e rubricado pelas duas partes.
Entretanto o holandês maravilha do FCP mandou o clube e o Pinto da Costa às urtigas, o que obrigou o presidente do FCP a mexer-se.
Pinto da Costa não foi de modas, atacou o seu vizinho Boavista.
Como é evidente bastou saber-se do interesse do FCP para que a situação no Boavista se desintegrasse e acabasse com este desfecho.
Não compreendo como é que após ter constituído uma equipa à sua imagem e semelhança Jesualdo manda tudo isso às malvas e parte de armas e bagagens para outros terrenos.
Onde pára a ética? O que é feito da dignidade?

Continuando no futebol. Ficou hoje a conhecer-se o nome do centro de estágio do Benfica no Seixal.
Estou-me borrifando para o nome escolhido.
Nesta história o que me preocupa é a parceria com a Caixa Geral de Depósitos.
Que eu saiba a CGD é um banco com maioria estatal, portanto capitais públicos, sendo assim não aceito muito bem este tipo de negócios.

14 de agosto de 2006

Bertolt Brecht foi um influente dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. Revolucionou o teatro com peças que tinham por finalidade estimular o senso crítico e a consciência política do espectador.



Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis

Dificuldade de governar

1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Brecht foi um dos nomes mais influentes do teatro do século XX, não só pela criação de uma obra excepcional, mas também pelas inovações teóricas e práticas que introduziu. A sua influência, no entanto, não se restringe ao teatro, pois Brecht foi igualmente importante pelas novidades técnicas que utilizou na sua poesia.
Escritor e director de teatro alemão, Bertolt Brecht nasceu em Augsburg, Baviera, a 10 de Fevereiro de 1898. Interrompeu o curso de medicina em Munique para prestar serviço como enfermeiro na primeira guerra mundial. Em 1924 mudou-se para Berlim, onde foi assistente dos directores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Fez-se socialista em 1929 e começou a elaborar a sua teoria do "teatro épico". Em 1933, com a ascensão do nazismo, exilou-se sucessivamente na França, Dinamarca, Finlândia e Estados Unidos, onde permaneceu seis anos (1941-1947). Acusado de actividades antiamericanas, foi forçado a voltar para a Alemanha, fixando-se em Berlim oriental, onde criou a sua própria companhia, o Berliner Ensemble, que produziu as suas últimas peças.
Com a sua teoria, que propunha uma representação épica, Brecht pretendeu opor-se ao "teatro dramático", que conduziria o espectador a uma ilusão da realidade, reduzindo-lhe a percepção crítica. O "efeito de distância", sugerido por Brecht, tinha como objectivo estimular o senso crítico, tornando claros os artifícios da representação cénica e destacando, por consequência, os valores ideológicos do texto.
Primeiras peças - A obra teatral de Brecht atravessou diversas fases, que se distribuem segundo os locais de permanência do autor e os traços estilísticos próprios. As peças mais conhecidas do primeiro período, quando ele ainda se encontrava na Baviera, são: Baal (1922), Trommeln in der Nacht (1922; Tambores na noite), Im Dickicht der Städte (1924; Na selva das cidades) e Leben Eduards des Zweiten von England (1923; Vida de Eduardo II da Inglaterra), adaptação de uma peça de Christopher Marlowe. Todas focalizam os conflitos do indivíduo em relação ao meio social.
O segundo período corresponde à primeira época berlinense. Duas peças merecem destaque, porque servem como transição do expressionismo para um niilismo iconoclasta: Mann ist Mann (1927; Um homem é um homem) e Die Dreigroschenoper (1928; A ópera dos três vinténs). São comédias satíricas, em parte musicadas, nas quais a crítica à sociedade burguesa é mais anárquica do que na fase anterior. Die Dreigroschenoper, com música de Kurt Weill, colaborador constante de Brecht, é uma adaptação de The Beggar's Opera, de John Gay, e tornou Brecht internacionalmente conhecido.
Em 1930 surgiu Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny (Ascensão e queda da cidade de Mahagonny), também com música de Weill, que marcou a definitiva conversão de Brecht ao teatro político. Em Die Massnahme (1930; A medida), Brecht já é marxista, assim como em Die Heilige Johanna der Schlachthöfe (1930; A Santa Joana dos matadouros), cujo cenário são os grandes frigoríficos de Chicago. Esse período compreende ainda breves peças didácticas, como Der Jasager, der Neinsager (1930; Aquele que diz sim e aquele que diz não), e Die Mutter (1933; A mãe), adaptação do romance homónimo de Gorki.
Obras do exílio - O terceiro período brechtiano é o do exílio e inclui as obras mais elaboradas e conhecidas do autor. São também as que melhor representam as suas teorias do "teatro épico" e do "efeito de distância" na representação. As peças mais conhecidas são: Furcht und Elend des Dritten Reiches (1935-1938; Terror e miséria do Terceiro Reich), sequência de cenas realistas sobre a violência do nazismo; Die Gewehre der Frau Carrar (1937; Os fuzis da Sra. Carrar), sobre a guerra civil espanhola; Leben des Galilei (1937-1939; Vida de Galileu), em que Galileu é apresentado como uma espécie de anti-herói, numa parábola satírica da relação entre o indivíduo e a ordem social; Mutter Courage und ihre Kinder (1914; Mãe Coragem e seus filhos), parábola do papel da pequena-burguesia no meio de tempestades políticas, julgada por alguns a obra-prima de Brecht.
De 1938-1941 é Der Gute Mensch von Sezuan (1943; A boa alma de Se-tsuan), parábola das máscaras sociais do indivíduo; de 1940, Herr Puntila und sein Knecht Matti (1948; O Sr. Puntila e seu criado Matti); e de 1941, Der Aufhaltsame Aufstieg des Arturo Ui (A ascensão resistível de Arturo Ui), paródia contra o nazismo e a grande indústria, simbolizados pelos gangsters e pelos trusts de Chicago. Os períodos finais de Brecht, nos Estados Unidos e em Berlim, incluem somente uma grande peça, também uma parábola, Der Kaukasische Kreidekreis (1948; O círculo do giz caucasiano), sobre a Rússia feudal, e várias adaptações, entre as quais Die Antigone des Sophokles (1947-1948; A Antígona de Sófocles), sobre o texto da tradução de Hölderlin.
A poesia de Brecht, menos conhecida do que suas peças, mas não menos importante, está representada sobretudo por Die Hauspostille (1927; O livro de devoção caseira), da sua fase iconoclástica, com título ironicamente devoto, e pelas Svendborger Gedichte (1939; Poesias de Svendborg). O mais famoso poema de sua primeira fase é o autobiográfico "Vom armen B.B." ("Do pobre B.B."). Brecht como poeta é anti-sentimental, de tom didáctico e dificilmente traduzível. Mais acessível é a sua obra teórica, na qual se destaca o Kleines Organon für das Theater (1949; Pequeno instrumental para o teatro), cuja influência perdurou por várias décadas.
Bertolt Brecht morreu em Berlim a 14 de Agosto de 1956.

13 de agosto de 2006

A vida é mais madrasta do que mãe. Esta frase não é novidade para ninguém, e se até aqui podia ir dizendo que madrasta é uma expressão demasiado forte, hoje posso dizer que ela se aplica na sua plenitude.
Vem tudo isto a propósito da minha ausência deste espaço que muito preservo.
O relógio que possuímos deu, no meu caso, para não querer receber corda e, por isso parar. Lixou-se. A boa equipa de relojoeiros que dele se encarregou, conhecedora profunda e de uma sensibilidade extrema, negaram-se a baixar os braços e providenciaram a sua actividade. Até que seja possível uma intervenção de fundo, o que deverá acontecer em Setembro ou Outubro, vou sendo acompanhado por pílulas salvadoras.
Antes de continuar por outros temas e para terminar este, o meu penhorado agradecimento à urgência e à cardiologia (UCIC e Enfermaria) do Amadora-Sintra. Muito e muito obrigado

O último comentário que aqui produzi versava o Manuel Monteiro. Pois que, nem de propósito, vou fazer a reabertura de novo com o artista.
A rentrée do Partido Nova Democracia (PND), o tal que é liderado por Manuel Monteiro, vai acontecer em Caminha, mais propriamente em Vila Praia de Âncora, no próximo dia 26.
Algumas das questões que Manuel Monteiro vai lançar no Manifesto que deseja ser plataforma de pensamento político de direita, são: “O PSD é de direita? Se é, o que significa a direita para o PSD? O CDS é de direita? Se é, que razão existe para que continue a designar-se partido do centro?”
Para ele o PND é “um partido de direita popular e representante do pensamento conservador liberal em Portugal”.
É muita direita, muito centro, muito conservador. Ou às tantas não é nada disso.
O que estamos é perante uns ultra-neoliberais, que só desejam o poder como forma de realização pessoal.
Não é direita e muito menos conservadora é antes uma coisa muito em voga no EUA (fonte de toda a sabedoria para estas alminhas) e que se designa por demoliberal.
Cuidado com estes rapazes.
Aliás este manifesto foi arquitectado po Pedro Ferraz da Costa (ex-presidente da CIP). Que eu saiba ele pouco se importa com o Monteiro ou com o Portas ou mesmo com o CDS ou o PND. Sabendo aliás o seu posicionamento sobre os políticos não deixa de ser curioso ver o que vai dali nascer.
Esperemos para ver, mas não auguro nada de bom.

O avião israelita. Não percebo, e recuso-me a aceitar como é que o Governo deixou que um transporte de carga israelita, bem como dois F-16, tivessem feito escala nas Lajes, sabendo de antemão que aquela não era de certeza nenhuma carga humanitária.
É uma história mal contada e de que o secretário de Estado é o grande responsável.
E a propósito qual era o manifesto de carga?
São os americanos a fazer voos secretos ao serviço da CIA, são agora os israelitas com não sei o quê. Vê-se logo que é tudo farinha do mesmo saco.

5 de agosto de 2006

Arranjem uma pasta ao rapaz. Manuel Monteiro desde o dia em que Portas o cumprimentou e "apunhalou" em Coimbra nunca mais foi o mesmo.
E acreditem que ele fez de tudo.
Ele fundou um partido, o PND, ele concorre a todas as eleições (ainda havemos de vê-lo candidato à presidência do Clube de Futebol do Catrapiz de Baixo), mas nada. Não é eleito para coisa nenhuma. Propõe alterações à Constituição e ninguém lhe liga patavina, reúne com um partido da Galiza e nada.
Confesso que se estivesse no lugar dele (o que é de todo impossível) também me sentia mal.
Estava pois o rapaz a meditar profundamente quando escuta o seu inimigo figadal (Paulo Portas) dizer que não tirava férias da política.
Vai daí que telefona a Ribeiro e Castro (o tal que é líder a prazo) e diz que quer almoçar para combinar estratégias para enviar o outro (o Portas) de férias.
Claro que foi logo um burburinho dentro do CDS que é mais PP que CDS.
A "banda" (o nome foi-lhes dado pelo Ribeiro e Castro) saiu logo em defesa do seu regente e atacando o maestro. Ali o regente não é o maestro.
Voltando a Monteiro. Pois bem o rapaz, sentindo-se só e triste, achou por bem anunciar mais uma iniciativa (ou será um desejo?).
Disse ele: "É necessário que toda a Direita (CDS, PND e independentes) faça um congresso para avaliar, em primeiro lugar, pontos de comunhão em termos de pensamento e, num segundo momento, pensar numa plataforma eleitoral alargada se ela for possível".
O desejo de poder é uma coisa tramada e este é um caso perfeitamente visível de alguém que faz tudo por uma pastita.
Acreditem que se morasse perto dele já o tinha ajudado: tinha-lhe oferecido mesmo uma da Colgate.

A secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice teima em querer ser o bobo da corte, como se já não bastasse o chefe dela a desempenhar optimamente o papel.
Para quem não saiba, o bobo era uma figura que tentava fazer rir os reis, as rainhas e restante comitiva, sendo que nem sempre conseguia.
Pois bem a senhora Rice dirigiu, este sábado, uma mensagem de apoio à população cubana, garantindo a ajuda dos Estados Unidos na sua luta por um país livre e apelando para que não abandonem Cuba. E foi mesmo mais longe pediu a libertação dos presos políticos.
Sobre estta matéria ficou-me uma dúvida: a que presos se referia ela? Aos do regime de Fidel ou aos que estão na base de Guantanamo a ser alvo de todas as atrocidades por parte dos norte-americanos?
Por certo que esta senhora deve conhecer a história (e daí nem sei, as suas declarações sobre o Médio Oriente deixam-me desconfiado). E conhecendo a história saberá que foi o bloqueio absurdo que os EUA mantêm a Cuba a origem do caminho que Fidel Cstro decidiu trilhar.
Todos nós sabemos que a democracia cubana é um mito, mas se o país decidiu manter o seu alinhamento à esquerda ortodoxa foi porque os EUA assim o quiseram e obrigaram.
Desde quando é que um governante se dirige ao povo de uma outra nação livre e independente?
Robert Zemeckis realizou, em 1992, uma comédia com o nome de "Death Becomes Her" que entre nós recebeu o nome de "A Morte Fica-vos Tão Bem".
É evidente que não desejo a morte de ninguém, mas que um pouco mais de ética e de decência lhe ficava bem, disso não há a menor dúvida.

4 de agosto de 2006

É a semântica. Um alto responsável da Casa Branca disse, por ocasião da reunião em Roma sobre a paz no Médio Oriente, que a diferença entre urgente e imediato era uma questão de semântica. Claro que urgente e imediato referia-se ao cessar-fogo.
Hoje a Comissão Europeia "lamentou" (não "condenou") o bombardeamento israelita na noite de quinta-feira para hoje de quatro pontes a norte de Beirute, essenciais para o tráfego entre o Líbano e a Síria e o encaminhamento de ajuda humanitária.
A destruição destas pontes dificulta muito a circulação em direcção à fronteira síria, quando a passagem tradicional pela estrada internacional Beirute-Damasco não é feita devido aos repetidos bombardeamentos dos acessos ao posto fronteiriço de Masnaa, no leste do Líbano.
É importante que se diga que a via rápida que liga Beirute ao norte do Líbano era utilizada, por exemplo, pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)para transportar ajuda humanitária desde a Síria por camiões.
E porque gosto imenso de gramática e para não fugir à temática, posso dizer que cretino é um substantivo masculino e um adjectivo e que cobardia é um substantivo feminino.

2 de agosto de 2006

Hoje vou começar por economia. De acordo com um estudo publicado hoje pelo DN sobre os lucros com o arredondamento das taxas de juros que os bancos portugueses costumam praticar nos empréstimos que concedem, vem referido que caso seja calculado um arredondamento mínimo de um oitavo de ponto percentual (0,125%), o ganho é de 73 milhões de euros, mas se esse arredondamento atingir o quarto de ponto percentual (0,250%), os ganhos saltam para os 198 milhões de euros.
Os cálculos realizados pela Sefin, que fazem parte de um memorando entregue na semana passada ao governador do Banco de Portugal, permitem concluir que num crédito à habitação no valor de 200 mil euros com um prazo de pagamento de 20 anos e com uma taxa de juro de 4,047% (arredondado a um quarto de ponto percentual para os 4,250%), o cliente tenha um custo adicional de 4.270 euros.
É a loucura pura e dura. Não admira pois que os bancos e demais instituições bancárias tenham lucros fabulosos.
É o salve-se quem puder.
Aliás existe muita coisa que não entendo no sistema de crédito, em especial no da habitação.
Os juros estão a subir vertiginosamente e nós, que andamos na corda bamba, cada vez vamos ficando mais aflitos. Acresce a este facto que a banca portuguesa pratica taxas altas.
ora com tudo isto o que é que sucede: cada vez mais prestações vão ficando por pagar, aumentando assim o volume do crédito mal parado.
A conclusão desta pescadinha com o rabo na boca é o aumento de imóveis (isto no caso do crédito à habitação) que são tomados pelos bancos para posterior venda a preços bem mais atraentes.
Penso que seja altura de pensarmos pela nossa cabeça e deixarmos de lado as taxas directoras.
Talvez tenha chegado o momento de os bancos pensarem seriamente no que pretendem: ou enriquecer à maluca e serem obrigados a contratar vendedores para se desfazerem do que lhes vai cair no colo por falta de pagamento ou terem a atitude mais sensata de serem comedidos nos aumentos e permitir que as pessoas continuem a satisfazer as prestações dos seus créditos.

Continuando na economia. O mesmo DN (última página do caderno de Economia) fala também dos contribuintes que contestam o seu aparecimento na lista de devedores.
Não possuo provas de que eles estão certos e o Estado errado, assim como não possuo do contrário, mas há um caso que merece alguma atenção.
Estou a falar da firma Auto Sport da Beira.
Diz António Oliveira, proprietário da referida ex-firma (a Auto Sport da Beira já fechou) que não compreende a sua inclusão na lista porquanto interpôs recurso e o caso está para julgamento.
Realmente se assim é também não se compreende.
Mas não se compreende a sua inclusão como também não se compreende que o mesmo senhor tenha entretanto aberto outra firma.
Fecha uma, abre outra, sei lá se com os activos da primeira.
Como é que é possível que se permita que um contribuite devedor encerre uma firma para logo de seguida abrir outra?
Se não pagou o que tinha a pagar da primeira, vai pagar da segunda? Ou esta nova é para produzir mais alguma dívida astronómica?
E se a segunda empresa criar dívida, também pode ser encerrada para abrir uma terceira?
Esta situação não é de todo virgem no tecido empresarial português.
E se o Estado tem uma palavra a dizer sobre isto, também as associações empresariais o têem.
Não há que cobrir o sol com a peneira. Quem assim aje não está a ser correcto e tem de pagar pela sua não correcção.