31 de outubro de 2007

Tenho estado a ganhar coragem para falar na "brincadeira" estúpida que uma gentalha sem nexo e indigna de pertencer e permanecer nesta sociedade praticou em Borralheira de Orjais, uma aldeia do concelho da Covilhã.
A história conta-se em poucas palavras: um homem com cerca de 40 anos residente na localidade e considerada pelas autoridades policiais como sendo "uma pessoa indefesa", foi amarrada à roda de um carro e ao gradeamento de um café no centro da aldeia.
O resultado daquilo que alguns habitantes - não todos - designam por "brincadeira" foi que o homem foi encontrado sem vida cerca das 6h20 de domingo.
Segundo alguns habitantes esta não foi a primeira vez que "brincaram" com a referida vítima.
O que é que esta gentalha tem na cabeça? O que é que leva estes energúmenos (sim é disso que se trata, energúmenos) a "crucificarem" um seu conterrâneo e a abandoná-lo?
Julgar-se-ão estes senhores dotados de inteligência superior e olham para os outros como seres inferiores.
Que educação tiveram?
Hoje fala-se em que o acto foi gravado através das novas tecnologias o que a ter acontecido é não só bárbaro como nojento.
Enquanto uns dizem que tudo não passou de uma mera brincadeira, outros há que dizem tão só isto: "Brincadeiras de merda. Não tinha ainda acontecido por sorte".
Quem também não afinou pelo diapasão da brincadeira foi o juiz de Instrução que mandou quatro dos elementos do grupo aguardar o julgamento na cadeia.
O pior de tudo isto é que o nosso sistema prisional é demasiado flexível.
Ao contrário do que muitos possam dizer ou pensar, a mim não me choca absolutamente nada ver os presos a trabalhar nos terrenos do Estado ou em benefício da aldeia, em vez de irem viver à nossa custa com cama, mesa e roupa lavada.
Ah!... E a todos os que teimam em falar em brincadeira ou em arranjar desculpas mal-paridas, pensem se fosse com alguém que vos é próximo.

Faltava isto para compor o ramalhete. O embaixador português em Londres, António Santana Carlos deu uma entrevista ao The Times, onde se mostrou preocupado com a troca de acusações entre portugueses e ingleses e criticou ainda o casal McCann por ter deixado Madeleine e os gémeos sozinhos enquanto jantavam.
Pois bem esta entrevista foi alvo de comentários ofensivos e xenófobos por parte do colunista Tony Parsons do tablóide britânico The Mirror.
Resta referir o autor de Oh, Up Yours Senor ("Oh, Meta-o no, Senhor") é tão só um jornalista de música, famoso por uma atitude provocadora. Parsons é ainda autor de vários romances de sucesso e de uma biografia autorizada de George Michael.
Tamos conversados.

29 de outubro de 2007

Uma boa notícia. Contrastando com a história das novas oportunidades, com o novo regime de faltas, saíu hoje da boca da sr. ministra uma boa notícia.
Maria de Lurdes Rodrigues referiu que estão a ser criadas condições para que as escolas possam promover visitas de estudo aos museus e espaços culturais mais próximos, sendo que é propósito da ministra «que todos os alunos, pelo menos uma vez por ano, durante a escolaridade obrigatória, possam ter essa oportunidade».
É uma boa notícia e que merece ser incentivada e não deixada cair no vazio.

Apoio integralmente. A falta de segurança nos comboios explorados pela CP Lisboa, nas linhas de Sintra, Cascais, Azambuja e Sado são a causa da greve de 24 horas convocada para amanhã pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante.
Apoio incondicional, sendo que é tempo de fazer algo mais do que brincar aos seguranças.

John Stalker é o responsável máximo pela polícia de Manchester e ficou bem conhecido por ter liderado uma famosa investigação sobre os separatistas irlandeses do IRA. Numa entrevista dada ontem ao "Sunday Express", Stalker fala sobre Maddie. Importa ler a entrevista ou, pelo menos o resumo no Correio da Manhã.

Uma imagem de altíssima definição do quadro A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, está desde sábado na internet, tendo sido colocada por uma empresa italiana de tecnologia, o que permitirá aos admiradores da arte e aos teóricos da conspiração uma avaliação da pintura nos seus próprios computadores.
A empresa de imagem digital de nome HAL9000, mesmo nome aliás, do computador assassino do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Kubrick, divulga no seu site, www.haltadefinizione.com, uma imagem com 17 gigapixels. Assombroso.

28 de outubro de 2007

Líder eleito, conflito a eito. Pode parecer um qualquer adágio alicerçado na sabedoria popular, mas não, acaba de ser inventado por mim e tem por fim salientar o desacato que continua a pairar sobre o PSD.
Eleito o líder parlamentar, foi de imediato dado início a uma caça às bruxas.
Agora o líder do partido gostaria de mudar a lei da eleição para o Conselho de Estado e António Capucho já é um "presidente de câmara de segunda linha". Boa, boa.
Realmente um líder partidário que não tem assento na bancada parlamentar nem no Conselho de Estado, tendo de ceder estes lugares num caso a um enfant terrible que quando puder passa-lhe a perna, noutro caso a um opositor declarado, é um líder mais que a prazo, é um simples passatempo.

Mas as adversidades continuam. Então não é que o deputado do PSD, que encabeçou a lista proposta por Luís Filipe Menezes para o Conselho Nacional, diz que irá à reunião de terça-feira defender o referendo ao Tratado de Lisboa: "Não deixarei de o fazer, o PSD é um partido de homens e de mulheres livres, um partido onde há liberdade de opinião, com o respeito também pelas decisões e pelas opções da liderança do partido."
Não é por nada mas Menezes quer o Tratado de Lisboa ratificado no Parlamento e não por refendo.

27 de outubro de 2007

Quer protagonismo. Quem olha para o ex-casapiano Pedro Namora, fica no imediato com a ideia que está perante alguém deveras ambicioso e que quer podium a qualquer preço, pelo menos é o que penso.
É dentro dessa linha que coloco as suas últimas declarações onde diz que tem na sua posse informações sobre abusos sexuais de menores ocorridos na actualidade e que está disposto a apresentá-los, sendo que está à espera de ser chamado pelo PGR.
Afinal toda a gente tem provas sobre os pedófilos (menos eu, claro). Uns esperam ser chamados pelo Procurador, outros entregaram a lista a não sei quem para ser divulgada daqui a 25 anos, enfim...
Mas voltando a Pedro Namora, ele diz mais: se o PGR não o chamar ele vai colocar-se "à porta da PGR".
Não sei porquê, mas vislumbro aqui alguns laivos de chantagem e o desejo de regressar à ribalta.
Ah... já me esquecia, fiquei perplexo com a frase dele. Diz Namora: "Sei que a rede pedófila, no essencial, não foi afectada dentro e fora da Casa Pia. As acções recomeçaram após o afastamento da provedora Catalina Pestana".
É impressão minha ou esta senhora disse na entrevista que os abusos continuaram enquanto provedora, sendo que ela foi impotente para travar isso mesmo.
Então como é que ficamos? Quem está certo? É que a bota não bate com a perdigota.

Vai estar presente quem tem que estar. É com estas palavras que Ribau Esteves, novo secretário-geral do PSD, dis a Pacheco Pereira que a nova direcção dispensa quer a sua presença no Conselho Nacional, quer as suas ideias sobre o referendo ou não do Tratado de Lisboa.
Resumindo: Pacheco é um produto descartável para os novos senhores do PSD e para o próprio partido no momento actual.
Não é por nada, mas fazem mal.

Ainda a fusão BPI/Milleniumbcp. Ainda sobre esta temática deve ler-se até ao fim o importante artigo publicado hoje pelo Correio da Manhã, especialmente na parte das remunerações.
Mas algo me preocupa. Com toda esta problemática de administradores, perdão de dívidas a uns, pagamento de dívidas de outros agora da fusão, ainda não vi ninguém referir-se às centenas, ou talvez milhares de microaccionistas, muitos dos quais são funcionários do Millenium e que foram induzidos pela sua entidade patronal a comprarem acções, alguns através de empréstimos no próprio banco.
E o que é verdade é que compraram acções a cerca de 5€ e agora, com toda esta bagunça, elas valem quase metade.
E os responsáveis desta brincadeira? Onde estão?

26 de outubro de 2007

Já não tenho a mínima pachorra para ver e/ou escutar o casal McCann e o seu elevado séquito de apaniguados.
Acho tudo demasiado nojento. A entrevista à cadeia televisiva espanhola "Antena 3" é de uma hipocrisia gritante. A filha merecia-lhes uma atitude mais digna.
Razão tem José Cabrera Fornero.

Primeiro foi a OPA. Agora é a OPT. Vamos lá descodificar estas siglas. Primeiro Teixeira Pinto, em nome do BCP avançou com uma Oferta Pública de Aquisição sobre o BPI que este considerou hostil.
A partir dessa data o BCP nunca mais se endireitou e caminhou sempre de escândalo em escândalo, até esta situação um tanto ou quanto débil e à mercê de um qualquer ataque, fosse ele nacional ou estrangeiro.
Era pois o momento ideal para Ulrich dizer de sua justiça.
Num trejeito mais soft avançou com a Oferta Pública de Troca.
Uma “fusão construtiva”, nas palavras de Ulrich, assente numa “proposta positiva” e com um nome elucidativo para o novo grupo financeiro: Millennium/BPI, sendo que a OPT se baseia na proporção de duas acções do BCP por cada acção do BPI.
Agora perspectivem a orgânica administrativa: terá um conselho de administração alargado, com 31 membros no máximo, incluindo os 9 que formam a comissão executiva.
O presidente do conselho de administração será pessoa indicada pelo Banco Comercial Português e o vice-presidente indicado pelo BPI.
Haverá mais 9 vogais [administradores não executivos] indicados pelos accionistas do Banco Comercial Português, SA (com excepção do banco BPI) e cinco outros indicados pelos accionistas do BPI, nos dois casos segundo regras que têm em conta a percentagem de capital detida.
Cada um dos accionistas do BCP e do BPI que venha a ficar com uma participação no Banco Millennium BPI, superior a 9 por cento, indicará dois vogais.
Como é evidente tudo isto em nome de um desejo de que este seja um banco nacional, desejo esse que me provoca um riso desmedido e isto porque bastará olhar para os accionistas do BPI e para os do BCP para perceber no imediato que os grandes accionistas do futuro banco serão os espanhóis do La Caixa, seguido dos holandeses da Eureko, logo no imediato os brasileiros do Itaú e depois é que aparece Joe Berardo, seguido da Teixeira Duarte. Só que a seguir à construtora aparecem a JP Morgan, a Sonangol, o Sabadell, a EDP, a Allianz, a Moniz da Maia e o Banco Privado Português.
Uma busca rápida no Google dá para ver quem são os accionistas nacionais e o seu peso, por isso está-se mesmo a ver que é um banco nacional não está.

Por falar em bancos, de Janeiro a Setembro deste ano, o BES registou o resultado líquido de 487,8 milhões de euros, mais 60,1 por cento que no mesmo período de 2006.
Está tudo louco.

25 de outubro de 2007

Quem tivesse hoje acesso ao "Destak" e que tenha por hábito levar a sério aquele que se afirma como "O maior diário gratuito português" e que tenha adquirido casa por empréstimo bancário, por certo que hoje teve um tremor no coração.
O referido diário ostentava na primeira página o seguinte título (corpo 60) "Prestação da casa aumenta 30%". Depois em corpo menor duas linhas que acabavam por remeter o leitor para a pág. 4 e aí o título já era "Preço do crédito aumenta 30% em apenas dois anos".
Este é que era um bom motivo para o Regulador intervir.
O facto de se ser gratuito não é motivo para um trabalho menos correcto e neste caso é mesmo um péssimo trabalho jornalístico.

Estávamos nós lá à espera de outra coisa. A Direcção da Organização Regional de Santarém (DORSA) do PCP delegou no secretariado local do partido «a competência» para aplicar «eventuais procedimentos disciplinares» em relação à deputada Luísa Mesquita, noticia a Lusa. Os procedimentos disciplinares a aplicar a Luísa Mesquita, refira-se, podem ser uma repreensão, a suspensão ou a expulsão do partido.
Desculpem, mas DORSA?!
E alguém tinha dúvidas que a DORSA?! (desculpem, é um nome...) não tinha competência, mesmo que até tivesse, para deliberar sobre a matéria?
Eu não tinha nenhumas dúvidas.

Acabou a greve dos pilotos, que provocou o cancelamento de 65 voos da TAP e prejuízos de cerca de um milhão de euros, está já agendada para sexta-feira uma paralisação dos trabalhadores da empresa de assistência aos aviões Groundforce.
O melhor é fechar a TAP e ponto final. Acabam-se os prejuízos constantes e para os utentes pouco importa, têm as companhias low cost a operar no nosso país.

24 de outubro de 2007

Para António Bagão Félix, ex-ministro das Finanças de Santana Lopes, o Orçamento de Estado é: manhoso, opaco, irrealista, predador, fantasista, acomodado, injusto.
Deste senhor espera-se tudo, até se espera que sejam apresentadas as contas relativas à Plataforma Aborto não, obrigado e que até ao momento ainda não aconteceu.
Mas deixo-vos aqui alguma prosa relativa a situações que envolvem este ex-ministro:

"Jornal de Negócios Onlinenegocios@mediafin.pt
Um despacho do ministro das Finanças com data de 27 de Dezembro e dirigido às Tesourarias manda que as receitas cobradas no dia 3 de Janeiro de 2005, sejam contabilizadas como receitas arrecadadas em 2004.
Bagão Félix explicou ao «Correio da Manhã» que se trata de um "procedimento normal", em virtude da tolerância de ponto concedida aos funcionários públicos no dia 31 de Dezembro. "Tive o cuidado de, no meu despacho, referir que apenas podem ser contabilizadas como receita de 2004, os pagamentos que forem realizados no dia 3 de Janeiro referentes ao cumprimento de obrigações fiscais cujo prazo terminaria no último dia do ano. Os contribuintes não podem ser prejudicados pelo facto de os serviços não estarem a funcionar".
O ministro nega qualquer violação da Lei de Enquadramento Orçamental que, no seu artigo 4.º estabelece o Princípio da Anualidade do Orçamento. "Estamos a falar de receitas respeitantes ao ano de 2004. Qualquer imposto que seja pago em Janeiro referente a 2005 será inscrito como receita desse ano", adiantou Bagão Félix, que justificou o despacho com base no artigo 72.º do Código de Procedimento Administrativo. No despacho a que o CM teve acesso, o ministro das Finanças atribui aos serviços a competência para verificar a data das obrigações fiscais.
No entanto, fontes contactadas pelo CM consideram que esta "operação escritural" é duvidosa e referem o facto de a receita ser efectivamente cobrada em 2005. "Tal como diz a lei, se o pagamento se difere para o primeiro dia útil seguinte, os contribuintes nunca poderiam ser penalizados e, embora a receita corresponda a uma obrigação fiscal de 2004, ela é cobrada em 2005 e, como tal, deveria ser inscrita no Orçamento de 2005.
O ministro das Finanças considerou serem praticamente "irrelevantes" as verbas cobradas nos últimos dias do ano, e mantém as expectativas que a receita fiscal tenha um crescimento da ordem dos 260 a 270 milhões de euros."

"Primeiro-ministro contraria Bagão Félix no IRS
Por João Ramos de Almeida - Público de 12.10.2004
O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, anunciou ontem uma redução das taxas do IRS em 2005, o que contraria as declarações públicas do ministro das Finanças e da Administração Pública quando negou, recentemente, haver margem financeira para mexer nas taxas do imposto e que apenas poderia efectuar uma alteração dos escalões de rendimento, com vista a baixar a carga fiscal dos mais desfavorecidos.

Na sua intervenção, Pedro Santana Lopes prometeu que essa redução de taxas - "pela primeira vez, desde há vários anos" - seria feita, ainda, "sem deixar de fazer a normal actualização dos escalões". As actualizações dos limites de escalão dos rendimentos têm sido feitas, nos últimos anos, abaixo da inflação, o que tem sido criticado pela oposição como um sinal de um agravamento fiscal. Face a essa situação e dada a promessa do Governo de reduzir as taxas médias do IRS - que Santana Lopes classificou em 2002 ser "sem dúvida arriscada" - o ministro das Finanças, Bagão Félix, declarou que seria possível criar um escalão de IRS, dirigido para os rendimentos mais baixos, o que corresponderia - para essa categoria de contribuintes - a um desagravamento fiscal. Esse desagravamento seria financiado com a quebra de benefícios fiscais concedidos com a subscrição e reforço dos planos poupança reforma, reforma/educação, acções e contas poupança habitação. Ontem, o primeiro-ministro deu a entender que o desagravamento seria global e para todos os contribuintes, sem nunca referir o que aconteceria a esse incentivos fiscais. A par dessa promessa, o primeiro-ministro deu indícios, por outro lado, de recuar nas suas promessas de aumentar o poder de compra dos funcionários públicos. Logo após a sua indigitação, Santana Lopes declarou que haveria folga orçamental "sempre estreita" para não repetir os aumentos parciais do funcionalismo decididos por Manuela Ferreira Leite e conceder uma recuperação do poder de compra (SIC 11/07/2004). Anteontem, no calor das eleições regionais, prometeu uma "recuperação do poder de compra" dos vencimentos da Função Pública, "ao nível da inflação" e, ontem, mais comedido, prometeu apenas um "aumento para toda a Função Pública", sem especificar em que dimensão. Para os pensionistas, Santana Lopes anunciou que os aumentos de pensões vão variar entre 2,5 e nove por cento, para cumprir a tarefa de fazer convergir as pensões mínimas para o salário mínimo nacional, uma medida que atingirá 1,5 milhões de pessoas. Prometeu ainda resolver "o problema do défice continuado e crescente do Serviço Nacional de Saúde" e pagar a totalidade das dívidas dos fornecedores do Estado, a ser conseguido através da emissão de dívida pública. Esta medida repete aquela que o Governo Durão Barroso adoptou no final de 2002, quando saldou as dívidas então existentes, distanciando-se da gestão orçamental dos governos socialistas. Santana Lopes não especificou que essas dívidas foram criadas pelos governos da actual maioria. As medidas anunciadas serão adoptadas sem quebrar a promessa de cumprir uma meta orçamental de o défice não ultrapassar os três por cento do Produto Interno Bruto. O primeiro-ministro deu um sinal de optimismo ao divulgar que nos dados recolhidos até Agosto passado - ainda não divulgados - as receitas fiscais de IRC estão a crescer a 9 por cento e as do IVA a 6,4 por cento, embora não tenha revelado a evolução do total da receita fiscal."


"As verdadeiras ''preocupações sociais e fiscais'' de Bagão Félix
Edição: 2004.10.14 de Frente Oeste
Artigo de opinião de Jorge Humberto Hilário Santos
O Ministro Bagão Félix, agora investido em novas funções, (Ministro das Finanças) depois da remodelação governativa que incluiu o 1º Ministro, não pára de nos surpreender com as suas "preocupações sociais e de mais justiça fiscal".Utilizando dados oficiais, um estudo de investigação realizado pelo Economista Eugénio Rosa e um conjunto de informação dispersa pela Imprensa Nacional, provam facilmente que entre os discursos e os actos vai uma enorme distância! Verifico que os últimos tempos ficaram marcados por inúmeros feitos de compadrio, favoritismo e outros que são verdadeiros atentados à dignidade de quem trabalha. Para uma melhor compreensão do que acabo de referir, destaco: • A Reforma de Mira Amaral e a de António Sousa (Administradores da Caixa Geral de Depósitos) 18 mil € /mês e 615 mil € na totalidade, respectivamente; • João Paulo Velez - Assessor de Santana Lopes, 10 mil €/mês; • Oliveira - EDP - 716 mil €;• Director Geral dos Impostos - 25 mil €/mês; • Assessor de Paulo Portas - 4800 €/mês; • Adjunto de Paulo Portas, Nuno Gonçalves, seu sócio na empresa de sondagens Amostra, com um salário superior ao do Ministro, sem esquecer as entradas recentes da ex-ministra Celeste Cardona para a CGD, do Filho de Marcelo e do Irmão do Santana Lopes para a PT, todos eles com vencimentos muito acima dos praticados pelas respectivas empresas. Muitos outros exemplos poderiam ser dados sobre esta matéria. Referir apenas mais um aspecto que ilustra bem a natureza deste governo, que nem a sua influência nos Média consegue esconder o seu ridículo. É o caso de uma iniciativa organizada a semana passada por Paulo Portas, para anunciar o cumprimento de uma promessa em relação aos ex-combatentes, na qual o Ministro com o seu "ar sério e com a solenidade a que o acto obrigava", atribuiu uma pensão de 150 € anuais, menos de 50 cêntimos/dia aos mesmos. Simplesmente vergonhoso. Tudo isto com a cumplicidade de Bagão Félix. Ficamos também a saber através do estudo a que faço referência no inicio, de que: 1- A receita fiscal perdida pelo Estado no período compreendido entre 2000-2004, devido aos benefícios fiscais concedidos, que se encontra contabilizada no Relatório do Orçamento do Estado para 2004, somou 5.113,5 milhões de euros. 2- No entanto, estes valores de receita perdida estão muito abaixo dos reais porque existe muitos benefícios fiscais, nomeadamente concedido às empresas, cuja receita perdida pelo Estado não se encontra contabilizada naqueles números como se confessa mesmo na pág. 67 do Relatório do Orçamento do Estado de 2004. 3- Utilizando dados publicados pelo Ministério das Finanças (Direcção Geral dos Impostos) estimamos que a nível do IRC a receita fiscal perdida pelo Estado devido a benefícios concedidos às empresas que não se encontram incluídos no total de despesa fiscal constante do Relatório do OE para 2004 atingiu, só no período 2000-2002, cerca de 5.725 milhões de euros quando os contabilizados no Relatório somam apenas 651 milhões de euros. 4- Assim os benefícios fiscais que Bagão Félix pretende reduzir para implementar uma "maior justifica social" (diz ele), que os media têm mais falado, e que se referem aos PPR, CPH e PPA que, por incidirem sobre os IRS beneficiam alguns segmentos de trabalhadores, representam apenas 27,9% da receita fiscal perdida que se encontra contabilizada no Relatório do OE para 2004, e cerca de 9% se incluirmos os benefícios a nível do IRC que não se encontram contabilizados nos valores constantes daquele Relatório. Portanto, os benefícios que Bagão Félix pretende reduzir têm um peso diminuto sendo por isso os seus efeitos também muito reduzidos. É apenas uma árvore de uma floresta que o ministro parece não querer ver. 5- As empresas que apresentam prejuízos são duplamente beneficiadas de acordo com a lei fiscal actualmente em vigor, lei essa que Bagão Félix não pretende alterar. E são beneficiadas nos anos em que apresentam prejuízos pois não pagam impostos, e são beneficiadas também nos seis anos seguintes porque podem deduzir os prejuízos acumulados nos anos anteriores nos lucros eventualmente obtidos durante seis anos continuando, desta forma, a não ter de pagar IRC. O caso mais falado foi o da PT que teve elevados prejuízos no Brasil e que não pagará impostos ao Estado pelo facto de os poder deduzir nos seus lucros em Portugal. 6- De acordo com estimativas que realizamos com base em dados publicados pela Direcção Geral dos Impostos do Ministério das Finanças concluímos que, só no período 2000-2002, os prejuízos deduzidos nos lucros deste período mais os prejuízos registados neste período que serão deduzidos nos lucros dos anos seguintes determinará uma perda de receita fiscal para o Estado que avaliamos em 12.332 milhões de euros (2.467 milhões de contos). 7- A taxa efectiva de IRC paga pelas empresas corresponde apenas a 66% da taxa legal Em 2002, por exemplo, foi apenas 19% quando a taxa legal era 30%. O governo PSD/PP reduziu a taxa legal de IRC de 30% para 25% a vigorar em 2005 embora aplicada já aos lucros de 2004, o que determinará, por um lado, a redução da taxa efectiva para cerca de 14% se se mantiverem os mesmos benefícios e privilégios fiscais para as empresas e, por outro lado, uma perda de receita para o Estado, já em 2005, superior a 600 milhões de euros, como o próprio ministro das Finanças reconheceu perante as câmaras de TV. 8- A evasão, a fraude e a fuga ao pagamento de contribuições e descontos à Segurança Social aumentaram enquanto Bagão Félix foi ministro da Segurança Social, apesar de ter prometido quando tomou posse, à semelhança do que sucede actualmente, que iria combater com firmeza a evasão e a fraude. Assim, no período 2002-2003 a Segurança Social perdeu receitas avaliadas em 4.538,3 milhões de euros (1,7% do PIB), enquanto nos dois anos anteriores tinha perdido receitas avaliadas em 3,274,5 milhões de euros (1,4% do PIB), ou seja, com Bagão Félix a evasão e a fraude cresceu em cerca de 38,5% (mais 1.263,8 milhões de euros) em apenas dois anos. Os comentários são desnecessários. O ministro Bagão Félix tem sempre a preocupação de vender medidas, muitas delas gravosas para os trabalhadores, embrulhadas em preocupações sociais para assim as fazer passar melhor aos olhos da opinião pública."

Para que conste, este senhor foi no
XV Governo Constitucional foi Ministro da Segurança Social e do Trabalho e no XVI Governo Constitucional foi Ministro das Finanças.
Existem muitos mais textos, mas ficamo-nos por estes, e não falei da tributação dos futebolistas...

Uns brincalhões. O secretariado do Comité Central do PCP anunciou hoje, ter retirado a confiança política a Luísa Mesquita nas funções que desempenha como deputada na Assembleia da República e como vereadora na Câmara Municipal de Santarém e justificou a decisão acusando Luísa Mesquita de levar a cabo um constante afrontamento à direcção, de "proferir afirmações públicas ofensivas" para o partido e de ter praticado uma "reiterada e inaceitável violação dos estatutos".
Como é que o PC vem agora dizer que retira confiança política, se já a tinha retirado em Novembro de 2006?
Assim serão precisas duas perestroikas e não somente uma.

23 de outubro de 2007

Nem sei como classificar... A notícia mexe com o mais insensível que seja. Por mim este delegado de saúde ia pastar caracóis para a Indochina, mas a grande velocidade, já que na função pública ele não ficava nem mais um segundo.
As declarações dele "...Neste caso era uma mulher que sofria de problemas de saúde e entendi, face à hora em que fui contactado (ao final da noite de domingo) que a confirmação podia esperar pelas 08h00 de segunda-feira, uma vez que tinha de me deslocar 80 quilómetros" são vergonhosas e insultuosas para a dignidade humana.

Começou a caça às bruxas. Santana Lopes já mandou José Luís Arnaut (que liderava a Comissão de Negócios Estrangeiros), Miguel Relvas (que presidia à Comissão de Obras Públicas) e José Matos Correia (que estava à frente da Comissão de Ética) às urtigas. Em nome da "renovação", já mandou os homens de Barroso (mas que apoiaram Mendes) dar uma curva. Começou, no PSD, a "noite dos facas longas". Desengane-se quem pensava que Santana não se ia vingar da travessia do deserto a que foi obrigado.

Não chega lavar... O pagamento voluntário que o engenheiro Jardim Gonçalves fez da dívida anteriormente declarada incobrável pelo banco e pela qual um dos seus filhos é responsável, não mata de vez a questão.
Só o facto de existir suspeita de que possa ter havido tratamento de favor a um filho de presidente de banco é grave (claro que devemos esperar pelo final da investigação em curso das instâncias de supervisão para confirmar se a lei foi ou não infringida) e tem com toda a certeza consequências para a vida e o bom-nome do banco em questão.
Para além disso coloca-se a questão: os outros favorecidos? Não acredito que Jardim Gonçalves não soubesse de nada, até porque importa dizer que Filipe Pinhal e Alípio Dias são dois homens de mão de Jardim Gonçalves.
Resumindo. não basta lavar, é preciso fazer a prova do algodão e, neste caso, ele sai preto e bem preto.

22 de outubro de 2007

E agora? A guerra aí está. A Turquia avança em território iraquiano com a desculpa dos curdos. Se fizermos marcha-atrás no tempo, lembrar-nos-emos de certo da satisfação com que a Turquia assistiu ao derrube de Saddam, quanto mais não seja porque de há muito que vinha lançando o olho aquele espaço.
Por outro lado quando perceberam que os curdos estavam a apoiar e a ser apoiados pelos invasores do Iraque depressa se esvaneceu a sua alegria e de imediato aumentou a sua preocupação.
Convém não esquecer que após a Primeira Guerra Mundial, em 1920, um acordo internacional prometeu aos curdos a criação de um Estado, mas três anos depois Kemal Ataturk anulou a decisão e reprimiu o nacionalismo curdo.
Vejam a diferença: aos Judeus não foi só prometido, foi-lhes dado de bandeja um espaço roubado a outros e que por sua vez eles próprios se encarregaram de aumentar sem olhar a meios. Aos curdos, foi-lhe prometido, mas nada lhe foi dado e ainda por cima foi feita uma tentativa de limpeza étnica.
Mas a política internacional é feita de hipocrisia.
Reparem: os europeus não querem a Turquia na Comunidade Europeia e vão sempre adiando a questão, só que para tirarem com uma mão têm que dar com a outra, por isso são contra os curdos e a favor da Turquia.
Os americanos apoiaram os curdos qundo se tratou do derrube de Saddam no Iraque, mas agora e porque os Turcos podem fechar as bases americanas que existem no seu território, vai de apoiar os turcos.
Tenham vergonha na cara e pensem que por estar a começar um novo imbróglio igual ao que hoje se verifica entre os israelitas e os palestinianos.
Uma coisa é certa: se Saddam não conseguiu destruir o PKK (O Partido dos Trabalhadores do Curdistão), não vai ser a Turquia a consegui-lo.

Para mais, podem ler:
- Os curdos e a Turquia; Curdos; Curdistão e muitos outros.

Fiquei a saber (vi fotografias do autocarro da Câmara de Aviz) que existiram câmaras do PCP que cederam os seus transportes para trazer pessoal para a manifestação e possivelmente até existiram pessoas arregimentadas em lares e associações.
Fiquem a saber que sou contra.
Fica mal na fotografia a CGTP e sem necessidade.
Já as autarquias nem merecem comentário, só espero é que se forem investigadas sobre gastos depois não digam que foi retaliação.

19 de outubro de 2007

É difícil começar o "post" de hoje. A indignação é tanta que me apetecia escrever três ou quatro palavras que podemos encontrar no Dicionário de Calão.
O primeiro-ministro inglês veio a Lisboa na sequência da reunião para a assinatura do Tratado de Lisboa, mas ao que parece os fundamentos da sua viagem são outros.
O sr. Gordon Brown esteve reunido com Sócrates para falar do caso Madeleine McCann (ao que parece, e tomando em consideração a resposta dada a um jornalista britânico, não é a primeira vez que tal acontece).
Ora eu, comum mortal, pensava que essa era uma questão de polícia e não de política, aliás estou em crer que se alguns políticos ingleses não tivessem metido o bedelho as coisas poderiam ter já outra luz que não têm. Toda a movimentação política à volta deste caso me tem aumentado o sentimento anti-britânico.
Ainda sobre este caso gostaria de ter visto o sr. Brown a pedir desculpas à PJ pelas alarvidades que os média e a família MacCann têm dito, mas claro isso era ter que engolir o fleuma britânico facto que se torna impensável.
Para além desta matéria, acredito que também a história com Mugabe tenha vindo "à tona de água".
Que diabo, a gente sabe que Robert Mugabe não é aquilo que podemos designar por democrata, aliás não é fácil encontrar em África países onde impere uma verdadeira democracia. O que se verifica é que os governos trabalham em prol de uma casta de dirigentes e do seu séquito, desprezando, ou alheando-se da globalidade. Mas para a existência deste facto muito contribuiu a Grã-Bretanha enquanto potência colonizadora, que mais não fez do que (à semelhança de outros países) impôr naquelas longínquas paragens conceitos de poder, de vivência e mesmo culturais que em nada se adequavam à população nativa.
Mas voltando à questão principal importa salientar este facto: Mugabe é um ditador todos nós sabemos, mas Brown chegou ao poder como? Por sufrágio? que eu saiba não.

Jerónimo está contra o Tratado. Não era preciso ele vir dizer que nós já tínhamos percebido isso mesmo. Bastava ter olhado para a manifestação da CGTP para percebermos isso mesmo, portanto estas declarações são, para assim dizer, a cereja em cima do bolo.
É um facto que foi uma manifestação de peso, ninguém pode escamotear isso, mas também não podemos escamotear que a CGTP está cada vez mais só a nivel internacional, arriscando-se mesmo a nada mais ser do que apenas um bastião do PC e nada mais. Para além disso é necessário uma reforma grande e urgente a nível dos dirigentes sindicais, mas isto para as duas centrais.
A permanência por seculum seculorum é não só um sinal de carreirismo, mas é também um sinal de medo de uma realidade bem diferente.

18 de outubro de 2007

A vencedora do mais prestigiado galardão da literatura inglesa, o Booker Prize, Anne Enright, assina um artigo de opinião onde diz que a sua família “não gostou dos Mc-Cann” desde o início do caso.
Um artigo espectacular.

17 de outubro de 2007

Tenho de penitenciar-me. Ontem falei aqui sobre a candidatura de Santana, sendo que ela deixa muito a desejar porque continuo a pensar que Santana Lopes deveria ter-se afastado das luzes da ribalta.
Mas depois de conhecer a lista, sou obrigado a dar a mão à palmatória num aspecto: Santana Lopes incluiu na sua lista o nome de Vírgilio Costa que é tão só um dos deputados mais faltosos do Parlamento.

Um dos deputados mais interventivo na reunião com o ministro da Administração Interna na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a propósito do caso dos polícias que foram à sede do Sindicato dos Professores na Covilhã, foi o social-democrata Paulo Rangel (que tinha já feito uma intervenção sobre o mesmo tema no plenário) que considerou "completamente inconstitucional" e "descabido" que se definam normas "sobre o modo como se exerce o direito de manifestação".
Realmente Paulo Rangel é alguém que sabe da matéria e sabe bem o que é o direito de manifestação. Bastará lembrarmos que este mesmo deputado foi avisado para estar calado quando teve a ousadia de referir que Pedro Santana Lopes não pode ser líder de bancada parlamentar do PSD".
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

16 de outubro de 2007

Eu ontem avisei. As eleições para a direcção do grupo parlamentar do PSD são só na quinta-feira e Santana Lopes já actua como se fosse chefe plenipotenciário da coisa, o que não deixa de ser curioso.
Vai já arrematando que os deputados estão prontos para o debate orçamental e continuou com os ataques a Mendes numa linha que já vinha de algum tempo atrás por causa do anterior líder não defender o seu Governo[Santana] nos debate com Sócrates.
Agora reparem onde e como estas declarações são feitas, nada mais nada menos à saída de uma reunião com o actual líder, Marques Guedes, a quem apresentou cumprimentos e reafirmou a sua decisão de se candidatam à liderança do grupo parlamentar.
Mas como o "picante" é o tempero chave de Santana, este lá declarou à saída da reunião que lamentava não haver tempo para se reunir com a bancada antes das eleições, marcadas para quinta, num género de reuniões para quê, quem manda sou eu e ponto final.
Ah!... e sobre Menezes, nada.

15 de outubro de 2007

Foi um fim de semana importante. Catalina Pestana continuou a verborreia que tinha iniciado na edição anterior do "Sol" e em Torres Vedras nasceu a bicefalia que passará a dirigir o PSD, para além de uma dose enorme de populismo perfeitamente absurdo.

Vamos à senhora ex-Provedora. Cada vez que abre a boca dá um tiro no pé. Para além de continuar a demonstrar um ódio de estimação a Paulo Pedroso, desta vez decide embrulhar também Ferro Rodrigues (A seguir, foram reveladas as suspeitas sobre Ferro Rodrigues. Como as encarou? Já lhe disse que, depois da prisão do dr. Paulo Pedroso, só a acusação de que o meu filho fosse abusador me espantaria.)
Mas desta vez vai mais longe. Quando questionada sobre o não ter dado conta dos abusos quando esteve na Casa Pia antes de ser Provedora, respondeu assim:
...[Entretanto, estava a trabalhar onde?
Trabalhei no Colégio Feminino Francês e no Liceu de Almada. Em 1975, fui para a Casa Pia, dirigir o Colégio de Santa Catarina. O provedor à época, José Augusto Pereira Neto, meu amigo, queria reformular aquilo tudo. Devo dizer, aliás, que é um dos únicos, desde os anos 60, que sai completamente incólume deste processo. Eu não queria, mas ele convenceu-me: «Aqui estão os filhos dos mais explorados dos portugueses. Se temos poder para isso, temos obrigação de fazer diferente». Eu era completamente incompetente: de internatos só sabia o que tinha lido em livros de autores ingleses do século XIX. Mas tinha algo que não se aprende em nenhum curso: capacidade de ouvir e algum bom senso. Não tinha nenhumprojecto, fomo-lo construindo juntos. Estive lá seis anos. Depois fui trabalhar na Provedoria e no Colégio de Pina Manique, como professora, mais seis anos.
E não se apercebeu de que havia alunos que eram vítimas de abusos sexuais?
Não. Quando Ramalho Eanes foi lá, em 1976, e os alunos fizeram aquele manifesto alertando para o problema, onde estava? Enquanto o Presidente da República estava com a direcção da Provedoria, eu e outra pessoa fomos fazer companhia à primeira-dama, Manuela Eanes, e mostrar-lhe o Colégio de Pina Manique. Lembro-me de ter proferido uma frase muito pouco elegante, quando ela disse, a certa altura: «Mas eu já não sei onde estou, isto é muito grande». E eu disparei: «Então imagine que tem sete anos e a deixam aqui sozinha; como é que se sentiria?». A dra. Manuela Eanes, amiga que muito prezo, tinha dito antes que com muito amor e carinho resolvia-se tudo. Nós precisávamos era de obras. Mas acho que compreendeu o meu desabafo. Portanto, não ouvi nada do que se passou com o general Eanes. Mas soube do ‘levantamento de rancho’ e assisti ao jantar e ao discurso do Presidente.
Como é que, durante 12 anos, nunca se apercebeu de algo com esta dimensão? Nem com o caso dos miúdos desaparecidos e depois encontrados em casa de Jorge Ritto, nos anos 80?
Nada. Mas percebo porquê. Como adjunta do vice-provedor, já não ia às reuniões de conselho (embora, ao que me disseram, esse caso não tenha sido discutido em conselho).
E não era um assunto que se comentasse?
Se se comentava, era no Colégio Nun’Álvares. Nos outros colégios não se chegou a saber. Santa Catarina tem um edifício diferente, menos exposto (só tem uma porta) e era o único internato misto da Casa Pia, pois acolhia grupos de irmãos. Portanto, comparado com grandes colégios masculinos como o Maria Pia, o Pina Manique e o próprio Nun’Álvares, o Santa Catarina era o mais pequeno e o mais resguardado, pelo que, para qualquer pedófilo, não valia o esforço. Além disso, os grupos de irmãos autoprotegiam-se. Eu tive problemas, sim senhora, mas com as meninas que fugiam. Cheguei a ir às boîtes buscá-las. Tive uma, de 12 anos, que engravidou e quis dar à luz o bebé. Portanto, os problemas que tive foram os ‘normais’, de quem tem grandes grupos de miúdos a crescer.]

Vejam só a senhora possuidora de uma vivência assinalável à época (Pide, bombas, Otelo, Fup, etc. e etc.) não se apercebeu de nada...
Não sei porquê, mas vem-me à ideia a célebre história do Arcebispo de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, quando em 1991, a RTP transmitiu "o Império dos Sentidos", de Nagisa Oshima, transmissão essa que caiu que nem bomba na Igreja e que levou o referido arcebispo de Braga a afirmar ter aprendido em dez minutos de filme mais do que na vida inteira (!).
Mas há mais.
Esta senhora foi nomeada (ou pediu para ser nomeada, existem declarações contraditórias) para defender os "meninos".
Podemos pois concluir que não conseguiu defender nada nem ninguém, já que diz que os abusos e as redes continuam. A ser assim qual foi o trabalho que desepenhou? O que é que esteve lá a fazer. Eu no caso dela teria pedido a demissão por incapacidade, mas claro isso sou eu?
Também não percebo o regozijo de Bagão Felix. O falhanço dela também é o dele.
Não sei se haverá terceira parte. Mas se não há, está mal.
Na primeira apareceu Paulo Pedroso. Na segunda continuou Pedroso, apareceu Ferro e a Maçonaria. Na terceira será quem: o Herman e a Opus Dei?
Mais uma vez ganha a hipocrisia. Parece que esta senhora tem mais nomes (segundo ela diz) mas estão em mão segura.
Haja coragem, publiquem-se os nomes doa a quem doer.
Aqui fica a entrevista (1.ª e 2.ª partes) na íntegra. Tem tanta incongruência que ameaça transformar-se num tratado de idiotice.
Numa coisa a senhora tem razão: a aclamação de Pedroso na Assembleia da República não foi bonita de se ver.

Agora o congresso. Decorreu durante o fim-de-semana o congresso do PSD que, valha a verdade, não trouxe alterações de grande monta.
Quanto aos órgãos do partido é a convergência que se impunha. Todos ao lado do líder e acredito que assim continue durante quatro a cinco meses. A partir dessa data as coisas vão alterar.
Por outro lado a questão do populismo está tão arreigada que nem no congresso conseguiu passar sem ela.
Sim porque a questão de convidar Ferreira Leite para continuar na presidência da mesa do congresso, mais não foi do que um assomo populista conjugado com o presente envenenado. Populista porquanto os convites para os órgãos de um partido e nomeadamente para lugares de destaque, devem ser feitos tendo os restantes membros da equipa já sinalizados, não vá acontecer que se fique a presidir a uma equipa da qual não gostamos e nem somos capazes de trabalhar.
Mas este convite foi também um presente envenenado, já que Menezes deu a entender que estava a fazer o convite, não só pelo discurso de Manuela Ferreira Leite, mas também porque tinha sido importante o seu trabalho anterior no apoio aos seus pontos de vista.
Isto, numa leitura transversal e para os congressistas presentes, significou que Ferreira Leite apoiou Menezes e isso não é verdade.
Mas populista foi também a declaração sobre a autonomia dos Açores e da Madeira.
Não cabe aos arquipélagos definir a sua autonomia. A sua autonomia provém de leis emanadas da República que, discutidas com os Governos Regionais, formam a legislação aplicável na totalidade do território português. Andou mal Menezes ao agitar parangonas que ele sabe que não são viáveis. Isto é populismo puro e duro e a pensar nas eleições na Madeira e nos Açores no próximo ano, sendo que também aqui já vai tarde, uma vez que Jardim e César já pensaram nisso antes e cada um à sua maneira e jogando os trunfos que têm.
Ainda no que respeita às ilhas, Menezes provocou um terramoto, possivelmente sem querer, mas provocou.
Deu destaque a Mota Amaral e não a Costa Neves e como este último será, por certo, o adversário de César, fica, à partida, logo num patamar inferior.
Mas se foi assim com os Açores, com a Madeira foi bem pior.
Miguel Albuquerque, presidente da Câmara do Funchal, foi apoiante de Menezes, contrariando a tendência geral que foi de apoio a Mendes. Ora a contrapartida foi a sua nomeação para número dois de Conselho Nacional, logo após Mota Amaral.
Ora convém não esquecer que o Governo Regional procedeu a uma auditoria à Câmara do Funchal, e as conclusões foram devastadoras para Miguel Albuquerque.
Mas há mais. Convém que não nos esqueçamos da disputa que vai acontecendo nos bastidores para substituir Jardim. E é dentro desta disputa que o truculento Jaime Ramos, secretário-geral do PSD-Madeira, tem canalizado um apoio quase secreto a Abuquerque, já que é voz corrente que Ramos anda agastado com Jardim por este não abandonar e dar o seu lugar a Jaime Filipe Ramos, nada mais nada menos que o filho de Jaime Ramos.
Mas se nas ilhas a coisa pode ficar preta, no continente vai ficar de certeza.
Vejamos: Santana Lopes vai a líder parlamentar, disso não há a menor dúvida, e Menezes não tem assento no Parlamento. Sendo assim com quem é que vai debater Sócrates? Com Santana pois claro.
E onde fica Menezes? Numa visão peripatética diremos que Menezes vai ficar na rua a tocar a campainha e a pedir a todos os santinhos que alguém lhe venha abrir a porta.
Sendo assim Santana está de novo como quer, ou seja e em linguagem de gestão, diremos que Santana vai ser o administrador executivo e Menezes o "charmain", ou seja um cargo importante mas sem poder decisório.
Se a este poder bicéfalo juntarmos o facto de Menezes não ter um terço do congresso, poderemos afirmar que continuam problemas como dantes, não em Abrantes, mas sim na S. Caetano à Lapa.

12 de outubro de 2007

O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, manifestou-se preocupado com casos como o que ocorreu segunda-feira numa sede sindical na Covilhã e desafiou os notáveis do PS a insurgirem-se contra este tipo de situações.
Menezes declarou que “estamos a acompanhar estes casos [na Covilhã e em Montemor-o-Velho], que não são isolados, com muita preocupação. Estamos com um problema sério de liberdades e julgo que é altura de vozes do Partido Socialista como o Dr. Mário Soares, o Dr. Jorge Sampaio ou o Dr. Vera Jardim - referências da liberdade em Portugal - se insurgirem e se indignarem contra isto, que nunca na vida tinha acontecido em 30 anos de democracia” e rematou dizendo "estamos numa situação muito grave e o PSD, se não tiver explicações cabais no Parlamento ainda esta semana, poderá vir a utilizar todos os instrumentos que existem no Estado de Direito para censurar o governo numa matéria que é muito delicada".
Não podia estar mais de acordo com Menezes. Acho que é um mau presságio para a liberdade individual e colectiva de um povo.
Agora também é um facto que Menezes não tem voz activa em matéria de liberdade e isto porque convém não esquecer que após a sua eleição e face aos comentários de Marcelo e Pacheco ele instruiu alguna elementos para pedir a expulsão dos comentadores do partido e olhem que eu sou insuspeito neste caso, já que não partilho das teorias de um e de outro.

O congresso do PSD que hoje tem início viu ser-lhe reduzida a margem de manobra com a divulgação dos bons resultados orçamentais.
A questão dos impostos já tinha corrido mal a Patinha Antão, mas os resultados agora divulgados estrangulam por completo a capacidade de oposição de Luis Filipe Menezes.
Ora vejamos: Menezes só poderá contestar a política económica do Governo, a reestruturação do aparelho do Estado que ainda falta e redução da despesa que ainda não chegou aos valores ideais, já que quanto a investimento público não pode falar já que Sócrates sustentado por uma base financeira mais sólida teve espaço para relançar o investimento público. Quanto ao défice, o tema está anulado já que o anúncio de um défice público de 3%, já em 2007, significa para os outros 12 parceiros da Zona Euro que o último país em transgressão saiu do défice excessivo, um ano antes do prometido, coisa que com o PSD no Governo nunca aconteceu.

Gostei do artigo de Fernanda Câncio.

Esta coisa do Rodrigues dos Santos, da RTP e do "Público" está a originar na minha cabeça alguma confusão.
Primeiro porque não sou ignorante ao ponto de acreditar na ingenuidade do jornalista quando fala de 2004, mas de certa maneira deixa algumas dúvidas referentes aos dias de hoje.
Segundo, porque sei que a RTP não é de todo inocente nestas questões.
Terceiro, porque é conhecido o atrito entre o "Público" e a RTP.
Quarto, espero que toda esta rocambolesca história não seja o fruto da ida de Paulo Camacho da SIC para a PTM, da subida de Guedes de Carvalho à direcção de informação da SIC, ou à falta de um rosto "credível" no "Jornal da Noite" da TVI.
Aguardemos pois.

9 de outubro de 2007

Hoje queria escrever sobre Maddie, mas faltam-me as palavras, pois a morte acabou de levar alguém com quem privei e que conheci bem.
A morte, como em muitas outras situações foi injusta, cega e prepotente e roubou-nos o Fausto Correia.
Diz António Arnaut e muito bem, "a vida ficou a dever-lhe muitos anos".
Perdemos todos. Perdemos nós um amigo, a política um homem de causas, democrata e republicano dos sete costados e Coimbra perdeu alguém que sempre soube colocar a sua cidade acima das quezílias pessoais e/ou políticas e talvez poucos saibam, mas a fotografia também ficou a perder e muito.
Até sempre.

8 de outubro de 2007

Pois não é que tenho razão?! Disse aqui ontem que as elites do PSD iriam ficar na penumbra até que pairasse uma qualquer réstea de Sol.
O primeiro já está. Chama-se Marcelo Rebelo de Sousa e declarou ontem no seu programa na RTP que não vai ao Congresso.
Diz o comentador que não vai aceitar o desafio de Santana Lopes, porque “não há nada a discutir, está tudo decidido”.
Claro que ficámos todos a perceber as verdadeiras razões do sr. Professor, são elas Manuela Ferreira Leite, Ângelo Correia, Santana Lopes, Duarte Lima e os próprios congressistas pois então.
Para quem se diz sempre de "peito aberto às balas", não é uma posição muito curial, ou então o kevlar já está fraco.

O "Diário Económico" dedica hoje 4 páginas (6, 7, 8 e 9) à questão das linhas de muito alta tensão e à REN.
As linhas de alta tensão da REN, do traçado sul Tunes-Portimão e de Sintra têm causado protestos das populações, queixando-se estas de desconhecimento dos projectos.
Claro que as pessoas podem contestar, é um direito que, felizmente, nos assiste.
Mas convém que os protestos não deixem argem para quaisquer dúvidas.
E por isso importa esclarecer o seguinte:
As populações querem o quê afinal? Que as linhas sejam retiradas? E porquê? Por questões de saúde? Por questões de estética?
Convém que quando as pessoas se manifestam saibam o porquê.
Há pessoas que vêem naquelas linhas o foco de problemas de saúde e acham que o melhor é retirar os postes e enterrar as linhas.
Também estou de acordo, só não entendo é como é que se as linhas passarem a subterrâneas acabam os problemas de saúde? Que eu saiba o que as linhas emitem são radiações e essas quer seja no ar quer seja no chão, propagam-se na mesma.
E a propósito de estética e de radiações, só espero que o Supremo não mande desligar as linhas para passado um mês a população autorizar a implantação de antenas de serviço movel no cimo dos seus prédios. Aí não haverá radiação que prejudique, antes pelo contrário, haverá antes vantagens económicas de sobra.

7 de outubro de 2007

Algo que deve ser dito. A vitória de Luís Filipe Menezes no PSD veio provocar um sério problema ao partido.
O PPD original de Sá Carneiro foi à vida a partir do momento em que Cavaco chegou à liderança. Formaram-se uns grupos que tinham como fim último a chegada ao poder. Durão Barroso, Pacheco Pereira, Nogueira, Paulo Pereira Coelho, Calvão da Silva, Marques Mendes, Arnaut, Morais Sarmento, Ferreira Leite, Leonor Beleza e tantos outros que serviram devotamente Cavaco Silva, sempre na mira de um qualquer lugar ao sol. É gente que só se interessa pelo poder e só vive em função dele.
Foi pois este aparelho que foi derrotado nestas directas.
Como é evidente, esta derrota do aparelho partidário, significa também que as elites do cavaquismo foram encostadas às boxes e sendo assim existem, dentro do espaço político do PSD derrotados importantes, que, provavelmente, abandonarão a política e se não abandonarem o espaço político do PSD vão, pelo menos ficar em “hibernação” até que consigam vislumbrar alguma réstia de poder.
Desde Marcelo Rebelo de Sousa (que ficou muito desacreditado depois dos ataques a Ferreira Leite e a Duarte Lima e que hoje recebe um puxão de orelhas valente de Hermínio Loureiro) até Miguel Relvas, toda esta gente, que jogou contra Luís Filipe Menezes, dificilmente poderá ter lugar no futuro de um qualquer centro-direita em Portugal.Até mesmo o próprio cavaquismo, seja nas suas expressões tradicionais (Beleza, Ferreira Leite), seja nas suas versões mais actualizadas (o “Compromisso Portugal” de Alexandre Relvas, Carrapatoso e António Borges), acabou também por deixar de ter espaço para existir na política nacional. Seguindo esta lógica poderemos constatar que as elites do centro-direita vão existir somente nas universidades, fora da política, até que o PSD volte de novo ao poder e, apenas a partir daí, crie uma nova elite política, social e ideológica.Mas esta mudança não obriga a reposicionamentos somente dentro do PSD. Paulo Portas também ficou em apuros.
O “Paulinho” populista e demagogo só tinha penetração a Norte, já que a Sul o PC não lhe dá um milímetro que seja e se olharmos para Portas fora das feiras e de outros ajuntamentos, verificamos a sua insignificância e a prova disso mesmo foram as eleições para a Câmara de Lisboa.
Ora a Norte existe um novo líder nessa área do populismo, chama-se Luís Filipe Menezes e também não vai dar “abébias” ao Paulinho.
E Sócrates? Já aqui disse que face a algumas ideias proferidas por Menezes, Sócrates é o que está mais descansado. Mas isto não significa que possa estar descansado e algo vai ter que ser diferente.
É verdade que Luís Marques Mendes tinha “chateado” Sócrates com o caso da licenciatura e da Independente, mas era inofensivo para o Governo, não conseguia fazer passar a sua mensagem, para além de estar “refém” da Igreja Católica, de Belém e ainda de umas quantas elites académicas e económicas, sempre prontas e com maior empenho em negociar com a maioria socialista, em relançar o Bloco Central, ou ainda na Cooperação Estratégica do que propriamente em o ajudarem na oposição.
Ora um PSD mais populista, como fica a partir de agora, obriga o Governo a ser mais pedagógico na explicação das suas reformas, ou então a uma resposta mais eficaz na satisfação das classes médias.
Aliás não foi à toa que António Vitorino no seu comentário de segunda-feira na RTP, percebeu o que havia que mudar e avançou com o lema: "contra a demagogia usaremos a pedagogia".

5 de outubro de 2007

Quando percebi que o "Sol" mais não era do que um rebuscado "Expresso" a cair para o "Povo Livre" semanal deixei de ser um comprador constante.
Para quê comprar imitação, que até é mais cara, se o original está mesmo ali ao lado?
Mas voltemos ao "Sol".
Hoje a grande parangona é com Catalina Pestana, ex-provedora da Casa Pia.
Reza assim o jornal:
"Catalina Pestana
«Continuam os abusos na Casa Pia»
Hoje Finalmente livre, sem o peso que representava a liderança da Casa Pia, Catalina Pestana fala ao SOL. Revela que os abusos continuam, que foi instaurado um novo inquérito, e abre sem preconceitos e com orgulho o livro da sua vida. A segunda parte da entrevista será publicada na próxima edição"

Primeiro sou forçado a admitir que as vendas devem andar mesmo em baixo já que a entrevista foi dividida em duas para aumentar as vendas pelo menos durante duas semanas.
Segundo, li a primeira parte e a única coisa que vi foi um questionário "direccionado" para a pessoa de Paulo Pedroso.
Terceiro fico a saber que mesmo com esta senhora como Provedora os abusos continuaram, o que me deixa seriamente perplexo já que fora nomeada por ser muito competente e porque conhecia tudo e todos, logo era a melhor pessoa para dar uma volta à instituição.
Quarto acho interessante que a jornalista Felícia Cabrita inicie com a vida da senhora, mas vá introduzindo algumas derivações muito bem direccionadas, sempre no sentido que a entrevistadora deseja.
Quinto, estou convencido que na próxima semana será a vez de Carlos Cruz.
Sexto e para terminar, acho perfeitamente deplorável não que a senhora tenha apresentado queixa na PGR mas sim que não dê conhecimento à tutela.

Parece que Marcelo Rebelo de Sousa está mesmo entalado. Como se já não bastasse o desafio de Santana Lopes, vem agora Duarte Lima levá-lo a tribunal.

O 5 de Outubro de Cavaco Silva foi virado para a educação. O Presidente da República acredita ser na educação que está o futuro de Portugal e para que se recupere veio "propor aos portugueses um novo olhar sobre a escola, sobre o modelo escolar construído à luz da ideia da inovação social"
Estava ainda a digerir o discurso quando verifico que o líder parlamentar do CDS-PP, Diogo Feio, classificou como "positivos os avisos" do Presidente da Republica para "um novo olhar sobre a escola", adiantando que os democratas-cristãos vão apresentar projectos "para mudar verdadeiramente o sistema".
Não pude deixar de largar uma sonora gargalhada e porquê? Porque este mesmo Diogo Feio foi quem promulgou, enquanto secretário de Estado aquela tristeza das Tlebs (se já não se lembram vejam este blogue a 13 de Outubro de 2006; 20 de Outubro de 2006; 21 de Novembro de 2006; 6 de Dezembro de 2006; 18 de Janeiro de 2007 e 11 de Abril de 2007).

3 de outubro de 2007

Estava eu ontem todo satisfeito com a coragem que revelou Gonçalo Amaral, sem saber que as mesmas declarações que eu elogiei seriam também o motivo para o empurrar do cargo. Triste sina a de quantos não se lhe embarga a voz quando decidem chamar os bois pelos nomes.
Andou mal o sr. Director da PJ e pior ainda o ministro Alberto Costa.
Ainda a propósito deste tema, gostaria de dizer que o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da PJ, Carlos Anjos, deve estar armado em inocente, aliás só assim se compreende que ele tenha dito que concorda com a saída de Gonçalo Amaral "se isto for para o resguardar enquanto ser humano dos ataques de que tem sido alvo" pelos media britânicos no caso Madeleine McCann.
Isto é tanto para o resguardar como eu sou a Madre Teresa.

Se eles dizem... O deputado comunista António Filipe acusou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, de mentir no Parlamento na semana passada a propósito das leis de Segurança Interna e de Investigação criminal e indiciou que o ministro tem uma agenda própria de «aspirações» de controlo do aparelho de justiça.
O mesmo deputado foi mais longe e acusou o Governo de estar a levar a cabo uma «operação legislativa que visa assegurar um controlo político do aparelho policial que não tem precedentes em democracia», sendo que «o objectivo é criar um super aparelho de controlo policial nas mãos do primeiro-ministro, com possibilidade de delegação no dr. Rui Pereira».
António Filipe não se ficou por aqui e salientou que Rui Pereira tem um longo percurso de passagem por funções no sector da segurança interna que denunciam uma ambição de controlo deste sector: Rui Pereira «após ter sido director do SIS, secretário de Estado da Administração Interna, chefe da Unidade de Missão para a Reforma Penal, depois de ter visto goradas as suas activas e pouco secretas esperanças de ser procurador-geral da República e depois de uma curta passagem de um mês e meio pela função, decerto pouco aventurosa, de juiz do Tribunal Constitucional, chega por fim a um cargo mais próximos das suas aspirações.»
Tenho inteira confiança no deputado comunista António Filipe e sei que em matéria de controlo do aparelho não há nada nem ninguém melhor que o PC, sendo assim é provável que o deputado comunista tenha razão, até porque sabe bem do que fala, tem uma boa escola em matéria de controlo.

A Comissão Europeia aplicou uma multa de 8,6 milhões de euros à Galp Energia devido à concertação de preços no mercado de betume para asfalto em Espanha.
O valor total das multas impostas por Bruxelas eleva-se a 183 milhões de euros e aplica-se às cinco empresas envolvidas na concertação de preços, nomeadamente a BP, a Repsol, a Cepsa, a Nynas e a Galp.
Cá para mim penso que devemos fazer uma subscrição e comprar óculos novos à Comissão.
Então ela "vê" os preços do betume para asfalto em Espanha e não vê os preços doscombustíveis em Portugal? Só pode ser miopia!

2 de outubro de 2007

Marcelo está metido numa embrulhada. Como seria de esperar a análise de Rebelo de Sousa na RTP1 provocou sérias ondas de choque.
Ferreira Leite está indignada e com razão já que Marcelo extrapolou o seu comentário do campo político para o pessoal e isso é imperdoável.
Com a história de "populismo" recebeu um desafio [Santana aproveitou para recordar, aos microfones da TSF, que Marcelo Rebelo de Sousa «previu, na sexta-feira, a vitória de Marques Mendes e por larga margem», acrescentando que o professor apoiava o ex-líder e nunca mostrou simpatia por Menezes. «Naturalmente quando ele agora traça cenários sobre a liderança de Luís Filipe Menezes, não será fácil... pensar que são para lhe facilitar a vida», para além disso ex-primeiro-ministro não gostou e desafiou Marcelo a tecer estas «considerações», no Congresso de Torres Vedras, daqui a duas semanas. «Há um sítio óptimo para fazer estes debates. E tenho a certeza que Marcelo Rebelo de Sousa não se ficará pelas análises na televisão e terá oportunidade para explicar o que pensa em Congresso»] de Santana Lopes que caso não aceite acabará por provocar mossa profunda na credibilidade do comentarista.

Parabéns a Gonçalo Amaral. As suas declarações não podiam ser melhores, só pecam por tardias.

Parece que Marques Mendes está inclinado a fazer uma travessia no deserto, ponderando abandonar o Parlamento.
Mesmo se ganhasse e com o "nevoeiro" que causou não estava a ver que a sua relação com a bancada fosse cordial, por isso percebo que se afaste.
Já agora, e se não for pedir muito, pode levar também a Paula Teixeira da Cruz?

Será que este espólio se vai perder? Seria mais um crime feito à nossa cultura.

1 de outubro de 2007

É de morrer a rir a análise de Marcelo Rebelo de Sousa à vitória de Menezes. N'"As escolhas de Marcelo" de ontem conseguiu fugir deliberadamente às questões de Flor Pedroso e só não disse que já sabia que Mendes ia perder porque seria demasiado fantasioso, mas esteve quase. Mais, conseguiu colocar o odioso da derrota sobre Manuela Ferreira Leite.
Para além disto conseguiu ainda falar bem do semanário "Sol", o que não admira já que é seu colunista.

O Bush e Aznar em discurso directo é simplesmente maravilhoso. Dá para perceber quanto existe de desprezo pelos outros e a chantagem que exercem. Vergonhoso.

1 de Outubro é o Dia Mundial da Música.