28 de abril de 2006

Até querem mandar na língua. O Parlamento Europeu aprovou ontem, com os votos contra dos deputados portugueses, uma iniciativa da Comissão Europeia que visa a criação de um Indicador europeu de Competência Linguística que exclui a língua portuguesa, sendo que este novo instrumento se destina a avaliar as aptidões linguísticas dos estudantes europeus apenas nas cinco línguas mais ensinadas na União - inglês, francês, alemão, castelhano e italiano.
O conceito que está na base do Indicador de Competência Linguística aposta em assegurar que cada cidadão a trabalhar ou a estudar na Europa domine, no futuro, pelo menos dois idiomas estrangeiros.
Perante isto importa saber na verdade quais são as ideias da UE. Será que quer privilegiar certas línguas em detrimento de outras? Ou será que pretende criar uma comissão que selecciona as línguas a utilizar.
Não entendam isto como mero nacionalismo bacoco, mas antes o facto de o português ser a sexta língua mundial e terceira língua europeia mais falada, com um registo de 200 milhões de falantes.

27 de abril de 2006

Ontem falei do discurso de Cavaco na sessão do 25 de Abril, hoje vou falar novamente da Revolução mas na óptica da TVI.
Para a TVI o heroi de Abril é o Bibi, essa personagem que diz e desdiz e a quem nós pagamos segurança.
Pois bem, eis que nos entra casa dentro um homem acusado de não sei quantos crimes, nervoso, de olhar fixo no chão, a pedir desculpa aos rapazes, a acusar a, b, c, d, e por aí fora.
Foi este o Abril da TVI.
Os branqueamentos causam-me nojo, um nojo que se estende a quem está a ser branqueado e a quem quer branquear.
Tinha já a ideia que o processo Casa Pia não ia dar em nada e estes acontecimentos cada vez a reforçam mais.
Que porra de país.

Narana Coissoró, que já foi vice-presidente da Assembleia da República e ex-deputado do CDS/PP disse, em declarações à TSF, que há determinados dias em que os acontecimentos levam os deputados a faltar, sendo que as suas palavras exactas foram "Não se pode marcar votação na AR no dia do Benfica-Barcelona".
Não há a menor dúvida que o homem tem razão.
Mas esta lógica pode ser vista de outro âmbito, ou seja: estes acontecimentos também nos podem levar a faltar no dia das eleições quando tivermos de votar neste tipo de deputados sem qualidade que os partidos nos impingem.

Embora já estivesse previsto desde Janeiro, este aumento que se vai verificar do imposto sobre os combustíveis causa-me calafrios.
É verdade que o preço do petróleo tem estado sempre a aumentar. As burrices do sr. Bush e do Irão têm dado nisto, mas há algo mais.
A estratégia das petrolíferas assenta num cartelismo que todos vemos (todos menos quem devia ver).
A subida deste imposto neste momento vem favorecer o Estado e as petrolíferas e porquê?
Sendo que os preços dos combustíveis estão altos, logo aumento de imposto, maior receita para o Estado, para as petrolíferas o casoé diferente: aumenta-se agora os preços e a seguir à entrada do imposto aumenta-se outra vez para compensar o dinheiro que perdem(dizem elas claro).
Ora se favorece o Estado e as petrolíferas, tem de lixar alguém, e esse alguém quem é? Nós todos tá claro.
Ainda sobre a questão dos combustíveis há algo que não entendo e que gostaria que me explicassem muito bem.
Os combustíveis em Espanha são mais baratos, mas muito mais baratos. Eu sei que os impostos são mais baixos, mas se dá para a GALP, a petrolífera portuguesa, ter lucros estrondosos em Espanha com preços mais baixos, não daria para baixar um pouco o preço dos combustíveis em Portugal?

26 de abril de 2006

O presidente do PSD, Luís Marques Mendes, defende, em entrevista publicada hoje na "Diário Económico" um programa de rescisões amigáveis na Função Pública como forma de reduzir o peso do Estado e diminuir a despesa pública. Para além das rescisões o líder social-democrata é também da opinião que deve flexibilizar-se a legislação laboral, nomeadamente no que diz respeito aos despedimentos e à mobilidade dos trabalhadores.
Na verdade ele tem razão, só penso é que se esqueceu de um pormenor, é que isto que ele agora defende deve começar por ser aplicado aos que entraram devido à cor do cartão e não pela sua maior ou menor capacidade de desempenho do cargo e o PSD, talvez mais que os outros, tem uma história profícua nesta matéria.
Se assim for o Estado irá poupar milhares, talvez milhões, de euros.

O discurso presidencial. Como não votei Cavaco, estava deveras curioso sobre o discurso que ele iria fazer nestas comemorações dos 32 anos de Abril.
Pois bem, o seu discurso desenquadrou-se do que estamos acostumados a escutar nesta comemoração.
Primeiro não trilhou os caminhos calcorreados por muitas das personalidades (e interesses) que o apoiaram, e em segundo não se tratou de um discurso movido pela agenda política e/ou mediática. Chamou à ribalta um tema de que não se estava à espera. Fez um discurso centrado no Portugal silencioso, remetido para as margens da exclusão social e da desertificação territorial, o Portugal que não tem defesas ou representação política e corporativa, o Portugal deixado ao abandono e "improdutivo", assente em critérios economicistas e tecnocráticos da competitividade e da rentabilidade e onde nós só existimos como números. É um discurso de "esquerda"? De solidariedade? De alerta? Não sei!
O que ei sei é que não foi um discurso voltado exclusivamente para a classe política. O que eu sei é que foi um discurso voltado para aqueles que queriam o 25 de Abril, que vibraram com o 25 de Abril, que precisavam e precisam do 25 de Abril e que nunca se "aproveitaram" do 25 de Abril, ou seja aqueles que estão do outro lado da parcimónia, o povo.
Se é uma casca de banana para escorregarmos, não sei! Se faz parte de alguma encenação, também não sei! Mas que foi um discurso importante disso não há dúvida.

25 de abril de 2006

Num sistema político constituído na base de um estatuto de igualdade legal e política, o critério de distribuição dos rendimentos move-se das relações de poder do mercado para as estratégias políticas baseadas nas necessidades de integração e de justiça social. Isto, que foi afirmado por Korpi em 1989, não quer dizer que as relações de poder, resultantes da sociedade de mercado, deixem de ter influência sobre as orientações que afectam a colectividade, significa antes, que com o recurso à lógica da cidadania se constrói um determinado equilíbrio político entre as necessidades das relações de mercado e as de maior justiça social.
Só que o mesmo processo de modernização das estruturas políticas institucionais, que potencia a capacidade de decisão política autónoma do cidadão, tem vindo a introduzir limitações significativas ao poder de o cidadão determinar a escolha pública das orientações colectivas. Esta situação de limitação do exercício de cidadania, e, logicamente, das escolhas, poderá ser inserido nas características de funcionamento relativamente autonomizado do poder político que o modelo de acção do Estado-Providência foi desenvolvendo na sua função de regulação e de implementação de medidas de reorganização das relações sociais e de implementação dos direitos dos cidadãos. Mas o Estado, mais centrado nas exigências técnicas e administrativas e nas respostas às solicitações do imediato e de gestão instrumental acabou por se fechar, distanciando-se dos cidadãos limitando assim as capacidades de iniciativa destes. Se bem que esse fechar-se em si proprio também advém dos constrangimentos resultantes das exigências de estabilidade parlamentar da acção governativa e da gestão do equilíbrio entre os diferentes grupos e sectores de interesses isso não pode traduzir-se na introdução de distância entre o funcionamento do sistema político, o exercício de poder dos cidadãos e os princípios de igualdade de oportunidades.
O problema situa-se sim, nos elementos que no interior do funcionamento da estrutura política institucional condicionam a capacidade do poder político autónomo dos cidadãos, aos quais se juntam os grandes grupos económicos e sociais, o tipo de cultura política e social predominante e as instâncias internacionais.
E porque importa ser justo e não enterrar a cabeça na areia é preciso dizer que um outro elemento de limitação do exercício efectivo da cidadania está relacionado com algumas das características de funcionamento dos partidos políticos e do Parlamento enquanto formas de representação dos cidadãos. Não pretendo denegrir e muito menos desvalorizar o seu papel positivo, antes verifico que muitas vezes esquecem-se que são canais privilegiados da representação dos cidadãos e de formação do espaço público. Algumas características de funcionamento dos partidos políticos, tais como a escolha de candidatos às eleições, o predomínio de clientelas partidárias, políticas e sociais, tanto na escolha como na acção e na reflexão política necessária à governação, bem como a fragilidade dos seus mecanismos de funcionamento democrático, são obstáculos a uma efectiva escolha por parte dos cidadãos que, mesmo assim, demonstram preferências partidárias. A relativa desadequação das ofertas partidárias aos novos problemas da sociedade, a diminuição do interesse suscitado junto dos eleitores e o aumento da taxa de abstenção encontram certamente alguma explicação nas particularidades do funcionamento antes referidas.
A partidarização do parlamento, como um dia salientou Braga da Cruz, é uma consequência relativamente normal no funcionamento dos regimes democráticos, onde os partidos políticos detêm um significativo peso político. É por isso que podemos encontrar os mesmos traços que caracterizam o funcionamento dos partidos na instituição parlamentar.
Villaverde Cabral afirmou que o esvaziamento programático dos maiores partidos políticos portugueses e a consequente ausência de reflexão política acerca dos novos problemas da sociedade traduz-se na tendência para a diminuição do interesse público e no crescente alheamento relativamente às situações de escolha eleitoral. A crescente importância que, nos últimos anos, têm vindo a adquirir os comportamentos de pendor mais individualista e de retraimento para a esfera privada reforça aquela tendência para o desinteresse pela coisa pública. O regular aumento na taxa de abstenção verificado nos actos eleitorais nacionais ou locais é um dos elementos que evidenciam essa situação de desmotivação pelo interesse público.
Para terminar esta reflexão direi que a crise de representação política dos cidadãos não indica que o regime democrático e o funcionamento das instituições políticas não desenvolvam um papel determinante quer na estabilidade governativa, limitando a fragmentação dos interesses partidários e sectoriais, quer na consolidação dos direitos dos cidadãos. O problema está antes na reformulação dos processos que introduzem efeitos disfuncionais no regime democrático e no aperfeiçoamento dos mecanismos de representação política e de exercício do poder político da cidadania, tendo como finalidade diminuir a distância entre as razões da lógica política e institucional e as escolhas públicas dos cidadãos. Os processos de limitação do exercício da cidadania, bem como a diminuição do papel político das instituições de representação dos cidadãos, reforçam a tendência para o autofechamento elitista do funcionamento do sistema político português e induzem problemas de reconhecimento da legitimidade democrática.
Esta é a minha reflexão para o 25 de Abril de 2006.
Eu sei que 74 está muito longe e que o tempo não parou.Mas tambei sei que estamos cada vez mais longe dos parâmetros que nortearam o Movimento.

20 de abril de 2006

Expliquem-me como se eu fosse muito burro. As contas públicas portuguesas pioraram em 2005 face ao ano anterior, apesar dos sacrifícios pedidos aos portugueses, traduzidos num aumento dos impostos e no recorde de cobranças fiscais.
Quem o diz é o Boletim da Primavera divulgado pelo Banco de Portugal. O peso destes agravamentos no Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 1,1 por cento, enquanto os impostos sobre a produção e as importações subiram dez por cento. Ainda assim, o défice orçamental subiu dos 3,2 por cento em 2004 para os seis por cento em 2005.
Ainda não estávamos refeitos desta desagradável informação e já fomos abanados por outra.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o crescimento da economia portuguesa acelere em 2006 e 2007, mas mantendo um ritmo inferior à média das economias que integram a Zona Euro.
Afinal andamos a fazer furos no cinto para quê?

Deixem-se de tretas. O caso dos deputados gazeteiros continua na ordem do dia. Para além de uns quantos terem vindo explicar o que não tem explicação (o caso de Paulo Portas na SIC Notícias assume foros de escândalo, sendo que ele é um dos que mais gazetas fez), os dois maiores partidos portugueses vêem agora pela boca dos seus líderes parlamentares tentar manobrar o sistema com propostas de alterações ao regulamento da Assembleia.
O PS propôs que que a contagem de deputados passe a ser feita no fim e não no início das sessões, e não satisfeito com isto propôe ainda diminuir as sessões plenárias (talvez assim dê menos nas vistas). O PSD que não quer ficar atrás na asneira propõe a criação de um Conselho de Ética para controlar os deputados.
Não sei se estas ideias luminosas são fruto da ingestão de amêndoas deterioradas por altura da Páscoa. O que eu sei é que para tudo na vida importa que se seja possuidor de dedicação, empenho, profissionalismo, porque sem isto nada feito.
O que acontece é que estes três itens não abundam para as bandas do Parlamento e quando isto acontece, não há milagres e muito menos regulamentos ou comissões que resistam.
Ainda sobre esta matéria talvez seja bom lembrar que o actual Presidente da República enquanto foi Primeiro-Ministro separou os vencimentos dos políticos dos restantes elementos da administração pública e que Fernando Nogueira com a questão da transparência afastaram do nosso Parlamento alguns dos bons tribunos e que isso fez acelerar a degradação da classe política portuguesa.

Ainda. Só o que anteriormente fica dito é capaz de explicar as declarações do deputado do PSD, Virgílio Costa, ao "24 horas". Disse o "artista" que: "A minha vida não é estar no plenário. E acho que os outros deputados tenham optado por actividades mais úteis".
Lanço daqui um desafio a Marques Mendes, ou a quem dirigir o partido nas próximas legislativas, é que, e seguindo o parâmetro da utilidade, escolha um deputado mais útil.

Para terminar. Li em vários órgãos que a zona de Belém vai ser reestruturada, sendo que vai nascer um novo Museu dos Coches, contruído de raiz, construção essa que vai ter a ajuda das verbas de jogo provenientes do novo Casino de Lisboa.
Não tenho nada contra a reorganização do Museu dos Coches, mas gostaria de colocar duas questões:
- A Cordoaria Nacional, edifício da Marinha Portuguesa, tem hoje o quê lá dentro? Mais, qual a sua função?
- Alguém ouviu as palavras de Stanley Ho a propósito do jogo e de Macau? Disse ele que as receitas permitiram que Macau promova a educação gratuita durante 15 anos, educação essa que vai desde creche até à Universidade.
Não peço tanto para Portugal, mas que merece reflexão, merece.

19 de abril de 2006

Para quando em Portugal? As televisões suecas estão proibidas, por decisão do Tribunal Supremo da Suécia, de interromper filmes para emitirem publicidade, excepto se previamente autorizadas pelo autor, realizador ou produtor.
Para quando igual medida no nosso país? É que já nem os canais transmitidos por cabo escapam! Mas pior do que isso são muitas vezes os anúncios transmitidos. Existe uma gama (o 4002 para telemóvel) que é um verdadeiro atentado à nossa paciência pelas vezes que são repetidos. Não tenho a certeza, mas julgo que são entre sete a dez diferentes e como eles chegam a passar quatro vezes cada um, tudo seguido acrescente-se, é só fazer as contas.

18 de abril de 2006

Desde já começo por esclarecer que não sou espectador de séries tipo "Morangos com açúcar" ou de telenovelas, sejam elas portuguesas, brasileiras, mexicanas ou argentinas.
Mas o facto de não ser espectador não me diminui na capacidade de tecer comentários sobre o falecimento de Francisco Adam, o Dino dos "Morangos", antes pelo contrário.
Começo por afirmar que partilho da opinião expressa hoje por Pedro Tadeu na coluna "Notas do dia" do jornal "24horas" de hoje, quando ele afirma que "...o Estado mata pessoas por não sinalizar bem as suas vias rodoviárias." acrescentando ainda que "Se neste acidente assim foi, a quem pedimos contas?"
Na minha opinião não é só ao Estado que devemos pedir contas neste caso.
Passo pois a explicar.
O mundo do espectáculo é um mundo louco (como outros mundos o são), sendo que mais louco se torna se por um qualquer acaso se trata de um espectáculo que movimenta um apreciável número de espectadores.
Se assim é, os componentes do elenco são sujeitos às mais variadas pressões, pressões essas que nascem não só dos "patrões" do espectáculo, mas ainda de agentes que tudo fazem para que aqueles que a si estão ligados por contratos, que versam somente o lucro, se desmultipliquem em sessões de autógrafos, de fotografia, sessões de imprensa, acontecimentos sociais, enfim um sem número de actividades, sendo que tudo isso acontece cronometrado ao milésimo de segundo e muitas vezes a horas que estão vaticinadas para o descanso.
Todos nós sabemos que a fama é algo que nasce, vive e se desvanece, sendo que as duas últimas etapas podem ocorrer no imediato ou prosseguirem por longos anos a fio.
Não pretendo afirmar categorigamente que o "Dino" tenha sido vítima disto mesmo, mas convém não desprezar este facto porquanto ele é fundamental nos dias que correm.
A televisão assume-se hoje como uma máquina capaz do melhor e do pior. Tanto é capaz de alcandorar alguém aos píncaros da fama, como é capaz de o "linchar" no segundo seguinte.
A guerra das audiências, seja ela em televisão ou qualquer outro meio, é hoje assumida como se de uma luta sem tréguas se tratasse e quer queiramos quer não os elencos são uma arma de arremesso fundamental.
Talvez por tudo isto seja tempo de parar e pensar um pouco.
Acabe-se com esta voragem e sede de retirar dividendos, sejam eles quais forem, da imagem.
É que a vida é muito mais que uma qualquer sessão de markting.

17 de abril de 2006

Hoje vou dar-vos a conhecer algo que vai acontecer em Coimbra e que merece toda a nossa atenção. Trata-se do Congresso Internacional O Artista como Intelectual. No Centenário de Fernando Lopes-Graça.
Este Congresso vai realizar-se nos dias 26, 27, 28 e 29 de Abril de 2006 no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, Sala D. João III - Arquivo da U. C. e Teatro Académico de Gil Vicente e a sua organização está a cargo do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra – CEIS20, coordenado pelo Prof. Doutor Luís Reis Torgal e o Grupo de Investigação “Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais” coordenado pelo Prof. Doutor António Pedro Pita.

Deixo-vos de seguida a Apresentação e o Programa

O Artista como Intelectual.
No Centenário de Fernando Lopes-Graça

Congresso Internacional

Coimbra, 26-29 de Abril de 2006

O Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra – CEIS20, coordenado pelo Prof. Doutor Luís Reis Torgal e o Grupo de Investigação “Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais” coordenado pelo Prof. Doutor António Pedro Pita vão realizar o Congresso Internacional O Artista como Intelectual. No centenário de Fernando Lopes-Graça. O colóquio, com coordenação de Teresa Cascudo, investigadora do CEIS20 e Professora na Universidad de La Rioja, realiza-se no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra e na Sala D. João III do Arquivo da U.C. de 26 a 29 de Abril de 2006.

O congresso reúne a participação de investigadores das Universidades de Coimbra, Évora, ISCTE, Nova de Lisboa, de Aveiro, do Algarve, de Braga, Universidades Tuiuti do Paraná, de São Paulo, Federal do Rio de Janeiro e do Amazonas, Universidade de Graz, Universidade de Salamanca, Valladolid, Complutense, Granada, Oviedo, Universidade de Geórgia e Indiana Universidade de Oxford, Universidade de Oslo, Universidade Jean Moulin, Lyon 3, e musicólogos e compositores nacionais e internacionais. Paralelamente irão decorrer no Teatro Académico de Gil Vicente, acções de divulgação da obra musical de Fernando Lopes-Graça através de três concertos, entre os quais um recital do pianista António Rosado, e um programa especial destinado ao público mais jovem.

O compositor Fernando Lopes-Graça (1906-1994) é uma figura incontornável da cultura portuguesa do século XX. Como compositor, pianista, pedagogo, crítico, ensaísta e, ainda, como organizador de eventos musicais e estudioso da música tradicional portuguesa marcou de forma determinante a actividade musical em Portugal. Lopes-Graça partiu de premissas estéticas modernistas. Os acontecimentos históricos das décadas de 30 e 40 inscreveram os propósitos modernistas numa consciência social mais aguda e definiram uma posição política clara (foi militante do Partido Comunista Português) e muito interveniente num plano cívico. Assim, Fernando Lopes-Graça deu uma forma peculiar às relações entre as correntes modernistas, a recuperação da tradição e o envolvimento político activo.

Por isso, o congresso pretende focar a inserção da sua personalidade, da sua obra e da sua intervenção nos vários contextos a que pertenceu. Uma reflexão em torno de alguns conceitos fundamentais nos discursos artísticos contemporâneos de Lopes-Graça, - nomeadamente em Portugal e no Brasil, mas também em França, o país onde o compositor encontrou algumas das suas principais referências culturais, e Espanha, um país cuja vida artística têm traços comuns com a portuguesa – serão ser de grande utilidade para a compreensão aprofundada da sua obra.





O Artista como Intelectual.
No Centenário de Fernando Lopes-Graça

Congresso Internacional

Coimbra, 26-29 de Abril de 2006

Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra
Sala D. João III – Arquivo da U. C.
Teatro Académico de Gil Vicente

Comissão científica: António Pedro Pita, João Madeira, Maria Alice Volpe, Maria de São José Corte Real e Teresa Cascudo
Coordenação: Teresa Cascudo
Organização: Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da U. C. – CEIS20


26 de Abril
Auditório da Reitoria

16.00 horas
Sessão de Abertura

17. 00 horas
Conferência inaugural: Rui Vieira Nery (Fundação Calouste Gulbenkian/Universidade de Évora/INET) – “Lá vamos, cantando e rindo...: A música na politica cultural do Estado Novo”

18.30 – 20.00 horas
Mesa Redonda “Fernando Lopes-Graça, um compositor para o Século XXI?”

27 de Abril
Auditório da Reitoria

Manhã

10.00 – 13.00 horas

Painel 1: Moderno/ Pós-moderno

10.00 horas
Ângelo Martingo (ESE/IPP) – “Pensamento pós-moderno como modernidade crítica: legitimação artística e crítica cultural em Fernando Lopes-Graça”.

10.30 horas
Pedro Boleo Rodrigues (CESEM) – “O moderno é de sempre?” Fragmentação, montagem e música”

11.00 horas
Roseane Yampolschi (Universidade do Paraná) - “Intertextualidade e estetismo na música brasileira pós-moderna”

11.30 – 12.00 horas – Intervalo
Painel 2 : O artista como intelectual – I (1ª parte)

12.00 horas
Nuno Rosmaninho (Universidade Aveiro/CEIS 20) - “Desamparo de Fernando Lopes-Graça: A música no contexto das outras artes nacionais”

12.30 horas
Sérgio Neto (FLUC/CEIS 20) – "Mar, música e ideologia - entre Os Lusíadas e a História Trágico-Marítima"

13.00 – 14.30 horas – Intervalo para almoço

Tarde

14.30 – 17.45 horas

14.30 horas
Conferência: Javier Suárez Pajares (Universidad Complutense de Madrid) – “Adolfo Salazar y el sueño musical de la República Española”

15.30 – 15.45 horas – Intervalo

15.45 – 17.45 horas
Painel 2 : O artista como intelectual – I (continuação)
15.45 horas
António Pedro Pita (FLUC/CEIS20) – “O músico como intelectual: o modernismo de Fernando Lopes-Graça”

16.15 horas
Teresa Cascudo (Universidade de la Rioja /CEIS20) – “A arte ou a vida? : Fernando Lopes-Graça e a contenda intelectual dos anos 30”

16.45 horas
Maria de São José Côrte-Real (CIED) – “Pela Criatividade Contra o Fado: Imperativos Pedagógicos nos escritos de Fernando Lopes Graça”

17.15 horas
Manuel Deniz Silva (CESEM) – “Sob o signo da razão…”: uma polémica entre Luís de Freitas Branco e Fernando Lopes-Graça sobre filosofía da história da música”

27 de Abril
Sala D. João III - Arquivo da Universidade de Coimbra

Manhã

11.15 – 12.45 horas

Painel 3: Formas de sonata e narratividade

11.15 horas
Julio Ogas (Universidad de Oviedo) – “Sonata y Museo Sonoro en España:Tres estrategias de inserción del patrimonio histórico musical”

11.45 horas
Patrícia Bastos (Universidade de Aveiro) – "As sonatas e sonatinas para piano solo de Fernando Lopes-Graça"

12.15 horas
Carlos Villar-Taboada (Universidad de Valladolid) – “Usos y significados del concepto de «sonata» en Enrique X. Macías”

Tarde

15.45 – 17.45 horas


Painel 4: Tradição e modernidade na composição musical

15.45 horas
Gregory W. Brown (University of Georgia, USA, D.M.A. Candidate) – “The Canções Regionais Portuguesas of Fernando Lopes-Graça: methods and significance of the adaptation of folk-materials into the choral medium”

16.15 horas
Helena Santana e Rosário Santana (U.A. / ESEG) – “Bela Bartók versus Fernando Lopes-Graça – Discrepâncias e similitudes”

16.45 horas
Kalliopi Stiga (Professeur de Musique, Musicologue, Pianiste) – «L’union de la musique traditionnelle grecque et de la poésie contemporaine néo-hellénique donne-naissance à “une musique pour les masses”»

17.15 horas
Lamia Bouhadiba – «Entre tradition et modernité : analyse juridique du rapport de l’artiste à la musique populaire»


27 de Abril
Teatro Académico Gil Vicente
19.00 horas
Recital de canto e piano: Ana Ester Neves e João Paulo Santos

28 de Abril
Auditório da Reitoria
Manhã
9.00 – 12.15 horas
9.00 horas
Conferência: Christiane Heine (Universidad de Granada) – “Musical teaching in Paris during the 1930th: Charles Koechlin (1867-1950) and the composers of the pyrenean peninsula”

10.00 – 10.15 horas – Intervalo

10.15 – 12.15 horas

Painel 5 : Intercâmbios artísticos

10.15 horas
Flávia Camargo Toni (Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo) – “Curioso destino ou curiosa escolha? Lopes-Graça e Camargo Guarnieri, alunos de Charles Koechlin”

10.45 horas
José María García Laborda (Universidad de Salamanca, compositor) –“Presença portuguesa na Sociedade Internacional de Música Contemporânea”

11.15 horas
Gemma Pérez Zalduondo y Mª Isabel Cabrera García (Universidad de Granada) - “La música en el contexto de los intercambios artísticos entre España y Portugal a través de la revista La Gaceta Literaria

11.45 horas
Isabel Nogueira (CEIS 20) – “Fernando Lopes-Graça e a Presença”

Paulo Cunha (CEIS20) – “O papel da música na construção do sentido moderno do Novo Cinema Portugués”


Tarde
14.30 – 18.15 horas

14.30 horas
Conferência: Luís Augusto Costa Dias (CEIS 20) – “Para uma história dos Intelectuais em Portugal . `A republicanização da república ´ na constituição do uma nova intelectualidade”

15.30 – 15.45 horas – Intervalo

15.45 – 18.15 horas

Painel 6: Arte e Comunismo

15.45 horas
João Madeira (Instituto de História Contemporânea) – “A pena e a espada ou o paradigma do intelectual comunista segundo o PCP”

16.15 horas
José Neves (ISCTE/ bolseiro FCT) - “A “Cultura Nacional” – Interpretações do Conceito pelos Intelectuais Comunistas Portugueses”

16.45 horas
Paulo Granja (FLUC/CEIS20/ bolseiro da FCT) – “Cinema e comunismo: do valor do cinema como arte”

17.15 horas
Ángel Llorente Hernández – “Dos formas de comprender el arte contemporáneo en el Partido Comunista de España”

17.45 horas
Diósnio Machado Neto (Universidade de São Paulo) – “Gilberto Mendes: música, teatro e ...comunismo”

28 de Abril
Sala D. João III - Arquivo da Universidade de Coimbra


Manhã
10.15 – 11.45 horas
Painel 7 : O artista como intelectual – II
10.15 horas
David Cranmer (Universidade Nova de Lisboa) - “O artista como intelectual: Camille Saint-Saëns”
10.45 horas
Paloma Otaola (Université Jean Moulin Lyon 3) - “Consideraciones de Oscar Esplá sobre el artista como intérprete”

Tarde
15.45 – 17.15 horas

Painel 8 : Recepções do Modernismo
15.45 horas
Josefa Ruiz (Universidad de Salamanca) – “Recepción del canon modernista en España, desde la perspectiva de Adolfo Salazar”

16.15 horas
Ruth Piquer San Clemente (Universidad Complutense de Madrid) – “El concepto estético de Neoclasicismo Musical en España ( 1915-1936 ). Tradición y modernidad”.
16.45 horas
Fernando Delgado (Universidad Complutense de Madrid) – “La recepción de los cuartetos de Bartók en Madrid (1923-1960)”

17.15 horas
Francisco Parralejo (Universidad de Salamanca) – “Critica musical e ideologia en ABC (1931-1936)”


28 de Abril
Teatro Académico Gil Vicente
19.00 horas
Concerto de câmara – Quarteto Cappella com Miguel Borges Coelho

29 de Abril
Auditório da Reitoria
Manhã
9.00 – 12.15 horas
10.00 horas
Conferência: Jane Fulcher (Indiana University) – “The composer as intellectual and as a “resistant” in France: Francis Poulenc”

11.00 – 11.15 horas – Intervalo
Painel 9 : O artista como intelectual – III
11.15 horas
Elisa Lessa (Universidade do Minho) – “Contestação intelectual à orientação estética do Estado Novo: o caso do compositor Eurico Thomaz de Lima (1908-1989)”
11.45 horas
Germán Gan Quesada (Universidad de Granada) – “Tomando ora la Espada, ora la Pluma… Compromiso político y perspectiva estética en la obra de Vicente Salas Viu durante la Guerra Civil Española”

12.15 horas
Carina Infante do Carmo (Universidade do Algarve) – “Senhor da Serra, ano 1945”

12.45 horas
Kjell Skyllstad (Universidad de Oslo) – “A Nordic Requiem for the Victims of Fascism: Musical imagery in Arne Nordheim’s Eco (1968)”

Tarde

14.30 – 18.00 horas
14.30 horas
Conferência: José Maria Pedrosa (Universidade de Coimbra) – “O Requiem e a profissão de fé de Fernando Lopes-Graça”

Painel 10: Paralelos Brasil-Portugal

15.30 horas
Ricardo Tacuchian (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro-Unirio e Presidente da Academia Brasileira de Música) – “Envolvimento de Lopes-Graça com músicos brasileiros”

16.00 horas
Márcio Páscoa (Universidade do Estado do Amazonas) – “Reflexões sobre o Neo-realismo e um artigo de Lopes -Graça na revista Vértice (1949)”

16.30 horas
Luciane Viana Barros Páscoa (Universidade do Estado do Amazonas) – “A posição social do artista no movimento Neo-realista em Portugal: artigos de Júlio Pomar e Lima de Freitas na Revista Vértice nas décadas de 1940 e 1950”

17.00 horas
Maria Alice Volpe (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – “Traços romerianos no mapa musical do Brasil”

17.30 horas
Régis Duprat (Universidade de São Paulo) – “O Manifesto da Música Nova de 1963”

29 de Abril
Teatro Académico Gil Vicente

19.00 horas
Recital de piano: António Rosado – obras de Fernando Lopes-Graça, Alban Berg e Zoltán Kodály

Organização:
Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX – CEIS20
Coordenação:
Isabel Maria Luciano
Secretariado:
Marlene Taveira, Ângela Lopes, Luís Gonzaga

Patrocínios:
Reitoria da Universidade de Coimbra, Fundação Eng. António de Almeida, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Fundação Luso-Americana, Embaixada de Espanha, Barclays Bank, CGD

Apoios: Arquivo da Universidade, Teatro Académico de Gil Vicente

Inscrições:
Estudantes (incluindo alunos dos Conservatórios) – 25,00€
Público em geral – 50,00 €

Nota: A inscrição inclui a entrada nos Concertos

Toda a informação e Ficha de Inscrição disponível em
www.ceis20.uc.pt



15 de abril de 2006

Temos esse direito. Embora não seja uma matéria nova é importante que nela se batalhe todos os dias.
Têm-se realizado inspecções a diversos estabelecimentos que originaram, pelos mais variados motivos, o seu encerramento. Estou a referir-me a matadouros clandestinos, talhos, restaurantes, pastelarias, roulotes-bar, etc, e etc.
É verdade que algumas dessas fiscalizações são acompanhadas pela televisão e também é verdade que todas são notícia na imprensa escrita, só que isso não basta.
O Instituto da Qualidade Alimentar e a Inspecção das Actividades Económica devem publicitar
o nome do estabelecimento e o do seu proprietário e isto por duas razões.
A primeira é que nós consumidores temos o direito de saber quem são aqueles que brincam com a nossa saúde, cometendo assim um crime de saúde pública;
A segunda prende-se com os restantes comerciantes que "jogam limpo" e que muitas vezes são olhados com os meus olhos que os faltosos.
Esta é uma questão recorrente, mas que cada vez mais está na ordem do dia.
Não entendo como é que a Associação de defesa do consumidor ainda não exigiu isto mesmo aos governos.
Esta sim é uma medida urgente, para que possamos separar o trigo do joio.

14 de abril de 2006

Um milhão de euros!? Em Portugal existe muito o costume de desdenhar de umas quantas obras porque pensamos com pequenez e somos peritos em mesquinhice. Disseram-se cobras e lagartos do CCB, do mau negócio que o Estado fez relativamente à colecção de Joe Berardo, da própria Expo, da Casa da Música no Porto, enfim, é mesmo este nosso hábito de nos rebaixarmos.
Mas, e nestas coisas há sempre um mas, uma coisa é desdenharmos dos empreendimentos, outra é a crítica que se faz pelo seu excesso.
Não contesto a existência da Casa da Música do Porto, antes pelo contrário, julgo até que devíamos era possuir a Casa da Música de Barcelos, de Viana do Alentejo, de Freixo de Espada-à-Cinta, aliás disseminadas por todo o Portugal, porque o direito à cultura é um direito que nos assiste a todos. O que eu contesto são as verbas astronómicas que estas obras implicam. Aliás qualquer obra feita para o Estado derrapa nos custos e atinge somas astronómicas, o porquê não sei (ou até sei).
Sobre este empreendimento (Casa da Música) veio agora a público que o restaurante lá existente e que será inaugurado a 15 ou 16 de Setembro próximo, custou perto de um milhão de euros. O Estado pagou a maior fatia do investimento, cerca de 830 mil euros e o restante, correspondente à decoração e cozinha, foi assegurado por investidores privados, no caso o proprietário do restaurante Eleven, em Lisboa, e o empresário nortenho Luís Filipe Barroso.
A ser verdade (e atenção que ninguém desmentiu a notícia) estamos perante um verdadeiro escândalo que deverá ser investigado até às últimas consequências, sendo que os culpados de tamanho disparate devem ser castigados e obrigados a pagar até ao último cêntimo o dinheiro que o Estado dispendeu, ou seja o dinheiro que nós todos pagámos face à sua irresponsabilidade e incompetência.

Alberto Costa e a PJ ainda. Referi neste espaço que o ministro Alberto Costa devia demitir o director da Polícia Judiciária, Santos Cabral. E disse também que ser ministro implicava possuir coragem política.
Tudo isto é verdade e continuo a pensar da mesma maneira, mas hoje quero acrescentar algo mais.
Ser ministro implica coragem política, mas também implica possuir bom senso. As últimas declarações do ministro não primam em nada por isso mesmo.
Sendo que a situação na PJ já está clarificada, o que importa é continuar a contribuir para o restabelecimento das condições justas e necessárias para que ela possa cada vez actuar mais e melhor neste mundo tão global e tão propício ao crime, sendo que tudo o que se verifique para além disto mesmo é conversa fiada que não interessa a ninguém.

São uns habitués. Começa a ser banal os funcionários dos museus, palácios, jardins e demais espaços públicos fazerem greve no fim-de-semana da Páscoa. Desde já deixo aqui bem claro que não concordo nem aceito esta greve.
E se não concordo nem aceito porque impede que espaços tão ricos sejam vistos nesta altura em que existe um conjunto vasto de visitantes, também não concordo porque os funcionários perdem assim o tempo e o espaço fundamental para darem a conhecer a sua luta. Aproveitem os visitantes e em vez de cobrarem entradas e explicarem o que vão visitar, deêm a conhecer a vossa luta e verão que obtêm melhores resultados.

13 de abril de 2006

Concluam vocês. Desde ontem que um tema tem corrido de boca em boca por este país. Trata-se do Acórdão do Supremo tribunal de Justiça sobre um caso em que eram intervenientes crianças com deficiências mentais e uma senhora que era a encarregada do lar onde as mesmas crianças permaneciam.
Deixo-vos o link do acordão para que o possam ler e sobre ele ajuizar vocês próprios.
Quanto à minha opinião ela é crítica não só do acórdão mas igualmente de quem nomeou a referida senhora como encarregada do lar. Quer a uns, quer a outros recomendo algumas leituras, como por exemplo:
BECCHI, Egle. Retórica da infância, In: Revista Perspectiva. Florianópolis: Editora da UFSC, ano 12, nº22, 1994.
BELOTTI, Elena Gianini. As instituições escolares: a escola infantil, elementar e média, In: _______. Educar para a submissão: o descondicionamento da mulher. Rio de Janeiro: Vozes, 1979.
COMISSIONNE MINISTERIALE (C.M.).
As novas orientações para uma escola da infância, In: FARIA, Ana Lúcia Goulart de (org.). Cadernos Cedes. São Paulo: Papirus, nº37, 1995.
FABIETTI, Ugo.
Sulla comprensione della differenza culturale: il punto di vista dell’ antropologia, In: POLETTI, Fulvio (org.). L’Educazione Interculturale. Florença: Nova Itália, 1992 [tradução para fins didáticos por Carla Alfonsina D’Auria - UNICAMP/ mimeo].
FARIA, Ana Lúcia Goulart de. Direito à infância: Mário de Andrade e os Parques Infantis para as crianças de família operária da cidade de São Paulo (1935-1938), Tese de Doutoramento. USP: Faculdade de Educação, 19936.
FRABBONI, Franco. A escola infantil entre a cultura da infância e a ciência pedagógica e didática, In: ZABALZA, Miguel (org.). Qualidade em Educação Infantil. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
GALLARDINI, Anna Lia. Avaliação da qualidade no atendimento à infância - texto apresentado no IV Simpósio Latino Americano de atenção à criança de 0 a 6 anos/ II Simpósio Nacional de Educação Infantil. Brasília, 1996a.

PANCERA, Carlo. Semânticas de Infância, In: Revista Perspectiva. Florianópolis: Editora da UFSC, ano 12, nº22, 1994.
PASOLINI, Pier Paolo. Gennariello: a linguagem pedagógica das coisas, In: _______. Jovens infelizes – antologia de ensaios corsários. São Paulo: Brasiliense, 1990.
RODARI, Gianni. Gramática da fantasia. São Paulo: Summus, 1982.

Se estes ainda não forem suficientes, podem sempre avançar para Piaget,
Vygotsky e tantos outros.

A gazeta dos deputados. Quarenta por cento da maioria socialista, 49 dos 121 deputados, e dois terços da bancada do PSD, 50 num total de 75, faltaram às votações de ontem à tarde no Parlamento, que não se realizaram por falta de quórum.
Para cúmulo da coisa pode constatar-se que assinaram o livro de presenças quase todos os deputados do PS, 114 em 121, a maioria dos social-democratas, 52 em 75, 10 dos 12 deputados comunistas, 9 dos 12 do CDS-PP, 7 dos 8 parlamentares do BE e os dois deputados de «Os Verdes», disse à agência Lusa o secretário da mesa. Contudo, no final da sessão estavam presentes apenas 66 socialistas, 21 deputados do PSD, 8 do PCP, 6 do CDS-PP, 7 do BE e dois de «Os Verdes», estando em missão parlamentar ao estrangeiro 6 socialistas, 4 social-democratas, dois deputados comunistas e um democrata-cristão.

Será que sou eu que estou doido? Passar demasiado tempo a ler jornais, a ver televisão ou a navegar na Internet são alguns dos «novos pecados» anunciados pela Igreja Católica, conforme noticiou a Agência Ecclesia. O anúncio de que estas actividades passaram a ser pecadoras foi feito na terça-feira passada no Vaticano pelo Cardeal James Francis Stafford, Penitenciário-Mor, ao presidir ao Rito da Reconciliação, celebração que era tradicional em Roma até ao Renascimento.
O delegado do Papa para esta cerimónia apresentou um longo elenco de perguntas para responder, em exame de consciência, antes de aproximar-se ao sacramento da penitência. Entre essas perguntas estava uma relativa ao uso do tempo, comparando o investimento nos media com o que se faz para «meditar e ler a Sagrada Escritura».

12 de abril de 2006

Desculpem lá, importam-se de repetir. O Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) vai iniciar na última semana de Abril uma grande operação nacional de apreensão de veículos para recuperar dívidas de contribuintes faltosos.
Essas dívidas dizem respeito a contribuintes com processo instaurado em 2005, dívidas entre os 15 mil e os 75 mil euros e que nunca tenham manifestado intenção de as regularizar.
O IGFSS em vez de avançar para os contribuintes individuais ou empresa e apreender todos os seus veículos sem olhar à viabilidade da sua venda, como era habitual fazer-se, desta vez decidiu penhorar os melhores, ou seja: os carros em que, regra geral, viajam os próprios, os proprietários ou os gerentes das firmas.
Resultou daí que os veículos que estão para leilão são só Mercedes, Jaguar, BMW, Alfa Romeu, Audi, etc., ou seja qualquer deles custa mais do que a dívida.
Agora pasmem: são 6353 veículos que já estão identificados e que pertencem a 1373 contribuintes. Quer isto dizer que cada contribuinte possui 4,6 carros!!!

9 de abril de 2006

Mais um pouco de ontem. O que a APEL não quer é que a proposta de lei se transforme em lei e isto porque ela contempla, entre várias alterações, o alargamento do período de vigência dos livros para seis anos e o reforço do regime dos preços convencionados dos manuais e pela limitação das suas práticas de promoção, sendo que é o tema da avaliação e certificação o verdadeiro busilis da questão.
Não nos podemos esquecer que o nosso país tem 1,6 milhões de alunos, sendo que cada aluno gasta em média mais de 100 euros em manuais. Quanto é que isto dá?

Dá mau aspecto. Patrick Monteiro de Barros por certo não se esquecerá nunca da entrevista que deu hoje à revista que acompanha o "Correio da Manhã" e isto porque o dito diário não primou na chamada de atenção na primeira página.
No canto superior esquerdo diz:
Hoje não perca
O drama dos
pais que
são agredidos
pelos filhos
Entrevista com Patrick
Monteiro de Barros

A destrinça que utilizaram não é suficiente, daí que fique uma coisa esquisita.

8 de abril de 2006

Digam a verdade. A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) alertou para a possibilidade do início do próximo ano lectivo poder sofrer perturbações devido ao atraso na impressão dos manuais escolares e responsabilizou o Ministério da Educação pela demora na aprovação dos preços.
O que a APEL podia dizer é que não gosta da lei que vai ser debatida na próxima semana e que versa directamente os manuais escolares.
O que a APEL podia dizer é que está contra a certificação de qualidade dos manuais escolares que o Governo pretende.
O que a APEL podia dizer é que este é um mercado louco e não pretende abrir mão do lucro louco que ele proporciona.
Em vez disso preferem atirar areia a ver se algum grão fica na engrenagem e a emperra.

5 de abril de 2006

Está tudo louco. A história da PJ continua a dar que falar. Agora que já há novo director a questão centra-se no pedido de demissão ou no ter sido demitido. É a parvoice total a atacar.
Será que passa pela cabeça de alguém que o culminar da questão ocorreu com o pedido de demissão de Santos Cabral? Se a reunião com o ministro foi alterada para mais tarde; se o ministro recebeu primeiro o novo director; se o despacho da sua saída já estava assinado pelo ministro da tutela e pelo Primeiro-ministro, será que com todos estes ses já alinhados o ministro não ia ter o gostinho de dizer antes de tudo o sr. está demitido? Não brinquemos com isto que é matéria séria.
Mais ainda. Se o ministro vai solicitar a seis directores adjuntos que estavam com Santos Cabral para permanecerem no cargo, estamos mesmo a ver que foi o director que apresentou a demissão, só se foi depois de lhe ter sido indicada a porta da rua.

Esta CEE. Bruxelas deu dois meses ao Estado português para "tomar as medidas necessárias para pôr termo aos poderes especiais que detém na Portugal Telecom", sob pena de ser alvo de uma acção judicial por incumprimento das leis europeias sobre livre circulação de capitais e liberdade de estabelecimento no espaço europeu sem fronteiras.
Não é a primeira vez que Bruxelas ataca. Não permitiu a junção do gás natural com a EDP, mas permitiu a opa da Endesa sobre a Gas Natural em Espanha. Agora não querem a golden share do Estado na PT, mas amanhã são capazes de permitir uma situação parecida na Telefonica.
Sem querer parecer muito nacionalista começo a notar que Bruxelas proíbe em Portugal mas nos outros países olha para o lado e assobia.

Paralelismo diplomático. O deputado do PSD pelo círculo fora da Europa José Cesário, em conjunto com Carlos Gonçalves e Carlos Páscoa deputados do PSD eleitos pela imigração, reuniu-se com Patrick Parisot, embaixador do Canadá em Lisboa, a quem apelou para mais "moderação" e "compreensão" com os emigrantes portugueses que se encontrem ilegais naquele país.
A situação dos emigrantes não está propícia a actos desconexos praticados fora dos canais diplomáticos, sendo que esses mesmos canais têm como representantes o Governo e a diplomacia portuguesa e o Governo e a diplomacia canadiana. Tudo o que seja para além disto ou que não esteja mandatado é asneira pura e dura.
Não é a primeira vez que as acções paralelas em vez de ajudarem prejudicam, por isso talvez fosse importante que as pessoas pensassem primeiro antes de agir.
Se queriam ter contactos, contactassem com os seus homólogos e pressionassem estes sobre a matéria.

Os downloads musicais. A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) apresentou, ontem, na directoria de Lisboa da Polícia Judiciária, 28 queixas-crime contra suspeitos de pirataria de música na Internet. As acções são dirigidas contra incertos. É a primeira vez que utilizadores portugueses são alvo de acções legais deste tipo.
A questão de "sacar músicas da net" como vulgarmente se diz não é de agora, é uma questão antiga, só que as editoras, enquanto as quebras na compra de cd's, dvd's e outros formatos se situaram nos 20%, ou mesmo nos 30%, não se importaram, aumentaram os preços e arrepiaram caminho. Hoje, porque as quebras nas vendas se situam nos 50% aqui-del-rei que os "piratas" estão a estragar o negócio.
Para além disto os senhores das editoras tiveram em conta as novas tecnologias? Criaram produtos atraentes a preços também atraentes? Claro que não. Estão agora preocupados com os direitos dos artistas, mas quais artistas, dos de renome porque quanto aos novos paciência.
Mais ainda. Quem coloca as músicas na internet? Já alguém se debruçou sobre o facto? Como é que se explica que quer músicas, quer filmes estejam disponíveis muitas vezes antes da estreia ou apresentação?
Se descobrirem estes 28 "piratas" eles vão ser castigados e pagar coimas e para onde vão essas coimas? São para distribuir pelos grupos que eles piratearam, ou são para as editoras?
São demasiadas núvens para uma matéria já de si ela própria tão nublosa.

3 de abril de 2006

Voltemos à PJ. Decorre hoje à tarde uma reunião importantíssima para o futuro da Polícia Judiciária. Na última nota falei do quanto nos afecta a nós, comuns mortais, o irregular funcionamento desta polícia, hoje quero falar das quezílias.
Todos já percebemos que os diferendos que se estabeleceram entre o Governo e a Direcção-Geral da PJ são insanáveis. O porquê destes diferendos nós não sabemos, mas que tudo isto é estranho é.
Primeiro. Quando Santos Cabral foi nomeado Director-Geral da PJ constituiu uma determinada equipa da sua confiança. Hoje quantos elementos permanecem? Quantos se incompatibilizaram com o homem que os tinha chamado para percorrerem juntos um determinado caminho? Talvez valesse a pena verificar este ponto.
Quanto ao ministro. Valha a verdade que retirar a Europol e a Interpol da alçada da Judiciária não faz o menor sentido é, aliás, uma ideia estapafúrdia cujo recuo só ficou bem ao Governo. Para além disso, desculpem e corrijam-me se estou errado, no gabinete ministerial existe alguém que conhece muito bem a PJ por dentro, julgo por isso que o ministro não está a actuar às cegas relativamente à Direcção. Acredito mesmo que esta provocação da Interpol e Europol teve como finalidade a demissão de Santos Cabral.
Como o Director não se demitiu é altura de Alberto Costa tomar a decisão e demitir o Director. Se a decisão é boa ou má o futuro nos dirá, o que não pode continuar é o prestígio e o trabalho de toda uma polícia ser prejudicado por esta guerrilha surda que existe entre os dois.
Ser ministro também implica coragem política, por isso actue-se.