22 de novembro de 2010

E o inevitável lá aconteceu: a Irlanda recorreu à ajuda externa. Quase 100 mil milhões. Quanto nos vai caber em sorte na contribuição não sei, mas a solidariedade é assim mesmo e aí não levanto objecções. Preocupa-me mais o Banco Português de Negócios, sim porque ele já nos comeu mais (fala-se em dois mil e quinhentos milhões) do que emprestamos à Grécia, dentro do mesmo espírito de solidariedade). Já disse isto e volto a repetir: Madoff foi julgado e condenado num abrir e fechar de olhos por motivos idênticos, só que nos EUA.
Mas este texto não é sobre o BPN.
Voltando ao início, a Irlanda necessitou de ir pedir dinheiro porque o seu sistema bancário está falido e originou um défice de 32%.
Ironia ou não das coisas, estamos perante uma pescadinha de cauda nos beiços.
A banca que o Estado vai salvar, é a mesma que pede emprestado ao BCE a 1% e empresta ao Estado a 5 e a 6%. Mais, foi esta mesma banca que esteve na génese de todo este problema que atravessa diametralmente os Estados.
Podem dizer-me que é preciso salvar a banca para não permitir um descalabro ainda maior. Estou inteiramente de acordo.
Agora também penso ser esta a altura ideal para impor regras a um sector que perdeu à muito o sentido de ética e da decência.

No último post falei do tal pastor americano que "investiu" contra o Facebook porque ele fomenta o adultério.
Corre agora a informação que esse mesmo pastor é um devoto praticante de... swing. Tenham dó.

20 de novembro de 2010

É preciso ter uma paciência de santo para aturar alguns dislates, mas para este são precisas duas paciências.

Tenho respeito por quem faz greve e assume a sua feitura. Por outrolado, desprezo todos quantos não vão trabalhar e no dia seguinte preenchem a justificação com uma ida ao médico, acompanhamento de familiar ou um dia de férias. Acrescento igualmente que também não nutro especial simpatia pelos dirigentes que se perpetuam no lugar, longe do trabalho, alguns mesmo desfasados da realidade dos nossos dias e agarrados a chavões.
Tem este texto por motivo a próxima greve geral do dia 24.
Ao que parece os serviços mínimos nos transportes não estão nada fáceis. Dentro do meu respeito contesto. Estamos a falar de serviços públicos de transportes que pagamos principescamente com os nossos impostos, para além dos títulos de transporte diários e dos passes.
Assim, como eu respeito quem faz greve, é necessário que também me respeitem e respeitam-me se aceitarem a questão dos serviços mínimos.
E atenção que a questão dos serviços mínimos não se restringem só aos transportes, existem outros sectores que padecem da mesma "enfermidade".
O princípio é sempre o mesmo: contam com o meu respeito, se também me respeitarem.
CP e SOFLUSA. No Metro não há serviços mínimos para ninguém.

18 de novembro de 2010

De repente todos querem os combustíveis "low-cost". Para trás ficam os tempos em que todos referiam que estes combustíveis eram de inferior qualidade, que danificavam os veículos, etc e etc.
Agora é assim. Um pouco mais de honestidade intelectual e não se perdia nada.


Muleta oratória?! Já lhe ouvi chamar muita coisa, muleta é a primeira vez.

12 de novembro de 2010

A sra Merkel e o sr. Sarkozy foram hoje derrotados pelo G20. Primeiro a Alemanha e depois veio a França apoiar, pretendiam que os investidores/possuidores de títulos de dívida pública fossem obrigados a assumir as perdas em caso de reestruturação da dívida de um Estado emissor desses títulos.
Ora os investidores dos mercados secundários não aceitaram isso e desataram a penalizar quem necessita de procurar dinheiro no mercado para se financiar, como é o caso da Grécia, de Portugal, da Irlanda, da Espanha e mesmo da Itália, embora a esta numa escala inferior já que a dívida é mais interna.
O que acontece é que a cimeira do G20, veio hoje dizer que não pode ser assim e que os investidores não podem, nem devem ser penalizados nesta matéria.
A partir daí os juros da dívida pública portuguesa e irlandesa baixaram de imediato.
É esta Europa a duas mãos que não entendo e recuso aceitar. De um lado o eixo franco-alemão(com mais uns três ou quatro países desejosos de entrar para esse alinhamento) e do outro lado estão os outros países).
A Europa não é isto.

9 de novembro de 2010

Cavaco Silva disse hoje que "Devemos fazer o trabalho que nos compete por forma a reduzir a nossa dependência do financiamento externo".
Que curioso, terá Cavaco feito o dele quando teve essa hipótese.
Socorro-me e um artigo de Daniel Oliveira no Expresso para também eu dizer que não, não fez. Por isso vir agora armado em moralista, é um acto de mero eleitoralismo.
Deixo mais um artigo de Daniel Oliveira que julgo deveras importante.
Depois do não aceito, mas aceito a subida de impostos; depois do pseudo-tabú do voto não voto, uma nova "grande ideia" foi lançada por Passos Coelho: a responsabilização civil e criminal os governantes que deixem resvalar a despesa.
Claro que isto só serve para encher páginas de jornais, porque na prática é nulo.
Se a despesa resvala de maneira criminosa, aplicam-se as leis já existentes e ponto final. Se a despesa resvala porque foram tomadas opções políticas erradas, também existe solução, esses decisores políticos devem ser castigados nos actos eleitorais.
É assim que funcionam os Estados democráticos.

A história do processo Casa Pia é uma vergonha que atinge de novo o poder judicial. A quando da alteração do crime ocorrido em Elvas, de imediato se aventou que poderia acontecer tudo isto. Como é que não atenderam a isso e prosseguiram, sabendo que estavam a dar seguimento a uma nulidade?
Quem é que paga este dislate?

5 de novembro de 2010

Ontem deixei aqui um post sobre a "zanga" de Passos Coelho com Ângelo Correia, só que inadvertidamente escrevi Ângelo Coelho.
As minhas desculpas pelo lapso e um obrigado a um grande amigo pela chamada de atenção para o erro.

4 de novembro de 2010

Aqui está um artigo deveras importante para ficar no esquecimento, penso mesmo que não seria nada má ideia tirar umas fotocópias e distribuí-las por alguns ilustres personagens que se costumam deliciar a tecer alguns pseudo-comentários. Até mesmo o insigne Medina Carreira, ministro das Finanças do I Governo Constitucional (1976-78) não pode tecer grandes loas ao vento.

Já acabou a zanga entre Passos Coelho e Ângelo Coelho? Eu ando mesmo preocupado com isto

2 de novembro de 2010

Assistir aos debates na AR é o melhor exercício para afastar este sentimento deprimente que teima em nos deitar abaixo.
Hoje o artista de serviço foi José Pedro Aguiar Branco.
Disse o referido deputado que José Sócrates "vai ter de passar pela vergonha de ser demitido".
Então não é que eu me recordei do XVI Governo Constitucional, onde o excelso deputado foi ministro da Justiça e percebi que ele sabe do que fala, já que foi o tal governo que foi "despedido" por Jorge Sampaio.