29 de fevereiro de 2008

Que estranho. Cada vez fico mais perplexo com determinadas tomadas de posição por parte dos dirigentes de determinadas classes.
Vem isto a propósito de uma proposta de um dos líders do PSD.
Pois bem Luís Filipe Menezes disse que querer ver aplicado progressivamente o princípio de que não se possa acumular o exercício da medicina nos sectores público e privado.
Será que ponderou bem o que disse? Convém não esquecer que ele próprio é médico.
Independentemente do que penso sobre a matéria e que direi mais adiante, não posso deixar de mencionar a tomada de posição do Bastonário da Ordem dos Médicos.
Diz o senhor que é uma proposta lamentável e que acabaria com o Sistema Nacional de Saúde.
Curiosamente toda e qualquer medida ou ideia que possam mexer nas vastas regalias dos médicos são de imediato chumbadas pelo senhor.
Isto não há a menor dúvida, quem atacar o lobbie dos médicos leva logo por tabela.
Sobre a medida propriamente dita, penso que numa primeira leva iria trazer problemas ao SNS, nomeadamente nalgumas especialidades, sendo que, como é evidente, nunca acabaria com ele.
Por outro lado impunha alguma ética no sistema e abria espaço a outra gente.
No caso da ética, todos sabemos que existem muitos casos por esse país fora em que os médicos acompanham os doentes e chegada a altura de operar ou de um pós-operatório o médico força outros caminhos para esse mesmo doente.
Não é novidade para ninguém que muitos pacientes frequentam a consulta particular de um determinado médico que depois lhe diz a determinada altura, e sendo caso disso, o melhor é fazer intervenção cirúrgica e manda ir ter com ele ao hospital público onde está a trabalhar para lá fazer a intervenção.
Também acontece que muitas vezes o paciente é operado e após uma ou duas consultas, o médico diz que o melhor era passar para o consultório porque ali há muita gente e no consultório sempre teria outro acompanhamento e etc e etc.
É uma promiscuidade pouco ou nada aconselhável.
Já quanto a abrir espaço para outra gente, significa que poderia haver mais médicos jovens, não sendo necessário limitar os números de acesso nas Universidades.
Mas é claro que eu percebo que estamos perante mais uma medida avulsa (propõe mas não explica) e que tem sido o apanágio desta liderança, onde um dia se diz uma coisa e no dia seguinte se contradiz.
Isto não é ser alternativa. Isto é praticar equilibrismo eleitoralista e ninguém aguenta este equilibrismo durante muito tempo.
Se tomarmos atenção às sondagens podemos verificar que somente após a eleição de Menezes o PSD subiu porque a partir daí é sempre a descer. E isto é o resultado de ter a ânsia de defender tudo e na realidade não defender nada.

Vou-me rir imenso. Jaime Silva, ministro da Agricultura, acusou Portas de ter "calotes políticos" e de dever explicações aos portugueses sobre os casos Portucale e Casino de Lisboa que envolvem ex-ministros do CDs-PP.
O líder do CDS-PP vai processar Jaime Silva por se considerar lesado no direito ao bom-nome por afirmações do governante.
Pois bem, já não chegava o caricato do processo, Portas achou por bem dar mais enfâse à coisa e nomeou Garcia Pereira o eterno líder e candidato do MRPP/PCTP para seu advogado.
Precisamente Garcia Pereira que, para muitos é a antítese de Portas. Claro que toda a gente tem direito a ser defendido, mas escolher, e ter aceite ( isso ainda mais grave) um advogado que se arroga defensor dos mais desprotegidos, dos mais "pobrezinhos" que "odeia o grande capital" como apregoa, e que fez declarações muito pouco abonatórios quanto a Portas a propósito do caso Moderna, vêm aceitar a defesa do mesmo que tanto mal disse. Voltemos ao camarada Arnaldo de Matos.

Para terminar aqui ficam os parabéns à TSF. Foi a 29 de Fevereiro de 1988, que foi para o ar a primeira edição da TSF.
Obrigado à rádio que mudou o panorama radiofónico em Portugal.

28 de fevereiro de 2008

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, disse ontem que a contestação na educação é
semelhante à que levou o ministro da Saúde a sair do Governo. “Estamos a tentar bater um recorde. A última vez que um ministro foi ao ‘Prós e Contras’ [programa da RTP em que Maria de Lurdes Rodrigues esteve na segunda-feira] durou 10 dias”.
Quando a conversa chega a este nível, nada mais há a fazer.
Este senhor ainda não percebeu que os pais estão fartos das suas aventuras judiciais.
Este senhor ainda não percebeu que os pais querem que os professores sejam avaliados.
Este senhor ainda não percebeu que os estabelecimentos de ensino devem ser geridos de forma profissional e não amadora e que para isso nada melhor que um gestor.
O que é que é preciso para este senhor perceber tal coisa?
Será preciso que os pais avancem também eles com acções cíveis ou administrativas contra a perturbação permanente do ano lectivo que ele teima em levar a cabo.
Já agora: há quanto tempo este senhor esta afastado do serviço lectivo?
Deixo aqui o diploma que regulamenta a avaliação para que leiam e depois digam se isso não é o que acontece a todos e a cada um de nós no seu serviço.

Sobre a demagogia de Menezes sobre esta matéria e outras (a da RTP) nem vale a pena comentar. Subscrevo a opinião de Morais Sarmento e Pacheco Pereira.

Ana Gomes volta a partir a loiça. O visado é Portas, mas o PS, como é norma, também não escapa. O trabalho jornalístico no 24horas e o blogue, são disso prova.
Resta saber se Portas também vai recorrer à justiça.

27 de fevereiro de 2008

É a loucura geral ou a tentativa de fazer de nós parvos? O presidente da Associação de Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP) garante que o preço do pão tem de subir. Mas não é uma subida qualquer. O senhor presidente diz que actualmente, o pão de 40 gramas custa em média entre os 10 e os 12 cêntimos e que para a industria não colapsar este preço terá de ser ascender aos 15 cêntimos.
O mesmo senhor explicou que «as empresas não conseguem esmagar mais margens, as margens não têm espaço para aguentar mais subidas da matéria-prima. Qualquer subida ou é repassada ao consumidor ou corremos o risco de fechar».
Quer isto dizer que os anteriores aumentos serviram somente para o bolso dos industriais, uma vez que só agora é que não aguentam.
Mas mais, Carlos Santos, o referido presidente diz que as culpas por esta situação vão direitinhas ao Governo. Os motivos: «Um excesso de legislação nos últimos anos para fazer em poucos anos o que devia ser feito ao longo de 20. Uma falta de trabalho dos políticos portugueses em Bruxelas para salvaguardar a especificidade em matéria de legislação no componente dos equipamentos industriais do nosso sector».
Não digo que os Governos estejam isentos de culpas. Mas o que eu também acho é que estes senhores não quiseram investir em matéria-prima portuguesa.
Alguém alguma vez ouviu que estes industriais tinham negociado com os agricultores portugueses no sentido de lhe comprar a produção dos cereais? Não que o cereal nacional era mais caro.
Pois agora aí têm o resultado do desprezo a que votaram os outros.

Se as birras entre Ministério Público e poder judicial dão nisto, quem é que nos acode?

O presidente do Conselho de Administração da Sonae criticou os bancos por aumentarem o preço do dinheiro com o objectivo de garantiremos seus lucros.“É o mesmo que o Estado faz quando não tem dinheiro e sobe impostos”, disse Belmiro de Azevedo, adiantando que “estão a prejudicar os clientes”.
O empresário, que falava à margem do I Encontro PME organizado pela Associação Empresarial para a Inovação, disse ainda que “é preocupante a atitude dos bancos” e sublinhou que a máxima “Se os custos sobem os lucros têm que subir, é um raciocínio perigoso e estatal”.
Camões disse um dia "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" e estava coberto de razão já naquele longínquo tempo.
Quem não conheça Belmiro pensará estar perante um discurso do presidente boliviano Evo Morales.
Nisto tudo só me assalta uma dúvida: este Belmiro de Azevedo não foi o mesmo que substituiu Afonso Pinto de Magalhães (Belmiro 'vs' Pinto Magalhães DN 11-8-2007) e não é o mesmo que fundou o Banco Universo.
Se é, e eu si que é, estamos conversados.

Ao que parece a luz, a água e o gás vão passar a ser cobrados todos os meses. Sobre isto gostaria de dizer que estou farto de ser cobaia.
Eles é que passaram para dois meses, não foram os consumidores, e mais fizeram-no à nossa revelia. E ao que parece vão mudar novamente e também à nossa revelia.
Só espero que isto não esteja directamente relacionado com o fim do pagamento dos alugueres dos contadores a partir de 26 de Maio, estabelecido pela Lei 12/2008.
É que este mesmo diploma permite que haja uma componente fixa na factura para a remunerar o serviço.
Se era para dar com uma mão e tirar com a outra valia mais que estivessem a dormir.

26 de fevereiro de 2008

Parece que o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto decidiu que as aulas de substituição devem ser consideradas como trabalho suplementar.
Não sei se tenho capacidade para tanto, mas gostaria de expor a minha ideia.
A maioria dos funcionários públicos trabalha 35 horas semanais. Assim sendo gostaria de indagar o seguinte: as aulas de substituição ocorreram para além das 35 horas? As aulas não estão inseridas dentro da componente lectiva?
Não sei porquê, mas gostaria de ouvir os professores a reclamarem espaços condignos para permanecerem nas escolas a efectuar o trabalho que sistematicamente acusam de ter de levar para casa, mas curiosamente nunca ouvi ninguém a reclamar tal.
Para além disso continuo a não entender como é que os Tribunais se estão a imiscuir na acção governativa. Espero que não seja tudo uma questão de lobbies.

Continuando na educação gostaria de referir que no programa televisivo Prós e Contras de ontem dedicado à educação uma professora, Fernanda Velez, afirmou que: «qualquer um serve para ser ministra da Educação», sublinhando que «não há coragem para pôr um professor à frente do ministério. Parecem que fazem questão de pôr alguém que nunca deu aulas nem conhece a realidade das escolas».
Convenhamos que não foi uma expressão feliz e mais, se houvesse a coragem de limpar as chefias intermédias que pululam pelo ministério e que são em muitos casos professores destacados, talvez que muita coisa estivesse melhor.
E talvez que tenhamos chegado a um ponto esquisito: o pagamento à peça.

Portugal está a ficar perigoso. Rui Santos, comentador desportivo da SIC cometeu um grave delito: tem opinião, opinião essa que é muito própria e que não se sustenta em nenhum grupo desportivo.
Pois bem, o facto de ter opinião originou que fosse atacado no parque de estacionamento da SIC.
Lamentavelmente.

E porque estamos em desporto... Não gosto de falar aqui de desporto. Não de desporto propriamente dito, mas sim de parvoíces colaterais.
As declarações proferidas ontem por Luís Soares Franco, presidente do Sporting, em nada o dignificam e não se percebem bem o timming em que são proferidas, uma vez que o Sporting Benfica é já no próximo fim-de-semana.

25 de fevereiro de 2008

Ontem voltou a ser um dia aziago para o maior partido da oposição. Marcelo na sua crónica habitual de Domingo na RTP1, fez questão de salientar que a lei da avaliação de professores só peca por ser implementada agora e não no início do ano lectivo, já que nos parâmetros de avaliação eles são tantos e tão diversificados que não vê aí problema algum, para além de ter sido bem claro que tem de haver avaliação.
Mas não ficou só por aqui a desgraça para o PSD. Marcelo referiu que Costa tem razão na questão do empréstimo para a CML e que o seu parecer teria sido grátis, o que contraria as informações quer de Carreiras, quer de Serras que de imediato se pronunciaram contra os pareceres por ser um dispêndio grande de recursos.
A terminar o ramalhete, Marcelo ainda fez questão de dizer que espera que não existam mais semanas como esta última, já que ela foi uma verdadeira desgraça para o partido.
Se a isto juntarmos as críticas de Branquinho e o facto de António Borges ter vindo a terreiro disponibilizando-se para a liderança, é caso para dizer que a coisa tá preta.

Não compreendo como é que a declaração de contumácia num processo não interrompe os prazos da prescrição. Tal facto leva-nos a ficar com isto às voltas no estômago.

Vai ser possível realizar uma visita virtual à Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra quer na Internet quer em DVD que mostra o monumento do barroco português em três dimensões, desvendando até alguns aspectos normalmente inacessíveis.
A visita permitirá apreciar pormenores não visíveis a olho nu – como os frescos dos tectos – e até penetrar em espaços não acessíveis ao público, com os seus dois pisos subterrâneos.
Segundo Carlos Fiolhais, director da Biblioteca da Universidade de Coimbra, o DVD deverá estar concluído em Março e será disponibilizado em seis línguas diferentes.

24 de fevereiro de 2008

As manifestações dos professores têm-se multiplicado, mas e apesar disso, há algo que era incontornável: a feitura de reformas que para além de necessárias eram inevitáveis.
Talvez por esta mesma inevitabilidade, seja de pouca sensatez criticar Sócrates como o fizeram, respectivamente, esta semana, o CDS, o PCP e o PSD, na política de educação, de saúde ou na justiça.
O problema é tão só este: nestas áreas os socialistas têm trabalho feito e, para além disso sabem que não têm alternativa capaz.
Aliás na entrevista dada à SIC, e ataquem como quiserem os jornalistas que a realizaram, ficou mais que provado que Sócrates continua, ao fim de três anos, a marcar a agenda política e a definir os "timings" e o discurso o que por si só demonstra que com este tempo de Governo e com toda a contestação que se tem visto, ainda tem tudo na mão, desde os comportamentos da maioria, mas, sobretudo, os comportamentos da oposição e dos poderes fácticos da sociedade.
Assim, e porque a oposição é o que é, resta-nos aguardar por 2009 e ver se continua a maioria ou não.

22 de fevereiro de 2008

Ontem falei aqui do acórdão do Tribunal Constitucional que trouxe para a ribalta a questão SOMAGUE versus PSD.
A multa aplicada a um e a outro constituem caso inédito na nossa democracia. Só que a multa não chega. É preciso ir mais além. Não é possível que só Vieira de Castro saia penalizado. E Arnaut? E Durão Barroso?
Então Barroso, na altura líder incontestado do PSD, sabia das armas de destruição maciça que estavão em poder de Saddam no longínquo Iraque e não sabia que a Somage tinha pago umas verbas ao partido que liderava? Mas não foi só isto, porque a receita repete-se: sabe das armas, mas não sabe do casino.
Mas não fico só por aqui.
Onde está o procedimento criminal? Sim que isto não se pode resumir a multas, tem de ir mais além.
A finalizar há uma questão que ninguém fala, mas que importa esclarecer: O que é que a SOMAGUE recebeu em troca?

Estou admirado. Em poucos dias Menezes rasga os acordos que tem com o PS.
Que ele rasgue o da lei eleitoral autárquica acho muito bem, já que eu acho que a lei é uma perfeita anomalia.
Agora eu também sei que ele só rompeu o acordo por pressão quer da Associação Nacional de Municípios, liderada pelo social-democrata Fernando Ruas e pela ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) liderada pelo social democrata de Oliveirinha (Aveiro).
Mas claro que nem tudo são rosas. Ganha o apoio dos autarcas, mas perde do seu líder da bancada parlamentar, já que este acordo era a menina dos olhos de Santana Lopes, para além de que Lopes não tem em boa conta Fernando Ruas.
Assim sendo, Menezes tem de se preparar para as hostilidades de Santana.
Mas não foi só este pacto, foi também o da justiça, sendo que aqui a culpa foi do mapa judiciário.
Eu percebo que ele agora torça o nariz ao pacto, o que eu não percebo é como é que alguém rasga um pacto porque não está de acordo com algo e não é capaz de apresentar alternativas. Limita-se a um não concordo. Assim, sem ideias, é fácil ser oposição.

Ao ponto que chegámos. Os cinco inspectores da Polícia Judiciária (PJ) acusados por Leonor Cipriano, mãe de Joana, a menina algarvia que desapareceu em 2004, de agressão durante os interrogatórios no âmbito das investigações ao caso, vão ser julgados.

A Greenpeace chegou hoje a Portugal. Não fisicamente, mas através de um escritório virtual que encontramos em http://www.greenpeace.org/portugal/

Deixo aqui o documento da SEDES que reputo de importantíssimo.

21 de fevereiro de 2008

Começou a parvoíce. O líder distrital de Lisboa do PSD, Carlos Carreiras, declarou que do acórdão do tribunal decorre que a dívida estrutural do Município remonta aos mandatos dos socialistas Jorge Sampaio e João Soares.
Claro que a resposta aí está. A Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, em comunicado assinado pelo presidente do órgão, Joaquim Raposo, sustentou hoje que o empréstimo pedido pela autarquia socialista da capital e chumbado pelo Tribunal de Contas destinava-se a pagar dívidas dos mandatos do PSD.
Quando começa esta troca de galhardetes é mau sinal e é patético, para além de que a decência devia levar o sr. Carlos Carreiras a estar caladinho e a promover todos os esforços no sentido de que as dívidas sejam liquidadas.
Até porque em matéria de contas as coisas não andam famosas lá pela S. Caetano à Lapa, pelo menos a fazer fé na decisão do Tribunal Constitucional.
E já agora como é que o sr. Carreiras foi capaz de inferir do acórdão do Tribunal de Contas que as dívidas são de Sampaio e de Soares.
E já agora como é que está a Câmara de Ourique, em tempos comandada por Raul Santos, santanista dos quatro costados? Claro é sempre assim. O actual presidente é que se lixa.

Parece que o PSD está completamente dividido na opção política a tomar em relação à declaração unilateral de independência do Kosovo.
A divisão é uma linha que ao que parece veio para ficar.
Tem uma direcção divida. Estão divididos relativamente à nova Lei Autárquica. Estão divididos relativamente à auditoria às contas desde 2001. Estão divididos na questão do casino.
Perante tudo isto o Kosovo é de somenos importância para o PSD.

Ontem deixei por assinalar uma data importante: a da morte de Vitorino Nemésio.
Só que foi um esquecimento consciente. Preferi relembrar o grande ensaísta, romancista, poeta hoje, na data em que se assinala o Dia Internacional das Língua Materna.

Dia Internacional da Língua Materna (UNESCO)

Em 1999 a UNESCO estabeleceu o dia 21 de Fevereiro de cada ano como o Dia Internacional das Línguas Maternas. Esta comemoração impulsinou assim os esforços dessa Organização Internacional para proteger as quase seis mil diferentes línguas existentes ao redor do mundo e, ao mesmo tempo, preservar a diversidade cultural. O Conselho Geral, órgão supremo da UNESCO, reconheceu o papel que tem a língua materna não só no desenvolvimento da criatividade, da capacidade de comunicação e na elaboração de conceitos, como também no facto de que as línguas maternas constituem o primeiro vector da identidade cultural. Em 2000, primeiro ano em que a data foi devidamente comemorada, Portugal não associou ao seu processo de expansão uma política de difusão da Língua, contrariamente a posições adoptadas por outros estados europeus, designadamente Espanha e França, quando as estimativas sobre as 100 línguas maternas mais faladas no mundo (divulgadas em 1999 e disponíveis na Internet (www.sil.org/ethnologue/top100.html) colocavam o Português como a sexta língua materna mais importante, atribuindo-lhe um total de falantes calculado em 170 milhões. Verificava-se, por conseguinte, que o Português figurava entre as dez línguas maternas com maior expansão no planeta, ocupando a posição de terceira língua europeia, com idêntico número de falantes ao do Russo.

E porque «A minha Pátria é a minha Língua» aqui fica a boa nova de que foi hoje editado o primeiro manual de apoio pedagógico ao mirandês " Las mies purmeiras palabras an mirandés." (As minhas primeiras palavras em mirandês).
E para terminar uma poesia de Vitorino Nemésio

Semântica Electrónica
Ordeno ao ordenador que me ordene o ordenado
Ordeno ao ordenador que me ordenhe o ordenhado
Ordinalmente
Ordenadamente
Ordeiramente.
Mas o desordeiro
Quebrou o ordenador
E eu já não dou ordens
coordenadas
Seja a quem for.
Então resolvo tomar ordens
Menores, maiores,
E sou ordenado,
Enfim --- o ordenado
Que tentei ordenhar ao ordenador quebrado.
--- Mas --- diz-me a ordenança ---
Você não pode ordenhar uma máquina:
Uma máquina é que pode ordenhar uma vaca.
De mais a mais, você agora é padre,
E fica mal a um padre ordenhar, mesmo uma ovelha
Velhaca, mesmo uma ovelha velha,
Quanto mais uma vaca!
Pois uma máquina é vicária (você é vigário?):
Vaca (em vacância) à vaca.
São ordens...
Eu então, ordinalmente ordeiro, ordenado, ordenhado,
Às ordens da ordenança em ordem unida e dispersa
(Para acabar a conversa
Como aprendi na Infantaria),
Ordenhado chorei meu triste fado.
Mas tristeza ordenhada é nata de alegria:
E chorei leite condensado,
Leite em pó, leite céptico asséptico,
Oh, milagre ordinal de um mundo cibernético!
Vitorino Nemésio

20 de fevereiro de 2008

Cá estou eu de novo. Nestes dias que passaram em branco muita água correu por baixo das pontes e isto não foi só em sentido figurado.
Vamos então a isto.

Quem com ferros mata, com ferros morre. Este velho ditado popular assenta que nem uma luva sobre o facto do Tribunal de Contas não dar luz verde ao pedido apresentado pela Câmara de Lisboa para contrair um empréstimo de 360 milhões de euros para saldar as dívidas a fornecedores.
Não que a Câmara tenha culpa disto, a única culpa da Câmara é ter dado albergue a uma série de gastadores de primeira que de asneira em asneira promoveram a insolvência da mesma. O caricato é que a Lei que serve de fundamento ao TC é do ex-ministro e actual presidente da CML, o socialista António Costa.
Claro que quem fica entalado com tudo isto são os credores, que já tinham esfregado as mãos de contentamento e agora vêem a vida a andar para trás.
Mas esta questão tem mais alguns pontos interessantes.
Comecemos por Carmona Rodrigues, ex-presidente da CML e hoje vereador independente. Diz o referido senhor considerou que o chumbo é «preocupante porque vai atrasar mais o saneamento financeiro», para além de que é «preocupante» por atrasar o pagamento das dívidas aos fornecedores.
Mas engalanado no verbo avançou dizendo «tínhamos razão quando criticámos o montante do empréstimo», que «sempre criticámos por se tratar de um pedido de empréstimo puro, a 10 anos e com dois anos de carência. O plano tinha de ter medidas para a Câmara preparar um novo equilíbrio financeiro ao fim desses 10 anos, com uma reformulação de despesas e receitas», para além de que o plano de saneamento financeiro proposto por Costa é «muito incipiente, quase vago», faltando no documento «medidas que visassem um reequilíbrio financeiro».
Carmona defende que a solução passe por uma «reformulação do pedido, tem de ser mais bem fundamentado com uma política clara de receitas e despesas para os próximos dez anos» e que concorda com a solução de transformar as dívidas a fornecedores, a curto-prazo, em dívidas a médio-prazo, através da contracção de um empréstimo junto da banca, uma possibilidade em que o seu executivo já estava a trabalhar antes da queda da câmara, em Maio.
Como não era já suficiente este rol de asneiras, veio o vereador social-democrata Fernão Negrão alardear que tinham avisado e que ninguém quis ouvir.
E como o ramalhete ainda não estava composto veio o PSD, pela voz do presidente da Assembleia Municipal, Saldanha Serra, recordar os alertas dos sociais-democratas: «preferíamos não ter razão neste assunto mas desde a primeira hora que o PSD alertou para este empréstimo e para a forma como estava a ser construído. Nunca fomos contra o empréstimo mas contra a forma como estava a ser elaborado, mas ninguém nos ouviu».
O autarca do PSD diz mesmo que os sociais-democratas estão «preocupados porque isto significa que se perdeu tempo» e agora vai ser mais difícil «encontrar uma solução financeira e pagar as dívidas do município».
Sendo assim, o PSD espera que António Costa apresente soluções para resolver os problemas financeiros. «Quem tem de assumir isto é António Costa e o executivo socialista porque foram eles, sem ouvir ninguém, que apostaram nesta solução».
Onde está o decoro desta gente?! Só falta vir Santana Lopes.
E que tal se estes senhores pedissem desculpa por terem deixado a Câmara chegar a este ponto.
Que tal se em vez de criticarem dissessem: gastámos, delapidámos, fomos megalómanos.
Para estes artistas recomendo a leitura de um artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira publicado na Folha de S. Paulo a 10.4.2006 ou o de Paulo Roberto de Almeida publicado na revista Espaço Acadêmico.

Sócrates foi à SIC. Num dia em que o mau tempo se tornou a notícia mais importante, aconteceu a entrevista do primeiro-ministro na SIC.
Assistimos a um primeiro-ministro bem preparado, que demonstra conhecimento de todas as matérias e que soube usar primorosamente os números.
Um pouco aflito com a saída de Correia de Campos, alguma indisposição com os professores e uma ausência temática que não é culpa dele: a justiça.
Para além disso assistimos a um político sem adversários (o PSD porque ainda não se encontrou a ele próprio e porque a sua última passagem pelo governo teve más consequências para todos), o CDS/PP porque afundado em escândalos tenta manter-se à tona de água, o PCP porque continua igual a si próprio e o BE que nada mais é do que um grupo de amigos que degustam lagosta e caviar ao mesmo tempo que trocam umas frases lidas nos manuais trotskistas.
E assim caminha este país.

E porque falei de professores gostaria de deixar aqui bem expresso que como pai apoio incondicionalmente a avaliação de professores e contesto as medidas cautelares que impedem isso mesmo. Estou mesmo convicto que nesta matéria os tribunais ao aceitarem esta acção estão a violar o conceito de separação de poderes que tanto para si reclamam. A avaliação de professores é uma medida política do foro governativo, logo fora da alçada jurisdicional.
Mas voltando à questão importa referir que nós pais temos direito que os professores dos nossos filhos sejam avaliados como em qualquer outro caso. Importa e é urgente separar o trigo do joio.
Não é professor quem quer, mas sim quem sabe e lamento dizê-lo, mas andam por aí muitos que não sabem ser professores quer na questão académica quer na questão humana.
Mais me apraz referir que estou contra o recuo do Governo em matéria de gestão escolar. As escolas precisam de uma gestão especializada e o facto de já ser possível aos professores presidirem ao Conselho Geral (futuro órgão de direcção das escolas) deita por terra essa gestão especializada, bem como continua a dar possibilidades à existência de vícios de forma.

Por fim vamos à intempérie. É verdade que a pluviosidade atingiu valores muito além dos normais, mas tal facto não é só por si bastante para provocar o caos, as perdas económicas e humanas que se vereficaram.
Portugal assistiu a um crescimento desordenado fruto da gula de uns quantos que menosprezaram quer a ciência, quer a própria natureza. Atulharam-se ribeiros, desviaram-se linhas de água, secaram-se lençóis freáticos, arrancou-se vegetação, destruiram-se pontões naturais, espalhou-se cimento e alcatrão sem uma ponderada análise.
Mas como se isto já não bastasse, acharam por bem não investir em sistemas de escoamento e drenagem alternativos ou mesmo a cuidar dos existentes limpando e conservando.
O resultado aí está. Vidas que se perdem, milhares de euros de prejuízo.

A finalizar deixo aqui que o PSD inviabilizou esta manhã a possibilidade de Jorge Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto irem ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre as polémicas que envolvem o BCP e a actuação do Banco de Portugal enquanto entidade de supervisão.
Mário Patinha Antão, pelo PSD, considerou que com a presença de Filipe Pinhal no Parlamento, amanhã à tarde, se "fecha um ciclo" e que, por essa razão, "não fazia sentido" prolongar as audições ouvindo os dois antecessores de Pinhal.
Revertendo isto para linguagem normal é assim: o PSD só precisa de Pinhal para tentar apanhar Constâncio.
Ouvir Teixeira Pinto nunca, não vá este membro do XII Governo Constitucional, presidido pelo Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, onde desempenhou funções de Subsecretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, entre 5 de Novembro de 1991 e 18 de Março de 1992, e de Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, entre 19 de Março de 1992 e 28 de Outubro de 1995, cargo que acumulou com as funções de Porta - Voz do Governo, ter alguma coisa para dizer que ilibe por si só o Banco de Portugal e o seu governador.
Com esta atitude o PSD mostrou que mais uma vez está com uma postura de pouca seriedade nesta temática.

13 de fevereiro de 2008

Ontem falei da Madeira e hoje sou obrigado a falar novamente. O deputado do PSD-M, Gabriel Drumond, questionou até quando os madeirenses vão ter paciência para «aturar» o governo de Portugal que «está a tirar o pão ao povo da Madeira» e «aturar os senhores que governam Portugal».
Pois bem, não me levem a mal, mas perante isto não posso deixar de vos dar a conhecer que Alberto João Jardim inaugurou ontem o Nó das Quebradas.
Ora esta obra é nada mais nada menos que a nova ligação viária entre o Nó das Quebradas e a Estrada Monumental, perto dos Socorridos, é uma obra do Governo Regional e foi adjudicada por 11,3 milhões de euros. Compreende duas fases. A primeira, ontem inaugurada, tem 1.200 metros de via e uma rotunda, aonde irão confluir o novo troço da E.R., a Estrada Monumental e o Caminho da Lombada. Como tem troços com inclinação acentuada e estar previsto ser usada por veículos pesados, foi criada, no sentido ascendente, uma via suplementar para veículos lentos. A segunda fase começa a ser feita em Março e inclui a construção de 190 metros da Estrada Regional 229 (Estrada Monumental), aperfeiçoando e alargando a actual estrada da zona das Quebradas, e uma rotunda, que facilitará a circulação rodoviária do cruzamento actualmente existente.
Se lerem irão verificar que estamos a falar de 1.390 metros e uma rotunda. 11,3 milhões de euros.
Estamos conversados.

Lembram-se daquela senhora que dizem ter sido afastada do Museu de Arte Antiga pela ex-ministra e que tanta polémica causou.
Reparem bem no curriculum de Dalila Rodrigues:
Doutorada em História da Arte pela Universidade de Coimbra, Dalila Rodrigues ocupado as direcções do Museu Grão Vasco, entre 2001 e 2004, e do Museu Nacional de Arte Antiga, entre 2004 e 2007.
Até à data, exerceu funções de Professora Coordenadora de História da Arte no Instituto Politécnico de Viseu e de Professora Convidada do ISCTE.
Especializada em História da Pintura Portuguesa, desenvolveu diversos projectos de investigação no país e no estrangeiro, designadamente com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, da qual foi bolseira para doutoramento.
Foi professora convidada da Universidade Portucalense (2002-2003) e da Universidade Católica, Porto (2006-2007), no âmbito de cursos de mestrado e doutoramento.
Organizou, comissariou e produziu diversas exposições de arte antiga e contemporânea, designadamente no âmbito de Salamanca 2002, Capital Europeia da Cultura, ou com a colaboração do Museu de Serralves.

É curriculum de gabarito, só não sei é se o podemos aceitar para as novas funções: a nova responsável pela Direcção de Comunicação, Marketing e Desenvolvimento Fundação Casa da Música da Casa da Música.
Tenham lá paciência e decoro.

Marinho Pinto vai ser alvo de um processo disciplinar na Ordem dos Advogados interposto pelo responsável da distrital da Ordem em Lisboa, Carlos Pinto de Abreu. Em causa está o facto de o bastonário ter feito declarações públicas sobre o funcionamento da justiça em Portugal sem ter pedido autorização à Ordem.
Claro que eu compreendo que não sejam declarações que caiam no goto de muitos, mas não sei se esta é a melhor forma de atacarem a questão.

Ontem na TSF a incidência foi sobre a assinatura de contratos de saneamento financeiro com as universidades.
Curiosamente ouvi que nomeadamente a do Algarve estava a pensar não renovar o contrato com docentes e a de Évora ia encerrar cursos.
Não é por nada, mas seria indispensável que um dia se fizesse a história de toda esta problemática, mas uma história sem tendências, uma história que mostrasse como muitos docentes foram contratados, como muitos cursos foram criados, como é que muito pessoal não docente foi contratado, etc. e etc.
Quando isso acontecer, estou convicto que muitos dos que hoje falam alto, passam a falar baixinho.

Pedro Tadeu escreveu hoje Calemo-nos na pág. do 24horas. Sem fugir à temática e percebendo o texto, gostaria de só fazer uma referência: a questão do sindicalista ocorreu em Janeiro de 2005, sendo que o Governo de Sócrates, decorre de eleições ocorridas em 20 de Fevereiro de 2005.
Mas que fique bem claro que percebo onde Tadeu quer chegar.

12 de fevereiro de 2008

Então não é que Ricardo Bexiga, o tal vereador de Gondomar que levou umas porradas, porradas essas que agora até foram arquivadas por falta de provas, foi nomeado para administrador da CP. Quem é que saíu para ele entrar?

Um amigo meu costuma dizer que este país não existe. Pois bem, para mal dos nossos pecados ele existe e tem cada artista, que eu vos vou contar. Atentem no que se segue.
Os deputados do PSD-M na Assembleia Legislativa inviabilizaram a discussão e aprovação de um projecto de resolução do PCP-M que visava candidatar a cidade do Funchal a «Património Mundial da Humanidade».
O PCP-M propunha, através da aprovação do seu projecto de resolução, que a Assembleia Legislativa recomendasse ao Governo Regional o desencadeamento de «todos os mecanismos necessários para a efectivação de uma candidatura para que o Funchal seja reconhecido pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade».
Mas se a bancada do PSD-M fez isto, mas em bloco, agora vejam o que disse um elemento dessa bancada.
O deputado do PSD-M à Assembleia Legislativa Gabriel Drumond questionou hoje até quando os madeirenses vão ter paciência para «aturar» o governo de Portugal que «está a tirar o pão ao povo da Madeira» e «aturar os senhores que governam Portugal».
Como é que é possível que se assista a dislates destes e não se mostre a toda a gente em quanto é que nos fica aquele arquipélago.

Primeiro foi na zona de Sintra, agora foi em Albufeira. Desta vez foram mais cinquenta toneladas de carne congelada.
O produto não tinha licenciamento e foi encontrado numa arca congeladora. Grande parte estava fora de validade há cinco anos. Seis toneladas de carne foram ontem enviadas para o aterro sanitário de Portimão para serem queimadas e destruídas.
O trabalho fica a dever-se à ASAE.
Curiosamente não vi os que ultimamente fizeram questão de quase comerem o organismo, virem saudar o trabalho desenvolvido.
É muito ao jeito destes rapazes: quando é para dizer mal, é um ver se te avias; quando é para enaltecer, tá bem tá.

Opto por deixar a notícia, tal como a li. Nem me apetece comentar.

Para terminar fica aqui a versão consolidada do Tratado de Lisboa.

11 de fevereiro de 2008

António Costa bateu forte e feio no "Público". O facto aconteceu aos microfones do Rádio Clube Português, no programa Mesa para 4.
Claro que nem tudo quanto foi dito por António Costa será verdade, mas que há coincidências há. E pior do que isso é quando os meios de comunicação social estão na mão de grandes grupos económicos, cuja vertente não é a comunicação social e esta só está presente por arrasto.
É evidente que o facto de a OPA da Sonaecom sobre a PT não ter singrado não agradou nada a Belmiro, sendo que o facto de a CGD ter tomado posição foi considerado uma traição pelo patrão da Sonae.
Se adicionarmos que a Autoridade da Concorrência só permitiu a compra da Carrefour pela Sonae se esta fechasse alguns Modelos e se não nos esquecermos que a PT vetou um negócio de 20 milhões de euros entre a WeDo, empresa da Sonaecom, e a Telefónica (a parceira espanhola da PT na América Latina e que iria ficar com a VIVO do Brasil se a OPA tivesse tido êxito) somos forçados a constatar que são demasiadas contrariedades.

10 de fevereiro de 2008

Ontem foi a tal reunião para criar a tendência dentro do Partido Socialista. Pensava já ter dito tudo sobre este tema, mas afinal enganei-me.
Temos todos muita garganta, mas... e digo isto porque fui ouvindo a posição de Alegre sobre o Tratado de Lisboa e que era inequivocamente referendo.
Pois bem, então não é que decidiu abster-se nas propostas do PCP e do BE.
Afinal é muita parra e pouca uva, ou será que esta abstençõ tem a ver com a subida de Ana Jorge sua apoiante incondicional a ministra?
Se assim, pior a emenda que o soneto.

A notícia mereceu destaque um pouco por todo o lado. O Estado norte-americano do Nebraska tornou-se ontem o último a abolir a cadeira eléctrica como modo de execução primário, depois de o Supremo Tribunal estatal ter considerado que violava a dignidade humana e era, por isso, inconstitucional.
Para nós que fomos precursores (a Lei de 1 de Julho de 1867 aboliu a pena de morte para todos os crimes civis) na abolição da pena de morte isto peca por tardio. Mas se a nossa curiosidade não ficar satisfeita só com isto e quisermos saber mais, então ficamos perplexos.
Após esta decisão so Supremo, o procurador-geral do Nebraska, Jon Bruning, disse que vai dar início aos procedimentos para aprovar um novo método de execução, já que a electrocussão era o único previsto.
Morrer sempre, electrocutado é que não.

E para terminar. Afinal todos a clamarem contra o Governo e o Ministério da Saúde por causa das Urgências de Faro e ficou agora provado que os doentes que entopem os corredores das Urgências do Hospital Central de Faro são “idosos com idade avançada, que sofrem de várias doenças e estão desintegrados da família".
Para quê tanta hipocrisia. A Bastonária dos Enfermeiros, os Médicos das Urgências, políticos e outros que o tentam ser, tudo clamou e afinal...

9 de fevereiro de 2008

Não gostei de ver as imagens do Grémio Literário. Estamos perante uma actuação fora do contexto, que excede a lógica e que, sem dúvida nenhuma, é desproporcionada.
Os sócios do Grémio Literário não são assaltantes de banco, não perturbam a ordem pública, não assaltam nos comboios, não praticam a violência, nada disso.
O curioso é que o afã para bater era tanto que existe um polícia que também ele é agredido pelo cassetete dos seus colegas.
Estranho que a sra. comissária Paula não sei quantos não tenha vindo de imediato esclarecer a situação. Será que é porque dentro da própria polícia a carga não foi vista com bons olhos? A ser assim que se assuma a burrice.

Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos, disse hoje, durante a cerimónia de tomada de posse para o seu segundo mandato que «continua, em Portugal, a tentar passar-se a imagem de que os médicos são um perigoso lobby que se move por interesses inconfessados e essencialmente egoístas, em acintoso desprezo pelo bem público. Continua a acreditar-se que a essência de uma boa política de saúde é decidir no sentido oposto ao sugerido pelos médicos».
Queres ver que não é verdade.

Está tudo doido. O Autódromo do Estoril continua a marcar passo. Ninguém o quer, muito menos a Partex claro.
Pois bem nós, espertos como somos, não aprendemos nada e vamos avançar para a criação do Autódromo Internacional do Algarve.
Pelintras, mas com costela de rico, ou será que andamos aí a poupar que nem estúpidos para uns quantos burgessos estragarem.

8 de fevereiro de 2008

É verdade que o que nos tem acontecido ultimamente deixa muito a desejar. É verdade que este Partido Socialista está diferente.
Se me perguntarem qual é o melhor não sei.
O que sei é que o PS é uma referência histórica da democracia portuguesa.
O que eu sei é que inevitavelmente alguma coisa tinha que mudar.
O que eu sei é que não é fácil afrontar uns lobies que por aí andam, no seu papel de vampiros, a sugarem o que podem e o que não podem.
O que eu sei é que por falta de empenhamento e coragem de uns quantos foi preciso dar forte e feio.
O que eu sei é que não me considero elemento da terceira via, mas não sou um empedernido que se recusa a compreender que num país como o nosso não podem existir 500 mil capelinhas para tratar da saúde, o Estado não pode pagar três e quatro sistemas de saúde, não pode haver sistemas que beneficiam a ex-mulher, a mulher e etc. e etc.
As reformas não podem ser como antigamente.
E por aí fora...
Mas porque sou assim, julgo que não tinha a lata de Alegre de vir dizer que "Claro que já não me revejo neste PS".
E será que o partido alguma vez se reviu em Alegre.
Não será que no deve e haver Alegre deva mais ao PS do que o PS a Alegre.
Alegre quer formar uma corrente de opinião dentro do PS?!
Mas que corrente? Só se for a corrente da sobranceria.
Não entendo como é que nenhum jornalista o questiona sobre a forma como foi sempre cabeça de lista por Coimbra, e qual o trabalho que desenvolveu pela cidade enquanto tal.
Se foi escolha de Coimbra, ou se foi imposto por Lisboa?
A democracia também se revê assim.
Talvez seja por isto mesmo que hoje ainda estamos assim.

7 de fevereiro de 2008

A petição disponível em www.stopblair.eu não tem nada a ver com o Tratado de Lisboa, ou sequer com a sua ratificação. Isto tem somente a ver com o facto de se estarem a preparar para chamar o sr. Tony Blair para o cargo de presidente do Conselho da União Europeia que é uma figura prevista no Tratado de Lisboa. E sinceramente eu já não gostava do senhor em causa, mas desde que ele apareceu como figurante no filme de natal do barney então é que nem como molho de tomate.

O ministro da Justiça manifestou-se hoje disponível para prestar declarações no parlamento sobre as declarações do director Nacional da Polícia Judiciária sobre o "caso Maddie".Mas ainda vai prestar declarações? O que eu esperava de Alberto Costa é que ele levasse o nome do futuro director e demitisse este.
Tenho muita pena mas não afino pelo diapasão do ex-bastonário dos advogados Rogério Alves. Para este o que o sr. director fez foi um acto de honestidade intelectual. Claro eu também pensaria assim se fosse um dos patronos do caso. E já agora deixe que lhe diga sr. ex-bastonário nunca fui entusiasta do facto de ter patrocinado o caso enquanto chefe supremo da Ordem dos Advogados.

E porque falei de advogados, quero acompanhar este caso até ao fim.

Este caso é mais um dos que se fica a dever à política de saúde do ex-ministro Correia de Campos.

O caso da sede do PCP em Grândola promete entrar para o anedotário nacional. Primeiro pela renda: 7,48 euros por mês. Segundo porque, no dizer de um responsável, "concordámos em acta encontrar uma solução digna para ambas as partes".
Uma solução digna?! Solução digna era terem tido a hombridade de ter feito uma actualização da renda, até porque convém não esquecer que estamos a falar de catorze divisões e 500 metros quadrados.

E porque neste país ainda aparecem coisas boas e interessantes termino com a sugestão de uma visita a http://www.biblarte.gulbenkian.pt/main.asp onde podemos encontrar, entre outras belíssimas coisas, o espólio de Raul Lino e Cristino da Silva.

5 de fevereiro de 2008

E aqui, a culpa também é do novo Código Penal? Porque é que eu tenho que estar sujeito a penalizações cada vez mais fortes, quer monetárias, quer de circulação, se nunca causei problemas, e estes tipos passam incólumes e se possível ao colo.
Se a justiça é cega, levem-na à Multiópticas e depressa.

São um espectáculo estes artistas. A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) quer que a perda de capacidades do trabalhador reflectida numa redução de produtividade seja justa causa para o despedimento.
Gregório Rocha Novo, membro da direcção da CIP, declarou que “um trabalhador que esteja cansado física ou psicologicamente – porque está mais velho, porque tem problemas familiares, porque trabalhar naquela empresa não era exactamente o que pretendia ou porque se desinteressou do trabalho – deve poder ser despedido por justa causa”. A juntar a isto a CIP também quer que a “renovação” do quadro de pessoal sem redução do número de postos de trabalho, seja consagrada como justa causa para o despedimento, que os montantes de indemnizações e compensações previstos para a cessação do contrato de trabalho sejam diminuídos, e ainda mais algumas coisas.
Perante isto, talvez devam os trabalhadores ter direito a despedir os empregadores que recusam aumentar os funcionários devido à crise, mas não se coibem de comprar grandes bombas para os administradores e directores; deviam poder despedir os directores que só o são porque são familiares dos donos ou administradores, já que na medida do seu saber valem zero; deviam poder despedir os administradores e donos que não sabem gerir e que só visam o lucro no imediato esquecendo o futuro; deviam poder despedir todos quantos não têm formação que lhes permita ser dirigentes de pessoas; deviam poder despedir todos os que olham para os trabalhadores não como parte integrante de uma empresa, mas tão-só como escravos.
Muito mais haveria a salientar e que seria justa causa para despedir o patronato, mas fiquemos por aqui.
Entretanto para quem tenha interesse aqui fica o Livro Branco das Relações Laborais.

Medo de quê? Ao que parece várias dezenas de titulares de cargos políticos solicitaram nos últimos anos ao Tribunal Constitucional que o conteúdo das suas declarações de rendimentos fossem ocultadas da opinião pública.
Têm alguma coisa a esconder?

4 de fevereiro de 2008

Vamos lá entender estes "gajos". No passado sábado, em entrevista ao programa «Diga Lá Excelência», da Rádio Renascença/RTP2/Público, o director nacional da PJ, Alípio Ribeiro, disse que poderá ter havido precipitação na constituição como arguidos dos pais de Maddie.
Eu não sou nenhum expert nestas coisas, mas é ou não verdade que a constiuição de arguidos está dependente quer da PJ quer do Ministério Público.
A ser assim, o senhor director nacional disse que a instituição de que é o chefe máximo actou erradamente.
Não é por nada, mas se eu fosse elemento da PJ e fizesse parte da equipa que tem o caso, pedia a demissão e mandava o director nacional fazer as investigações.
Como é que podem actuar os agentes, os inspectores e demais pessoal, se o seu chefe os acusa de precipitados, que o mesmo é dizer de incompetentes.
É estranho. Por muita falta de cavalheirismo que exista um homem defende sempre a sua dama.
Aqui, pelo contrário o chefe supremo enterra a instituição que dirige.
Não é por nada, mas eu se estivesse no lugar do dito cujo "colocava-me ao fresco".

Que coisa curiosa, muitos médicos evocam a objecção de consciência no que refere ao aborto, porque, dizem, o Juramento de Hipócrates os obriga a defender a vida e nunca a morte.
Pois muito bem, o Juramento também diz que devemos colocar a nossa sabedoria ao serviço dos enfermos, sendo que tudo aponta para a sobriedade.
Curiosamente hoje muitos de nós ficámos a saber que existe um incentivo para o transplante de orgãos que permite que um médico chegue a receber 30 mil euros de incentivo.
Claro que Correia de Campos tinha de cair. Claro que o Bastonário da Ordem dos Médicos tinha de dizer cobras e lagartos do ministro.

Genial o artigo de Henrique Monteiro no Expresso.

Nunca sairemos da cepa torta enquanto for assim:
15.820
compras por minuto, foi o valor máximo atingido este Natal nas transacções electrónicas em Portugal. Aconteceu entre as 18 e as 19 horas do dia 21 de Dezembro.

3 de fevereiro de 2008

Em horas extras deve ter sido uma pipa de massa. Segundo o "Público" o actual deputado do CDS-PP Telmo Correia assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado no Palácio da Ajuda. Apesar de estar em gestão corrente, o ex-ministro do Governo de Santana Lopes fez uma verdadeira maratona que quase não lhe deu tempo para se inteirar do que estava a assinar à pressa, após ter passado mais de uma dezena de dias sem ir ao Ministério do Turismo.
A ser verdade esta notícia implica uma dupla condenação. A primeira é porque se era um governo em gestão corrente não deveria ter este afâ legislativo, a segunda porque esteve mais de uma dezena de dias sem ir ao gabinete.
São duas acções que eticamente merecem total reprovação, embora eu perceba a última. Ele esteve vários dias sem ir ao gabinete porque esteve a ajudar o chefe a fotocopiar os doicumentos pessoais.

As coisas que acontecem. Então não é que António Preto, deputado do PSD cujo nome apareceu associado a um processo de corrupção em 2003 no Centro de Exames da Tábua e que foi apanhado numa escuta policial em que recebia uma mala de dinheiro de um empresário da Amadora, Sobral de Sousa, será o relator do novo projecto de transposição da Directiva europeia de combate ao branqueamento de capitais e utilização do sistema financeiro para o financiamento do terrorismo.

É importante saber como é que Carvalho da Silva recebe o beneplácito de novo mandato à frente da CGTP por parte do PC.

2 de fevereiro de 2008

Pensavam que eu estava a brincar quando tempos atrás falei de que Menezes fica sempre em segundo plano, mas eu não estava.
As "presidências abertas de Santana Lopes" aí estão a provar que não há apoios inocentes e que o que Santana concedeu a Menezes está dentro dessa categoria.
Pode ser que o núcleo duro de Menezes ainda vá a tempo...

Assinar projectos é que é mau. Isto até nem tem importância. Mau é Sócrates ter assinado, ao longo dos anos 80, projectos de engenharia realizados por outros técnicos. Isso sim, isso é reprovável, até porque José Sócrates não tinha aptidões para fazer essa assinatura, pois não?
A OPA à PT não passou, pois não?


José Manuel Durão Barroso, presidente em exercício da Comissão Europeia, está em vias de integrar a lista final de candidatos ao prémio Nobel da Paz de 2008. Segundo a agência AFP, o nome de Durão Barroso foi sugerido pelo timorense José Ramos-Horta.
Depois de ter patrocinado e participado na reunião dos Açores com Aznar, Blair e Bush a 16 de Março de 2003 que discutiu a invasão do Iraque, Nobel da Paz é mesmo o galardão que lhe assenta que nem uma luva.

1 de fevereiro de 2008

Imperou o bom senso. PS, PCP, BE e PEV rejeitaram hoje o voto de pesar proposto pelo deputado do PPM Pignatelli Queiroz sobre os cem anos do Regicídio e que recordava a «trágica morte» do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro.
Não entendo como é que dentro de um dos maiores símbolos da República alguém foi capaz de propor algo que iria contra o espírito da própria República. E já não percebendo isso sinto, indigno-me face áqueles que, sem pudor, foram capazes de embarcar nessa aventura, desvirtuando mesmo o seu comprometimento enquanto deputados à Assembleia da República. A dignidade e a ética também passam por aqui.

Estava tentado a escrever que a Igreja mostra as garras ao poder político em Espanha, mas depois de uma análise profunda optei por alterar para: um conjunto de pessoas que atribuiram a si mesmas um poder que nada tem a ver com a religião que deveriam transmitir decidiram clamar por escrito solicitando o voto nas próximas eleições espanholas no Partido Popular de Mariano Raroy.
Nâo é por nada, mas se Cristo descesse à Terra estes senhores que se dizem seus mensageiros bem se podiam esconder, que ele bem lhes puxava as orelhas.