29 de outubro de 2005

Título incompleto

O DN publicava hoje uma notícia sobre o aborto e a propósito da decisão do TC, com o seguinte título "Direita aponta derrota, esquerda quer decidir".
O texto mostrava as considerações tomadas sobre o facto pelos vários partidos.
Tudo isto é muito lindo mas, e como já disse anteriormente, esta matéria tem sido e continua a ser tratada de uma forma vergonhosa e revelando altos níveis de hipocrisia por parte de todos. Continuam a criminalizar mulheres cujo único crime que cometem é serem elas próprias com todos os defeitos e todas as virtudes, como qualquer outro ser humano. É um crime contra a liberdade pessoal de cada um.
Mas o que importa neste caso é não tanto o aborto, mas antes a decisão do TC.
Quais os fundamentos dos srs. juízes para não considerarem esta uma outra legislatura? Não é que a legislatura iniciada por Durão Barroso foi interrompida? Duas vezes até, só que uma não implicou eleições e a segunda implicou. É verdade ou não que o actual momento legislativo é diferente daquele em que os protagonistas eram, primeiro Durão Barroso e depois Santana Lopes? É verdade ou não que, por decisão do povo português se iniciou uma nova vida política e, por conseguinte uma legislatura com rumo diferente no momento em que José Sócrates subiu ao poder?
As legislaturas são de quatro anos, mas isso não é imperativo. A queda de um governo e a realização de eleições devem definir automaticamente uma nova legislatura.
Esta é uma decisão que mancha para todo o sempre o Tribunal Constitucional.
E já agora o DN podia ter um título mais completo. Qualquer coisa do género: Direita aponta derrota, esquerda quer decidir e o povo português, qual mexilhão, lixou-se novamente.
Ficava bem, não ficava

28 de outubro de 2005

Coimbra outra vez

O presidente do CDS/PP, Ribeiro e Castro, quer uma clarificação interna para evitar que os democratas-cristãos falem a duas vozes, mas Maria José Nogueira Pinto, presidente do Conselho Nacional já chamou a atenção para facto do CDS não temer falta de unanimidade interna.“Não temos de ter medo de não haver unanimidade. Esta dirigente apoia, a título pessoal, o candidato a Belém Aníbal Cavaco Silva. A Juventude Popular, por exemplo, deverá levar à discussão entre os 150 conselheiros a proposta de referendo interno sobre o apoio do partido a Cavaco Silva como candidato presidencial. Um momento que deverá evidenciar a contestação à actual direcção. A proposta de Ribeiro e Castro será a de apoiar Cavaco, seguindo a estratégia do congresso. Mas ex-dirigentes como Pires de Lima consideram que não se deve dar apoio cego a Cavaco. O ex-primeiro-ministro não contentou alguns sectores do CDS sobre dossiês como o aborto ou a área económica e o papel do Presidente na avaliação da estabilidade governamental. Telmo Correia, Nuno Melo, Álvaro Castello-Branco e João Rebelo requereram a reunião do conselho.
Não nos devemos esquecer que Coimbra foi a cidade escolhida para Paulo Portas "apunhalar pelas costas" Manuel Monteiro.
Agora novamente Coimbra. Só falta saber quem será o protagonista do aperto de mão.

Está tudo doido

Os lucros dos quatro maiores bancos privados portugueses – Banco Espírito Santo (BES), Millennium BCP, Banco Português de Investimento (BPI) e Santander Totta – somaram no terceiro trimestre de 2005 mais de 1052 milhões de euros. Uma subida de cerca de 191 milhões de euros face aos lucros registados pelos quatro gigantes em igual período do ano anterior.
Isto quer dizer que por mês o lucro líquido é superior a 116 milhões de euros.
Crise, qual crise.

Esqueceu-se, coitado

Luis Delgado comentou cobras e lagartos do manifesto eleitoral apresentado Soares no dia imediatamente a seguir.
Cavaco apresentou o seu que, tal como o anterior não disse nada de novo, antes pelo contrário, porquanto a sua preocupação em dizer que não pretende substituir-se ao Governo nem à Assembleia inserida num discurso daqueles faz-nos pensar no contrário, e Luis Delgado "do alto da sua magistratura" decidiu versar sobre as declarações do presidente iraniano.
Tão objectivos e imparciais que nós somos. E mesmo aqui, embora tenha razão em dizer que as palavras são preocupantes, esqueceu-se de dizer que os EUA e a Rússia não são os melhores países para tecerem críticas ao Irão, porquanto o Panamá do General Noriega, o Iraque e a Tchechénia não são bons exemplos de conduta.

27 de outubro de 2005

Porquê?!

A revista "Grande Reportagem" já viveu tempos áureos. Hoje era somente um suplemento do DN e do JN, mas o facto de ser suplemento nunca a diminuiu quer na qualidade temática, quer no grafismo. Como outras publicações mudou de amos: da Globalnotícias passou para a Controlinveste de Joaquim Oliveira. Até aqui tudo vai bem. Mas como não há bela sem senão o director Joaquim Vieira foi ontem despedido. O jornalista, que terá de sair até sexta-feira e foi também informado de que a revista será fechada até Dezembro. As razões de tais medidas tão drásticas são desconhecidas e talvez fosse importante conhecê-las, porquanto já pairam rumores pelo ar de que as matérias que a revista vinha tratando, em especial Joaquim Vieira, estavam longe de ser pacíficas. Mais uma dúvida que fica para juntar a tantas outras.

Continuando na comunicação social

O presidente da Câmara de Ponte de Sor, José Taveira Pinto, ‘pôs na rua’ a Rádio Tempos Livres, com sede no concelho, dando um ano para que a estação deixe as instalações. O acto de despejo, segundo o edil, deve-se ao facto de a estação “nunca ter pautado o exercício da sua actividade de forma isenta”.
Ora toma que a democracia é boa, mas para os outros.

E para terminar

Porquê de Cavaco Silva chamar a Assembleia da República, Assembleia Nacional? Que eu saiba Assembleia Nacional era no tempo do outro que, por acaso, também começou por liderar as finanças públicas.

26 de outubro de 2005

Mas ainda existe!?

O PND (Partido da Nova Democracia) (PND), cuja figura de proa é Manuel Monteiro, está a estudar medidas radicais para transformar a sua imagem e acção. Depois das eleições autárquicas, onde o PND não só não tinha candidatos à maior parte das câmaras como Monteiro achou por bem apoiar Carmona Rodrigues em Lisboa, o teste é de sobrevivência sendo a meta as próximas legislativas. Diz Monteiro que "a ideia é organizar o partido para, a seguir às presidenciais, arrancarmos rumo às legislativas de 2009. Eu próprio irei percorrer todo o País para reforçarmos a identidade da Nova Democracia". O PND deverá alterar o símbolo, quer captar mais militantes e quer criar uma implantação territorial, sendo que os seus candidatos a deputados terão de cumprir objectivos e os dirigentes nacionais prestam contas de dois em dois meses.
Não é por nada, mas eu estava convicto que tal partido já nem existia.

Pudera

A Brisa fechou o terceiro trimestre com um lucro de 163,4 milhões de euros, mais 2,8% do que no período homólogo de 2004.
As portagens são demasiado elevadas, mesmo que as auto-estradas não ofereçam as condições devidas (vias eliminadas por obras intermináveis, redução drástica da velocidade, etc. e etc.) nós continuamos a pagar sem dos prejuízos sermos ressarcidos. Por isso é impossível não darem lucros fabulosos.

Por favor leiam

Não deixem para amanhã. Leiam hoje mesmo e agora, porque é importante http://dn.sapo.pt/2005/10/26/artes/colonizacao_literaria.html

25 de outubro de 2005

Vamos lá ver se entendo

O atraso na entrega de vagões aos caminhos-de-ferro bósnios (ZFBiH) levaram os responsáveis de Sarajevo a ‘dar um murro na mesa’ e a exigir, por carta, ao presidente da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), Pires da Fonseca, o cumprimento de um contrato que prevê o fornecimento de 370 vagões, no valor de 32 milhões de euros.
De acordo com o documento, assinado em Abril, a EMEF já devia ter entregue 17 vagões e até ao momento, ao que parece, a única acção desenvolvida pela EMEF foi o envio a Sarajevo de engenheiros responsáveis por documentação. Na mesma carta, enviada a semana passada e que já terá motivado uma reacção do presidente da CP (que detém a EMEF), o responsável bósnio Smajo Salketic chama a atenção “do senhor Fonseca para o facto da sua negligência no cumprimento dos seus compromissos terem causado prejuízos finaceiros à ZFBiH”. A indignação dos bósnios foi já confirmada pelo embaixador de Portugal em Sarajevo, Fernando Tavares de Carvalho, a um jornal nacional que lamenta a situação porque “dá uma má imagem do País”.
Desculpem lá a CP e as suas associadas (EMEF, REFER) não são as empresas que necessitam de subvenções estatais para sobreviver? Será que afinal a referida empresa tem tanto dinheiro que se pode dar ao luxo de não cumprir contratos. Se assim é acabem-se de imediato as subvenções.
E mais esta é a prova provada de que somos uns burocratas complicados, já que os bósnios estão à espera de material circulante e nós, a única coisa que mandamos é engenheiros responsáveis por documentação. Também são circulantes, mas de certeza são-no por via aérea e não sobre carris.
O ministro dos transportes não terá uma palavra a dizer?!

Ainda vamos ser obrigados a pedir desculpa pelo incómodo

O Tribunal da Relação de Guimarães deu um rude golpe nos intentos da acusação do Ministério Público contra a reeleita presidente da Câmara de Felgueiras, no âmbito do processo do ‘saco azul’, ao dar provimento ao pedido de anulação das escutas telefónicas e dos depoimentos dos três denunciantes. Isto vai originar que o julgamento de Fátima Felgueiras poderá ser adiado pelo menos um ano ou até pode nem se realizar.
Numa altura em que a justiça anda quente esta situação só origina mais desconfiança face à justiça propriamente dita e aos seus agentes.

http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=178874&idselect=92&idCanal=92&p=94
A notícia merece ser lida com atenção e após a sua leitura devemos, nem que seja por mera curiosidade ver o programa que o referido apresentador tem na TVI.
Se o programa que passa no Brasil é degradante, o que passa na TVI não lhe fica a dever nada. É um formato imbecil, com uma assistência que não lembra ao diabo (pejada de falsos e falsas moralistas e de umas quantas figuras patéticas).
Será que por cá não haverá não haverá ninguém capaz de varrer com este e outros programas que circulam na televisão portuguesa (em todos os canais existe trampa desta)?

23 de outubro de 2005

Explique-se

Afinal o sr. Procurador Geral da República não quer só processar os jornalistas pelas fugas ao segredo de justiça, quer ir mais longe. Todas estas demandas têm como objectivo forçar os jornalistas a revelarem as suas fontes de informação.
É asneira sobre asneira.
Primeiro: as fontes de informação são primordiais na vida jornalística. E são-no porque está garantida que a sua identidade não será revelada. É a liberdade de informação que está em causa. É o nosso direito a estarmos informados. A revelação das fontes pode e deve ser entendida como um acto de censura e, felizmente, esse departamento terminou em Abril de 74.
Segundo: o querer que as fontes de informação sejam divulgadas é uma falsa questão. E porquê? É simples de entender e este caso é o melhor exemplo para isso. A operação de fiscalização às instituições bancárias deve ter sido preparada com antecedência, ora se a fuga tivesse ocorrido aquando da preparação, bastaria juntar esses mesmos elementos e descobrir o autor da fuga. Neste caso a fuga, ao que parece, ocorreu durante a "visita" ao BES, logo a fuga só pode ter sido originada por aqueles que lá estavam. Não é o totoloto, mas também é fácil, barato e, embora não dê milhões, resolve a questão. E este remédio aplica-se a todas as outras maleitas.
Quer o sr. Procurador ou não queira as fugas têm origem interna e ponto final parágrafo.
Mas claro que é muito melhor derivar a atenção para outros elementos e deixar incólume a prata da casa.
E já agora sr. Procurador não o vi tomar qualquer atitude ou somente posição face ao julgamento do jornalista da Madeira (o tal que cujo caso dura há seis anos e cujo julgamento foi adiado por falta de sala - veja-se o excelente artigo de opinião em http://dn.sapo.pt/2005/10/23/opiniao/antes_a_doenca_esta_justica.html).

"Perdoa-lhes Pai que não sabem o que fazem"(Lucas 23:34).



www.ecclesia.com.br/.../

Para os seguidores da religião católica, esta é uma frase importante. Dita por Jesus aquando da sua cruxificação ela tinha como objectivo pedir o perdão de Deus, seu pai, para aqueles que o pregaram na cruz e se preparavam para o matar. Se quisermos ir num sentido mais lato e abstracto, podemos dizer que Jesus pedia o perdão para todos aqueles que, cegos, não viam nele e na fé que pregava o salvador e a salvação do mundo.
O Sínodo dos Bispos terminou ontem com uma forte denúncia das situações de injustiça e pobreza na América Latina, África e Ásia e pedindo aos políticos para não apoiarem leis contrárias ao direito natural, ao casamento e à família. Na mensagem final da XI Assembleia Geral do Sínodo, reunida no Vaticano desde o dia 2 sob o tema "Eucaristia, fonte e objectivo da vida e da missão da Igreja", é também reiterado o "não" à comunhão eucarística para os divorciados, mas sem incluir qualquer referência ao celibato. Os 256 bispos participantes asseguraram que os divorciados recasados não estão excluídos da vida da Igreja, pedindo-lhes, inclusive, que participem na missa dominical, mas reiteraram que não podem comungar devido à "situação familiar irregular" em que vivem. Apenas poderão comungar se não mantiverem relações físicas com o seu par e, neste caso, é-lhes aconselhado a que o façam com discrição, indo a um templo onde não sejam conhecidos para evitar que alguém possa ficar escandalizado.
Por certo que estão a perguntar o que é que a primeira parte deste comentário tem a ver com a segunda? É fácil. Sem querer fazer equivalências de situações e/ou protagonistas, podemos dizer que os "recasados" podem e devem pedir a Deus que perdoe a ignorância e a recusa de ler os tempos de hoje pelos mandatários (ou será que são mandantes?) dessa mesma religião.

22 de outubro de 2005

Algumas soltas

- Os juízes e magistrados do Ministério Público convocaram uma greve para a próxima semana. Boa. Quantos dias são? Dois, três, cinco, ..., pouco importa meus amigos se nos lembrarmos de quanto tempo leva a justiça a resolver situações. É tanto ou tão pouco que às vezes os casos prescrevem.

- O presidente da República, Jorge Sampaio, promulgou a lei que acaba com os privilégios dos titulares de cargos políticos, como por exemplo as subvenções vitalícias. É uma matéria que devia ter merecido atenção há mais tempo.

- Afinal a lei de interrupção voluntária da gravidez, pode ser alterada em sede de Parlamento. Lamento, mas tenho de o dizer: é uma solução que só peca por tardia.
A cobardia de uns associada à hipocrisia de outros não se deve sobrepor ao sofrimento e ao direito invidual.

O quê?!

Foi o Ministério Público que revelou ao Banco Espírito Santo a identidade das demais entidades bancárias que estavam sob investigação por indícios de evasão fiscal, fraude fiscal e falsificação de documentos. A alegada violação do segredo de justiça, que envolvia o BCP, o BPN e o Finibanco, posteriormente alvo de buscas judiciárias, partiu do próprio Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que lidera o inquérito. Tudo aconteceu na segunda-feira, quando os investigadores se deslocaram à instituição financeira liderada por Ricardo Salgado para fazer buscas e levantamento de sigilos bancários.
E agora? Como é que ficamos.
Ah! ... já me esquecia, o sr. Procurador Geral da República já mandou instaurar processos aos jornalistas por violação do segredo de justiça.
Tem razão a Polícia Judiciária ao criticar a forma como esta investigação ocorreu.

Esquisito... ou talvez não, sei lá!

As razões que levam o PSD a apoiar Cavaco a presidente:
* "Por uma questão de confiança - porque Portugal vive uma crise económica e social e o prof. Cavaco Silva é o estadista que melhores condições tem para renovar e gerar confiança;
* por uma questão de credibilidade - porque o País precisa de recuperar a credibilidade e o prof. Cavaco Silva, pelas suas características de rigor, é capaz de devolver o prestígio às instituições; e * por uma questão de esperança - enquanto primeiro- -ministro, o prof. Cavaco Silva soube dar esperança aos portugueses e esse espírito de missão é importante."
São estas as razões?! Estamos conversados meus amigos porque percebe-se que o PSD não quer um presidente de acordo com o nosso sistema, o que ele pretende é que Cavaco seja um presidente, mas ... à americana, com todos os poderes e mais alguns.
Só não percebo é o porquê de Marques Mendes "embarcar neste navio" pois isto pode levar a pensar que o PSD é incapaz de fazer seja o que for e que só Cavaco é capaz de resolver todos os problemas. O sacana do mito sebastianista é lixado.

21 de outubro de 2005

A tábua de salvação

O presidente do CDS-PP, Ribeiro e Castro, a propósito da declaração de candidatura de Cavaco, diz que foi “uma declaração muito importante” e que “vem ao encontro da visão que o CDS-PP faz do Presidente”. Ribeiro e Castro vincou ainda a posição apartidária, nacional e virada para o futuro, considerando que as declarações sobre os poderes presidenciais coincidem com as do CDS-PP, “a favor da estabilidade”, assim como a posição de princípio de “marcar os referendos decididos pelo Parlamento”.
Só isto seria o bastante para ficarmos de pé atrás. Mas após alguma reflexão compreende-se a dita cuja posição. O CDS precisa desesperadamente de marcar território (o facto de ser o primeiro partido situado à direita de Cavaco a reagir traduz-se nisso mesmo) e estas eleições são para Ribeiro e Castro a última bóia disponível e ou ele se agarra ou afunda-se de vez. O resultado autárquico não foi nada brilhante (só se salvou a câmara do queijo) e na coligação com o PSD, este abafou-o completamente. Perante pois esta desgraceira toda, aliada ao facto de o presidente do CDS/PP não ser o presidente de todos os democratas cristãos (basta tomar atenção às palavras de António Pires de Lima para percebermos isso mesmo), resta-lhe apoiar desde início Cavaco Silva e pedir a todos os santinhos para que ele ganhe. Caso isso não aconteça é a derrocada final.
Muito se deve rir Paulo Portas e isto porque o partido que ele refundou à sua imagem e semelhança não sobrevive sem o seu populismo e a sua demagogia barata. Deve ainda tomar-se atenção a esta mesma personagem, porque não é líquido que ele permaneça mudo e quedo. Sabendo nós o seu ódio de estimação por Cavaco, não será de excluir de todo que também o seu tabú degenere em corrida eleitoral.
A foto é da Visãoonline

Os reformados autárquicos

37 presidentes e ex-presidentes de câmara viram deferidos, pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), os seus pedidos de aposentação.
Amadeu Penim, Sesimbra, 2855,12 euros; António Cruz, Alter do Chão, 2056,40 euros; António Coelho, Odemira, 2161,17 euros; António Mendes,Constância, 2338,38 euros; Carlos Pires , V. Nova de Paiva, 2537,89 euros; Francisco Amaral, Alcoutim, 2514,63 euros; João Gouveia, Soure,2795,64 euros; Jorge Magalhães, Lousada, 2035,86 euros; José Moreira, Monção, 2212,72 euros; José Barradas, Vendas Novas, 2855,12 euros; José Vieira, Póvoa do Varzim, 3172,36 euros; José Ribeiro, Fafe ,2981,14 euros; Manuel Oliveira, Ovar, 3172,36 euros; Manuel Marreiros, Aljezur, 1362,71 euros; Maria Rosinha, V. Franca de Xira, 1263,82 euros; Mário Alves, Oliveira do Hospital, 2855,12 euros; José Carreiro, Nordeste (Açores), 2537,89 euros; João Pinto, Ponte de Sor, 2663,19 euros; Álvaro Órfão, Marinha Grande, 2095,34 euros; Amândio Melo, Belmonte, 1455,18 euros; António Lucas, Batalha, 1351,27 euros; António Rodrigues, Torres Novas,1149,98 euros; Avelino F. Torres, Marco Canaveses, 2855,12 euros; Fernando Marques, Ansião, 2339,61 euros; Jerónimo Loios, Arraiolos, 2537,89 euros; Jorge Varroso, Nazaré, 2401,87 euros; José Santos, Lamego, 2458,58 euros; José Estevens, Castro Marim, 2261,54 euros; José Eduardo, Lagoa, 2683,02 euros; José Sinogas, Mora, 1227,28 euros; José Mina, Moura, 1625,83 euros; Manuel Bugalho, Marvão, 2537,89 euros; Maria Antunes, Montijo, 1002,97 euros; Mário Pinto, Almargem Bispo, 1205,50 euros; Mauricio Marques, Penacova, 2174,65 euros; Duarte Silveira, Calheta, 1415,07 euros; João Lobo, Moita, 3172,36 euros.
Agora o mais curioso é que e de acordo com a nova lei, os autarcas (e os titulares de cargos políticos em geral) que já estão reformados mas continuam no exercício do cargo terão de abdicar de um terço da sua pensão ou do seu vencimento.
Os sacríficios não são para todos? Então porquê um terço? Porque é que aos aposentados que continuam em funções não lhe é suspensa a pensão e ficam somente com o ordenado? Nesta lista existem uns quantos que se mantêm no activo como o caso de Soure e de Penacova que me lembre de imediato.
Mas nem só de presidentes vive esta listagem. Na mesma situação estão ainda 56 vereadores e 9 presidentes de juntas de freguesia.

Merece leitura e reflexão

O editorial de António José Teixeira merece uma leitura atenta e uma reflexão profunda http://dn.sapo.pt/2005/10/21/editorial/um_politico_profissional.html

20 de outubro de 2005

Afinal... nada

O tão famoso esperado discurso de candidatura de Cavaco Silva mais não foi do que um bluf. Não vi um candidato a presidente, antes um candidato a primeiro-ministro.
E apesar do que disse, fica a convicção de que vai exercer uma magistratura de influência.
Como tinha dito anteriormente e volto a repetir, Portugal merecia melhores candidatos.
É hoje

É hoje que Aníbal Cavaco Silva e durante alguns minutos, vai explicar que é e porque é que é candidato a Bélem.
Num espaço emblemático do seu "reinado" como primeiro-ministro - o CCB - o desde sempre candidato, mas só hoje assumido, vai dizer ao país aquilo que não disse enquanto o seu partido esteve no poder - excepção seja feita a Santana Lopes que ouviu o que não queria numa entrevista que Cavaco deu ao "Expresso".
Relegando para as "Kalendas" os dirigentes quer do seu partido quer dos partidos mais à direita e rodeado apenas de elementos do seu grupo de trabalho, o agora e desde sempre candidato vai afirmar-se como supra-partidário e marcar a agenda política da campanha.
O facto de ter gerido sabiamente o seu tempo faz dele um quase D. Sebastião (que, como sabemos, mais não foi do que uma figura mítica que em nada contribuiu - a não ser na desgraça - para este país).
Luís Delgado rejubilava hoje na sua habitual crónica do DN, dizendo que "...Cavaco conseguiu tornar-se num desejado, embora sem nenhuma aura messiânica, não só pela imagem de silêncio e tranquilidade com que passou estes últimos dez anos, como pelo reconhecimento colectivo, hoje maior do que nunca, de que o País nunca esteve tão bem como durante os seus mandatos." e ainda que "E esse reconhecimento vale tudo em eleições, particularmente quando a percepção colectiva é a de que o País precisa de um Presidente competente em todas as áreas, que exerça com rigor o seu papel constitucional, sem ideias de intervenções extemporâneas - como fizeram Soares e Sampaio - e que ajude o País e o Governo a reganhar confiança e esperança no futuro. Este tom, aliás, tem sido dado pelo próprio em várias situações e não escapará, pela certa, do seu discurso de hoje. Cavaco sabe que os portugueses estão desanimados, depressivos, à beira de um ataque de nervos e sem perspectivas animadoras. Isso dá-lhe todas as condições para ser o Presidente certo neste momento, mas sem que se veja nisso a ideia de que em Belém vai ser o centro de uma força de bloqueio à maioria e ao Governo. Para muitos a grande surpresa até vai ser essa: aparecer um Cavaco que ajuda e não perturba, que vigia mas não impede, que actua mas não interfere. Portugal precisa de um Presidente sólido, capaz, competente e sem uma ambição que o cegue."
A falta de memória é tramada e Luís Delgado padece dela.
Alguém acredita que Cavaco vai estar calado. A propensão para o poder supremo demonstrada enquanto primeiro-ministro ainda não saiu da cabeça dos portugueses. O facto de ele nunca se enganar nem ter dúvidas faz pensar que o futuro não nos augura nada de bom.
O branqueamento que muitos agora lhe fazem, incluindo o Luís Delgado, não é possível porque não há líxivia que chegue.
Afigura-se-me que é uma eleição para esquecer. Os candidatos que estão na linha de meta não são os que o país actualmente precisa.

Investigação

Decorrem mais umas investigações relativamente a fraudes. Bancos, off-shores, sociedades de advogados, tudo está a ser passado a pente fino. Acho muito bem. Só estranho que sempre que se fala em bancos o BES esteja à cabeça.
E já agora e ainda relativamente aos bancos: será que são os bancos propriamente ditos, ou elementos que estão dentro dos bancos? Se for o segundo caso é preocupante a fuga de informação verificada porquanto a imagem das intituições bancárias fica seriamente afectada, se for a primeira é caso para perguntar onde está a fiscalização do Banco de Portugal.

Uma palavra de louvor


É o que merece a AdC (Autoridade da Concorrência) pelo excelente trabalho que tem vindo a efectuar. O sector farmacêutico e das moagens que o digam.

Condene-se e mande-se publicar

A IGAE (Inspecção Geral das Actividades Económicas) fiscalizou, 260 estabelecimentos de restauração e ou de bebidas tendo instaurado 44 processos de contra-ordenação, encabeçados pela falta de asseio (14 casos). Paralelamente, e numa acção concentrada na zona sul direccionada para cantinas, creches e refeitórios, este organismo fiscalizou 35 estabelecimentos tendo instaurado 15 processos. Novamente a falta de asseio e higiene surgem em primeiro lugar, oito processos, seguidos pela falta de licença de utilização. Globalmente foram inspeccionados pela IGAE (números do seu relatório de Setembro) 1333 agentes económicos, instaurados 373 processos, sendo 36 por crime e 337 por contra-ordenação e encerrados oito estabelecimentos (cinco do ramo alimentar e três do ramo não alimentar, por falta de licenciamento e de condições de funcionamento).
É evidente que ficamos satisfeitos pelo desempenho da IGAE, só falta, para tudo estar perfeito, é serem publicitadas as entidades que foram objecto de processo. Julgo que é um direito dos consumidores.

19 de outubro de 2005



Será legítimo?

Foto de www.kevinsites.net/ 2004_02_01_archive.html

O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein regressa hoje a um dos seus antigos palácios no coração de Bagdad, só que desta vez para se sentar no banco dos réus e responder pela morte de dezenas de habitantes da pequena aldeia de Dujail, que mandou arrasar há 23 anos, depois de uma tentativa falhada de assassinato.
Sou de opinião que todos os criminosos devem ser julgados e condenados ou não conforme fique provada a sua culpa, mas julgo que este caso é diferente.
À luz do direito internacional penal não vejo como é que Saddam possa ser julgado neste momento e por este crime e isto porque diz a lei que os prisioneiros de guerra só podem ser julgados por crimes cometidos durante a guerra.
Ora não há a menor dúvida que o ex-ditador iraquiano é um prisioneiro de guerra, uma guerra que tem dois anos e que foi desencadeada por americanos e ingleses com o beneplácito de alguns países que em vez da sua dignidade preferem manterem-se de cócoras perante os dirigentes do Tio Sam. Também não há menor dúvida que o Iraque é hoje um país ocupado por potências estrangeiras com particular relevo pelos soldados do Tio Sam.
Sendo assim Saddam é um prisioneiro de guerra, logo só pode ser julgado, a luz do direito penal internacional, por crimes cometidos durante essa mesma guerra.
Ora o que se passa é que Saddam Hussein vai ser julgado por crimes cometidos há 23 anos, logo fora do âmbito desta lei.
Eu percebo a pressa dos americanos em se verem livres do ex-ditador, já que é sua convicção que quanto mais depressa ele desaparecer mais depressa termina a resistência. Estou convicto que terá o efeito contrário.
Para além disto questiono ainda a imparcialidade ou a falta dela que possa ocorrer neste julgamento.
Por último gostaria de ver os mesmos senhores tão afoitos no julgamento de tantos outros ex-ditadores que cometeram tantos ou mais crimes durante o seu reinado como por exemplo Augusto Pinochet. Mas neste caso a CIA deverá acompanhar o ex-ditador no banco dos réus.

É pouco

Nunca aqui escrevi sobre desporto por ser um tema com que me exalte muito. É verdade que tenho as minhas preferências clubísticas e que vejo alguns jogos, mas não faço disso cavalo de batalha, até porque julgo que o desporto profissional em Portugal, como noutros países vive momentos conturbados, porquanto os valores astronómicos das despesas estão muito além dos valores das receitas. Os contratos milionários dos jogadores e treinadores são um verdadeiro calcanhar de Aquiles, sendo que para efectuar esses pagamentos os clubes deixam de fazer outros, originando dívidas em catadupa e passivos quais bolas de neve. O resultado de tudo isto são os planos e planos de pagamentos que se arrastam indefinidamente.
Mas o facto de hoje referir o desporto prende-se com o facto de o defesa do FC Porto, Bruno Alves, ter sido suspenso por dois jogos pela comissão disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, como resultado da agressão ao avançado Nuno Gomes do Benfica.
Estamos perante um erro crasso da comissão disciplinar. Quem assim actua não merece benevolência de espécie alguma, devendo por isso ser severamente castigado (dois jogos não é nada).
O desporto seja ele amador ou profissional só o é se quem o pratica estiver imbuído do sentido desportivo. Tudo o que isso transcenda deve ser varrido, já que só estão a contribuir para o desvirtuar da verdade desportiva.

Inacreditável

Leiam e julguem vocês próprios http://dn.sapo.pt/2005/10/19/media/julgamento_processo_seis_anos_adiado.html

18 de outubro de 2005

Publicitem, mas cobrem

“Não contende com o dever de confidencialidade, consagrado na lei, a divulgação, por parte do Ministério do Trabalho /Finanças, de listas de contribuintes cuja situação contributiva perante a Segurança Social não se encontre regularizada, designadamente listas hierarquizadas em função do montante em dívida, desde que já tenha decorrido qualquer dos prazo legalmente previstos para a prestação de garantia ou tenha sido decidida a sua dispensa”, este é o texto do art. 41.º do Orçamento.
É uma medida importante, mas mais importante é que as dívidas sejam efectivamente cobradas. Estou em crer que se as todas as dívidas ao fisco e à segurança social fossem cobradas evitariamos este penalizar das reformas e o fisco arrecadava mais alguns milhões para o Estado. Mas não se fiquem por aí meus amigos. Investiguem a sério umas quantas riquezas que apareceram do nada, obriguem-nos a explicar o como, invertam o onús da prova para estas situações. Sim, porque isto não é atentar contras as liberdades e garantias de cada um, é antes praticar justiça social.

É a economia meus senhores

O "Prós e Contras" da RTP1 vem-se afirmando cada vez mais como um programa responsável, maduro e interessante. Ontem primou pela presença de economistas nacionais de renome, que, sem lógica aparelhística explicaram o Orçamento de Estado. Não sei se a oposição ouviu e viu o programa. Se não o fez deviam ser castigados por isso. Em vez de andarem sempre a deitar abaixo e a votar contra deviam tomar atenção ao estado a que chegou este país - e a oposição, pelo menos alguns, não estã isentos de culpas - e apoiar as medidas e deixarem-se de sectarismos bacocos. O facto de estarem do contra só tem como finalidade em altura eleitoral poderem dizer que estiveram sempre contra aquelas políticas como forma de grangearem votos. Meus senhores, o que está em causa é um povo e um país e isso deve ser quanto baste para pararem com as asneiras e abraçarem todos a mesma causa: a causa do desenvolvimento.

A foto foi retirada de http://driller.blogs.com/thedrillingholes/educao/

17 de outubro de 2005

Imperdoável

É imperdoável não ler http://dn.sapo.pt/2005/10/16/opiniao/nao_merecemos_a_coleccao_berardo.html
e http://dn.sapo.pt/2005/10/16/sociedade/governo_rompe_acordo_associacao_farm.html.
É verdade?!

O articulista do Expresso António Marinho, no seu artigo de 17 de Setembro aborda os privilégios dos magistrados e refere (para começar) os seguintes:

1)- Recebem um subsídio de renda de casa no valor de 700 EUR mensais,
mesmo que residam em casa própria, na sua terra, nos mesmos termos em que o recebem os que estão colocados a centenasde quilómetros.
E, se forem casados com outro magistrado, habitando em casa própria
(às vezes herdada) cada um deles recebe esse subsídio.(Logo, 1400 EUR].
A situação atinge mesmo o absurdo já que até os magistrados
aposentados ou jubilados incorporam esse subsídio nas suas reformas, nas mesmas condições dos que se encontram no activo.
Mais ainda: O subsídio de renda de casa dos magistrados está isento de
IRS, após acórdão do STA, ou seja, decisões dos magistrados.
Será possivel que alguém possa auferir uma remuneração permanente,
que essa remuneração entre no cálculo da reforma, mas que esteja
isenta de IRS?

2)- Os magistrados do Supremo Tribunal Administrativo, do Supremo
Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional que residam fora da área da Grande Lisboa recebem ajudas de custo por cada dia de sessão nos respectivos tribunais (iguais às dos membros do governo).
Isto é, recebem ajudas de custo precisamente quando se deslocam para o
seu local de trabalho.
A situação torna-se tanto mais incompreensível quanto é certo que os
referidos magistrados usufruem de um generoso subsídio de renda de casa, e ainda de viagens totalmente gratuitas em todos os transportes públicos terrestres e fluviais, incluindo os comboios Alfa.


Isto a ser verdade, e estou certo que é, pode considerar-se uma autêntica vergonha.

14 de outubro de 2005

Tão tristes que eles estão

O mal-estar entre o PSD e o CDS, na sequência das eleições autárquicas, está a subir de tom. Os democratas-cristãos ficaram irritados com o discurso de vitória do líder social-democrata na noite de domingo, onde Luís Marques Mendes omitiu por completo o contributo do CDS/PP, parceiro de coligação do PSD em 60 concelhos do País. A situação agravou-se ainda mais com uma intervenção do secretário-geral social-democrata na Assembleia da República, onde num discurso de cinco páginas proferido na sessão plenária de quarta-feira, Miguel Macedo sublinhou que o PSD "venceu de forma clara e inequívoca o sufrágio eleitoral", sem fazer a mínima alusão às coligações feitas com o CDS.
Isto já era de prever e eu já tinha chamado a atenção para o namoro que o PSD estava a fazer à CDU na noite eleitoral, facto que se veio a confirmar com o líder da distrital laranja, António Preto, a desmultiplicar-se em reuniões com os autarcas da CDU eleitos.
É fácil de perceber tudo isto (se assistiram ao "Debate da Nação" ontem na RTP1 não é preciso explicar mais nada que Dias Loureiro e António Filipe disseram tudo): o CDS/PP, a troco de meia dúzia de lugares elegíveis, já está sob o domínio do PSD, mas mesmo assim e apesar da vitória estrondosa(!?) não chega, são necessários os autarcas da CDU, para o domínio ser completo. Oferecem-se uns lugares de vereador e pronto fica tudo conjugado para assaltar o poder na sua plenitude.
O PP que se cuide, pois estas foram o balão de ensaio de Marques Mendes e como ele acha que o eleitorado já está de novo casado com o PSD, para as próximas concorre sozinho e aniquila o PP de vez. Ribeiro e Castro tem muito ainda que "palmilhar".

O Nobel

Nascido em 1930, Harold Pinter começou por ser actor (com o nome David Baron) e em 1957 escreveu a sua primeira peça, The Room. Autor fundamental do teatro contemporâneo, encenou e representou em algumas das suas mais de trinta peças, que foram traduzidas e encenadas por todo o mundo. Escreveu também para rádio, televisão e cinema, onde é difícil esquecer a colaboração com Joseph Losey. Recebeu já diversos prémios e distinções: recentemente, o título de Companion of Honour da Rainha e foi agora galardoado com o Prémio Nobel da Literatura 2005.
Não é só Harold Pinter o galardoado, foi igualmente o teatro essa arte que muitos teimam em considerar menor dentro do espectro literário

Foto de Matthew Andrews

12 de outubro de 2005

Novas regras, mas...

Ao que parece as regras para apresentar candidaturas independentes às câmaras vão mudar. Da experiência destas eleições resultou quePS e PSD estão dispostos a apertar o crivo e o assunto vai hoje ser levado a plenário pelo socialista Alberto Martins. PS e PSD dizem que a existência de candidaturas independentes às câmaras "é um bem para a democracia" que é para continuar - elas existem desde 2001. Mas os maiores partidos admitem mudar a lei de forma a tornar mais exigentes os critérios de elegibilidade dos grupos de cidadãos.
Realmente estas eleições demonstraram que é preciso fazer alguma coisa relativamente às candidaturas independentes, mas é necessário que o que se vá fazer tenha alguma conta, peso e medida.
Julgo que bastará não permitir que concorram pessoas condenadas, indiciadas ou com acusações pendentes de peculato, corrupção e abuso de poder. E já agora estendam este crivo aos demais detentores de cargos públicos. E digo que bastará, porquanto podem os partidos cair no erro de apertarem demasiado o crivo no sentido de dificultarem ao máximo candidaturas que nasçam fora da sua órbita e isso será perigoso e preocupante, pois a democracia não se esgota nos partidos.
Penso que caberá a nós, cidadãos, vigiar muito bem as propostas que irão aparecer. Esta matéria não pode ser objecto de discussão somente dentro da Assembleia da República, é uma discussão que deve ser alargada a Portugal inteiro.

Ainda as autárquicas
Não resisto a transcrever um artigo publicado no "Correio da Manhã" de hoje e que comprova aquilo que afirmei aqui na segunda-feira (10/10).

Votos em Análise: Independentes ganharam Câmaras Quem ganhou as eleições?
Apesar do carácter eminentemente local das eleições do passado domingo, foi a análise “nacional” dos resultados que mais mobilizou os comentadores das eleições autárquicas, que seguiram, quase sem excepção, atrás da ideia de que o PSD teria ganho as eleições.
É verdade que nestes contextos é muito difícil contrariar esse ‘main stream’, mesmo que se ponha em causa a convicção partilhada, sugerindo que afinal ela não é tão correcta quanto parece. Por vezes, o maior risco de quem aponta o rei e clama que ele vai nu é o de ser ostracizado pela multidão que quer acreditar na sua arreigada convicção.A vitória atribuída ao PSD nas autárquicas é um caso flagrante de um não acontecimento tornado realidade pelo seu eco na Comunicação Social. É claro que o sentimento de vitória se constrói em função das expectativas de quem está no terreno. Esse sentimento exprime-se, sobretudo, ao nível do simbólico, pesando em variados aspectos cujo controlo passa, entre outros, pela expressão dos líderes de opinião. Se, além disto, a ritualização do simbólico inclui o reconhecimento da derrota por parte de uns e a expressão triunfante dos que são assim colocados como vencedores, temos todos os ingredientes necessários para a convicção de derrota do PS e de vitória do PSD nas eleições autárquicas. Contrariar tal convicção é difícil, mas os factos são os factos e, como se diz, ‘contra factos não há argumentos’. Não é fácil comparar a nível global as eleições autárquicas de 2001 com as de 2005. Mas, como prevíramos, abusou-se da ‘leitura’ nacional, concluindo-se que o PSD ganhou as eleições. A nível de presidências de câmaras, o PS perdeu quatro (113 contra 109), o PSD perdeu duas (160/158) e o CDS também (3/1); a CDU ganhou quatro (28/32), tal como os ‘independentes’ (3/7); o BE manteve a única que tinha. Nos votos obtidos, a comparação directa não é possível porque houve mais inscritos e mais votantes (menos abstenção). Quanto às posições relativas dos diversos concorrentes, a verdade é que, comparando 2001 e 2005 e atribuindo ao PSD, PS, CDU e CDS o seu peso proporcional nas coligações em que participaram nesses anos, constata-se que o PSD perdeu 1,4 por cento (39,9 por cento em 2001 e 38,5 por cento em 2005), o CDS perdeu 0,7 por cento (de 4,9 baixou para 4,2 por cento), o PS perdeu 0,4 por cento (de 36,5 para 36,1 por cento) e a CDU passou de 11,2 para onze por cento. O BE subiu de 1,2 para 2,4 por cento e os movimentos de independentes obtiveram 2,5 por cento, contra os 1,4 por cento de há quatro anos. Face à frieza dos números, fica a pergunta principal: quem ganhou e quem perdeu nestas eleições autárquicas? Quem perdeu em câmaras e em percentagem de votos foram o PSD, o PS e o CDS; a CDU ganhou em câmaras, mas não ganhou em percentagem e o BE ganhou em percentagem, mas não mais câmaras. As candidaturas ‘independentes’ foram as únicas que, comparando 2001 e 2005, ganharam em câmaras e em percentagem, mas delas, pela sua própria natureza, não se pode falar em agrupamento político, nem em movimento estruturado.
LEITURA NACIONAL NÃO É CORRECTA
Não é correcto analisar os resultados destas eleições a nível nacional, generalizando o que não é generalizável, já que a expressão local do voto é quem mais dominou a vontade expressa pelos eleitores. Muitos não terão dúvidas em aceitar esta opinião quando se trata de autarquias com um reduzido número de eleitores, onde até aspectos da vida familiar dos candidatos podem determinar quem acaba por ser o eleito. Sobre as maiores autarquias, já se dirá que aí o eleitorado reage de “forma nacional”, premiando ou castigando o Governo ou as oposições. Os resultados em Lisboa, Porto e Sintra desmentem tal ideia: a votação nestes três concelhos está marcada por um aspecto “vincadamente” local/pessoal, que assenta no perfil dos próprios candidatos. Pode existir maior afirmação do aspecto local/pessoal destas eleições que o facto de, por exemplo, numa mesma autarquia, o resultado para a Câmara ser diferente da votação para a Assembleia Municipal (AM)? Em Lisboa a lista liderada por Carrilho teve menos 2767 votos que o PS para a AM (uma diferença de quase 1% dos votantes), no Porto, ao contrário, Assis conseguiu mais 1768 votos (mais 1,3 por cento) que o PS na AM e em Sintra a diferença entre os votos em Soares para a Câmara e no PS para a AM quase não existe, fixando-se apenas 405 votos (0,3 por cento). Quanto ao PSD, comparativamente com as votações para as respectivas AM, Carmona teve menos 1,3 por cento, Rio mais 2,5 por cento e Seara mais 3,5 por cento. Acresce ainda ao reforço do carácter local/pessoal dos resultados os casos de Gondomar, de Felgueiras, de Oeiras ou do Redondo.
Jorge de Sá, director técnico da Aximage


Para descansar

Agora que já descansámos desta balbúrdia e que a realidade nos caiu em cima novamente, gostaria de vos deixar aqui duas sugestões de leitura:
Manuel Castells, A era da informação: economia, sociedade e cultura. Fundação Calouste Gulbenkian. São três volumes preciosos. O I Sociedade em rede, o II O poder da identidade e o III O fim do milénio. Castells é professor de sociologia e planeamento urbano e regional, para além de ser um dos melhores, senão mesmo o melhor especialista em sociologia e esta obra traça uma análise profunda da sociedade em que estamos inseridos. Imprescindível portanto. Se quiserem saber mais sobre este autor vejam http://en.wikipedia.org/wiki/Manuel_Castells (está em inglês, mas há páginas em português).
Vitorino Nemésio, Mau tempo no canal, Bertrand. Esta é uma obra para reler. Um clássico da nossa literatura. Infelizmente o autor foi - indevidamente saliente-se - associado ao período ditatorial do estado novo, logo colocado na prateleira da nossa cultura.
Podem saber mais em http://web.ipn.pt/literatura/nemesio.htm Deixo aqui uma das suas poesias mais conhecidas:


Semântica Electrónica
Ordeno ao ordenador que me ordene o ordenado
Ordeno ao ordenador que me ordenhe o ordenhado
Ordinalmente
Ordenadamente
Ordeiramente.
Mas o desordeiro
Quebrou o ordenador
E eu já não dou ordensco
ordenadas
Seja a quem for.
Então resolvo tomar ordens
Menores, maiores,
E sou ordenado,
Enfim --- o ordenado
Que tentei ordenhar ao ordenador quebrado.
--- Mas --- diz-me a ordenança ---
Você não pode ordenhar uma máquina:
Uma máquina é que pode ordenhar uma vaca.
De mais a mais, você agora é padre,
E fica mal a um padre ordenhar, mesmo uma ovelha
Velhaca, mesmo uma ovelha velha,
Quanto mais uma vaca!
Pois uma máquina é vicária (você é vigário?):
Vaca (em vacância) à vaca.
São ordens...
Eu então, ordinalmente ordeiro, ordenado, ordenhado,
Às ordens da ordenança em ordem unida e dispersa
(Para acabar a conversa
Como aprendi na Infantaria),
Ordenhado chorei meu triste fado.
Mas tristeza ordenhada é nata de alegria:
E chorei leite condensado,
Leite em pó, leite céptico asséptico,
Oh, milagre ordinal de um mundo cibernético!
Vitorino Nemésio

(saudações para um amigo açoriano)

11 de outubro de 2005

O sindicalismo não é isto

A Direcção Nacional da PSP acusou formalmente António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), por declarações “desrespeitosas” para com o primeiro-ministro. Esta matéria já tinha sido aqui objecto de reflexão, mas face a este novo desenvolvimento decidi recuperá-la. O processo em causa poderá levar o agente sindicalista à demissão, ou reforma compulsiva daquela força policial. O que está em causa são declarações do agente principal António Ramos à SIC Notícias, este verão, onde afirmou que “À semelhança do que fizemos com o Governo anterior, onde fizemos um desgaste permanente, temos condições para que, a partir de agora, façamos um desgaste permanente a este Governo. Já enviámos o antigo primeiro-ministro [Durão Barroso] para Bruxelas, com certeza que mais depressa enviamos este [José Sócrates] para o Quénia”. Diz a acusação que “o arguido desrespeitou gravemente o anterior e actual primeiro-ministro, violando dessa forma o dever de correcção e aprumo”, previsto no Regulamento Disciplinar da PSP. O mesmo sindicalista, depois de saber da acusação afirmou já estar “habituado a ser alvo de processos disciplinares e de multas”. Disse ainda e apesar do número de processos que pendem sobre si que a acusação da Direcção Nacional da PSP não vai mudar o seu comportamento. “Não falei em nome pessoal, falei em nome de todos os polícias e limitei-me a exprimir o seu descontentamento dentro da instituição”. E acrescentou: “Não me vou calar. Se não posso falar como dirigente sindical, então acabem com o sindicato. Esta não é a melhor forma de resolver os problemas da polícia ”.
Quer as afirmações proferidas da primeira vez, quer as actuais, obrigam-me a dizer o seguinte: a correcção deve ser apanágio de todo e qualquer ser humano, independentemente dos cargos que ocupa, mas o facto de ocupar um qualquer cargo público obriga a cuidados redobrados.
Os sindicatos atravessam uma fase menos boa da sua existência, fase essa que se deve não só a factos exteriores, mas também a factos interiores.E os interiores não são menos importantes que os exteriores, antes pelo contrário. E os sindicalistas devem lembrar-se que são a face visível dos seus pares e que a sua actuação pode angariar apoios para a causa, mas também pode deitar tudo a perder.

Ao menos guardem esta

Segundo alguns órgãos de informação, a França disponibilizou-se e ofereceu todas as condições possíveis e imaginárias, para que Joe Berardo desloque para lá a sua colecção de arte.
É claro que os franceses não são parvos e uma colecção daquelas caía que nem jinjas nos seus muitos museus.
Espero que o governo português olhe para a colecção com olhos de ver e não a deixe voar até Orly e nós cidadãos mobilizemo-nos, seja com páginas na net, seja com baixo-assinados, seja da maneira que for para que a colecção possa ser admirada por nós e pelas gerações futuras no nosso solo.

Foto do "Expresso"

10 de outubro de 2005

Os erros de castings

Ontem foi dia de autárquicas.
Por isso e porque deixei assentar a poeira - até cairam umas pingas - para hoje, portador de dados concretos, avançar para os meus comentários.
Desculpem-me se acharem que não estou a ser imparcial, mas são números disponíveis no site do ministério da Justiça.
Vamos então ao que interessa.
O Partido Socialista perdeu as eleições e perdeu porque tem menor número de câmaras ponto final parágrafo. Mas se quisermos ser mais atentos aos números, veja-se em
http://www.autarquicas.mj.pt/CM/D23/
Olhando para o número de votos entre PS e PSD é curioso, não é.
E no que diz respeito a câmaras, ainda é mais curioso, porque nos Açores o PS ganha 2 ao PSD e não perde nenhuma, em Aveiro perde Aveiro e ganha Águeda, em Beja ganha Ourique, em Braga perde Póvoa do Lanhoso, em Bragança ganha Freixo de Espada-à-Cinta, em Castelo Branco ganha Proença-a-Nova, em Coimbra perde Arganil e ganha Mira e Soure, em Faro ganha Faro e perde Vila real de Santo António, na Guarda ganha Vila Nova de Foz Côa, em Leiria perde Figueiró dos Vinhos e ganha Porto de Mós, em Portalegre perde Marvão, no Porto ganha Baião, em Santarém perde Santarém, em Viana do Castelo ganha Ponte da Barca e em Viseu perde Vila Nova de Paiva. Este perde e ganha é somente entre PS e PPD/PSD, não há muletas. Ou seja o PS ganha 13 câmaras ao PSD e perde 8 para este.
É claro que os números ainda dão análises mais curiosas e se alguém quiser aprofundar os números é só clicar em http://www.autarquicas.mj.pt/Eleicoes
Mas durante a noite eleitoral vi muitos erros de casting, alguns dos quais nos devem preocupar.
Ouvi muitas vezes a expressão "candidatos-arguidos", mas não me apercebi dos nomes de Isabel Damasceno ou até mesmo de Joaquim Raposo. Terá sido lapso meu ou estes candidatos já ultrapassaram a situação problemática que tinham com a justiça.
Ainda sobre estes candidatos apraz-me dizer que a partir destas eleições é o vale tudo, porque é possível toda e qualquer pessoa candidatar-se, mesmo que possuam situações menos claras, já que a imunidade dá para tudo (nesta mesma senda peço ao sr. Presidente que antes de terminar o mandato dê uma ajuda na inversão do ónus da prova para estes casos e deixe lá os magistrados clamarem). Gostei ainda de ver Fátima Felgueiras a acusar a PJ (era disso que se tratava).
Curioso foi também ver os candidatos do PSD do Porto e de Cascais a namorarem a CDU, o tal partido que concorre somente para derrotar a direita e mostrar cartões aos governos. Saliente-se que os vereadores da CDU não se fazem rogados (veja-se Gouveia Monteiro em Coimbra e Rui Sá no Porto, não percebo mesmo como é que fizeram campanha contra Carlos Encarnação e Rui Rio, respectivamente).
Também se verificou ontem que Ribeiro e Castro não é o líder que o CDS/PP quer. Os comentadores do CDS nos vários canais televisivos deixaram isso bem implícito.
Já que falo em canais televisivos devo também dizer que a TVI ganhou as autárquicas, sendo que um dos debates interessantes ocorreu na SICNotícias (teria valida a pena que esse debate ocorresse na SIC generalista).
Mas julgo que o maior erro de casting ocorreu com Mário Soares. Mais uma vez este senhor violou a lei eleitoral. É mais do que tempo de alguém lhe dizer que o seu papel fundamental na democracia portuguesa, que é inegável, não lhe dá o direito de cometer este tipo de asneiras. E mais se de facto pensa ser candidato presidencial deve pautar-se por um comportamento sem mácula, caso contrário corre o sério risco de afastar os poucos apoiantes que ainda tem.
Talvez ontem se tenha iniciado um novo ciclo político. Marques Mendes fez passar a mensagem de que é o grande vencedor e que o país tem uma política alternativa protagonizada por ele, mas os números dizem que sem muleta isso não é verdade, para além disso "Santana continua por aí e Menezes também".
Após tanta coisa séria, fica aqui uma nota de humor. Viram bem que é que inundou a sede de candidatura do Carmona Rodrigues? Aquilo era mesmo uma sede de candidatura ou era algum evento da Caras, da VIP, ou da Lux. De concreto o que é que muita daquela gentinha fez por Lisboa, a não ser passear-se por algumas discotecas, assistir a desfiles de moda, ou organizar "chás dançantes".

8 de outubro de 2005

Hoje... silêncio

Hoje é o dia de todos os silêncios.
Silêncio daqueles que gritaram porque acreditam, silêncio daqueles que gritaram porque lhes deu jeito, silêncio daqueles que gritaram porque se estão marimbando para tudo.
Amanhã, a parir das 19h vamos ver e ouvir de tudo. Do riso às lágrimas tudo vai acontecer e para quê? Acreditem que não sei bem.
Guardei os resultados das sondagens publicadas. Tenho a certeza que amanhã me vou rir a bom rir com algumas.

Cecilio Colón Guzmán, Buscando el silêncio. 2004

O meu silêncio

Por dentro de ti mesmo
escorre o tempo.
Cá dentro de mim mesmo
escorro e sofro.

Por dentro me passa o tempo
passo por dentro do tempo
e entro em mim
no meu silêncio
e fico assim
cá por dentro
sem saber bem o que sou,
sem saber bem o que penso
no pouco que ainda sou
no muito que ainda penso.

E pergunto-me quem sou
e pergunto o que é o tempo
e pergunto porque sofro
cá dentro
e dentro do tempo.

E pergunto
e mais pergunto
e só me responde o silêncio.

Zaratustra

E nós?!

O governo espanhol prepara-se para reduzir os impostos para as empresas e para os contribuintes no Orçamento de 2006. Disse Fernández Ordóñez, numa entrevista publicada pelo jornal ‘ABC’ que “A reforma fiscal não será feita para se perder ou ganhar dinheiro, vai ser neutra, penalizando os infractores e beneficiando empresários e trabalhadores”. Além de prever uma redução nos diferentes tipos de impostos, o Ministério espanhol das Finanças não está a planear diminuir benefícios, mantendo a dedução por crédito à habitação nos 9000 euros.
Em Portugal a dedução por crédito à habitação não passa dos 538 euros.
Afinal, de Espanha sopram por vezes ventos

7 de outubro de 2005

O Presidente Sampaio

Quando tive conhecimento de que Jorge Sampaio não iria, a 5 de Outubro, discursar no município, teci-lhe críticas.
Hoje tenho de dar a mão à palmatória, porquanto o Presidente, embora noutro espaço ele deu uma lição aos políticos de pacotilha. Excelente discurso e pouco me importa a questão do ónus da prova ter sido invertido até porque quem não deve não teme.

As autárquicas

Vou aproveitar que ainda não terminou a campanha para tecer alguns comentários:
- perfeitamente descabido a ideia transmitida por Carrilho de que a Câmara de Lisboa devia possuir a mesma cor política do Governo;
- é patética a figura que fazem alguns autarcas que se recandidatam exigindo a feitura de obras agora, enquanto durante 4 anos estiveram calados (Seara é um bom exemplo)
- mais patético é a vangloriação que alguns fazem de obras para as quais nada contribuiram, ou porque são de iniciativa governamental, ou porque são de candidatos anteriores (Carlos Encarnação sabe do que falo);
- irritante a ideia que alguns tentam passar de que possuem provas de burlas e outros esquemas e que se os chateiam muito eles avançam com os documentos. Avançem porra, não sejam farinha do mesmo saco, a não ser que... (esta é para Rui Rio);
- a presença de Almeida Santos em Felgueiras não aqueceu, nem arrefeceu. Mais valia ter ficado em casa;
- qual é a ligação de Ângelo Correia a Sintra!?;
- a minha tristeza por verificar que nas eleições autárquicas - e estas são um triste exemplo - existem uns artistas que mudam de farpela, e não me digam que é só por deixarem de acreditar no projecto político. Estas atitudes têm nome: oportunismo.

Alberto João Jardim

Não gosto nada de falar neste artista. Para mim não passa de um troglodita que usa e abusa do seu poder para permanecer como Presidente do Governo Regional da Madeira.
Já aqui falei da nota que ele fez para publicação num jornal, já falei dos bens destruídos áqueles que se candidatam por um partido que não seja o PSD, mas hoje quero falar das acusações que ele faz à Comissão Nacional de Eleições e ao facto de ter apoiado e incentivado as agressões praticadas por um candidato do PSD local à caravana e ao candidato autárquico do PS.
E tudo isto acontece sem que alguém o puna. Onde param as palavras de Marques Mendes sobre isto? Sim, que isto não é só desafiar os outros para irem aqui ou acolá. Isto não é só dizer que o poder autárquico em Braga tem vícios. Isto não é só "eliminar" Valentim Loureiro e Isaltino Morais e trazer ao colo Isabel Damasceno. Se queremos ser tão rectos quanto apregoamos é necessário comentar as atitudes do militante Alberto João.
Mas tudo isto é para dizer que o caso do senhor da Madeira já ultrapassou a arruaça e a má educação e se transformou num caso patológico de sandice pura e dura.

A escritora light

Um professor universitário, de seu nome João Pedro George, descobriu que a "grande escritora" Margarida Rebelo Pinto se plagia a ela própria (as mesmas frases repetem-se de obra para obra), não sabe português e transcreve autores, sem os citar.
O artigo publicado em www.esplanar.blogspot.com é uma autêntica maravilha que merece uma leitura atenta. E já agora os meus parabéns por ter conseguido ler as oito obras da senhora, é um feito histórico e revelador de uma enorme coragem.


A imagem é de Jorge Godinho "Margarida Rebelo Pinto no lançamento de ‘Pessoas Como Nós’". Correio da Manhã

5 de outubro de 2005

5 de Outubro



Pensem meus senhores nos ideais que presidiram à implantação da República.

A foto foi retirada de http://joaogil.planetaclix.pt/kr.jpg


Já chateia a conversa

Marques Mendes apostou em desafiar Sócrates.
Fê-lo uma primeira vez (objecto de comentário aqui) e agora voltou a faze-lo. O desafio é sempre o mesmo: que Sócrates vá a Felgueiras.
A primeira vez a gente aceita e percebe, mas quando volta outra vez a mesma conversa (e não sei se vamos ficar por aqui) já começamos a torcer o nariz.
E já agora Marques Mendes já foi a Gondomar? É o vais! Não que está lá o tio Valentim.
Ainda sobre Marques Mendes gostava de lhe dizer que sobre o que ele disse em Braga, de que muitos anos no poder corrompem, tenho a mesma opinião.
Mas a minha opinião não se dirige somente a Mesquita Machado, dirige-se a Alberto João Jardim, ao edil de Vila Nova de Poiares, por exemplo.
Mas pelos vistos para Marques Mendes somentes os edis fora do PSD é que não podem estar muito tempo no poder. Os do PSD são uns santinhos.
E já agora quem é que não aprovou a lei de limitação de mandatos?
Será que Marques Mendes ainda tem pés para meter dentro dos sapatos? É que tiros não lhe têm faltado.

4 de outubro de 2005

Mas o que é isto?!

"É evidente que enquanto durar o julgamento, o Governo deve manter a dr.ª Catalina Pestana na Provedoria da Casa Pia. Se for substituída, eu, como cidadão, tenho o direito de tirar ilações.” Isto são declarações de Bagão Félix, antigo Ministro do Trabalho, reagindo à possibilidade de o Governo estar a equacionar a possibilidade de afastar Catalina Pestana.
Agora pergunto eu: que ilacções? Isto quer dizer o quê? Expliquem-se senhores, deixem-se de "arcas encoiradas", assumam-se, sejam grandinhos.
Ainda sobre a Casa Pia, veio o advogado das vítimas de pedofilia da Casa Pia, José António Barreiros, dizer, em Monsanto, que o ministro do Trabalho devia ter dito a Catalina se a mantinha na provedoria, após o dia 2 de Dezembro.
Mas, afinal, quem é este senhor? Que eu saiba é um assalariado a prazo, está ali, ao que dizem com um belo ordenado, como advogado das vítimas da Casa Pia e nada mais. Desde quando é que lhe compete emanar "bitaites" sobre o que o ministro deve ou não fazer.

A "justiça" no "Prós e Contras"

Se alguém tinha dúvidas de que todas as movimentações anti-governamentais feitas pelo sector da justiça eram o resultado de um lobby que não quer perder os seus muitos privilégios -demasiados mesmo -, elas foram dissipadas no programa da RTP1.
Tristes dos trabalhadores por conta de outrém deste país, aliás triste país este.

Animem a alma



Querem animar a alma? Leiam Figuras, Figurantes e Figurões de Luiz Pacheco. Acreditem que vos vai fazer bem e se quiserem algo mais sobre ele vejam, por exemplo, www.triplov.com/luiz_pacheco
e se mesmo assim o ânimo não regressar experimentem A Guidinha antes e depois de Luís Sttau Monteiro e se desejarem mais avancem até: http://web.ipn.pt/literatura/sttau.htm .



3 de outubro de 2005

O "Judas" de Cavaco

Diz a Bíblia que Judas vendeu Cristo por trinta dinheiros. João Jardim acabou de "vender" Cavaco de borla. Sim que o apoio declarado por Alberto João é mais uma traição do que algo provindo do fundo do coração.
A propósito do Presidente do Governo Regional da Madeira gostaria de saber se alguém já investigou as indicações dadas por ele ao jornal, bem como as suas declarações sobre a não repartição de dinheiro pelas câmaras que não forem do PSD.
Ainda na Madeira é urgente que se descubra a verdade sobre o carro que foi queimado e os animais mortos, tudo pertencente a alguém que não concorre pelas hostes laranjas.

Agora as autárquicas

Por cá as autárquicas vão fazendo faíscas, mas nada muito sério.
Dizem as más-línguas que o professor Seara, candidato a Sintra, interrompeu uma aula - vá lá a gente perceber porquê - e ralhou com o professor. Não entendo o espanto, já que se vai dizendo à boca calada que este senhor tem algumas tendências ditatoriais.
No Porto as coisas também andam quentes. Rui Rio acusa o PS de querer agredi-lo e às críticas responde com altivez e petulância, rotulando quase sempre os seus opositores, em especial Assis, de ignorantes.
Em Lisboa a coisa chia mais fina.
Depois de todos terem dito cobras e lagartos aquando da apresentação de candidatura de Carrilho por Bárbara Guimarães se ter ausentado a meio, agora dizem cobras e lagartos pela mesma Bárbara acompanhar sempre o marido e candidato à autarquia lisboeta.
No que diz respeito à capacidade de os candidatos - não só de Lisboa, mas de todo o país saliente-se - explicarem realmente as suas propostas, apetece dizer que ainda não foi nesta campanha que isso aconteceu. Continua a demagogia, a prometer-se o que não é possível fazer, a aproveitar os tempos de antena para criticar o poder central, a fazer das autarquias trampolins para outros voos, enfim uma verdadeira charlatanice.

Eclipse

http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20051003eclipse.htm

Divirtam-se com o vídeo do eclipse produzido pela SIC e atenção o próximo só para 2027.

2 de outubro de 2005



Dia Mundial da Música

Celebrou-se ontem o Dia Mundial da Música.
Estes dias têm por norma ser fertéis em oferendas (a FNAC ofereceu um CD que acompanhou o Público), concertos, notícias e outros que tais.
Pois bem Portugal, podia abdicar dessa panóplia toda e comemorar o dia com a grandiosidade que a música merece e era tão simples, bastava reduzir o IVA nos CDs e DVDs

Mas nem só de música

Nem só de música vive o homem, de leitura também.
A propósito de leitura permitam-me que vos deixe aqui uma dor de alma que me atingiu.
Ao ler - como aliás sempre faço - o suplemento "Mil Folhas" que acompanha o Público aos sábados deparei-me com algo surpreendente. O top de livros - desta vez da responsabilidade de "A Livraria" de Almada apresenta em 2.º e 4.º lugar da não ficção "O livro do sudoku: 101 puzzles diabolicamente absorventes" e "Sudoku 2". Verdadeiramente espantoso!!!