30 de dezembro de 2008

Ontem devia ter falado de uma situação e por lapso não o fiz, mas porque é deveras importante aqui fica.
Foi recentemente divulgado pela televisão um vídeo que se encontra na internet, onde um aluno da Escola Secundária do Cerco ameaça uma professora com uma pistola de plástico.
Assim que o vídeo foi dado à estampa pela televisão ouvi um representante das Associações de Pais do Porto e pelo menos uma mãe falarem, o primeiro contra o governo e não percebi porquê e a segunda porque era tão só uma brincadeira.
Ouço isto e fico arrepiado, primeiro porque se um representante dos pais vem dizer isto, é sinal de que é um representante mal escolhido e perfeitamente ignorante e ouvir a mãe dizer que era só uma brincadeira é qualquer coisa de doentio.
Então os filhos revelam uma falta de educação primária e são tratados como coitadinhos.
Coitadinhos porquê?
Porque estão inseridos num contexto destruturante, porque são de uma comunidade com problemas de socialização, etc e tal como agora são apelidados.
Meus senhores deixemo-nos de desculpas esfarrapadas. Isto é tão só má educação.
E não me melguem o espírito de que os pais destes jovens têm problemas económicos, porque se têm não compram telemóveis com câmara de filmar aos meninos.
A escola tem como função a formação académica e algum aconselhamento educacional, porque o verdadeiro trabalho educacional pertence aos pais e não aos professores.
Olhar para isto é ficar com a angústia sobre que tipo de juventude está a ser criada.

29 de dezembro de 2008

Pois é, acabou o Natal e por isso acabou a paz a concórdia, essas banalidades que costumam dizer nesta época.


Hoje teve lugar mais um episódio do Estatuto dos Açores. Houve promulgação e conversa ao país.
Este episódio não dignifica ninguém. Não dignifica os partidos e também não dignifica o Presidente.
É verdade que os partidos saiem pior.
E não venham com tretas de que o Presidente não dissolve a Assembleia porque estamos em crise.
Cavaco não dissolve porque o PSD teima em não arrancar na intenção de voto.
Diz Cavaco que a democracia não sai prestigiada. É verdade, mas não pela democracia em si, mas pelas instituições que por ela deviam zelar.


Este fim de semana que passou tem dois textos que importa reter. A entrevista a Eduardo Barroso na pág. 2 do SOL e o texto de Pereira Coutinho na Revista Única do Expresso.

Também neste fim-de-semana fiquei a saber que o Estrela da Amadora contratou um jogador brasileiro.
Então o Clube não paga os salários aos jogadores e anda a fazer aquisições? E a Federação e a Liga permitem?

21 de dezembro de 2008

De repente... O caso da pequena adoptada pelo sargento e pela esposa, sempre me tirou do sério. Sendo certo que o casal de pais adoptivos não estão isentos de algumas culpas, acho verdadeiramente irresponsável o comportamento quer do pai biológico quer de alguns juízes, quer mesmo de alguns tribunais.
Depois acresce ainda o facto de uns quantos elementos que pululam em torno do caso não se portarem decentemente relativamente à criança.
Por exemplo o advogado do pai biológico falou em corruptos e em meter a viola no saco.
Claro que não será advogado quem quer, antes quem sabe, mas pronto...
Igualmente ver o médico Cândido Ferreira embrulhado nisto, deixa-me perplexo.
Para terminar este post resta-me que fico a pensar como é que alguem que queria acabar a casa para receber a filha, mas que não tinha dinheiro, de repente vai para férias na neve para fora do país?
Foi quanto? 30.000 euros?! Percebo, é tudo uma questão de oportunismo e de prioridades...

Estou à espera que a oposição critique de eleitoralista o facto de o Governo obrigar as transportadoras a manter o preço dos transportes.
Claro que será a maior imbecilidade de sempre, mas pronto.

19 de dezembro de 2008

Que grande melão. Pacheco Pereira acaba de ganhar o maior melão de sempre: Santana é candidato com Manuela Ferreira Leite aos comandos do partido. Como se isto não bastasse acresce ainda o facto de Pacheco Pereira ter sido recusado no Porto para as europeias.
Possivelmente ou não Pacheco ainda acreditou no Pai Natal.
Claro que isto não é o fim, isto é tão só o começo do fim.
Entretanto Pedro Passos Coelho continua candidamente o caminho que Ângelo Correia tão bem lhe ensinou.

Manuel Alegre foi à Grande Entrevista na RTP-1, dizer que «este partido socialista não é propriamente o partido que eu quero».
Porreiro. Se este partido não é o dele, porque continua nele?

Cadilhe não perdoa não ter ido para BCP e agora como super sumo da SLN, ex-proprietária do BPN, vai de atacar o Estado e mais propriamente Vítor Constâncio, já que também foi ele que tirou o tapete a Cadilhe para a sua entrada no BCP.
E já agora que tal tornar público o acordo que possibilitou a entrada de Cadilhe na SLN.

18 de dezembro de 2008

Alguém me consegue explicar o que é isto? Como não estamos no 1 de Abril e muito menos no Carnaval, presumo que isto seja verdade. E a Ordem dos Advogados, onde está?

Deixo aqui uma sugestão para o Natal o último trabalho de Pedro Barroso. Trata-se do cd Sensual idade.

17 de dezembro de 2008

Então e agora? Lembram-se do que Manuela Ferreira Leite disse sobre o acto de votar quando Santana era o cabeça-de-lista.
Na altura Manuela disse que se estivesse a fotografia de Pedro Santana Lopes no boletim de voto não votava no PSD.
Após este tempo, Manuela Ferreira Leite fez uma jogada de mestre. Lança Santana Lopes às feras nas autárquicas, sendo que com o PSD fragilizado como está e com uma intenção de voto que mantém e ainda porque está demasiado viva a passagem de Santana Lopes por lugares de comando autárquico e de governo, pode dar-se a circunstância de o PSD perder as eleiçoes em Lisboa.
Ora se tal acontecer, e porque quem entrar na equipa autárquica está dispensado de ir a jogo nas legislativas, Ferreira Leite pode afastar definitivamente Santana Lopes.
Se a jogada falha Manuela bem pode emigrar.

16 de dezembro de 2008

Manuel Alegre veio hoje a público, no "Público", criticar os jornalistas e dizer: «Não me queiram forçar para vender jornais, não ponham na minha boca o que eu não disse.»
Parece uma virgem ofendida.
Ele já perguntou aos militantes o que é que eles pensam da sua actividade política?
Talvez devesse começar por aí.
E de seguida, quem sabe, perguntar-se se se justifica continuar a ocupar o lugar de vice-presidente da AR, lugar que obteve enquanto deputado do PS.
Penso que ele devia ajudar-se a si próprio a sair pela porta grande.

Ao que parece a TAP pode fechar as portas nos próximos tempos se forem em frente as greves programadas.
Realmente o que a TAP precisa neste momento é de uma greve que cause ainda mais prejuízos que aqueles que já tem.
Claro que tudo isto só é possível porque recebem subvenções estatais. No dia em que fecharem a torneira e os funcionários vivam do que produzam, vai ser engraçado de ver.

Após descontar algum idealismo, importa reter algo do artigo de Mário Soares hoje no DN.

14 de dezembro de 2008

Vejam se estou ou não errado. Manuel Alegre esteve hoje no 2.º Encontro das Esquerdas. Antes de lhe desejar bom proveito por tal facto, gostaria de saber que esquerda é aquela de que ele fala?
Agora, que lhe faça bom proveito este segundo encontro.
Lamento que ele só comece a contestar depois do PS não o ter apoiado na corrida à Presidência.
Entretanto, se tudo está mal, como é que continua como deputado do PS.
A minha dignidade já tinha apresentado o pedido de demissão.
Mas claro a verticalidade é só para os outros, porque quando falamos de nós, o melhor é contorcer a coluna.

Então a magistratura quer fazer greve? Então mas os magistrados não dizem que são órgãos de soberania? Então agora os órgãos de soberania também fazem greve?

Os médicos também querem partir para a greve. O que se terá passado? Será que não os deixam sair mais cedo para irem para os seus consultórios e clínicas? Fico deveras preocupado.

11 de dezembro de 2008

A montanha pariu um rato. Ultimamente tem sido tema de conversa o caso dos deputados faltosos, problema esse que se desencadeou na sexta-feira, quando um projecto de resolução do CDS-PP que recomendava ao Governo a suspensão da avaliação dos professores poderia ter sido aprovado (sete deputados socialistas quebraram a disciplina de voto deixando o PS em minoria) mas o diploma acabou por ser chumbado devido às ausências de 35 deputados da oposição, dos quais 30 do PSD.
Claro que isto foi um escândalo.
Como é que o PSD resolveu a questão? Simples.
O líder do grupo parlamentar social-democrata, Paulo Rangel, anunciou esta quinta-feira que o PSD vai apresentar um projecto de lei para suspender a avaliação dos professores, como forma de reparar a «falha» nas votações de sexta-feira.
Mas será que pensam que somos parvos.
Paulo Rangel e o PSD não sabem o que andam a fazer. Realmente isto só acontece porque o PSD não tem líderes. É tão só um conjunto de pessoas onde cada um caminha para onde quer.
Então Paulo Rangel, os próprios deputados e Manuela Ferreira Leite acham que o problema foi a votação?
Se assim pensam, só me resta questionar por onde andavam estas cabecinhas quando foi distribuída a inteligência? Não estavam na fila certamente.
Estes senhores têm que perceber que o chafurdo desta questão está no facto de se terem baldado ao seu trabalho.
O nojento da questão foi terem assinado o livro de ponto e terem bazado, o que determina só por si um não cumprimento de um dever, mas um não cumprimento consciente.
Se os deputados querem um mandato em nome próprio, devem estar conscientes dos seus deveres e não exibir só os seus direitos.

9 de dezembro de 2008

O título principal do DN de Domingo fez-me sentar e pensar sobre o actual momento da economia portuguesa.
Dizia esse título o seguinte: "Transportes não baixam preço apesar da queda do combustível".
É nesta altura, e é isso que está aacontecer, que os operadores de transportes públicos se reúnem com o Governo para estipularem o valor das tarifas que irão ser adoptadas no próximo ano.
Ora, tanto quanto se sabe, é vontade dos operadores não reduzir as tarifas, e é essa parte que não se compreende.
Sempre que os combustíveis sobem é o aqui del rei porque assim não conseguem sobreviver, que precisam de mais verbas do Governo e etc. e tal.
Os combustíveis desceram e nada de pensarem em descerem as tarifas.
É esta mentalidade de coçar para dentro e de quintinha que nos transporta aos piores lugares nesta velha Europa.
E não se pense que isto tem a ver com este ou aquele Governo. Nada disso, isto tem a ver com a nossa mentalidade e, claro, a mentalidade não se modifica por decreto.
Mas julgam que isto só acontece nos transportes?
Desenganem-se.
A nossa economia está repleta de "espertos".
Vejam também este caso: os chamados produtos brancos aumentaram cerca de 14%, enquanto as outras aumentaram mais ou menos 4%.
Todos sabemos que as marcas próprias ou brancas não dão prejuízo, se assim é como e porquê aumentarem 14%?
Aumentam este valor porque os seus produtores perceberam que com a crise que por aí grassa os portugueses passaram a comprar mais marcas brancas porque mais baratas.
Claro que os grandes supermercados e hipermercados perceberam isso e vai de aumentar desmesuradamente os preços.
E também aqui, mais uma vez, estamos no domínio da economia privada.
Mas não se pense que ficamos por aqui.
Existe ainda mais um exemplo que importa aqui colocar.
Estamos a falar dos bancos.
Antes de iniciar importa salientar que no primeiro semestre deste ano a banca portuguesa lucrou mais de mil milhões de euros.
Dito isto vamos lá ao esquema bancário.
As taxas euribor, referência dos empréstimos à habitação, têm estado a cair e atingiram hoje valores iguais a 2006.
Ora esta queda tem estado a verificar-se desde Outubro. Assim sendo alguém viu os bancos com preocupações relativamente aos juros que actualmente sufocam todos quantos têm empréstimos para habitação? Claro que não.
Colocaram os bancos alguma hipótese de reverem os contratos alterados a partir de Outubro e até Dezembro, sabendo que estes contratos ainda sobrem influências dos valores altos a que a euribor chegou. Longe disso.
Mas quando o Governo lhes ofereceu um chapéu financeiro que resulta do dinheiro de todos nós, os bancos não se fizeram rogados, foram logo.
Neste caso o Governo tinha uma palavra a dizer.
Forçar os bancos a reapreciar contratos seria não um acto de prepotência, mas antes de elementar justiça.

7 de dezembro de 2008

A notícia do Correio da Manhã merece uma leitura atenta. No fim da leitura podemos coligir as desculpas e divertir-mo-nos à grande.
Para quem quiser ir mais longe, aqui fica o acórdão do TC.

O líder do BE, Francisco Louçã, admitiu recentemente apoiar uma candidatura independente da vereadora Helena Roseta (ex-PS) à Câmara de Lisboa, nas autárquicas do próximo ano.
Que grande novidade que ele vem dar.
Só quem não quiser é que não percebe que todo este aproximar ente o BE e Alegre tem por fim duas coisas: o apoio a Alegre como candidato a PR e o apoio a Roseta nas autárquicas.
Um e outro sofrem do mesmo mal o poder a qualquer custo e se não somos apoiados pelos nossos procuramos outros, o que interessa é chegar ao poder.
Só falta saber se Alegre não vai integrar as listas do BE como independente, o que seria um alívio para o PS.

Algo vai mal no Largo do Caldas. Paulo Portas e Luís Nobre Guedes são amigos de longa data e o segundo já foi o principal conselheiro do primeiro na direcção do CDS. A mais de um mês do congresso, que se realiza nas Caldas da Rainha a 17 e a 18 de Janeiro de 2009, ambos têm versões opostas da estratégia a seguir. Portas quer um CDS a negociar "lei a lei" com quem vencer eleições em 2009, sem coligações. Nobre Guedes prefere uma coligação pré-eleitoral com o PSD ou um acordo com o PS.
Então se o único candidato à liderança do partido, Paulo Portas, está convicto que o CDS-PP deve dar um contributo, mas nunca através de qualquer coligação formal e se o seu ex-número dois e principal conselheiro ou ex- defende, no ‘Expresso’, um acordo pré-eleitoral com o PSD ou mesmo com o PS, em prol da maioria absoluta, pode ser que ainda tenhamos um congresso animado e não uma monotonia.
Se a linha anti-Portas aproveitar a onda, então sim, vamos ter algo mais que uma chatice.

A literatura está mais pobre. Faleceu o escritor António Alçada Baptista. Tinha 81 anos. Além da sua obra literária, Alçada Baptista foi também jornalista e editor.
Alçada Baptista nasceu na Covilhã, em 1927. Já depois de se ter licenciado em Direito, esteve na direcção da Moraes Editora durante 20 anos, entre 1952 e 1972.

6 de dezembro de 2008

De quando em vez somos confrontados com notícias do bloco central. Desta vez foi Dias Loureiro e Jorge Coelho.
Não sei porquê, mas Dias Loureiro não tem condições para continuar no Conselho de Estado.

3 de dezembro de 2008

Hoje é dia de greve dos professores. Desprezar os números que à partida nos são dados a conhecer, será, como é lógico, um erro monumental, mas aceitar cegamente os sorrisinhos de Mário Nogueira, será um erro de igual monta.
Hoje mais do que nunca acho que uma greve é estar no seu local de trabalho, sem exercer. Para além disso seria interesante e importante que o ministério apresentasse as justificações de falta. Sem nomes, porque isso é o que menos importa, apresentar escola a escola os diversos números (x foram ao médico, y ficaram a cuidar dos filhos, z foram às finanças, ... e u fizeram greve.
E talvez os pais tenham o direito de sobre isto serem informados. Quantos efectivamente fizeram greve e quantos aproveitaram a luta para ir à sua vidinha.

1 de dezembro de 2008

Odete Santos não é uma figura qualquer no PCP. Ex-deputada, advogada, actriz, improvisadora, utópica, marxista-leninista pura e dura, é uma figura controversa dentro e fora do partido. Aliás o seu afastamento de deputada deve-se ao facto da sua imprevisibilidade que, se por um lado pode ser benéfica no ataque aos adversários políticos do PCP, por outro pode ser problemático se a sua veia utópica falar mais alto.
Mas este post tem outro propósito.
Nasce do discurso proferido no XVIII Congresso do PCP que decorreu neste fim-de-semana em Lisboa.
É uma excelente peça de utopia.
Diz Odete a determinado passo que “a paz no mundo está cada vez mais ameaçada” e acusou o capitalismo de “financiar os mais graves atropelos aos direitos humanos”.
E o comunismo nunca financiou nada.
Mas Odete foi mais longe e entre algumas citações de mestres da nossa literatura trouxe à baila o caso de dois jovens julgados por pintar um mural a anunciar o congresso da Juventude Comunista Portuguesa e denunciou que “por muitos sítios desse Portugal, Norte e Centro, com excepção do Sul, proliferam estes atentados à liberdade de expressão, como se no pincel e na tinta pudesse estar a subversão”.
É curioso, mas confundir vandalismo e destruição da coisa pública com liberdade de expressão é algo que só acontece a quem tem uma visão completamente deturpada.

28 de novembro de 2008

Vindo de professores, parece-me bem. Para que conste e antes de dizer seja o que seja, devo dizer que sou a favor da avaliação dos docentes, ao contrário destes que rodeiam, rodeiam, mas não querem é ser avaliados, aliás esta última história da auto-avaliação é de morrer a rir.
Mas não é isto que move este meu apontamento.
O que me deixou os cabelos em pé foram as declarações do dirigente sindical presente na manifestação das Caldas.
Manuel Micael, da FENPROF, disse tão só isto: «Não podemos desistir deste combate, muito menos agora que, unidos, estamos prestes a desferir a estocada final no bicho. E, perdoem-me a imagem, nos preparamos para lhe cortar o rabo e as orelhas».
Depois de algumas palavras de ordem, depois de incentivarem os alunos à greve, esta frase é mesmo a cereja em cima do bolo.
E depois queixam-se da falta de educação dos alunos...

Fazendo fé nas notícias o Banco Privado Português vai ser salvo pela Caixa Geral de Depósitos, o Millennium BCP, o BPI, o Santander Totta, o Banco Espírito Santo e o Crédito Agrícola com o aval do Banco de Portugal, claro.
Mas não são estes bancos que estão a recorrer à garantia bancária do Estado para se poderem financiar? Então têm dinheiro para financiar o BPP e não têm dinheiro para se auto financiar ? Expliquem-me muito bem. Expliquem-me como se eu fosse loiro, mas um loiro que não gosta de ver o seu dinheiro a voar,

27 de novembro de 2008

O esclarecimento que ninguem percebeu de Cavaco sobre o BPN deu aso a que ontem se publicasse que Oliveira e Costa foi um dos financiadores da campanha de Cavaco Silva.
Teria sido conveniente que Cavaco reflectisse melhor sobre os esclarecimentos que dá.

Merece uma leitura atenta o artigo de Pacheco Pereira na "Sábado" que vai para as bancas mais logo. Não tem nomes mas todos sabemos quem é o destinatário.

24 de novembro de 2008

Estava o meu espírito posto em sossego, quando de repente Cavaco Silva vem alterar a minha quietude.
Eu esperava que dia menos dia Cavaco Silva viesse tecer comentários ou mesmo tomar atitudes face ao BPN, só que nunca nesta perspectiva.
Ora a Presidência da República esclarece que detectou uma «tentativa de associar» Cavaco Silva ao BPN, face a contactos para esclarecimentos, nesse sentido, «estabelecidos por jornalistas», motivo que levou Cavaco Silva a publicar uma nota que se pode ler aqui.
Curiosamente as únicas referências que tenho ouvido não é a Cavaco, mas antes ao cavaquismo. E aí meus amigos, nada a dizer: o BPN era mesmo a prateleira dourada de muitos cavaquistas.
O que eu pensava é que Cavaco vinha dizer que aceitou a demissão que Dias Loureiro lhe apresentou até que tudo esteja esclareciso.

22 de novembro de 2008

De repente já toda a gente aceita a comissão de inquérito parlamentar. Um caso de polícia passa a caso político. A quem interessa não sei. O que sei é que se fosse eu já tinha pedido a demissão de conselheiro de Estado.

Ao que consta o Banco Privado Português precisa do aval do Estado para continuar a sobreviver. Eu percebo que o Estado seja obrigado a intervir, no sendido de acautelar o dinheiro dos depositantes, mas não deixa de ser estranho que um banco que é só gestor de fortunas, seja obrigado a socorrer-se do aval do Estado.

Curiosamente ou não, andam por aí umas vozes patéticas que teimam em fazer do caso do BPN um ataque ao que ainda restava do cavaquismo.
Curiosamente ou não, esta ideia parte de dentro do PSD. Utilizarem este caso para chegarem a Manuela é perfeitamente inusitado e de uma falta de ética digna de registo.
Isto só tem a ver com pessoas que se aproveitaram da sua passagem pela política para de uma forma ou de outra olharem só para si próprios.

21 de novembro de 2008

Fico admirado. De repente Dias Loureiro passou a ser a personagem de momento. A carta a Jaime Gama para ser ouvido na Assembleia da República, a tentativa desesperada de se explicar e a grande entrevista na RTP, a RTP que nós todos pagamos.
Curiosamente o Bloco de Esquerda, o PCP, o CDS e o PSD queriam Oliveira e Costa e Dias Loureiro sobre o BPN. Só o PS estava contra.
Analisemos isto mesmo.
Os partidos de esquerda pretendiam criar um facto político que de uma só penada batia em dois pontos. Batia no Presidente da República, já que Oliveira e Costa foi secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, durante o X Governo Constitucional, trabalhando com o ministro das Finanças Miguel Cadilhe, por convite de Cavaco e porque Cavaco convidou Dias Loureiro para ser Conselheiro de Estado dentro da sua quota e ainda tinham forças para chamar a terreiro o Bloco Central.
Quanto aos partidos da direita é fácil perceber. Primeiro porque querem deitar abaixo Vítor Constâncio, depois porque foram contra a nacionalização do BPN.
Curiosamente desde o início que ouço dizer que o BPN é um caso de polícia e não político, Aliás a política só interviu quando percebeu que o dinheiro dos depositantes estava em perigo.
Se o caso é de polícia porquê a audição no parlamento? Terá o parlamento sido transformado em órgão de polícia criminal?
Vamos lá deixar que a polícia investigue e que os juízes julguem; já agora, e se não for pedir muito, que tal julgarem mais cedo.

19 de novembro de 2008

Com que então ironia?! Só se for do destino. Ontem falei das asneiras que Manuela Ferreira Leite teima em largar pela boca fora, não imaginando que hoje fosse obrigado a regressar ao tema, mas tem que ser.
No fim de um repasto promovido pela Câmara de Comércio Luso-Americana, Manuela Ferreira Leite elegeu a reforma do sistema de justiça «como primeira prioridade» para ajudar as empresas portuguesas.
Claro que a coisa não teria consequência se a referida senhora se tem ficado por essa temática. Mas não, questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de justiça, a líder do PSD não se fez rogada e quis afastar-se da atitude do primeiro-ministro, José Sócrates, que «na tomada de posse anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz».
Aqui a coisa também ainda não era grave.
Mas Ferreira Leite achou que isto ainda não chegava e... avançou a toda a velocidade defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: «eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...»... «quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se», e de seguida a presidente do PSD, acrescentou: «E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia».
Ressalta de tudo isto o seguinte:
Ferreira Leite critica as reformas do Governo sem nunca apresentar alternativas. Agora percebe-se porquê: para ela tudo deve ficar na mesma e mais grave, não afronta as classes profissionais, sejam elas quais forem.
Isto já não indiciava nada de bom para quem se pretende afirmar como alternativa ao governo, mas pior fica quando se ouve dizer que para fazer reformas é preciso interromper a democracia.
Por muito mau que seja este Governo, ele será sempre melhor do que um liderado por esta senhora.

No Boletim Económico - Outono 2008 do Banco de Portugal, na parte A Economia Portuguesa em 2008 (pág. 53), encontramos este naco de prosa:

A duração média do desemprego aumentou, de 22 meses no primeiro semestre de 2007 para 23.1 meses em igual período de 2008, o valor mais eleva do dos últimos 10 anos e consistente com a tendêcia do aumento do peso do desemprego de longa duração. Assim, num contexto de diminui ção da taxa de desemprego, verifica-se que a generosidade do regime de subsídio de desemprego, que contempla uma elevada cobertura financeira e uma duração potencialmente elevada das prestações, continua a contribuir para um nível elevado de desemprego de longa duração. Note-se, ainda, que os beneficiários do subsídio de desemprego têm vindo a representar uma maior proporção dos desem pregados, na sequência da recente legislação do subsídio de desemprego, que desincentiva a declaração do estatuto de inactivo.

Só podem estar a reinar com a malta. Generosidade é a que nós todos temos face aos vencimentos e mordomias prestados pelo Banco aos seus directores.

18 de novembro de 2008

E agora?! A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, afirmou no passado domingo, na Curia, que Portugal ainda não recebeu verbas do novo quadro de apoio comunitário devido ao «oportunismo e ineficácia» do Governo.
Mas Manuela não se ficou só pelo «oportunismo e ineficácia» foi mais longe e disse que «provavelmente por interesses partidários e provavelmente para concentrar mais perto das eleições a entrada de fundos comunitários, tem-se prejudicado o país de forma inaceitável».
Mas claro que isto foi só da boca para fora, já que provas népia.
Pois bem estava Manuela Ferreira Leite toda embevecida por ter "descoberto a pólvora", quando alguém decide chama-la à razão.
E quem é que poderia ser?
Nada mais nada menos que Dennis Abbott, porta-voz para a Política Regional da Comissão Europeia, que veio dizer que não há atrasos na atribuição de verbas comunitárias ao nosso país e que no quadro da política de coesão, ainda só foram destinados adiantamentos.
Ora, assim sendo a líder do PSD produziu afirmações erradas.
Se vai ou não pedir desculpa é algo que só ela pode decidir, mas que Filipe Menezes tem razão quando diz que o melhor talvez seja mesmo ela estar de boca fechada, disso não há a menor dúvida.

Estes juízes são uns inocentes e acreditam no Pai Natal. Deve ser por estarmos na época natalícia. Até estou admirado da Associação Sindical dos Juízes, o Sindicato e demais personagens não virem dizer que também aqui a culpa é do novo Código Penal.

E por falar em justiça, continuo à espera que a Ordem dos Advogados ganhe um pouco de juízo e saia de assistente do caso da mãe de Joana contra os elementos da PJ.
Marinho Pinto que sabe bem o que é uma "caballa", bem que podia arranjar um estratagema para sair airosamente deste imbróglio.
Face ao que foi dito, às muitas incongruências demonstradas quanto mais tarde for a saída pior fica a Ordem.

15 de novembro de 2008

A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, pediu hoje em Leiria a suspensão do modelo de avaliação dos professores, considerando que este "já provou na prática que não funciona".
Curiosamente esta senhora descobriu a pólvora.
Como é que ela pode dizer que este modelo já provou que não funciona, se os professores, os partidos da oposição e os sindicatos se encarregaram de não o deixar funcionar.
Atenção que não referi aqui os pais, mas fi-lo de propósito, já que esse só desejam que os professores sejam avaliados e que os filhos tenham um ensino decente.

14 de novembro de 2008

As declarações dos estudantes do secundário de Trás-os-Montes são a cereja em cima do bolo. Ouvi-los no Primeiro Jornal da SIC só serviu para confirmar aquilo que já se comentava à boca pequena: os professores também estavam por detrás destas manifestações dos alunos.
É a descridibilização total.
Gostava de ver os sindicatos a falar disso, mas claro que eles nem abrem a boca.

13 de novembro de 2008

Talvez seja importante ler o artigo na página 6 do 24 horas de hoje. Leiam bem as palavras de Arsélio Martins e reflitam.

Chamo também a atenção para um programa que passa hoje após as 19 horas na TSF. Chama-se "Os filhos da solidão". Espero que não seja uma simples pedrada no charco, mas antes um pedregulho que agite e provoque ondas.

Gostaria de saber como é que alguém se demite para depois se candidatar de novo (tirando o caso de Alberto João Jardim). Refiro-me aos reitores Sampaio da Nóvoa da Universidade de Lisboa e António Rendas da Universidade Nova de Lisboa.

Não aceito que os reformados da Função Pública com pensões superiores a 611 euros passem a descontar sobre 14 meses para a ADSE. Se me disserem que a partir de 1 de Janeiro de 2009 os novos funcionários passam a descontar os 14 meses, eu estou de acordo. Agora obrigar os reformados a descontar e os funcionários no activo não é algo que não passa pela cabeça de ninguem.
Com a agravante de que Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, ter garantido em Abril que a situação, considerada "injusta" pelo provedor de Justiça, seria corrigida.

12 de novembro de 2008

Desde o passado Sábado que temos sido confrontados com informação e contra-informação no que respeita à educação. Sendo que ontem em Fafe foi colocada a "cereja em cima do bolo".
Já todos nós percebemos que os professores não são iguais aos outros trabalhadores, ou seja, não querem ser avaliados. Sim é tão só isso e nada mais.
Vejamos.
Toda e qualquer reforma produz alterações profundas, alterações essas que vão contra o status estabelecido, assim sendo há que lutar, mesmo que a reforma seja fundamental.
Claro que eu percebo que não é agradável de repente depender de uma avaliação para subir de escalão, quando até ao presente momento a subida era automática após três anos de serviço.
Ao fim e ao cabo o que eu pergunto é: esta avaliação é má porquê? Já a experimentaram?
Mais, os professores dizem que é um processo burocrático, o ministério diz que não. Com tanto tempo de antena que se gastou com o assunto, ainda ninguem (nem professores, mem ministério) foram capazes de juntar um exemplar de cada uma das folhas obrigatórias e mostrar publicamente para que os que não estão numa ou noutra parte possam aferir da carga burocrática ou não do processo.
Claro que eu percebo a resistência dos sindicatos e dos sindicalistas. Há quanto tempo estão os sindicalistas fora do ensino?
Eu não digo que a proposta ministerial seja integralmente boa e que não deva ser melhorada, mas claro que isso só é possível após a constatação in loco do que tem de ser mudado.
Mas tudo isto é mais complexo.
A falta de educação revelada ontem por um grupo de alunos de Fafe, pode muito bem ser explicada com a ajuda das manifestações dos professores e devido à intervenção de grupos de estudantes politicamente situados e enquadrados.
Claro que se os alunos veem os professores manifestarem-se da amneira que o fazem e com as palavras de ordem que utilizam, pensam que também eles podem fazer o que bem querem e lhe apetece.
Quase que vislumbro a face de satisfação que os contestatários habitués expuseram quando tiveram conhecimento das atitudes de má educação desses tais alunos.
E os pais desses meninos, o que fizeram? Deram-lhes mais um telemóvel topo de gama?
Que nenhum professor tenha a ousadia de se vir queixar de que um qualquer aluno o tratou mal ou lhe fez algo até pior, porque perderam legitimidade para isso.
Quanto à Confederação de Associações de Pais e demais organizações de encarregados de educação, não sou capaz de entender o porquê de estarem calados, quando são os nossos filhos que estão em causa.
Quanto a Manuel Alegre, espero já há muito que ele deixe de estar "abrigado" pelo chapéu do PS.

11 de novembro de 2008

Tanta parra e afinal... pouca uva. De repente somos confrontados com algumas realidades que dificilmente podemos aceitar por parte de quem tem feito questão de se apresentar como um quase Robin Wood.
O CM noticiava hoje que um advogado de Lisboa tem o Bilhete de Identidade caducado há 13 anos, foi considerado contumaz há cinco e nunca abdicou de litigar em tribunal e que para não ser apanhado, tem-se feito representar por outros juristas, com a agravante de a Ordem dos Advogados (OA) conhecer o caso desde 2005, e nada ter feito até ao momento.
Mas não fiquemos por aqui.
Outro caso onde existem umas misturas algo esquisitas é igualmente descrito pelo CM.
Se a isto juntarmos o caso dos elementos da PJ que alegadamente bateram na mãe de Joana e o silêncio ensurdecedor que a OA tem mantido sobre o assunto, começo a ficar seriamente preocupado com a capacidade de intervenção da Ordem.

Dois elementos "feridos de morte". A partir da investigação dada a conhecer pela SIC ontem o ministro Manuel Pinho e o Presidente da Autoridade da Concorrência, Manuel Sebastião, estão chumbados definitivamente.

10 de novembro de 2008

No sábado houve manifestação de professores. Digam lá o que quiserem, mas ninguem me tira da ideia que o que se passa é que os professores não querem ser avaliados e mais, têm razão os que se queixam de que o Memorando não foi respeitado, mas claro é preciso mostrar que se tem força e capacidade de mobilização para se poder estar na calha para secretário geral da CGTP, mas claro isso são outras conversas.
Mas melhor do que isto são as novas manifestações.
Dois movimentos de professores mantêm a convocatória de uma manifestação para sábado, em Lisboa, contra o processo de avaliação e pela necessidade de pôr fim ao memorando de entendimento assinado pela Plataforma Sindical com o Ministério da Educação.
Percebemos bem.

8 de novembro de 2008

Ora toma. No "Expresso da Meia-Noite" o economista e vice-presidente do PSD António Borges fez questão de atacar Vitor Constâncio, como supervisor do sistema bancário, de atacar a nacionalização, e até de tecer algumas considerações sobre o sistema bancário.
Perdõem mas fico pasmo.
E sabem o porquê desta minha admiração?
Porque António Borges foi vice-presidente da Goldman Sachs Internacional desde 2000 até mais ou menos Junho de 2008.
Curiosamente a Goldman Sachs foi um dos primeiros bancos a receber o apoio do estado norte americano, já que foi um dos primeiros a declarar a incapacidade para regularizar os seus compromissos
Vale a pena continuar?

Boa parte dos factos foram dados como provados. "É evidente que houve entregas de dinheiro ao Futebol Clube de Felgueiras. Deu-se também como provado que existiram retornos da Resin para financiar a campanha do PS. Havia contratos simulados, ajustes directos, no trajecto passaram-se facturas falsas." Mas, no final, um ano e meio depois do julgamento começar, nada disto resulta em condenações.
Claro que estou a falar do caso de Fátima Felgueiras, onde a montanha pariu um rato com uma condenação de três anos e três meses de cadeia revertidos em pena suspensa e à perda de mandato, só que não aplicável para já.
Ou seja de recursso em recurso vai andar até às próximas autárquicas, sendo que ela vai ser candidata.
Claro que tudo isto se passa porque a justiça, e perdoem o pleonasmo, não é justa.
Se fosse justa, esta senhora tinha sido presa no Brasil e como havia perigo de fuga ficaria em preventiva e não tinha sido candidata.
Mas como vivemos num país de faz de conta tudo é possível.

Ainda pensei que Manuela fosse falar sobre o caso da Madeira e do BPN. Afinal enganei-me. Só disse que era melhor suspender o processo de avaliação dos professores. Pudera...

6 de novembro de 2008

Todos nós já sabíamos que o poder instituído na Madeira não convive bem com a democracia. Especificando melhor: o PSD-M não foi feito para viver em democracia.
E o pior disto tudo é que nós somos culpados porque qualquer coisa que aconteça na Madeira só recebe da nossa parte um sorriso e um encolher de ombros.
Da parte do PSD nacional existe uma subserviência confrangedora.
Da parte do Presidente da República existe uma aquiescência que dá pena.
O Governo tentou impor algumas regras, pelo menos no campo económico, e foram apelidados de malandros, de vingança política, cubanos, «barata mentirosa», «intuitos ditatoriais», «Mugabe da Europa», etc., etc..
Que a atitude do deputado do PND deixa muito a desejar todos nós sabemos, mas daí a impedir a sua entrada no Parlamento Regional, retirar-lhe a imunidade, suspender o mandato, enfim as atitudes ditatoriais do costume.
Andou mal Ferreira Leite ao falar de falta de liberdade nos Açores. Espero que agora corrija as coordenadas que são 16° 16' 30'' W e 17° 16' 38'' W, localiza-se entre os paralelos de 32° 22' 20'' N e 33° 7' 50''.
De revelação em revelação até ao esclarecimento total, pelo menos espero e desejo.

O presidente da Associação Nacional de Sargentos acusou as chefias militares de ignorarem o mal-estar nas Forças Armadas, sendo por issso que ele, Lima Coelho, está a apelar aos militares para faltarem ao almoço de hoje nos quartéis. O objectivo é dar a entender aos responsáveis que há matérias que não podem ser tratadas com «ligeo barireza».
Não sei se os militares faltaram ou não ao almoço ou se somente não foram à messe e optaram por umas sandes no bar.
O corporativismo sempre foi mau conselheiro.

5 de novembro de 2008

A saga continua. Diz o povo que quanto mais se mexe na trampa, mais ela cheira mal. Nada melhor se poderia aplicar ao caso BPN. Só que neste caso ainda bem que se mexe.
A ser verdade a notícia que tem hoje honras de primeira página do DN ficamos a perceber o porquê de a nacionalização não ser bem vista.

Este caso do BPN merece uma reflexão mais cuidada e até mesmo acutilante.
O negócio dos bancos é tão só o de recolher poupanças e emprestar dinheiro. Tudo o mais que possamos constatar faz parte de outro negócio que não o bancário. (ver história aqui)
Talvez seja por isto mesmo que se dizia que os banqueiros nunca foram muito ricos e sempre que o foram foi com outros negócios que não a banca.
O negócio dos bancos era pago com a margem de lucro (hoje designada como spread). A revolução bancária e tecnológica na década de oitenta e a revolução da internet e da globalização na década de noventa do século passado e especialmente a necessidade política de resolver o verdadeiro conflito social que é a luta de classes, a moda do acesso ao crédito e à propriedade, este sim verdadeiro detonador das classes médias ocidentais, expansão do crédito como fundamento do desenvolvimento, obrigou que os bancos crescessem e a multiplicassem o número de balcões.
Mas este crescimento e multiplicação trazem o reverso da história: - aumentam os custos e diminuem as margens.
Ora assim sendo não há negócio que resista.
Mas o que era impensável sucedeu. O negócio resistiu.
Só que resistiu à custa de operações de resseguro, trading e financiamento internacional.
Daqui à especulação foi uma viagem muito pequena.
Claro que nem todos perderam com este imbróglio fantástico, houve mesmo quem ganhasse.
Ganharam as classes trabalhadoras, que passaram a deter capital e passaram a ser proprietárias, nomeadamente de habitação própria.
Ganharam as instituições financeiras e os seus accionistas.
Ganharam os Estados e as elites que os dominam por via fiscal, pois recolheram sempre cerca de 45% do movimento em impostos, engordando assim os cofres públicos e os orçamentos.
A morte estava pré-anunciada. Só não via quem não queria.
E foi essa não visão, ou o controlo, que fez o resto.Agora o problema do negócio era já um problema de liquidez, que os governos tentaram resolver, ora isolando os créditos tóxicos, ora reforçando com avales a capacidade de endividamento das instituições e finalmente recorrendo à nacionalização, total ou parcial, das instituições bancárias.
Mas seja de que maneira for a partir de agora nada será como dantes e a prová-lo está a nacionalização de um banco em Portugal 33 anos depois da onda nacionalizadora e já com a democracia se não consolidada num todo pelo menos em parte.

Os estudantes do ensino básico e secundário realizam hoje um Dia Nacional de Luta, com manifestações um pouco por todo o país contra o novo regime de faltas e a criação da figura do director nas escolas.
Lamentavelmente continua a instrumentalização dos meninos.
Depois admiramo-nos da pobreza académica que por aí grassa.

4 de novembro de 2008

Ontem ouvi Miguel Cadilhe tecer críticas quer ao Governo, quer ao Banco de Portugal.
É verdade que o BdP não está isento de críticas, mas nas afirmações de Cadilhe nota-se que este ainda não se esqueceu do episódio do BCP. O mesmo se passa com Bagão Félix. As suas declarações ontem na SICNotícias provam o ódio de estimação que nutre por Constâncio.
Quanto ao Governo Cadilhe não tem razão.

Ainda sobre o panorama bancário nacional, convém não esquecer que Vítor Constâncio disse ao "Expresso" que havia dois bancos em dificuldade.
Um a gente já sabe. Talvez seja interessante não permitir que o outro chegue ao descontrolo deste.

Já aqui disse que a Ordem dos Advogados vai sair suja deste processo e mais, os advogados vão cair no ridículo.
Onde está Marinho Pinto, o defensor dos fracos e oprimidos?
As declarações do advogado da mãe de Joana são ou não suficientes para que lhe seja movido um processo disciplinar.
Como é que é possível que Rodrigo Santiago continue a pactuar com esta farsa?

3 de novembro de 2008

Ontem enquanto o Estado olhava para os depositantes do BPN, os administradores e investidores estavam de boquinha fechada.
Hoje, como a coisa estava segura, vai de desancar a acção governativa.
É preciso ter desfaçatez.

Parece que o líder da bancada do PSD disse nas jornadas parlamentares que o projecto do PS é o "capitalismo de Estado" ou "neo-socialismo", que desqualifica progressivamente a democracia, pelo que o seu partido se oporá a esse caminho.
E que tal começar por se opor a que o Estado limpe a barra ao banco do PSD.
Voltando ao BPN. Será possível que o Estado vá indemnizar os accionistas? Mas o Estado vai indemnizar aqueles que se encarregaram de promover maus negócios e/ou negócios escuros. Lamentavelmente tenho sérias dúvidas se alguém vai ser castigado como merecia (tomemos o exemplo do BCP).
O que acaba por acontecer é que vamos ter de pagar as asneiras que os administradores e accionistas andaram a fazer. Sim não tenhamos dúvidas que o BPN vai ser dissolvido na Caixa Geral de Depósitos, já que os privados não querem saber do BPN para nada.
Mas este caso traz a reboque mais algumas inquietações que é preciso salientar.
Primeiro. O Banco de Portugal, como entidade reguladora do sistema bancário, não está isento de culpa de tudo isto, como já não esteve no BCP. O cidadão comum que acompanhasse as muitas notícias que iam sendo publicadas nos jornais facilmente constatavam que algo de anormal se passava. Ao que parece, no meio bancário as desconfianças eram certezas.
Por isso, bem pode Vítor Constâncio dizer o que quiser que inocência não é uma capa que lhe assente bem.
Segundo. Estamos perante um problema financeiro ou político? Sim porque é preciso que exista coragem e tal como se falou no caso de Carlos Santos Ferreira, por ser apoiante do PS, é preciso dizer que o BPN está ligado aos sociais-democratas.
Terceiro. Eu percebo que o Estado pretendeu proteger os depositantes, mas não percebo o porquê de só nacionalizar o BPN e não a Sociedade Lusa de Negócios que é a detentora do banco, aliás os administradores e os accionistas são os mesmos. Mais, a SLN tem outros valores que podiam minimizar o buraco, como é o caso da Real Seguros. Então porquê ficar fora deste negócio.
Aqui fica mais alguma prosa que pode ajudar a esclarecer tudo isto.
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/nacional/empresas/pt/desarrollo/990779.html
http://www.bolsatotal.com/archive/index.php/t-14343.html
http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/fsd7034.pdf
http://arrastao.org/sem-categoria/a-eminencia-parda-de-um-pais-que-se-devia-chamar-sociedade-lusa-de-negocios/
http://www.portugaldigital.com.br/noticia.kmf?noticia=5627317&canal=159
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/financas/pt/desarrollo/1154905.html

Este é que anda mesmo por aí e de língua afiada.

2 de novembro de 2008

Lá vamos nós pagar os dislates de uns quantos ex-ministros e secretários de Estado que foram colocados a gerir o BPN.
Se quisermos ser mauzinhos podemos dizer que está à vista o porquê de Cadilhe ter ido buscar o homem que na CMVM investigava o BPN.
Para os mais esquecidos aqui fica um pequeno registo histórico
http://www.ahbva.pt/default.asp?news=250&searchText=dn
http://www.bpnbrasil.com.br/Apresentacao/ApresPortugues1712.pdf
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=296505
http://ww2.publico.clix.pt/print.aspx?id=1318287&idCanal=undefined
http://pontedosor.blogspot.com/2008/06/ladresfinos.htmle
Ficávamos aqui até de manhã e não daríamos conta de tudo.
Se quiserem peguem nos nomes que vêm na notícia do Público e façam uma pesquisa e vejam quem foram e quem são.
Apesar de tudo compreendo e aceito a resolução do Governo.

Não acham melhor pedir ao José Gomes Ferreira da SIC para dar umas aulas de economia ao Prof. Marcelo Rebelo de Sousa? É que assim as gaffes não eram tantas.
Ah... e já percebemos o assunto do Santana, tá na cara que o prof. é contra eo resto são tretas.

1 de novembro de 2008

Tinha de vos falar do tal ranking das escolas. Todos os anos somos confrontados com rankings que mais não fazem senão enaltecer as virtudes do ensino privado e deitar por terra o ensino público e curiosamente encontramos alguns docentes que leccionam no público a acompanhar e até mesmo a corroborar este bota-abaixismo.
Não sei se enaltecer o privado e escorraçar o público fará parte de alguma estatégia ou se será tão só uma qualquer demência.
O lamentável de tudo isto é que se analisarmos esta tão propalada lista verificamos que nos lugares cimeiros estão estabelecimentos que "vendem" formação por preços altíssimos, logo onde só pontuam pessoas com elevadas posses, mais um dos estabelecimentos dos lugares cimeiros pertence a uma determinada congregação religiosa que tem mais estabelecimentos, só que não figuram nos lugares cimeiros. Por que será?
Porque neste vende por preços altissímos e nos outros aluga ao Estado por preços bem inferiores. Explicitando: no que está nos lugares cimeiros são os filhos das famílias que podem comprar a formação, nos outros dois os utilizadores são famílias de menores recursos e que recebem subsídio do Estado.
Chocados?!
Não, já que era disto que estava à espera.
Chocados com a palavra vender?
Não sei porquê? Não estamos perante uma empresa privada que tem por finalidade o lucro? Então chocados porquê?
Talvez por isso, o melhor é mandar os rankings às urtigas e preocuparmo-nos seriamente com uma formação académica como deve ser.

Ainda no campo do ensino. Vai haver nova manifestação dos professores. Lamentavelmente os professores continuam a dar tiros nos pés. O memorando assinado pressupunha a existência de avaliação e atenção que o memorando foi mesmo assinado. Pior do que isso, ninguém percebe a recusa em serem avaliados como qualquer outro profissional.
Por muitas voltas que possam dar ao texto, será sempre e tão só uma manifestação contra a avaliação.

As autárquicas continuam a colocar o PSD em bolandas. Como se já não fosse suficiente a guerra Santana versus Marcelo/Pacheco, junta-se agora ao triunvirato Pedro Passos Coelho. Carreira deve estar furibundo e Ferreira Leite tomou por certo mais um Prozac. O tio Ângelo Correia continua bem como sempre. Aprendam enquanto o "velho barão" dá aulas gratuitas.

30 de outubro de 2008

Então não é que um senhor militar na reserva veio avisar que a nossa democracia pode estar em perigo por causa de jovens militares.
Para mim, mais do que um aviso, trata-se de uma ameaça e eu não gosto de me sentir ameaçado, posso mesmo dizer que detesto.
Mais, é preciso que o referido senhor, porque diz que sabe, explique bem estes avisos(ameaças).
Que saudades de Salgueiro Maia, Melo Antunes e tantos outros. A propósito recomendo para ler ou reler Melo Antunes, o sonhador pragmático.

Finalmente... As motas vão ser submetidas a uma inspecção obrigatória semelhante à que já existe para os automóveis. A proposta do Governo deverá entrar em vigor em Junho do ano que vem e deverá atingir cerca de 400 mil veículos. Talvez se acabem aí alguns artistas que mais não são do que perigos para a humanidade.

E agora como fica a Ordem dos Advogados? O caso das alegadas agressões à mãe da pequena Joana por parte de elementos da PJ que corre os seus termos no Tribunal de Faro, arrisca-se a ficar para a história. Segundo as notícias, ainda não existiu uma sessão que não ficasse pautado pelas contradições de Leonor Cipriano. Mas a grande bomba está no 24 horas de hoje. Julgo que estão reunidas as condições para o sr. Bastonário apresentar desculpas e chamar a contas o advogado da acusação.

Não aceito, é imoral. A proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2009 propõe que as empresas que não entreguem o IVA ao Estado dentro do prazo legal sejam punidas, independentemente de ainda não terem recebido dos seus clientes. Dizem que esta norma surge com o objectivo de contrariar recentes decisões dos tribunais que, face à legislação em vigor, entendiam que o fisco não podia "multar" os contribuintes que se recusavam a entregar o IVA por não terem recebido dos seus clientes.
Lamento mas não aceito. É uma norma imoral. O Estado chama para si uma verba que ainda não lhe pertence na realidade.
Talvez que se o OE09 consignasse uma norma intermédia, não me causasse tanta contestação. Talvez que se o Estado quisesse receber um terço ou mesmo a metade que fosse da verba do IVA fosse mais fácil de entender,
A continuar assim estamos perante uma norma preversa.

28 de outubro de 2008

Expliquem com calma. Aquando do último acidente na Linha do Tua foi aventado que algo de estranho se passava porque desde que se começara a falar das barragens começaram os acidentes e que neste caso o acidente ainda era mais estranho já que a carruagem tinha sido inspeccionada no dia anterior e que se tratava de um troço sem problemas.
Mais estranho se torna quando as "desconfianças" não se limitam a ser enunciadas pelos utentes e demais população, mas por outros responsáveis.
Afinal o relatório diz algo bem diferente.
O relatório final sobre o último acidente na Linha do Tua aponta para falhas na automotora, que não será a indicada para a linha em causa e também para a falta de manutenção da via.
A ser assim, não será verdade que a automotora tenha sido inspeccionada e que a via seja igualmente vistoriada, isto pelo menos nas devidas condições.
Talvez seja interessante passar em revista todas as declarações dos diferentes responsáveis, nomeadamente do presidente do Metro de Mirandela. Não me admiraria que escutássemos declarações contraditórias, mas isto sou a pensar.
A quem interessar aqui fica a página onde encontramos os relatórios produzidos: http://www.moptc.gov.pt/

Já que estamos em maré de explicações... Também gostaria que me explicassem o verdadeiro sentido do aumento do preço do pão quando a farinha e demais cereais descem; do aumento do arroz quando o preço desce e já agora o porquê do preço do leite e da carne não descer, já que eles desceram no produtor.

E ainda falam do Governo?! Eu assumo qualquer das funções por metade do ordenado.

23 de outubro de 2008

Não sou anão, mas também não sou parvo. No post de hoje tenho de regressar a Manuela Ferreira Leite, e não o faço por gosto de estar sempre a bater na senhora, mas não há menor dúvida que ela põe-se mesmo a jeito.
Ontem no Porto e quando pretendia responder ao ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse tão só isto acerca do crescimento de 0,6% previsto no OE09: “não temos aqui nenhuma característica endémica que faça com que o país não cresça. Não somos propriamente anões, daqueles que por mais que se faça não crescem. Mas não podemos crescer de certeza absoluta se nos dão um alimento que não faz engordar, faz só emagrecer”, ou seja que é possível crescer acima dos ditos 0,6%.
Primeiro não percebo a mistura de anões com emagrecimento ou com o engordar.
Segundo a utilização da figura do anão não fica bem.
Terceiro e último, não foi esta mesma senhora que disse na entrevista à TVI na segunda-feira "por uma questão de segurança dificilmente admito que o crescimento possa ser muito superior a 0,2, nunca andará muito longe disso, 0,3 no máximo".
Atenção que esta alteração de posição teve um dia de intervalo.
Assim, estamos bem lixados.

22 de outubro de 2008

Hoje a grande bronca situou-se na Lei de Financiamento dos Partidos (Lei 19/2003). Ora acontece que na pág. 207 da Proposta de Lei do Orçamento de 2009 vem consignada uma alteração ao artigo 7.º da Lei 19/2003 (a alteração não é só no 7.º, é também no 3.º, 5.º, 6.º, 16.º, 17.º, 19.º 20.º, 29.º e 30.º).
É verdade que o legislador deixou cair a expressão "são obrigatoriamente titulados por cheque ou transferência bancária", o que convenhamos não é muito curial.
É sabido por todos que existe legislação do Tribunal Constitucional que veda a entrega de dinheiro em numerário.
Eu percebo que se pretendeu alterar a questão do Salário Mínimo Nacional (SMN) para passar a ter como referente o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), sei da imposição do tribunal Constitucional e sei do articulado do artigo 3.º, mas também acho que talvez fosse de bom tom proceder à alteração do articulado para o que inicialmente existia.
A não acontecer podemos cair numa lei confusa, controversa e passível de várias interpretações.
Para quem tiver interesse pode também consultar os outros documentos do Orçamento aqui.

Fiquei hoje a saber que os estudantes do ensino básico e secundário vão promover um dia nacional de luta a 5 de Novembro contra o novo modelo de gestão das escolas e contra o estatuto do aluno.
Basicamente as críticas vão direitinhas, na questão do estatuto, para o regime de faltas. Os estudantes não aceitam que terão de realizar uma prova de recuperação quando atingirem um número de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo, ou o triplo de tempos lectivos semanais por disciplina, nos demais ciclos; ou quando as faltas são injustificadas, atinja um número total de duas semanas para o 1.º ciclo ou o dobro dos tempos lectivos semanais para os restantes, sendo que se o aluno passar retoma o seu curso, se chumbar fica retido.
Na questão da gestão escolar, os alunos recusam a substituição dos conselhos executivos por um director com poderes reforçados.
Sobre isto tenho a dizer que lamento que o estatuto do aluno os obrigue a fazer uma prova. Para mim chumbavam por faltas e ponto final. Já no que respeita ao director, é uma lei que peca por tardia.

21 de outubro de 2008

Hoje apetece-me falar não especialmente do PSD, mas antes de um dos vice-presidentes de seu nome António Borges.
Para quem não sabe ou simplesmente se esqueceu, este senhor ocupou entre 2000 e 2008 o cargo de vice-presidente do banco de investimentos Goldman Sachs International, ou seja um dos que estão em situação catastrófica e um dos que distribuiu somas astronómicas aos seus altos dirigentes.
Deixo aqui alguns textos para que possam aquilatar a coerência dele.

http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324083
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=364007&visual=26&rss=0
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=22CD7042-BB6E-420C-A2CD-87309E6FE6A1

Se algum dia chega ou ao Banco de Portugal, tal como é seu desejo, ou a ministro das Finanças, bem podemos fugir.
E mais, leiam o que ele diz agora, com a certeza de que é contra a intervenção do Estado na economia.
Se não fosse o Estado a intervir no Goldman e noutros bancos de investimento eu queria-me rir.

Ontem falei da noite dos facas longos, mas acreditem que agora, e em face da entrevista de ontem à TVI, eu percebo o porquê do PSD querer deitar por terra Manuela Ferreira Leite. Até Pacheco Pereira seu apoiante inquestionável, deve ter dado saltos no salão da Marmeleira. Enfim, é a vidinha...

20 de outubro de 2008

Ontem foi dia de eleições nos Açores. Pelo que se depreende das palavras dos dirigentes dos vários partidos, todos venceram.
Ainda bem, assim ficam todos satisfeitos, até a abstenção.
Extrapolar resultados para o Continente é algo que, como Ferreira Leite, também não faço.
Mas também não vou para os Açores fazer campanha contra o Governo do Continente e ela vai. Não vou para os Açores falar de falta de liberdade quando ao lado o meu companheiro de partido é o mais anti-democrata possível, mas ela vai. Feitios e ... incoerências.

Li uma entrevista de João Salgueiro ao Correio da Manhã de ontem e fiquei pasmo. Então não é que ele disse que nunca houve lucros fabulosos na banca!?
Quem é que se pode esquecer dos anúncios de somas fabulosas nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007. Basta ler os relatórios trimestrais.

Manuela Ferreira Leite, caso se confirme a escolha de Santana Lopes para candidato à Câmara de Lisboa, arrisca-se a integrar a lista de ginastas que irão aos próximos Jogos Olímpicos, já que duvido que encontrem alguém melhor do que ela a fazer flic-flac à rectaguarda.
Para quem só votou Sanatana Lopes porque no boletim de voto estavam as setas do PSD e não o nome de Santana, ter de o ir buscar para candidato à Câmara é um hara-quiri político.
Mas este é tão só um dos problemas, já que o outro se prende com o cerco que alguns notáveis do PSD lhe estão a fazer.
Até pode ser que cada notável esteja a promover o seu cerco, mas não parece. Não acredito que, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa esteja moncomunado com Luís Filipe Menezes, mas até parece que há uma estratégia comum para deitar abaixo Manuela Ferreira Leite. Na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que os portugueses querem "que Manuela Ferreira Leite fale da crise" e "dê confiança", acrescentando que, na sua opinião, a líder do PSD devia convidar José Sócrates "a conjugar esforços com os partidos da oposição", mostrando a disponibilidade do PSD, "já que o primeiro-ministro não tomou a iniciativa e quis a bola só para ele". O professor referiu, ainda, que Ferreira leite não contava com uma crise desta dimensão e o resultado de uma recusa em adaptar essa estratégia vai ver-se nas sondagens: "Os portugueses confiam mais em José Sócrates, porque não se pode confiar em quem está ausente". Recorde-se que as últimas sondagens deram o PS, de novo, no limiar da maioria absoluta, depois de uma queda acentuada nas semanas anteriores ao deflagrar da crise mundial. Estas críticas de Marcelo surgiram na sequência de um discurso de Ferreira Leite, que o grupo especial de Ferreira Leite tinha considerado uma intervenção de fundo notável. Mais, as declarações de Marcelo caíram tão mal que veio de imediato o vice-presidente laranja Paulo Mota Pinto acusar o comentador de estar mal informado. O habitual comentário de Marcelo Rebelo de Sousa num jornal semanal de que a aceitação de Santana Lopes como candidato a Lisboa foi mais um erro de Ferreira Leite também caiu como uma bomba, em grande medida porque quinze dias antes tinha sido o próprio Marcelo a dar sinais de incentivo ao avanço de Santana. E se tivermos em conta que ontem voltou a "elogiar", na RTP, e face ao contexto, essa mesma escolha, e se ainda contabilizarmos as movimentações de Jardim, Santana, Menezes e Passos Coelho percebemos que a noite dos facas longas pode estar próxima.

17 de outubro de 2008

Que engraçado. O PSD perdeu-se em deambulações técnicas sobre o Orçamento sem ter tempo para o analisar. O simples desejo de se perpetuar à frente do partido e o desejo de união é tão grande que qualquer forma de se impor é válida.
Mas não se pode aproveitar o Orçamento para resolver questiúnculas internas. Trata-se de um assunto demasiado sério.
Por outro lado, sempre que se critica é porque temos capacidade, ou pelo menos temos maneiras diferentes e mais vantajosas de fazer.
Ora não é este o caso em apreço. Manuela Ferreira Leite não só não tem ideias para fazer melhor, como não tem ideias para fazer diferente em tempo de crise como é o que vivemos.

Pacheco Pereira anda triste. Já não bastava o PSD e Ferreira Leite estarem mal nas sondagens, como ainda e ao que parece a líder do partido, que ele apoiou de forma categoria, vai apoiar Santana na corrida a Lisboa.
Ou Pacheco perdeu a importância que tinha ou Manuela quer salvar a face com a autarquia de Lisboa

16 de outubro de 2008

Porque ainda não dissequei toda a proposta de OE2009 sou obrigado a adiar os meus comentários. Entretanto, e porque faz bem desanuviar a alma, aqui vos deixo o Programa Eleitoral do Partido Democrático do Atlântico para concorrer às eleições regionais de 19 de Outubro próximo.
Leiam e deliciem-se. Quais Gato Fedorento, qual quê? PDA é que está a dar.
Chamo a especial atenção para a pág. 5 (vadiagem); pág. 7 (campo discente e mentalidades); pág. 8 (educação sexual) entre outras peças.

Já leram a Sábado de hoje? Pacheco Pereira não se conforma com a não capacidade do PSD ser alternativa e vai daí... é só descascar.

14 de outubro de 2008

Vamos lá falar do Orçamento. É hoje entregue o Orçamento de Estado para 2009. Importa desde já salientar que se não fosse o grande aperto que tem sido feito, o combate feito ao deficit, a organização parcial das contas públicas e bem que estaríamos tramados mais do que já estamos.
Mas sobre o Orçamente propriamente dito e em especial sobre as novas soluções para reduzir os encargos com a prestação da casa, fico com a sensasão de que os grandes beneficiados (mais do que as famílias propriamente ditas) vão ser os bancos, as construtoras e as imobiliárias.
Eu percebo que importa dinamizar a economia e que quer os bancos quer as construtoras, são partes da economia que não podem ser desprezadas, mas...
É este mas que me preocupa.
É ou não verdade que os bancos sempre apresentaram resultados loucos para um país tão pequeno como o nosso (28/10/05 e 12/12/06 por exemplo)?
Para onde foram esses lucros todos?
Para além disso e mais uma vez é o incumpridor que sai beneficiado.
Estou à espera do Orçamento ser tornado público para o analisar de alto a baixo, mas desde já digo que não concordo com a ideia de os arrendatários terem um dedução quase tão grande como os que pagam as suas prestações por aquisição de casa própria.
É preciso não esquecer que quem compra tem mais despesas e paga mais impostos que quem aluga por isso essa equivalência não está correcta.
Esta é a primeira abordagem ao OE 2009, mas vai haver outras.

13 de outubro de 2008

Que engraçado! A líder do maior partido da oposição vai discutir a crise económica e financeira para Bruxelas na mini-cimeira de líderes do Partido Popular Europeu.
Que porreiro, vai falar lá para fora, mas aqui está de bico calado.
Por muito que me custe sou forçado a apoiar Rebelo de Sousa nas suas últimas críticas à líder do PSD.

Este fim de semana ocorreu mais uma peregrinação a Fátima. Já anteriormente referi qual é a minha relação com a Igreja, sendo por isso escusado repetir tudo de novo.
Talvez esta minha relação me deixe mais à vontade para ver o outro lado das coisas, e sendo assim não posso deixar em claro as declarações do bispo de Leiria-Fátima.
D. António Marto defendeu a revisão "dos sistemas de remuneração e gratificação dos dirigentes de instituições financeiras" que, no seu entender, "contribuíram para a actual crise financeira mundial", tendo apelidado de "verdadeiramente escandalosos" estes sistemas, e desafiou a sociedade a interrogar-se "sobre as práticas especulativas que visam a rentabilidade máxima a curto prazo".
O prelado referiu ainda que "o mercado financeiro, através de investimentos socialmente responsáveis, deve ser reorientado para o serviço de uma economia produtiva, que tenha em conta as exigências ambientais".
Curiosamente até podemos dizer que o bispo até tem alguma razão. Basta pensar no que aconteceu na seguradora AIG e no banco Fortis.
Na primeira, e após o governo americano ter injectado dinheiro para salvar da falência, alguns dos seus executivos gastaram centenas de milhares de dólares num SPA de luxo na Califórnia, tendo a factura, paga pela AIG, chegado aos 330 mil euros em alojamento, partidas de golfe e massagens.
Já o segundo, o Fortis, e pouco tempo depois de o BNP Paribas o ter resgatado também da falta de liquidez, achou por bem organizar um evento gastronómico num dos melhores restaurantes do Mónaco. A factura foi de 150 mil euros por um pequeno-almoço para 50 pessoas no Hotel de Paris Monte Carlo, ou seja, três mil euros por pessoa.
Mas voltando ao prelado, sempre posso dizer que embora possa ter alguma razão, não tem autoridade moral.
Quem é que não se lembra do escândalo protagonizado por Paul Marcinkus qundo esteve à frente do Banco Ambrosiano?
Quando é que alguém ouviu uma palavra da Igreja sobre o BCP quando o seu líder era conotado com a prelatura do OPUS DEI?
Está ou não a Igreja e as empresas que gravitam em seu redor isentas de IVA?
Podemos ficar por aqui.

Sobre o Orçamento, falarei amanhã.

9 de outubro de 2008

Parece que adivinhava. Não estava à espera que, por o BCE ter descido a taxa directora, a Euribor descesse no imediato, mas pelo menos não subia.
Engano o meu - ou não - a Euribor subiu hoje mesmo.
Algo me diz que para o ano ainda andamos a solicitar à Autoridade da Concorrência pareceres e estudos sobre a não descida da Euribor.

Falemos de habitação social. Muito se tem falado sobre a distribuição de casas da Câmara Municipal de Lisboa. Sem querer desculpar a actual vereadora Ana Sara Brito, até porque continuo a pensar que a ética tem de ocupar uma posição suprema, e neste caso a ética está ferida de morte.
Mas isto não significa que esteja de acordo com a transformação de Ana Sara Brito no bode expiatório supremo da questão.
Importa que todos nós saibamos quem são os que usufruem desta situação para que possamos aquilatar da justeza ou não da distribuição. Essas casas são feitas com o dinheiro de todos nós, logo temos o direito de ser parte interessada, para além ter de ser um processo público e límpido.
Para além da limpidez terá de haver um aperto relativo às condições necessárias para usufruirem de tal benesse.
Temos de saber que as casas não são para realugar, que a quem são atribuídas não voltam às barracas para poder depois candidatar-se a outra. As casas devem ser inspeccionadas por pessoal da Câmara para se poder aquilatar de como estão a ser tratados os imóveis, a questão das rendas, ... isto entre muitas outras coisas claro.
Fingir que não existiram anomalias no passado é não querer ver a realidade e isso é pretender manter tudo na mesma.

8 de outubro de 2008

O calibre desta gente. O Banco Central Europeu reduziu a taxa de referência para a Zona Euro em 50 pontos base, ou seja, dos 4,25% para os 3,75%.
Numa primeira apreciação apetece dar pulos de contentamento.
Numa segunda apreciação apetece-me esganá-los.
Enquanto as famílias foram gritando o senhor Trichet e os seus compinchas estiveram surdos e só pensaran na inflação. Agora que o sistema bancário está de pantanas e os senhores administradores a ficarem sem ordenados e indemnizações, o sr. Trichet manda às urtigas a inflação e já desce o juro.
Fico a aguardar quais são os reflexos na euribor.

Portugal lá reconheceu a independência do Kosovo, aquele país que decidiu autoproclamar-se independente e que tem o apoio americano e dos senhores da alta finança, vá lá a gente perceber o porquê.
Vejam o novo país e percebam como é que é possível. Mergulhem na economia e já entendem a voracidade de uns quantos.
Não deixa de ser curioso o nosso reconhecimento, especialmente numa altura em que já se sabia que a Assembleia Geral da ONU iria solicita (como solicitou hoje) ao Tribunal Internacional de Justiça um parecer sobre a legalidade da declaração de independência do Kosovo.
Mas claro isto sou eu a pensar.

6 de outubro de 2008

Gostei de ouvir as palavras da ministra Ana Jorge a propósito da polémica das piscinas. É um assunto demasiado sério para ser aproveitado pela política e saliente-se que neste aspecto Macário Correia não esteve feliz.

Eu fico pasmo. O Movimento Esperança Portugal (MEP) afirmou-se ontem disponível para integrar um governo, no futuro. O partido liderado por Rui Marques, que este fim-de-semana reuniu pela primeira vez em congresso, estabeleceu como objectivo eleger "dois a quatro deputados" em 2009. "Na oposição iremos ser construção. Dessa forma consolidaremos a nossa capacidade de intervenção política e preparar-nos-emos para outras responsabilidades no futuro, nomeadamente a responsabilidade de governar", afirmou Rui Marques, na apresentação da moção de estratégia para 2009 aos congressistas que se reuniram na Ericeira.
Se não vivêssemos um período demasiado sério, apetecia-me dizer que estava perante uma ópera... mas bufa.

A crise financeira que assola quer a América quer a Europa poderia servir para, no caso do velho continente mostrar que existe união e que a União Europeia é mais do que um conjunto de normas ditadas por uns quantos burocratas.
Mas claro, com esta minha boa fé não vou longe.
O que é que aconteceu?
Os franceses convidaram os italianos, os ingleses e os alemães para uma cimeira por forma a estudar o problema, que é geral.
Cúmulo dos cúmulos: Durão Barroso esteve presente.
Desculpem, mas este nã foi o espírito de Jean Monet e Schuman, quando criaram a Europa Unida.

5 de outubro de 2008

Hoje comemora-se a implantação da República. É importante que não nos esqueçamos nunca desta data já que ela, conjuntamente com o 25 de Abril, são as datas definidoras do nosso ser como povo e nação.

Para quem deseja saber mais sobre a matéria aqui ficam alguns links importantes: http://lmf.di.uminho.pt/~lsb/lena/historia/5out.html; http://pt.wikipedia.org/wiki/Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_Portuguesa.

a foto pertence a http://postaisportugal.canalblog.com/albums/portugal____evenements/m-Jun12516.JPG.

Olhando ainda para o feriado, mas especialmente para o discurso de Cavaco Silva, podemos confirmar o que eu já tinha avançado aqui acerca do relacionamento entre o Governo e o PR: terminou. Se escutarmos o discurso veremos que Cavaco Silva fala do momento difícil que estamos a viver, mas não tem uma palavra de incentivo para o Governo, antes pelo contrário. Este facto deixa-me perplexo até porque Sócrates já fez a inflexão do discurso - que se impunha, acrescente-se -o que pressupõe um combate por parte de todos contra esta hecatombe que se abateu sobre nós. E foi pena que o presidente não tivesse aproveitado o discurso para mostrar que o lamentável caso protagonizado por ele próprio e por Ferreira Leite acerca do Kosovo, não tinha passado disso mesmo: um caso lamentável.

Pacheco Pereira foi atacado por uma terrível falta de memória. Sobre o caso das habitações sociais da câmara esqueceu-se de referir no seu artigo da revista Sábado um elemento igualmente fundamental de seu nome Lipari. Será por este ser do PSD? Estou em crer que não, mas...

3 de outubro de 2008

Também é culpa do Código? Audrey Villegente, 27 anos, foi sentenciada a cumprir 20 anos de prisão pelo Tribunal de Albufeira porque atirou a filha recém-nascida ao mar. foi condenada pelo Tribunal de Albufeira a cumprir 20 anos de prisão pelo homicídio, no entanto viu a pena ser reduzida para 4 anos pela Relação de Évora, noticia hoje o Correio da Manhã.
Mas porque a Relação de Évora concordou com a tese de defesa de «infanticídio cometido sob influência perturbadora do parto», para além de considerar atenuante o facto de a mulher ter sido vítima de abusos sexuais na infância decidiu reduzir a pena para 4 anos.
As atenuantes valeram-lhe menos 16 anos... espectáculo
O facto da bebé ter sido atirada ao mar, dentro de um saco do lixo, uma hora depois de ter nascido e a autópsia ter revelado que a menina sobreviveu oito horas, o que significa que viveu sete horas fechada num saco de plástico no mar, nem sequer colheu como agravante.

E aqui não digam que é o Código, digam antes que aculpa foi de quem o sentenciou só com cinco anos por violação de uma sobrinha-neta de 12 anos.

Manuela Ferreira Leite enganou-se no avião e na vez de ir aos Açores ajudar na campanha eleitoral enganou-se e aterrou no Funchal.

2 de outubro de 2008

A taxa do nosso descontentamento. É verdade, a taxa euribor continua a torrar a paciência e o dinheiro daqueles que decidiram comprar habitação com recurso a crédito bancário.
E se falo hoje e aqui nesta matéria é porque me parece que na taxa vai acontecer o mesmo que com o petróleo. O petróleo desceu, mas os combustíveis não desceram. A taxa de juro do BCE mantém-se, mas a taxa euribor agravou-se. Será que quando a taxa do BCE descer a euribor também descerá?

Já se sabia que Manuela Ferreira Leite alinha as suas declarações pelas de Cavaco Silva, mas que o alinhamento ia até à independência do Kosovo...

1 de outubro de 2008

Hoje é dia de greve na função pública. Hoje é dia de guerra de números entre a CGTP e o Governo.
Não estando em causa o direito à greve e muito menos à contestação, sempre gostaria de saber o motivo porque o Sindicato dos Ferroviários está em greve? É por pertencer à CGTP ou por fazer parte de uma empresa que nós pagamos princepescamente e que dá sempre prejuízos.
As indemnizações que são entregues a título compensatório poderiam ser aplicadas por exemplo na educação ou no aumento das reformas.
Como este outras situações existirão.
Mas este é o país que temos e provavelmente o que merecemos.
A Federação dos Sindicatos da Função Pública pode se ir entretendo nestas acções de luta, sendo certo que no dia em que os trabalhadores do privado estiverem fartos de contribuir acabará de imediato alguma desta comédia.

Uma boa notícia. A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra inaugurou esta semana a Biblioteca Digital de Botânica (BDB/FCTUC), que permite percorrer cerca de 2.500 títulos e fazer o descarregamento integral de livros e outras publicações. É este o endereço.

Mas também há notícias beras. A partir de hoje acabou a grande bandeira da FNAC: o desconto de dez por cento, também conhecido por "preço FNAC" em todos os livros. A partir de agora só para quem tem cartão de cliente.
Claro que o grupo pode adoptar a política de preços que quiser e que lhe seja mais conveniente. Não pode é, como justificação desta sua atitude, dizer que isto se deve ao facto de a concorrência ter começado a fazer o mesmo.
Nem toda a gente é burrinha.

O Grupo Leya a que pertencem a ASA, a Gailivro, a Nova Gaia e a Texto Editora, continua a ter manuais escolares atrasados. Talvez seja importante que para o próximo ano lectivo e aquando da escolha dos manuais, este atraso seja tomado em devida conta.

30 de setembro de 2008

A crise económica continua na ordem do dia. E se até aqui os americanos se constipavam e nós ficávamos com pneumonia, desta vez os americanos apanharam mais que uma pneumonia e nós estamos em estado comatoso.
Razão tinha a chanceler alemã quando disse que os europeus devem liderar a economia mundial e não os americanos.
Entre portas, continuo à espera de uns quantos (António Borges à frente) que eram uns defensores acérrimos de entregar a segurança social aos fundos privados e de privatizar tudo a torto e a direito, virem agora dizer que estavam errados e que tudo o que está a acontecer prova que este modelo neoliberal dos republicanos norte americanos está esgotado e que o dólar não pode ser o denominador comum para as transacções.

O que espera o Banco Central Europeu para baixar a taxa de juros.

27 de setembro de 2008

Hoje é dia de boicote. A DECO fez deste dia, o dia de boicote aos combustíveis.
É verdade que os combustíveis estão com um preço deveras absurdo.
É verdade que as recentes quedas no preço do crude não se reflectiram no preço dos combustíveis.
Mas que diabo, esperava da DECO uma coisa mais inteligente.
Então promover um boicote que consiste em não abastecer?!´
Afinal é um boicote contra quem?
Contra as gasolineiras ou contra os revendedores?
Então hoje ninguém abastece e depois?! Abastece amanhã, depois de amanhã, no dia a seguir a esse e nos outros todos.
As petrolíferas terão sempre garantido o escoamento do seu produto. Aliás, este tipo de protestos pode potenciar aumentos.
Fico a aguardar outras formas para demonstrar o nosso descontentamento.

O Pacheco Pereira tem-se atirado ao "magalhães" como gato a bofe. Aliás Pacheco atira-se a tudo, mas pronto, relativamente ao computador (e a muitas outras coisas) já chateia.
E fico deveras admirado porque o Pacheco Pereira é um defensor e utilizador nato das novas tecnologias. O caso do Abrupto é a prova provada disso mesmo.
Não percebo como é que de repente fica mais papista que o Papa.
Fica-lhe mal.

Esta semana ouvi uma senhora, que é candidata a primeira ministra, dar um conselho aos empresários que têm o Estado como cliente: "Se tivesse que lhes dar algum conselho, diria para se afastarem, que não esperem nada dele a não ser o que lhe é exigível".
Esta coisa da política mesquinha é qualquer coisa de odioso, para não dizer mesmo nojento.

23 de setembro de 2008

Ivone Silva e Camilo de Oliveira tiveram um dueto humorístico no programa televisivo chamado "Sabadabadu" em 1981. Camilo como "Agostinho", Ivone como "Agostinha", dois inveterados alcoólicos criticavam uns e outros à medida que esvaziavam as vasilhas aplicando uma frase que ficou célebre "...este país é um colosso, está tudo grosso! Está tudo grosso !"
Passados 27 anos e com a devida vénia tenho que dizer que este país continua não só um colosso, mas continua tudo grosso.
Vejamos
- O presidente da Federação das Cooperativas de Distribuição Farmacêutica, José Amorim, reconheceu que“a exportação paralela[de medicamentos] é um problema delicado que, não sendo ilegal, causa algum embaraço e desconforto porque, às vezes, os mesmos acabam por faltar no mercado nacional”.
A Apifarma, associação que representa os laboratórios, lamenta o "negóciode puro oportunismo que não é, obviamente, benéfico para os cidadãos".
Traduzindo por palavras simples, temos que existem medicamentos que estão a ser exportados, pelos laboratórios sediados no nosso país, para países onde o seu preço é mais elevado, o que origina que faltem no mercado nacional alguns fármacos.
- Num país em crise como é que o subsídio de transporte dos deputados sofre uma actualização de 2,63 por cento, sendo que eu nem percebo o porquê de tal subsídio.

19 de setembro de 2008

De luxo o artigo de Fernanda Câncio hoje no DN.

A Autoridade da Concorrência (AdC) acusou sete empresas que fornecem refeições a instituições públicas, nomeadamente a hospitais e a escolas, de concertarem preços nos serviços que prestam, actuação que é ilegal por configurar a prática de cartelização.
Não era nada que já não se esperasse.
Agora o ridículo é o facto de a multa que podem receber ascender a 30 e poucou milhões quando, a AdC estima em 172 milhões de euros o prejuízo para o Estado desta actuação ilícita e concertada entre estas sete empresas.
Afinal o crime compensa.

18 de setembro de 2008

"No continente não há democracia". Esta é a tirada de luxo de Manuela Ferreira Leite e foi proferida na passada terça-feira na ilha Terceira. A líder do PSD estabelecendo um paralelismo entre os governos socialistas da Região e do continente, afirmou que se vivem tempos que lembram "aquela fase da ditadura longa que não gostamos de lembrar"."Espero bem que ponderem seriamente se não vale a pena apostar em algo diferente", disse Ferreira Leite"Antigamente os portugueses não falavam porque tinham medo de perder a liberdade; agora não falam porque têm medo de perder o negócio". A comparação vale para os Açores em particular e para o país em geral, acusa Manuela Ferreira Leite. Secundando Carlos Costa Neves, o líder local do PSD que afirma que "a democracia respira mal" no arquipélago chefiado pelo socialista Carlos César, a líder social-democrata aproveitou a comparação para criticar forte e feio o Executivo de José Sócrates, que acusa de "não olhar a meios para alcançar os fins".
Agora percebe-se porque Pacheco Pereira teima em dizer que um líder não deve falar sempre e teima em multiplicar-se a escrever coisas que afastem o povinho quer da cara quer do discurso da líder do partido.
Com ela faz todo o sentido a velha máxima de que quando fala ou entra mosca ou sai asneira. Como não há moscas...

Devem pensar que somos débeis mentais. A questão do preço dos combustíveis está a provocar uma razia na já pouca credebilidade das petrolíferas que operam no nosso país, mas a razia não se fica só por elas.
Nem mesmo Ferreira de Oliveira, com o seu ar angelical, é capaz de nos demonstrar por A+B que a "sua" GALP não se está a encher de dinheiro à custa desta pseudo-especulação que por aí anda. O petróleo desceu em média entre quarenta a cinquenta dólares o barril (refiro o brent porque é o que nos serve de referência) e não vislumbro uma descida tão forte no caso da gasolina e do gasóleo (atenção que um barril de petróleo dá para muitos litros).
Mas não são só as petrolíferas que ficam mal na fotografia. O ministro da Economia e a Autoridade da Concorrência acompanham-lhe os passos.
O ministro faz mal em dizer o que disse. Esperava-se é que chamasse os senhores administradores ou os donos das petrolíferas a operar no mercado nacional e lhes desse um prazo curto para resolverem a questão. Isso sim, isso era actuar.
Ficou para o fim a Autoridade da Concorrência, não por ser mais ou menos culpada, mas por ser tão só mais caricata.
Em tempos idos a AdC elaborou um relatório, que demorou uma eternidade, onde concluiu que o preço dos combustíveis estava correcto face aos preços de compra, que não havia arranjo de preços, cartelização outros achaques que tais.
Como se isto não bastasse ainda examinou e arquivou várias denúncias sobre o comportamento do mercado dos combustíveis em Portugal, após a investigação que fez ao sector em Junho passado, a pedido do Governo (continuam em investigação oito processos sobre este mercado que transitam já da anterior gestão liderada por Abel Mateus).
Então após tudo isto aqueles senhores têm a distinta lata de dizerem pediram às petrolíferas um conjunto adicional e alargado de informação sobre o funcionamento do mercado para que, a partir do final de Setembro, possam realizar uma análise mais aprofundada.
Então o estudo de Junho não foi aprofundado? Vão esperar até ao fim de Setembro porquê? São as férias? Têm muito trabalho?
Juízo senhores, juízo...

Quem também parece que tem falta de algum, são os chineses. Esta história do leite com melanima é, no mínimo surreal e criminoso.
Mas o crime não fica só por isto.
Importa ouvir isto e gritar bem alto a nossa indignação e exigir a verdade.

16 de setembro de 2008

Desde quando é que a Comissão Nacional de Eleições faz apreciações políticas de Leis ou projectos de Lei.
Que tal a Comissão debruçar-se sobre casos concretos. Lembro-me das eleições autárquicas em Lisboa (podem ler também aqui).

Hoje a justiça volta a estar em destaque. Primeiro, pela entrevista do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, depois pelo que desencadeou.
Desencadeou palavras do presidente da Associação Sindical dos Juízes, António Martins, e mais tarde por Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados.
Pouco me importa o que disseram estes dois personagens, mas já me importa, e muito, o que disse Noronha do Nascimento.
Disse o Presidente do STJ que «O sistema remuneratório dos juízes vem de 1992», o que pode afectar a «independência e qualidade» do trabalho dos magistrados, levando os melhores a irem embora e provocando «situações menos claras».
Podem dar as voltas que quiserem, mas ele disse isto. Eu penso o que me apetecer, porque a frase dá essa possibilidade.
E como não bastasse disse ainda mais. Referiu que sobre os Novos Códigos Penal e de Processo Penal um ano não é suficiente para que se façam sentir os efeitos das alterações legislativas, logo ainda é cedo para fazer um balanço das mesmas.
Digam o que quiserem senhores magistrados, mas a entrevista não vos favoreceu.

13 de setembro de 2008

Hoje tinha pensado passar o dia no descanso, mas ao ver a notícia não resisti. Dizia um jornal diário que a PSP do Porto interceptou na madrugada de ontem, na zona do Marquês, no Porto, o motorista particular do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, durante uma mega operação policial que visou as principais áreas e bairros problemáticos da cidade.
Dizia ainda o mesmo jornal que o referido motorista não soprou no balão, mas foi na mesma condenado. Agora pasmem senhores porquê?
Foi condenado porque transportava duas senhoras no seu veículo, sendo que este só permite o condutor e um passageiro.
Só para que conste, o dito motorista é proprietário de um luxuoso BMW Z3.
Toma lá...

E já que estamos em tempo de pasmar, aqui vai mais uma pasmadela.
Então não é que Cavaco Silva comparou Manuel Alegre a Camões, a Garret e a Pessoa.
Ei sei o que estão a pensar, mas é falso, porque eu não bebo bebidas alcoólicas.

12 de setembro de 2008

Fernanda, de 49 anos, tratou da documentação para importar da Venezuela um contentor que transportava polvo congelado por via marítima. Entre o polvo vinham dissimuladas cinco toneladas de cocaína.
A PJ a 22 de Dezembro de 2007 capturou a droga, que vinha em elevado estado de pureza, e prendeu sete pessoas, entre as quais essa mesma Fernanda.
Presente ao juíz, foi-lhe decretada prisão preventiva, por ser suspeita de integrar uma rede de tráfico de droga internacional e por haver perigo de fuga para Cabo Verde.
Entrou para Tires a 14 de Fevereiro.
Então não é que o o Tribunal Central de Instrução Criminal devolveu a liberdade a 15 de Agosto porque a arguida apresentou um pedido de ‘habeas corpus’ em que alegou excesso de prisão preventiva, por não ter sido decretada especial complexidade do processo e deduzida acusação nos prazos definidos por lei.
Quer isto dizer que o Ministério Público teria de ter deduzido a acusação em seis meses e não o fez.
De quem é a culpa?
A Magistratura, a Procuradoria e a oposição dirão que foi do ministro Rui Pereira, do Governo e dos novos Códigos.
E eu digo para... terem juízo

E que tal lerem o artigo de João Marques Santos.