30 de julho de 2006

Pelo menos 51 pessoas morreram com a queda de um edifício de três andares na sequência de bombardeamentos realizados este domingo de manhã pela aviação israelita em Caná, Líbano. A Cruz Vermelha libanesa contabiliza pelo menos 56 mortos, entre as quais 34 crianças, segundo o último balanço que existe até ao momento em que escrevo.
Não há justificação para um acto destes.
Por muito que Israel diga que nos alvos bombardeados existam guerrilheiros do Hamas e da Hezbollah e que nessas habitações existem armas e sistemas de lançamentos de rockets e mísseis, o facto é que o que vemos nas imagens e ouvimos da boca dos correspondentes é que os mortos são quase sempre mulheres, crianças ou famílias inteiras que se encontravam refugiadas da guerra.
Estamos perante assassinatos sem quartel. O povo palestiniano está a sofrer na carne o direito a existir e a permanecer em território que é seu.
Já era suficiente que a Sociedade das Nações lhe tivesse roubado território, quanto mais agora roubarem-lhe os filhos.
Ainda a propósito deste ataque, deu-me vómitos a tomada de posição da secretária norte-americana. Condoleezza Rice, mostrou-se “profundamente entristecida” pela perda de “vidas inocentes”.
Está tão entristecida que não para de enviar armas e munições para Israel (os mísseis Patriot por exemplo).
A Liga Árabe e esta velha Europa dominadas e subjugadas pelos americanos permanecem sem nada fazer de facto. Falam, falam, mas de concreto zero.

Ministério da Cultura cria site sobre Fernando Lopes-Graça. Esta notícia podia ler-se no "Diário Digital" a 27 de Julho do corrente ano.
Achei deveras interessante, porquanto em 2006 comemora-se o centenário do nascimento deste grande compositor e intelectual português.
Achei por bem visitar o site.
Vou à bibliografia e fico perplexo porque a maioria das obras pertencem a Mário Vieira de Carvalho, nada mais nada menos o senhor secretário de Estado da Cultura.
É inegável que se trata de um estudioso de Fernando Lopes-Graça, mas que diabo não haverá mais estudiosos (e há que eu sei) com obra publicada?
Ainda não tinha digerido bem esta lacuna (será que foi propositada?) quando abro a parte de conferências.
Agora é que eu fico mesmo perplexo e pergunto a mim mesmo como é que é possível não existir uma referência, simples que seja, ao extraordinário Congresso Internacional que decorreu em Coimbra.
Isto é no mínimo escandaloso. E não acredito que seja esquecimento.
Só espero que não seja um qualquer facciosismo pedante a origem deste lamentável e grosseiro lapso.

28 de julho de 2006

Como e porquê. Estas são as duas palavras que me apraz dizer face às declarações ontem proferidas pela pianista Maria João Pires à "Antena 2".
A pianista anunciou que vai instalar-se definitivamente no Brasil e desistir do Centro para o Estudo das Artes de Belgais, próximo de Castelo Branco, numa quinta que comprou há sete anos.
Sem adiantar pormenores do que motivou a decisão, afirmou que partia porque "estava a ser vítima de uma verdadeira tortura". "Parto para me salvar um pouco dos malefícios que Portugal me estava a fazer".
As queixas não são de agora, já têm barbas.
Eu só pergunto é como é que se deixam as coisas chegar a este ponto? E pergunto ainda porquê? Será que possuimos um nível e uma formação cultural tão elevada que nos possamos dar ao luxo de ver partir alguém com as credenciais de Maria João Pires e pior que isso deixar cair por terra um projecto como Belgais.
Podem uns quantos iluminados desta praça atirar com o facto de estarmos em período de austeridade. É verdade. Mas para um projecto destes até valia a pena cortar nas gordas reformas que por aí têm sido anunciadas e solicitadas.
E o mecenato?
Nunca me apercebi de que as grandes empresas nacionais (Telecom, Galp, EDP e outras) estivessem dispostas a apoiar o projecto, preferem pagar somas astronómicas por eventos bem menos efémeros ou em publicidade perfeitamente absurda.
Foi pena a Maria João Pires ter criado um projecto cultural, tivesse ela criado uma equipa de futebol e estaria descansada para o resto da vida.
Deixo-vos de seguida alguns links para perceberem o projecto: Belgais 1, Belgais 2, Belgais 3.


Árvore de Belgais

27 de julho de 2006

Ao que parece, a grande questão entre Israel e a ONU situa-se no ter sido intencional ou não o ataque de Israel que originou a morte de quatro observadores daquela organização.
Koffi Anan, talvez porque farto de "pregar no deserto" diz não ter dúvidas que foi intencional. Israel acusa o secretário-geral da ONU de estar mal intencionado e apenas ter sido uma acção involuntária.
É fácil perceber que quer de um lado quer do outro não há inocentes. Nem do lado de Israel, nem do lado do Hezbollah.
Mas uma coisa é aceitar este facto, outra é acreditar neste azar de cálculo que atingiu e matou os observadores da ONU.
Aceitar isso é o mesmo que aceitar o bombardeamento das colunas humanitárias da Cruz Vermelha, é aceitar o bombardeamento de viaturas civis que fogem da guerra, é aceitar o bombardeamento dos campos de refugiados.
Aceitar este erro de cálculo, é aceitar que as centenas de mortos que ocorreram entre a população civil libanesa foram devidas à falha de pontaria do exército israelita.
Mas estamos perante um conflito peculiar.
Basta escutar o que ontem foi dito em Roma para percebermos que a vitória do Hamas na Palestina e o rapto dos soldados israelitas foram o pretexto para Israel avançar com uma guerra que há muito estava planeada.
"Recebemos ontem em Roma uma autorização, de facto, do mundo - parte dele a ranger os dentes e outra parte a dar a sua bênção - para continuar a operação, esta guerra, até que a presença do Hezbollah seja eliminada". Estas são as declarações do ministro da Justiça israelita, Haim Ramon, a uma rádio militar israelita.
"Chamar urgente ou imediato é uma questão de semântica. O que vimos é que todos queremos algo de significativo e duradouro para o Líbano", disse um representante do Departamento de Estado norte-americano que participou na reunião, mas que preferiu o anonimato.
Para os americanos esta guerra é uma questão semântica.
Mas o que se pode concluir também pelas informações de várias fontes citadas pelas agências é que o ambiente na reunião foi sombrio, com todos, à excepção dos EUA, a insistirem no cessar-fogo imediato. Tendo Rice argumentado que essa aproximação deixaria o Hezbollah activo e defendeu que o fim das hostilidades só é concebível como parte de um plano para desarmar permanentemente a milícia xiita.

Nova derrota para o sr. Procurador. Souto Moura recebeu ontem mais um revés no caso do "envelope 9", o tal caso urgente, mas que todos nós continuamos à espera do resultado do inquérito.
Pois bem, esta derrota apresentou-se sobre a forma de acórdão proferido pelo Tribunal da Relação de Lisboa.
Este Tribunal considerou nula a apreensão dos computadores na redacção do "24 horas" e em casa de um jornalista "freelancer"
Diz o acórdão que "Parece-nos que uma sociedade de um Estado de Direito democrático, subordinado à Constituição e fundado na legalidade democrática (...) não reclama, no caso em apreço, que seja colocada em causa a liberdade de imprensa num dos seus aspectos fulcrais".
Claro que isto era opinião geral, só a Procuradoria e o sr. Procurador é que teimavam em não entender.
Perante isto, Souto Moura não tem mais razões para protelar os resultados do inquérito (só estavam dependentes da abertura dos computadores) e também face a isto o Governo e a Presidência da República não podem continuar a assobiar para o ar e têm de explicar por "a+b" que a porta da rua é serventia da casa.

Desporto. Ao que parece existem uns políticos que estão desejosos de ocupar a cadeira da presidência da Liga de Clubes.
Como dizem os brasileiros uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Por favor não misturem mais a política com o futebol. Para trapalhadas já basta as que até aqui aconteceram.

26 de julho de 2006

De novo Alegre. Como era de prever a questão da reforma de Manuel Alegre fez correr rios de tinta. Mas o deputado não pode atirar as culpas deste imbróglio para as costas de outros. A culpa é só sua e escusa agora de vir armado em donzela a quem tiraram a honra.
Após a questão ter sido tornada pública, Alegre proferiu declarações que em vez de clarificarem, somente embrulharam mais.
A 25 de Julho aparece esta entrevista no Correio da Manhã" online:
Correio da Manhã – É verdade que vai receber 3 219,95 euros de reforma da rádio?
Manuel Alegre – Vou receber um terço. Como deputado não posso acumular o vencimento com a reforma. Optei pelo ordenado e um terço da reforma.
C.M. - Quanto tempo tem de RDP?
M.A. - Fui colocado quando regressei no 25 de Abril. Em 75 fui eleito deputado e tenho sido sempre reeleito. Nunca mais lá trabalhei, mas descontei sempre.
C.M. - O cargo não consta na sua biografia do Parlamento.–
M.A. - É uma lacuna, mas não da minha responsabilidade. Também é verdade que eu já não me lembrava. Eles [Caixa Geral de Aposentações] é que me escreveram uma carta por ter feito 70 anos. Eu não pedi nada.
C.M. - Não parece mal uma reforma por tão pouco tempo?
M.A. – Só posso sublinhar que é legal Se não me enviassem a carta nem dava por isso. O Presidente da República também não recebe duas ou três reformas do Estado, além do vencimento? Mas eu nem questiono isso, que ele é uma pessoa séria.
No dia seguinte aparece outra:
Correio da Manhã – Porque disse que a notícia do ‘CM’ foi uma “infâmia”?
Manuel Alegre – Quero sublinhar que não recebo qualquer reforma da rádio.
C.M. - Mas é o que consta na folha da Caixa Geral de Aposentações.
M.A. – A reforma é o resultado das minhas contribuições durante 32 anos. Poderia ter solicitado aos 65 anos e não o fiz. A grande parte daquele valor refere-se aos descontos como deputado. C.M. - Era possível receber a reforma e ordenado de deputado ao mesmo tempo?
M.A. – Terá de perguntar aos serviços. Sei é que está dentro da lei e que se me reformasse agora até receberia mais. Com o tempo que tenho de deputado recebia uma subvenção vitalícia. A nova lei já não se aplica a mim.
C.M. – O ‘CM’ também nunca disse que era ilegal.
M.A. – Mas sinto-me atingido pessoalmente. Sou uma pessoa impoluta e nunca me servi da política para fins pessoais. Pelo contrário, fiz sacrifícios. Abdiquei da pensão a que tinha direito como preso político porque entendi ter sido minha obrigação lutar contra a ditadura. Que fique claro que a reforma não é da rádio, mas de 32 anos de descontos. E, ao contrário de outras pessoas, nunca a solicitei.

Basta ler as duas entrevistas que se percebe o autor das acusações é o próprio deputado e mais ninguém.

25 de julho de 2006

Mete-me nojo esta hipocrisia da administração norte americana. A secretária de Estado norte- americana, Condoleezza Rice, mostrou-se preocupada com o sofrimento de «pessoas inocentes através da região» do Médio Oriente, mas não pediu qualquer pausa imediata do conflito entre Israel e Hezbollah. Aliás, deu luz verde para Israel continuar nos seus propósitos e como se isto ainda não bastasse forneceu as bombas inteligentes estacionadas na base do Qatar e que tinham por destino o já sacrificado Iraque, aos israelitas para que estes possam continuar a bombardear o Líbano.
O que eu não entendo é a posição da Liga Árabe. Eu sei que a maioria dos governos árabes não gosta do Hamas, da Hezbollah, dos Sírios, do Irão e dos Xiitas, mas daí a ver morrer civis indefesos no Líbano e não tomar nenhuma atitude vai uma grande distância.

Manuel Alegre vai receber uma reforma de 3.219,95 euros mensais pelo cargo de coordenador de programas de texto da Rádio Difusão Portuguesa que ocupou por alguns meses. A informação faz parte da lista dos aposentados e reformados divulgada pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), citada pelo Correio da Manhã.
Em declarações ao jornal, Alegre garantiu que nem se lembraria da reforma, se não fosse a CGA a escrever-lhe uma carta. O deputado explicou que foi funcionário da RDP durante «pouco tempo», já que começou a trabalhar na rádio quando voltou do exílio, após o 25 de Abril, e saiu em 1975 quando foi eleito deputado, cargo que ocupou desde então. «Nunca mais lá trabalhei, mas descontei sempre», disse o deputado.
Alegre disse ainda ao Correio da Manhã que vai receber «um terço da reforma», já que a lei não lhe permite acumular o vencimento de deputado com uma reforma.
Alguém me explica isto.
Se ele não trabalhou lá como é que descontou, só se continuou a receber ordenado mesmo sem trabalhar e então o caso muda de figura, ou seja fica mais vergonhoso.

22 de julho de 2006

Uma das grandes conquistas adquiridas em Abril de 74 foi a liberdade de expressão.
A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não é absoluto, e não pode ser usado para justificar a violência, a difamação, a calúnia, a subversão, a obscenidade ou a falta de respeito.
Vem tudo isto a propósito da aposentação compulsiva dos dois elementos do sindicato da PSP.
Dois dirigentes do Sindicato Profissional da Polícia foram reformados compulsivamente, por terem proferido declarações que o Governo considerou infractoras da lei.
Os dois visados alegaram que o processo se encontra "cheio de ilegalidades, pois não houve acareações, não foram ouvidas testemunhas e não há actas". "É uma perseguição que o Governo faz ao movimento sindical da Polícia", sublinhou o presidente, desafiando o PS a não ficar calado sobre este assunto. Várias vezes foi dito tratar-se de um processo político. Por o SPP ter um bom relacionamento com o CDS-PP.
"São dois processos políticos, porque de disciplinares só têm o rótulo", referiu, por sua vez, António Cartaxo. "Nem no tempo do Salazar isto acontecia", adiantou António Ramos, antes de realçar que nunca um Executivo depois do 25 de Abril o tinha feito. "Nenhum Governo em 30 anos teve a coragem de ir tão longe".
António Ramos, 50 anos, 28 de serviço, em Lisboa, foi aposentado por causa das declarações na vigília na Praça do Comércio, em Setembro de 2005, contra o aumento da idade da reforma das forças de segurança e o fim do sistema de saúde para todos os familiares dos polícias. Nessa altura, este dirigente sindical criticou José Sócrates por ter criado na opinião pública a ideia de que os polícias tinham muitas regalias e disse que se "enviámos o anterior primeiro-ministro para Bruxelas, mais depressa enviamos este para o Quénia" - onde o primeiro-ministro passou as férias nesse Verão.
No que respeita a António Cartaxo, 43 anos, 20 de serviço, em Faro, o caso deve-se ao facto de ter dito sobre o responsável máximo da instituição, Mário Morgado "O director nacional não serve nem para mandar nos escuteiros quanto mais na PSP".
Como é fácil de constatar estas declarações não podem ser inseridas nas suas funções de sindicalistas, nem têm nada a ver com tal.
A liberdade de expressão e a expressão responsável são duas coisas distintas, sobre as quais não se legisla mas sim ensina e aprende e uma sociedade livre precisa das duas.

O Médio Oriente está de novo em guerra, se é que alguma vez deixou de estar. Mais uma vez o Estado de Israel, com o beneplácito de certos países ocidentais, nomeadamente e novamente a América, faz o que quer aos palestinianos.
E não digam que isto tudo se resume à aniquilação do Hezbollah. Isto nasceu após o Hamas ter vencido as primeiras eleições livres da Palestina.
Israel fez de tudo. "Sequestrou" os fundos (nisto contou com o apoio da Europa), deixou de transferir os impostos a que estava obrigado, bombardeou e ocupou o Parlamento Palestiniano, sequestrou ministros, enfim fez o que quiz e lhe apeteceu (como sempre). Agora avançou para o Líbano e destruiu o que tanto tinha custado a erigir.
Quando acabar a guerra lá vai de novo o Mundo contribuir para a reconstrução do Líbano, ou seja Israel destrói e nós pagamos.
Para além da parte material existe um factor primordial que se chama vida humana.
Se fosse outro país já tinha sido invadido pela América.
Já não sei quem é mais terrorista, se os membros do Hamas ou do Hezbollah, se os israelistas e os seus aliados

21 de julho de 2006

Ontem pudemos assistir a uma verdadeira chacina política em plena Assembleia da República. A ministra da Educação foi literalmente cilindrada pela oposição.
Não vou tecer comentários ao acontecimento, tanto mais que já disse neste mesmo espaço que concordo com muitas das coisas que esta ministra alterou.
O facto de trazer aqui esta matéria, prende-se com duas coisas.
Primeira: O deputado CDS, Diogo Feio, perguntou à ministra se não considerava a pergunta do exame de História, que não incluía o regime comunista soviético no lote das ditaduras europeias, um erro grave.
Para além do fundamentalismo, desconhecimento da história e da confusão entre politiquice e história revelados pelo deputado, foi curioso ver o mestre-escola da bancada do PP/CDS (Paulo Portas) aos gritos, numa atitude pouco dignificante e ética para quem faz questão de atacar a falta de respeito e de ética dos políticos.
Segundo: Também foi curioso verificar que enquanto a deputada do PCP, Luísa Mesquita, atacava a ministra, foram focados várias vezes os sindicalistas da FENPROF Mário Nogueira e Paulo Sucena que acenavam e riam face ao que a deputada dizia.
Não é por nada, mas desconfio que os dois sindicalistas serviram de arguentes à deputada no "exame" que antecedeu o debate e se isso se verificou gostaria de deixar aqui expresso que isso não é motivo de orgulho para ninguém. A mistura sindicatos e partidos políticos (sejam eles que sindicatos forem e sejjam eles que partidos forem) foi, é e sempre será perniciosa aos trabalhadores face aos abusos, à dependência e ao tráfico de influências que tal ligação gera.
Os partidos políticos são uma coisas e os sindicatos são outra.
Para terminar gostaria de deixar um conselho à senhora ministra: nunca decida efectuar exames aos membros da Assembleia, pois arrisca-se a ter de dar uma segunda oportunidade em todas as as disciplinas.

15 de julho de 2006

A problemática das notas dos exames veio colocar alguns engulhos à ministra da Educação. O caminho que estava a percorrer era o ideal para a reformulação total da educação em Portugal, um sector que tem sido um sorvedoiro de somas avultadas, sem que isso se traduza numa melhoria acentuada da qualidade de ensino.
Pois bem, o facto de o ministério vir, ele próprio, a propor a repetição dos exames de algumas disciplinas é assinar a sua culpa em todo este processo, facto que poderá influenciar a posição dos pais que até agora têm estado do lado da ministra.
Mas talvez fosse importante olharmos com atenção para os resultados.
Os resultados dos exames de Português deram nota negativa a quase metade dos alunos, tão só o dobro em relação ao ano passado.
Na Matemática verificou-se uma ligeira melhoria mas, apesar disso, verificaram-se 64% de negativas. Se olharmos para Química a média geral foi de 6,9 valores, sendo que na de Física a média ficou-se pelos 7,7. Números demasiado maus, quando comparados com 2005.
Se bem que estes números não sejam suficientes para colocar em causa a qualidade da educação portuguesa, são pelo menos suficientes para dar uma ideia da mediocridade que vai grassando.
Se quisermos continuar a olhar para cima e a assobiar, podemos dizer que os exames são muito difíceis, que as perguntas estão pejadas de erros, que os critérios de correcção são muito exigentes e limitativos, que a matéria escolhida nem era a mais importante, que os exames eram muito extensos, enfim um sem número de explicações (talvez que umas possuam alguns laivos de veracidade) que não explicam nada e que somente tentam justificar a nossa incapacidade e a nossa iliteracia.
Tivessem os governos ao longo destes 30 anos olhado para a educação (e já agora para a saúde e para a formação profissional) com olhos de ver e não seria agora obrigado a ceder ao facilitismo de repetir os exames. Tivesse havido menos legislação e mais empenho e não teríamos o buraco que temos hoje.
Mas acredito que nem tudo o que é mau provém do ministério. Os pais e os alunos também não estão isentos de culpa e por isso não sacudam agora a água do capote.
Para finalizar deixem-me dizer que também não percebo como é que no ano passado quem falhasse na escolha múltipla via serem-lhe descontados pontos e este ano não e mesmo assim as notas foram piores. Expliquem-me, que eu não sou louro nem burro, mas não entendo.

14 de julho de 2006

Philip Gerson, responsável por uma delegação do Fundo Monetário Internacional que vai estar no país para avaliar a economia portuguesa, afirmou, que o aumento da competitividade, através da redução dos salários, é a melhor forma de estimular o crescimento, a curto prazo.
Embora admitisse que o ideal seria que a produtividade do país aumentasse, para suportar salários mais altos, Philip Gerson disse, na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, que a moderação salarial é, para já, uma boa solução para enfrentar a concorrência dos países da Europa de Leste e da Ásia.
O ilustre representante do FMI que me desculpe, mas de maneira nenhuma concordo com ele.
Portugal teimou sempre em apostar na mão-de-obra barata em detrimento da mão-de-obra especializada. O que importava é que os salários fossem baixos para satisfazer a voracidade de uns quantos.
Já todos percebemos que essa não é a política correcta.
Sendo assim é estranho que este senhor venha com este paleio, a não ser que ele pretenda servir de cobertura à instalação de mais uns quantos grupos no nosso solo.
Gostaria de ter visto Philip Gerson e outros a clamar contra a concorrência desleal que é praticada pelos novos países de leste, por alguns da Ásia e até da África.
É que aqui não se olha ao ser humano, olha-se ao vil metal.
A concorrência que é feita por esses países não é porque a sua mão-de-obra seja mais ou menos especializada, ou porque os países dêem mais e melhores incentivos.
O que na realidade se passa é que as empresas produzem com menores custos devido à situação de quase escravatura dos trabalhadores, às deploráveis condições a que estão sujeitos.
Nao nos enganemos: em condições iguais (com os mesmos direitos e os mesmos deveres) a produção será igual.
Igualmente façam cavalo de batalha da nossa lei laboral. Se as inspecções fossem feitas como deve ser (se os trabalhadores pudessem falar sem medo das represálias) muito se descobriria por esse país fora (por exemplo ver-se-ia quanto é que o Estado está a ser prejudicado com os prémios e as horas extras que são pagas livres de impostos).
Mas continuando, gostaria de ver as instituições internacionais (OIT por exemplo) a preocuparem-se com a condição de todos os trabalhadores.
Mas tenho consciência de que enquanto a política for o único motivo para impor bloqueios não vamos a lado nenhum neste mundo global.

E porque hoje é o dia 14 de Julho, dia da Tomada da Bastilha, sejamos todos e cada um de nós imbuídos do espírito da Revolução Francesa.

7 de julho de 2006

Gostava que indicassem o voto deles. É fácil à oposição dizr cobras e lagartos para "consumo interno", o pior é quando chegam lá fora. Vem isto a propósito de uma votação ontem ocorrida no Parlamento Europeu. O caso conta-se em poucas palavras.
O Parlamento Europeu aprovou ontem em Estrasburgo uma resolução na qual reclama da Comissão "uma estratégia mais firme" para fazer face à restruturação industrial e ao seu impacto social, sem contudo mencionar o caso da fábrica da Azambuja.
Esta resolução comum aprovada, e elaborada na sequência do debate no plenário sobre "Consequências económicas e sociais da restruturação das empresas na Europa", agendado na sequência da polémica em torno do eventual encerramento da fábrica da General Motors (GM) na Azambuja, em Portugal, não faz todavia qualquer referência específica ao caso português.
E porquê? Porque e embora alguns deputados portugueses e o próprio líder da família socialista no PE, o alemão Martin Schulz, pretendessem incluir no texto da resolução uma alusão ao caso da fábrica da Opel na Azambuja, ideia foi inviabilizada pelo Partido Popular Europeu (no qual se incluem PSD e CDS) e Liberais.
Tenho imensa curiosidade em saber o sentido de voto dos deputados portugueses do CDS e do PSD.

Fazer o quê com tais artistas. Maciej Marian Giertych acaba de fazer história no Parlamento Europeu. Uma história triste, acrescente-se, pois não teve pejo e vergonha de ultrajar todos quantos, directa ou indirectamente, foram vítimas dos dirigentes por ele evocados.
Eu sei que a democracia tem destas coisas: acolhe, apoia e proteje mesmo aqueles que contra ela clamam, mas também sei que a ética e o respeito nunca fizeram mal a ninguém, antes pelo contrário.
Explicando, o que se passou foi que durante uma sessão plenária do Parlamento Europeu, esta semana, que tinha como objectivo a condenação do regime franquista, numa altura em que se assinalam os 70 anos do início da Guerra Civil espanhola (1936-1939), Maciej Marian Giertych, pai do vice-primeiro-ministro polaco, disse que a Europa "tem falta de estadistas" como Franco e Salazar.
O referido deputado realçou o facto de os dois ditadores terem combatido "a praga do comunismo", em defesa do que disse serem os valores católicos. "Graças à Igreja espanhola, ao Exército espanhol e a Francisco Franco, o ataque comunista contra Espanha foi rechaçado", afirmou o parlamentar polaco.
Giertych, nascido em 1936 em Varsóvia, foi eleito para o PE em representação da Liga das Famílias Polacas. Opõe-se à aquisição de propriedades por estrangeiros no país é católico fervoroso (apologista das teses criacionistas), e chegou mesmo a calcular a capacidade da arca de Noé.

6 de julho de 2006

É imperioso falar de futebol, por isso falemos então. Portugal saiu dignificado deste mundial. A partir daqui nada será como dantes e dêem a volta que deram os organismos internacionais da modalidade serão forçados a olhar para a equipa das quinas. Até aqui esses mesmos organismos tem feito de tudo para nos remeter para as "kalendas", mas isso mudou. A atitude miserável de colocar na lista dos melhores jogadores somente o Maniche é um puro acto de cobardia da FIFA.
Devemos presentear a selecção com o nosso profundo respeito e agradecimento pelo que lutaram e como lutaram.
Sobre o jogo de ontem devo dizer era impossível derrotar a dupla Uruguai/França, sendo que mesmo assim estivemos quase. Se fosse um combate limpo a vitória era nossa. Scolari merece o nosso apoio na íntegra.

É fácil perceber o porquê de ninguem nos levar a sério. Caso que o DN deu à estampa é deveras ilustrativo. Será que o Tribunal da Relação não tem coisas mais importantes para analisar?

Ainda os tribunais. Um médico foi condenado pelo crime de aborto em 4 anos e oito meses de prisão efectiva pelo Tribunal de Aveiro.
Um ex-recluso do Estabelecimento Prisional de Coimbra foi condenado, pelo Tribunal de Soure, a dez anos de cadeia por ter violado a mãe, em Março do ano passado. Cerca de três semanas depois de ter deixado o EPC, a 21 de Fevereiro de 2005, onde cumprira uma pena de 15 anos, por ter assassinado um vizinho, para lhe roubar 100 euros, o indivíduo era novamente detido, desta vez, por ter violado e agredido a mãe, de 51 anos, que sofre da doença de Parkinson.
Algo está errado no nosso Código Penal, se é que o culpado é o Código.