30 de abril de 2007

O mais o recente Boletim Económico do Banco de Portugal veio dizer que a crise que actualmente atravessamos resulta de um problema interno que tem repercussões no contexto global: os nossos salários estão demasiado elevados para a produtividade.
Dizem os especialistas que elevados custos laborais são os verdadeiros responsáveis pelo desemprego, crescimento baixo, falta de competitividade e, claro está por uma balança externa com um défice que não lembra, nem ao menino Jesus. Claro que por si só os custos laborais não causavam tanta mossa, mas coligados com a crise orçamental, a "invasão chinesa", os problemas educativos, a derrapagem na saúde, mudança de tecnologia, a moeda única e o alargamento europeu, fazem uma mistura explosiva.
O grande problema é que face aos desafios da globalização os Estados europeus têm feito reformas e ajustado as suas economias, enquanto os portugueses se deixam embalar pelo canto da sereia, ou seja por políticos que trocam as reformas pela cadeira do poder, pelas tricas e truques "palacianos", enfim pela subserviência aos seus e só seus interesses.
Mas esta análise tem ainda outra vertente.
É um facto inquestionável de que sob os custos da produção das empresas recaiem poderosas cifras que, não só não se interligam com os custos, nem a produção propriamente ditos. Não é raro encontrar empresas que são detentoras de verdadeiros patrimónios, ou pelo menos geraram riqueza para os comprar. Estou a lembrar-me de casas (nalguns casos verdadeiros impérios mobiliários, ou assombrosos palacetes), carros, joias, peças de arte, eu sei lá que mais. É um verdadeiro império paralelo à empresa, mas construído com o dinheiro desta. É uma prática que se tornou demasiado comum em Portugal.
Como é evidente este império paralelo faz com que as verbas que serviriam para gerir riqueza na própria empresa não estejam lá, pior é que os investimentos são feitos em sistemas de leasing, ald e outros que tais, o que altera seriamente a vivência económica de uma empresa. Não falem dos custos de produção no sentido de salários, porque esses, se não forem a parcela menor andam lá perto.

Tá tudo maluco. Então não é que apareceu um blogger de apoio a Carmona.

29 de abril de 2007

Nova comédia com as FA. No âmbito da reforma do Sistema de Saúde Militar o Governo, no sentido de “racionalizar a gestão de recursos humanos e materiais”, pretende que os actuais seis hospitais militares existentes no País possam ser integrados num único, com pólos em Lisboa e no Porto.
Só que as chefias militares são contra a criação de um único hospital das Forças Armadas, tendo já manifestado a sua discordância ao ministro da Defesa, Severiano Teixeira, já que afirmam que com esta remodelação não fica garantida a especificidade de cada ramo na área da saúde.
Traduzindo de uma forma global poderá dizer-se que um problema cardíaco num militar do exército é diferente de um problema cardíaco de um militar da marinha, sendo que o cardiologista do exército não tem capacidade para resolver a situação ao homem da marinha.
Vamos lá entender-nos. Quantas cirurgias fazem cada um dos actuais hospitais militares? Quantas consultas a militares no activo e na reforma? Quantos doentes se encontram internados em cada um dos hospitais?
Claro que eu sei que por exemplo o hospital da Marinha tem uma valência que só existe naquele hospital, a medicina hiperbárica, e que está relacionada com descompressão dos mergulhadores, no da Força Aérea e no do Exército não vislumbro nada de especial.
Mas eu estou convicto que uma reorganização só trará vantagens aos utentes.
Eu compreendo perfeitamente o artigo do Major‑General, Médico, José Carlos Nunes Marques, mas deixo aqui estatísticas oficiais do ano de 2005, para que possamos confrontar os números, já que ao que parece os números são a grande força do referido artigo.

28 de abril de 2007

Não brinquem. Chegou ao meu conhecimento que Carmona Rodrigues vai não só ser ouvido como arguido, como vai apresentar uma moção para que seja a Câmara Municipal de lisboa a pagar as despesas judiciais dos autarcas arguidos: Eduarda Napoleão, Gabriela Seara, Fontão de Carvalho e, quem sabe, a sua.
Eu sei que o Estatuto dos Eleitos Locais consagra o direito a apoio nos processos judiciais, incluindo o pagamento de todos os encargos inerentes ao processo, desde que este tenha como causa o exercício das respectivas funções.
Mas uma coisa é um processo que aparece em resultado das funções autárquicas e outra coisa é um processo por corrupção, participação em negócio e tráfico de influências.
Neste caso não só não deviam ser ajudados, como deviam ainda indemnizar a autarquia pelos danos provocados, quanto mais não seja na imagem.
Deixo-vos ainda esta hiperligação porque possui legislação autárquica importante e muito completa.

Já não bastava ao PCP a fraca figura que fizeram os seus rapazes no 25 de Abril, foi agora acrescentado o caso de Setúbal.
Tempos atrás Jerónimo de Sousa afastou o presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Carlos Sousa, e fez subir Maria das Dores Meira, como se os votos nada significassem perante a vontade do líder do partido que patrocinou a lista, sendo que o problema de Carlos Sousa era ser constituído arguido devido a um problema de reformas de vários funcionários da autarquia.
Então não é que o Ministério Público constituiu arguida (entre quatro funcionários e o vereador do PS e do PSD) a presidente Maria das Dores Meira.
É mesmo caso para dizer: caiu-lhe o cão na carreira.

27 de abril de 2007

Vergonha em Abril. Abril foi celebrado por milhares de pessoas naquela que pode ser designada pelo desfile da Avenida da Liberdade, em Lisboa.
A marcha termina no Rossio onde, num palco, passam elementos que discursam.
Este ano alguns decidiram envergonhar Abril. E não foram elementos de direita. Foram elementos da esquerda.
O caso conta-se rapidamente.
Elementos da Juventude Comunista Portuguesa (o PCP dos mais novos) tomou posicionamento frente ao palco e fez questão de patear os elementos da Juventude Socialista, do Partido Socialista, e dos chamados Renovadores comunistas.
Se esta atitude já demonstrava falta de educação e de cultura democrática, pior saiu a fotografia quando estes rapazes decidiram patear Edmundo Pedro que, para quem não saiba tem 89 anos de idade e é um dos últimos sobreviventes do Tarrafal.
Este achicalhar ficou a dever-se ao facto de Edmundo Pedro, militante comunista desde os anos 40 ter abandonado o PCP em 1974.
Esta intolerância não é própria de quem se afirma e quer fazer crer ser o único baluarte do espírito de Abril.
Assim não.

Se havia dúvidas que a política baixa não promove ninguém, a sondagem da Marktest veio definitivamente esclarecer.

Não bastavam já as sondagens era preciso ainda o caso de Carmona agravar-se. Realmente Mendes não tem sorte e se juntarmos a fraca prestação de hoje no Parlamento, poderemos dizer que o PSD bem pode ficar preocupado com o regresso de Portas. Veja-se a prestação de hoje

26 de abril de 2007

Como o prometido é devido, aqui vai. Cavaco Silva decidiu inovar no seu discurso comemorativo do 25 de Abril. A inovação surgiu no facto de aproveitar o discurso para transpor para o Governo uma dose reforçada de pressão. Quando disse "vivemos um ano decisivo para realizar reformas de fundo em domínios essenciais da nossa vida colectiva" e que por isso é necessário actuar, mais não fez do que transferir o ónus para o Governo.
Mas Cavaco não se ficou só por aqui, foi mais longe.
Decidido a tomar as "dores" do inconformismo dos mais jovens pediu aos políticos para legarem às gerações futuras um "país melhor". E fez esse pedido através das seguintes palavras: " Temos de deixar aos nossos filhos e netos um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida pública se paute por critérios de rigor ético, exigência e competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado".
E qual Lancelote avançou dizendo que é primordial que se verifique um comportamento exemplar no exercício de funções públicas, através de um maior empenhamento na "prestação de contas aos cidadãos" e sem receio de um escrutínio assegurado por meios de Comunicação Social "isentos e responsáveis".
Podemos pois inferir que Cavaco está preocupado quanto ao legado da "geração que viveu o 25 de Abril", tendo sido por isso mesmo que decidiu partilhar as suas "dúvidas e perplexidades" sobre os valores que estamos a transmitir aos jovens, as condições criadas para a sua permanência no país, o modelo de sustentabilidade do Estado Social, bem como o ambiente e os recursos naturais "que vamos deixar aos nosso filhos". Para Cavaco Silva, "os jovens têm que se rever no seu País, no País que têm e no País que ambicionam ter", sendo por isso mesmo que exclamou: "não me resigno, nem me conformo na batalha pela qualidade da democracia portuguesa".
É inegável que estas preocupações são legítimas.
Mas são legítimas hoje e eram-no quando Cavaco Silva foi primeiro-ministro (primeiro-ministro do X Governo Constitucional em Novembro de 1985, sem maioria absoluta; nas Legislativas de 1987 obtem a maioria absoluta, maioria que se viria a repetir nas legislativas de 1991, tendo assim presidido também aos XI e XII Governos Constitucionais). Convém não esquecer que se as reformas têm começado nessa altura, hoje estaríamos perante circunstâncias bem diferentes por certo. Lembremo-nos tão só de Leonor Beleza enquanto ministra da saúde, no X Governo Constitucional, que perdeu a "guerra" com o lobbie dos médicos, sendo que nunca mais regressou aquele ministério, e não recebeu apoio de Cavaco, tendo sido perdido um momento e uma protagonista fundamentais para colocar alguma ordem no sector da saúde.
Talvez por isto tudo e ao ouvir o discurso de ontem eu me questione: afinal onde estão os responsáveis por um certo de desencanto na democracia e um alheamento do 25 de Abril e do que ele representa?
Inegavelmente muitos dos responsáveis estavam ali ontem, na Assembleia da República, uns activos, outros a descansar das fadigas, mas estavam ali muitos dos culpados - e Cavaco é um deles - pelas desilusões do povo, por um desemprego que persiste em permanecer alto, por um fosso cada vez maior entre ricos e pobres, por melhores condições de vida que persistem em não aparecer, por uma saúde, uma educação e uma cultura que permanecem arredadas da maioria dos cidadãos.
Mas se os políticos são culpados e são-no com toda a certeza, nós, comuns mortais, também não estamos isentos de culpa.
Quando colocamos os nossos interesses individualistas e de classes ou grupos - o tal pseudocorporativismo quase sempre bacoco - acima do todo, estamos a negar a existência de uma sociedade mais justa e mais igualitária.

Deixo aqui o link para leitura na íntegra do discurso.

Passam hoje 70 anos do dia em que a localidade basca de Guernica foi destruída pela Legião Condor alemã, às ordens de Franco, num bombardeamento que ficou para história e foi imortalizado pelos pincéis de Pablo Picasso.
A Guerra Civil espanhola teve momentos mais sangrentos, mas nenhum deles ganhou tanto relevo a nível internacional, como quando os aviões de Hitler investiram durante mais de três horas sobre uma pequena localidade basca, com cerca de 5 mil habitantes, destruindo cerca 70 por cento dos seus edifícios. Não se sabe bem quantas pessoas perderam a vida. As fontes apontam para números que vão das 150 às 250 vítimas, para além de um incontável número de feridos.
O ataque à localidade foi feito a pedido de Franco - alegadamente na altura para destruir uma ponte estratégica (que ficou de pé) - e é conhecido como uns dos ensaios para o que viriam a ser os bombardeamentos massivos de populações civis, durante a II Guerra Mundial.
A imortalização do horror vivido na localidade, naquele dia, foi imortalizado por Pablo Picasso, em «Guernica», um dos seus quadros mais famosos, que se encontra exposto no Museu Rainha Sofia, em Madrid, contra vontade do município basco, sendo que a câmara municipal da região de Vizcaya reclama há muito a obra. A sua falta foi substituída pela exposição de um conjunto de mais de duas dezenas de esboços do pintor, que serviram para a elaboração do quadro.

Guernica (pronuncia-se garnkä) por Pablo Picasso, 1937. Museu da Rainha Sofia, Madrid


Monumento de Eduardo Chillida's em Guernica, que foi criado para comemorar o 50.º aniversário do bombardeamento da cidade em 1937.

25 de abril de 2007

33 ANOS DEPOIS












Abril sempre

Hoje foi dia repleto de comemorações.
Quanto ao discurso do sr. Presidente da República, merece uma análise mais profunda e porquê? Porque até parece que Cavaco emigrou e só regressou agora e nunca desempenhou funções de relevo.
Já quanto ao discurso de Paulo Rangel, do PSD, posso dizer que tanto parece frei Tomás (não liguem ao que eu digo, mas sim ao que ele faz) como parece frei Feliz (olhem só para o que ele faz e não para o que eu fiz).
Sofia deu uma volta no túmulo.

24 de abril de 2007

Enquanto não houver seriedade não vamos a lado nenhum e digo isto após escutar as declarações de Marques Mendes na sessão de encerramento do XIX Congresso da Juventude Social Democrata.
Disse o presidente do PSD, entre outras incongruências, que "há que encontrar uma nova forma de governar para Portugal, temos de ser ambiciosos e colocar como meta do nosso futuro Governo pôr o País a crescer pelo menos a três por cento ao ano" e como um bolo sem cereja não é nada, avançou dizendo "comprometemo-nos a que em 2013, no final da nossa legislatura, o nosso país tenha um rendimento de 80 por cento da média europeia".
Como é que é possível? Prometer estas falsidades é falta de quê?

Amanhã


25 de Abril sempre


Escultura de Armando Ferreira, no Largo Salgueiro Maia em Alpiarça

23 de abril de 2007

Lá se foi a teoria. Na passada segunda-feira, no programa Prós e Contras da RTP1 de 16 de Abril (procurar pela data em vídeos-on-demand), questionado sobre se era norma as universidades privadas funcionarem mal a nível organizativo, João Redondo, Presidente da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado, dizia que não, que elas funcionavam bem quer no aspecto organizativo, quer pedagógico e que se as coisas na Univ. Independente aconteceram como tem sido noticiado, que era caso único.
Afinal parece que as coisas não são assim tão lineares. Na Autónoma parece que existem igualmente zonas obscuras (o pai avaliou o filho e como não fosse suficiente este aluno ainda foi avaliado por uma tia) e que precisam de clarificação.

A propósito de universidades privadas, gostaria de vos deixar uma recolha do Expresso e publicada neste fim-de-semana. O título é "Políticos para atrair alunos" e a acompanhar um pequeno diagrama com o título "Académicos de cartaz" e que reza assim:
Universidade Fernando Pessoa: não contrata docentes com actividade política;
Universidade Internacional: Jorge Lacão e António Montalvão Machado;
Universidade Independente: Rui Nobre Gonçalves, Alberto João Jardim e Jorge Moreira da Silva;
Universidade Portucalense: António Lobo Xavier, Ana Benavente e António Montalvão Machado;
Universidade Lusíada: Francisco Assis, Vera Jardim, Jorge Lacão, Fernando Seara, Durão Barroso, Jorge Moreira da Silva, António Monteiro e Bagão Félix;
Universidade Atlântica: Marques Mendes, João Ferrão, Ana Benavente e Vera Jardim;
Universidade Lusófona: Narana Coissoró, António Filipe, António Montalvão Machado, Pedro Mota Soares, Jorge Moreira da Silva e Joel Hasse Ferreira;
Universidade Autónoma: Pacheco Pereira, Vítor Ramalho, Jorge Lacão e Pedro Silva Pereira;
Universidade Moderna: Paulo Portas Jorge Moreira da Silva, António Montalvão Machado, João de Deus Pinheiro e Santana Lopes.
Palavras para quê?

22 de abril de 2007

Intersindical é a seguir. Mário Nogueira é o novo secretário geral da Fenprof, eleito com uma proposta de resolução sobre acção reivindicativa, que prevê uma série de acções de luta e a interposição de uma providência cautelar nos tribunais Administrativos, contra o aviso de abertura do concurso de professores para 2007/2008.
Foi pena a Fenprof não ter aproveitado este momento para se democratizar.
Vamos esperar para ver quanto tempo falta para que Mário Nogueira seja promovido a membro do Comité Central do PCP e quanto tempo falta para que ele seja o eleito do PC para substituir Carvalho da Silva.

20 de abril de 2007

Pior que a conferência bombástica da Universidade Independente, só mesmo o debate entre Portas e Ribeiro e Castro.
Nada de novo foi acrescentado. As acusações entre um e outro são as de sempre, sendo que a única novidade foi o facto de Portas ter ido rebuscar a velha acusação de Telmo Correia no congresso de Lisboa, em Abril de 2005, quando este acusou Ribeiro e Castro de ser eurodeputado e não poder, por isso, questionar directamente o primeiro-ministro.
Agora uma coisa se fica a dever a Ribeiro e Castro nesta espécie de guerra e que é o trazer para o combate político adjectivos carregados de sagacidade e humor: "menino da bola" com que brindou Portas, a história do "partido trotinete" e "um líder do partido que se apeou antes das provas difíceis e agora quer regressar ao apeadeiro", são exemplos disso mesmo.

Dispensa especial de serviço?! O ministério da Educação recusou conceder uma dispensa especial de serviço aos docentes que participam no IX congresso da Federação Nacional dos Professores, ao contrário do que aconteceu nos encontros anteriores. Mário Nogueira, dirigente da Fenprof e candidato à liderança, declarou à Lusa que "Em todos os outros congressos (que se realizam de três em três anos) o ministério concedeu sempre uma licença especial de serviço. É a primeira vez que os congressistas terão de justificar a falta ao abrigo da lei sindical".
Ora vamos lá ver uma coisa estão ou não estão a faltar por motivos sindicais? Então porquê dispensa especial de serviço? Ou será que estavam à espera da licença especial para irem tratar da vidinha? Ou será que a Fenprof não estava interessada em passar justificações?
E a propósito: será que o PCP vai "oferecer" a Intersindical a Mário Nogueira se este conseguir vencer as eleições para a Fenprof? Se tal acontecer é uma jogada de mestre: de uma só penada trocam de dirigente na Fenprof (sai Paulo Sucena, ortodoxo e membro do Comité Central do PCP e entra Mário Nogueira, militante do PCP, ex-candidato a deputado pelo PCP e responsável distrital - Coimbra - da candidatura de Jerónimo de Sousa às presidenciais) e varrem Carvalho da Silva da CGTP-IN que nos últimos tempos se tem afastado da linha dura do PC. Maquiavel não faria melhor.

Quem me conhece sabe bem que nunca fui grande admirador do "cardeal" Pina Moura, antes pelo contrário. também nunca escondi que deveria ter abandonado a Assembleia da República, bem como os cargos directivos do PS qundo ocupou a presidência da Iberdrola em Portugal.
Vem isto a propósito da guerra que agora lhe foi movida pelo sr. Comandante Azevedo Soares do PSD que declarou que com esta nomeação "fica sem qualquer disfarce o projecto político socialista da tomada de controlo da TVI" e que "o dr. Pina Moura, presidente da TVI, é a completa falta de pudor, é o descaramento total, é o controlo político assumido sem qualquer vergonha e de forma ostentatória".
Pelo que disse anteriormente, estou perfeitamente à vontade para declarar que Azevedo Soares está a mentir no que afirma.
Das palavras que profere transparece, que Pina Moura entra para a TVI por nomeação do governo.
Totalmente falso. Ele é nomeado pela Prisa. para além disso, Azevedo Soares está a menosprezar os jornalistas e as chefias da TVI e isso é colocar a carroça à frente dos bois.
Talvez seja de bom tom esperar para ver não os bois virar a carroça e lá fica novamente o PSD metido em ensalsadas.

O PS (partido, grupo parlamentar e Governo) não ficou bem na fotografia tirada ontem na Assembleia ao ter vetado a proposta que se destinava combater o crime de enriquecimento ilícito imaginada por João Cravinho, redigida pelo PSD e que teve o apoio de PCP e BE tendo o CDS/PP optado pela abstenção.
Claro que não é crime nenhum ter dinheiro. Mas também não vem nenhum mal ao mundo se, em casos especiais, um qualquer cidadão for chamado a explicar como o ganhou.
O Partido Socialista acha que se está perante a inversão do ónus da prova. Nada mais fácil de resolver: sujeitava-se à decisão do Tribunal Constitucional ou tentava alterar a lei na discussão da especialidade.
Numa altura em que a corrupção faz parte do dia-a-dia, esta lei poderia fazer a diferença, o que aliás sempre foi a ideia de Cravinho.

19 de abril de 2007

Toda esta problemática do diploma do primeiro-ministro, acrescida de circunstâncias menos claras em instituições do ensino superior deverá fazer-nos pensar no ensino superior que queremos para o nosso país.
Ora esta semana é propícia para tecer aqui alguns comentários, tanto mais que na segunda-feira existiu um programa na RTP1 onde se pretendeu debater o ensino superior. Ontem saíu uma reportagem no JN, que reputo de muito importante e ontem ainda ocorreu a tal conferência que se anunciava bombástica, mas que afinal deu em nada.
Comecemos pelo "Prós e Contras" da RTP1. Se havia dúvidas que o ensino superior é um nicho de mercado deveras apetitoso, elas ficaram bem esclarecidas. Ali ficou bem explícito que as universidades privadas são o futuro e que o Estado não tem capacidade para gerir universidades e ao mesmo tempo investigá-las. Claro que esta ideia é recente, porque enquanto os hoje reitores das privadas enquanto eram professores nas públicas achavam isso uma questão de somenos importância. Também ouvi nesse mesmo programa alguns representantes das universidades privadas declararem nada ter contra os turbo-professores e que é preciso ir buscar nomes sonantes para credibilizar a instituição.
É muito natural que estes senhores nada tenham contra os turbo-professores, mas concerteza que os alunos têm. Estes professores são uma casta que nada beneficiam o ensino e nem a formação dos alunos (depois admiramo-nos dos indíces de incompetência que por aí abundam).
Gostaria igualmente de lembrar que não são os nomes sonantes que credibilizam uma instituição. Esta credibiliza-se a si própria escolhendo a trilho da honestidade, seriedade (académica e humana), um corpo docente capaz e cursos sérios que visam o futuro e não aqueles que somente servem para angariar propinas e que se revelam verdadeiras nulidades. A acrescentar a tudo isto é importante que as universidades sejam elas públicas ou privadas não podem ser abrigo para professores que mais não são do que moeda de troca política, já que a sua impreparação para leccionar é deveras gritante.
Deixemos agora a RTP1 e avancemos para o JN.
Pois bem o jornal refere o peso que têm os alunos com mais de 23 anos e sem completar o secundário que, ao abrigo da nova legislação, frequentam o ensino superior.
E aqui a questão assume outros foros mais preocupantes.
Como já todos percebemos o ensino superior é uma questão económica quer para quem ministra quer para quem recebe.
Para quem recebe, como é óbvio, porque espera com o diploma alcançar outro patamar que de outra forma não atingiria e isto porque se continua a privilegiar uma licenciatura em detrimento de um percurso laboral. Para quem ministra porque é a sua base de sustentação.
Ora o sistema de ingresso no ensino superior sem completar o 12.º ano não é de agora. O sistema tinha a designação de Exames Ad-hoc e estava previsto para pessoas com mais de 25 anos que estvam sujeitos a um exame de cultura geral de âmbito nacional, uma entrevista e provas específicas. O novo sistema prevê que a responsabilidade seja dos estabelecimentos de ensino a que o aluno se candidata.
Sem querer desconfiar ou retirar mérito a quem quer que seja e numa altura em que os estabelecimentos de ensino superior perdem alunos que colocam em causa a sua própria sobrevivência é muito natural que muitos estabelecimentos optem pelo caminho do facilitismo no sentido de angariarem o maior número possível de estudantes por forma a assegurarem a sua continuidade no mercado.
Ora isto pode acabar de vez com o ensino superior e porquê porque promove a banalização da licenciatura em detrimento da qualidade, para além de promover o facilitismo.
O que é que interessa frequentar o ensino secundário se depois dos 23 anos a entrada na universidade está garantida(?).
Não é de agora que defendo que os exames elaborados pelos diferentes estabelecimentos de ensino devem ser do conhecimento público para que se possa aquilatar qual o grau de exigência que cada um dos estabelecimentos de ensino está a impôr.
No que diz respeito à "bombástica" conferência de imprensa, julgo que ninguém percebeu o porquê do adiamento. Para dizer aquilo, mais valia estarem calados.
Agora o que importa é perceber se esta conferência não é uma fuga para a frente de um dos sectores da Universidade Independente, agora que ao que parece a Pedro Álvares Cabral está a chegar? Mas claro que pouco importa que passe a Álvares Cabral, a Diogo Cão, a Bartolomeu Dias ou a qualquer um dos muitos dos grandes navegadores que sulcaram os mares e deram novos mundos ao mundo. O que interessa é que sem subterfúgios, esquemas e outros que tais a Universidade forme as pessoas.
Talvez que tudo isto seja uma forma de mostrar ao ministro da tutela (a este e aos outros que já o foram ou aos que estão para vir) que para licenciar uma universidade (ou um outro estabelecimento de ensino) não basta que tenha grandes instalações, que seu corpo docente abundem os turbo-professores ou os professores de renome (os tais que só emprestam o nome e cuja presença física é escassa ou mesmo nula), que não seja mero depósito de políticos cuja competência para dar aulas advém do cargo que ocupam e não das suas capacidades e que não seja uma mera listagem de cursos que nda contribuem para o desenvolvimento sério do país.
Para concluir era fundamental que os estabelecimentos de ensino não olhassem para os seus alunos como cifrões, mas como alguém que se esforça (nem todos é certo) por adquirir formação.

15 de abril de 2007

Acho que Portas se enganou. Não tenho dúvidas de que Paulo Portas vai derrotar Ribeiro e Castro nas directas do próximo fim-de-semana, mas estou plenamente convicto que Portas nunca esperou ter pela frente tanta oposição.
É verdade que Ribeiro e Castro se está a superar. O afinco e a determinação que tem colocado nesta campanha, não se pode equiparar à determinação com que tem feito oposição ao Governo. Mas também somos forçados a reconhecer que Portas tem feito de tudo para boicotar a acção do líder.
De qualquer forma e seja de que maneira for, nada voltará a ser igual após esta eleição. Estou em crer que e apesar de serem verdade as frases proferidas ontem por Ribeiro e Castro na Batalha («Temos de vencer aquele que foi derrotado por Sócrates para a seguir vencermos Sócrates. Temos de vencer quem fugiu quando Sócrates ganhou», «Os deputados são do partido. Não é o partido que pertence aos deputados», classificou Paulo Portas como «chefe da oposição interna», e que tem «uma visão chantagista da política», à qual estão associados os deputados eleitos e rematou dizendo preferir o partido em vez de «um andor que anda com o líder às costas»), ficarão para sempre a pairar no Largo do Caldas.

12 de abril de 2007

Vamos lá então às explicações. Percebi perfeitamente as circunstâncias que determinaram o percurso académico de José Sócrates. Só quem não acompanha o ensino superior é que não sabe que muitos dos professores demoram meses a indicar a nota que posteriormente será lançada, que o mesmo professor pode dar 3, 4 ou 5 cadeiras (então nas privadas é traço comum), que muitas das privadas aceitam transferências sem estar presente o certificado de habilitações e mais e muito mais.
Não reconhecer isto mesmo é, das duas uma ou não entender o que se passa em muitas instituições de ensino público e privado, ou então estar de má fé.
Por isso acho que as explicações que Sócrates deu ontem foram convincentes e pelos vistos, achei eu e uma larga maioria que participou no televoto da SICNotícias.
Não perceberam outros elementos, paciência. Era previsível que muitos dos elementos do PSD e do CDS/PP não quisessem perceber, já que tudo quanto seja descredibilizar quem governa é ponto primordial para eles.
Mas no meio de todos os que não perceberam, encontra-se, como seria de esperar, o antigo professor da Universidade Independente. Trata-se de Luis Marques Mendes.
O também líder do PSD veio de imediato tecer acusações de falta de carácter e veio propor uma investigação à carreira académica de Sócrates promovida por "uma entidade não tutelada pelo Governo".
Aliás este senhor no que respeita a propor comissões e outras que tais é um verdadeiro águia. O que interessa é esbanjar dinheiro seja lá no que for.
De igual modo e também como é seu hábito lançou para o ar, mas depois não concretizou nada, nem que tipo de entidade deveria ser escolhida, nem quem a iria compor, nem de onde viria a verba para pagamento, nada.
Claro que assim é fácil ser oposição. Lançar umas atoardas para o ar, qualquer pessoa faz.
Continuo a referir que seria importante que quem concedeu alvará à Independente explicasse porque o fez. Para além disso deveria haver uma rigorosa e criteriosa investigação a todas as universidades e institutos, quer públicos quer privados.
Talvez também fosse interessante analisar os corpos docentes.
Mas sobre o que ontem Sócrates disse na RTP1 poderá ler-se o Editorial de hoje do DN.

Ontem, no post sobre o ministro Jaime Silva, falei na Teoria da Separação de Poderes a propósito dos tribunais.
Infelizmente hoje tenho de regressar ao tema dos tribunais.
Primeiro: faz sentido que o sargento Luis continue preso? Ele não foi preso pelo crime de sequestro? Então agora o tribunal de Torres Novas não entregou o poder paternal ao casal Luis e à esposa? Qual sequestro. Foi preso para não perturbar o inquérito. Mas qual inquérito?
Segundo: O jornal Público foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça a pagar 75 mil euros ao Sporting por ter divulgado que o clube devia 460 mil euros ao Estado, em 1996. Apesar de confirmar que tal facto é verdadeiro, o STJ considerou que os jornalistas ofenderam o bom-nome do clube ao publicá-lo.
Terceiro: A Notícias Magazine, revista do DN e JN, foi esta semana condenada ao pagamento de 15 mil euros ao magistrado Anselmo Lopes, por ter feito reportagens onde a actuação do juiz em processos de adopção era criticada por personalidades ouvidas pela jornalista. A vara cível de Lisboa considerou que as reportagens continham factos verdadeiros e de interesse público, mas condenou a NM por violação do princípio da proporcionalidade, por ter divulgado opiniões "que dão uma imagem particularmente negativa" do dito juiz.
Isto é o poder judicial no seu pior, resvalando para tendências ditatoriais e censórias, para além de extravazarem a sua competência e invadirem terreno executivo.

11 de abril de 2007

É hoje. Foi escolhido o dia de hoje para José Sócrates, a propósito dos dois anos de governação, dar uma entrevista ao país, através da RTP e da Antena 1, onde também esclarecerá a questão da sua formação académica.
Se me perguntarem o que é que eu penso disto tudo, posso dizer que só critico o facto de Sócrates ter demorado 20 dias a explicar a situação, embora eu perceba que se ele tivesse vindo a público antes de Mariano Gago ter decidido o encerramento compulsivo, não faltariam vozes a referir que a decisão do ministro esteve condicionada às palavras do primeiro-ministro.
Na questão propriamente dita das equivalências e dos exames estou convicto que não será este o único caso e nem será só nesta Universidade.
Uma coisa eu reputo de esquisita. O pai do satélite português, Carvalho Rodrigues, proeminente cientista e destacado simpatizante do PSD, foi se não dirigente, pelo menos professor, Luís Marques Mendes, presidente do PSD, foi igualmente lá professor em 1995, embora isso não conste da sua biografia oficial, Alberto João Jardim é professor convidado da Independente e outros e outros, o que faz com que seja um corpo docente de respeito.
Aguardemos pois pelas explicações de logo à noite.

Jaime Silva com a vida complicada. O ministro da Agricultura deparou-se ontem com um coro de protestos dos agricultores que, se somarmos às inúmeras providências cautelares que pairam no ar, por certo que obrigarão Jaime Silva a dar um murro na mesa se quiser não ser abalrroado por esta autêntica bola de neve.
Não é de agora que eu digo que os agricultores portugueses se tornaram dependentes dos subsídios, aliás só o facto de andarem anos e anos a receber para arrancar vinhas, oliveiras, muitas das quais se encontram no mesmo local, a receber subsídio de combustível que revertia para os tanques dos jipes e de outras "bombas" a gasóleo (desde que não fossem tratores, debulhadoras, ceifeiras, etc, etc), fez com que os terrenos produtivos (e que produzem) estejam na mão de estrangeiros e os produtos que encontramos à venda tenham a chancela de outras paragens que não as portuguesas.
Mas claro que o agricultor, não aquele que pretende praticar uma agricultura de subsistência tá visto, mas aquele que tem campos e campos à espera do muito sol, do granizo, das cheias e outros fenómenos que tais, para se almejar em vítima e sacar mais uns quantos euros, em detrimento de outros que, na verdade, são impulsionadores da economia, mas que até agora têm sido marginalizados, porque não fazem parte dos grandes lobbies, na distribuição de ajudas à produção.
No que respeita às providências cautelares, elas só existem porque um determinado sector não percebeu a Teoria da Separação de Poderes e julga-se detentor da verdade suprema do alto da sua cátedra. Triste engano o deles e que lhe está a sair caro face aos olhos dos comuns dos mortais. Para lamentar é que uns quantos que conhecem a referida Teoria e que recatadamente vão assistindo aos dislates dos seus pares não tomem as rédeas dos agrupamentos e deem uma varridela não com vassouras de plástico, mas com as de urze que serviam, e muito bem, para limpar as eiras em tempos idos.
Enquanto a seriedade, a honestidade e a vontade de trabalhar forem subjugadas pelos holofotes do pseudosocial e pelas lutas intestinas pelo poder nunca se irá a lado nenhum, antes pelo contrário será o caminho mais rápido para o descrédito que já hoje assume valores fora do normal e desejável.

Jeitosos. O CDS/PP exigiu esclarecimentos ao Governo sobre a forma como está a ser fiscalizado o ensino superior, considerando que «uma avaliação pública» poderia ter prevenido situações como a da Universidade Independente.
O deputado Diogo Feio - o tal das TLEBS -, em declarações à Lusa, disse que "o CNAVES (Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior) está em vias de extinção. A opção do Governo é uma forma de avaliação internacional que não será a melhor para situações como a que se verifica na Universidade Independente".
Foi pena este senhor não se ter lembrado de tal coisa aquando da Universidade Moderna, ou nesta altura não podia ser por o nome do chefe também andar na berlinda?

10 de abril de 2007

A Universidade Independente responsabilizou o ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, pela "instabilidade" vivida na instituição, que diz prejudicar os alunos, e negou as acusações de "degradação pedagógica" que lhe são imputadas.
A reacção da UnI surgiu no próprio dia em que o titular da pasta do Ensino Superior decidiu emitir um despacho provisório de encerramento compulsivo do estabelecimento, considerando que o seu funcionamento estava a decorrer "em manifesta degradação pedagógica".
Diz a Universidade que "a instabilidade verifica-se agora em virtude da decisão do senhor ministro, Mariano Gago, que é encarada com natural preocupação pelos alunos".
Claro que ouvimos isto e perguntamos como é que alguém daquela instituição tem a desfaçatez de dizer tal. Vou mesmo mais longe, a única atitude decente que a Universidade deveria ter tido era de emitir certificados de habilitações para todos os alunos, restituir os valores entretanto pagos e providenciar junto de outras universidades colocação para os seus alunos e, dignidade das dignidades, fechar as portas.
Com esta atitude digna teria contribuído bastante para a dignificação do ensino superior privado em Portugal.
Mas também é importante que alguém explique como é que autorizou que Luis Arouca abrisse una nova universidade, sabendo-se como se sabia o que tinha acontecido a outras duas instituições universitárias a que esteve ligado.

Não entendo o porquê de tanta guerra. Fernando Ruas, presidente da Câmara Municipal de Viseu, disse, na apresentação das contas de 2006, que a autarquia teve um excedente de 1,7 milhões de euros em relação a 2005, sendo que este excedente se tinha ficado a dever à
redução das despesas correntes em mais de dez milhões de euros, dinheiro que investiu em novas obras".
O autarca e também presidente da Associação nacional de Municípios referiu ainda "o esforço das autarquias que em 2006 pouparam mais de 600 milhões de euros, contribuindo para a diminuição do défice público".
Afinal o Governo tinha razão quando limitou os níveis de endividamento das autarquias, porque estas declarações de Fernando Ruas são a prova provada de que os municípios, quando querem ou a isso são pressionados, são bons gestores. Só lamento é que não o sejam sempre.

"European poetry in motion" é a iniciativa promovida pela União Europeia que irá permitir que sejam lidas poesias de Camões, Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel Alegre, Fernando Pessoa e Vitorino Nemésio no próximo mês de Maio em Washington, mais propriamente no metropolitano e nos autocarros.
A iniciativa é organizada pela representação da Comissão Europeia na capital norte-americana com a colaboração dos 27 estados e enquadra-se nas comemorações do cinquentenário dos Tratados de Roma, que fundaram a UE, pelo que além dos portugueses, serão lidos também, no mesmo período, poemas de autores dos restantes 26 estados membros da União.
Ao longo do mês de Maio serão lidos cinco poemas de cada país na língua original e numa tradução inglesa, sendo que no caso de Portugal serão lidos excertos de "Os Lusíadas", de Camões, "Mar", de Sophia de Mello Breyner Andresen, "Coração polar", de Manuel Alegre, "Chuva oblíqua", de Fernando Pessoa, e "Áspera vida", de Vitorino Nemésio.

6 de abril de 2007

Eis uma decisão que se saúda. A Eritreia proibiu a mutilação genital feminina, uma prática que consiste na remoção do clítoris e que atinge 89 por cento das mulheres, islamizadas e cristianizadas, deste país africano.
O código penal da Eritreia passou a punir, com efeitos desde 31 de Março, “quem exija, incite ou promova a excisão” de mutilar uma menina (a média de idades das vítimas situa-se entre os seis e os dez anos), mas também quem tenha conhecimento da prática e não informe as autoridades.

Pudera. Segundo consta o documento de orientação política que Paulo Portas levará às directas de 21 de Abril do CDS-PP praticamente ignora a crise interna do partido, dedicando-lhe apenas seis linhas.
Compreende-se que a moção de estratégia, intitulada «Directos ao Futuro» se centre, em particular, nos problemas que Portugal atravessa, nomeadamente a Saúde, o sistema de pensões, fragilidade na economia portuguesa e segurança nas grandes cidades.
Mal parecia que Portas fosse agora teorizar sobre os problemas internos do CDS/PP, tanto mais que se os há são da sua inteira responsabilidade.

A Visão apresenta no último número dois artigos de extremo interesse. Um relativo ao pulmão ibérico e outro relativo ao túmulo de Jesus. A não perder.

5 de abril de 2007

Um não é bom, mas o outro também não é melhor. O cartaz que o PRD colocou no Marquês de Pombal revela uma pobreza de espírito verdadeiramente notável, mas verdade seja dita que aquele que os Gatos Fedorentos colocaram ao lado também não prima pela inteligência. Mas claro, eu acho que os Gatos também não são nada de especial.



4 de abril de 2007

Mas esta gente não aprende?! Ontem Carmona Rodrigues demonstrou que os últimos acontecimentos ocorridos com gabinetes e empresas municipais não foram suficientes para ele aprender.
Os novos administradores da EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) são nada mais nada menos que José Rosa do Egipto (gestor e autarca do PS) e Luís Gama Prazeres (um especialista em transportes da área do PSD, que passou pela gerência do Metro de Lisboa). Quanto ao primeiro estou em crer que o PS dispensava por completo esta nomeação, quanto à segunda o que é que se pode dizer de um especialista na área de transportes estar à frente da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa?
Ainda relativamente a Rosa do Egipto ficam-me algumas dúvidas se esta nomeação (nomeações que, acrescente-se, não se sabe a que critérios obedeceram) não está ferida de incompatibilidade em virtude da quantidade e qualidade de cargos que já ocupa.
Ao que consta Rosa do Egipto acumula, com a administração da EPUL, as funções de presidente da Junta de Freguesia dos Olivais (tão só uma das maiores do País), de deputado municipal e de administrador da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) Ocidental.
Parece que ontem abandonou o lugar no secretariado da Concelhia de Lisboa do PS, alegando motivos pessoais, sendo que se percebe perfeitamente esta atitude, mas claro este é o cargo que não origina incompatibilidades.

A co-incineração. Continua-se a brincar com um assunto que é demasiado sério. Gostaria de saber se quem hoje impede está amanhã disposto a assumir o ónus pelo tempo que andámos a desperdiçar. Desta vez o assunto esteve nas mãos do Tribunal Central Administrativo do Norte que indeferiu o recurso do Ministério do Ambiente relativo à co-incineração em Souselas, mantendo a decisão do Tribunal de Coimbra que impede que a queima de resíduos avance sem novo estudo de impacte ambiental. Sobre recursos e providências cautelares merece destaque o artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso.

3 de abril de 2007

A vida política portuguesa é engraçada, pelo menos a avaliar pelos registos do líder do maior partido da oposição.
Marques Mendes, presidente do PSD, considerou segunda-feira na Guarda, onde falava no jantar da tomada de posse da nova Comissão Política Distrital do PSD-Guarda, que está na altura de pôr fim à actual política do «quero, posso e mando», seguida pelo actual Governo socialista.
Sobre a política seguida por José Sócrates, o líder nacional do PSD considerou tratar-se de «uma política de autoritarismo, prepotente, arrogante» e «uma política que só conduz à precipitação».
Admitiu que «decidir é importante» mas do seu ponto de vista, «decidir desta forma, sem critério e sem justiça, só leva à perturbação social, só faz virar portugueses contra portugueses».
Na verdade Marques Mendes tem toda a razão. As decisões de Sócrates só estão a virar portugueses contra portugueses, sendo que isso pode muito bem aferir-se nos resultados das sondagens, porquanto o Partido Socialista, se não sobe, mantém, enquanto a prática do PSD e do seu líder é a queda.
Mas claro que enquanto Marques Mendes anda entretido nesta fanfarronice, não tem que dar contributos sérios para solucionar os problemas, de que também é patrono. Vai atirando com a baixa de impostos, como se as pessoas não percebessem o discurso demagógico que a questão encerra.
Aliás, ontem o "Prós e Contras" deixou-me amargurado.
A amargura não adveio do non sence do sr. deputado Miguel Frasquilho sobre quem já demonstrei ser uma personagem dotado de uma incoerência verdadeiramente notável. A amargura centrou-se no facto de ver ali o ex-ministro das Finanças Miguel Cadilhe a apostar em ideias que não teve coragem de introduzir durante a sua passagem pelo ministério, sendo que parecia que estava ali a fazer um frete, para além de ir dando algumas explicações ao outro Miguel. Paupérrimo dr. Cadilhe.
E já agora dr. Mendes quando diz que defende o fim da política do «quero, posso e mando» não está a mandar nenhuma indirecta ao seu confrade Alberto João Jardim, pois não?

Estavam à espera de quê? Segundo peritos do Museu Britânico, o Museu Arqueológico de Bagdad foi espoliado de aproximadamente 8 mil objectos e peças arqueológicas desde a invasão do Iraque na Primavera de 2003.
Com uma investigação criteriosa chegavam às peças. Convém não esquecer que este Museu foi de imediato colocado sob a alçada de tropas americanas e inglesas, aquando da invasão.

E hoje, para terminar, aqui fica uma hiperligação para um excelente artigo de Adriano Moreira no DN.

2 de abril de 2007

"La ciudad que nunca duerme" eis a frase promocional de Lloret del Mar, local para onde convergem a maioria das viagens de finalistas de estudantes portugueses (diz-se que só de 24 de Março até 5 de Abril 18.000 portugueses vão passar por esta estância balnear).
Vem isto a propósito de umas declarações de uma das muitas estudantes que deu uma entrevista à SIC após ter sido recambiada (ela e os colegas) da referida estância balnear.
Disse a menina que seguranças do hotel onde se encontravam entraram nos quartos de cerca de cem jovens portugueses, obrigaram-nos a fazer as malas de imedi ato e expulsaram-nos, ao mesmo tempo que insultavam os portugueses. A menina -coitadinha dela- estava perplexa porquanto "não compreendia a rispidez dos funcionários do hotel", para além de ter apanhado um grande susto.
Estou comovido com a menina. Mas mais comovido estou pelos pais que pagam uma "nota preta", que possivelmente lhes fará falta para adquirir outras coisas de maior necessidade, para que os filhos vão na viagem de finalistas e estes quando chegam ao destino, em vez de admirar a beleza do local e pensarem no esforço que os pais fizeram, decidem tão só e após o pequeno-almoço, atirarem ovos cozidos, açúcar e papel higiénico pelos corredores.
Claro que compreendo e aceito o porquê dos seguranças os terem recambiado. Mais, eles não insultaram os portugueses. Se houve quem insultasse os portugueses foi um grupelho de crianças mal comportadas que se julgam no direito de fazerem as asneiras que quiserem sem serem castigados por tal. Nós fomos insultados, mas por quem anda na escola, a escola que todos nós pagamos com os nossos impostos, mas que, ao que parece têm frequentadores indignos.
Nós fomos insultados, mas por quem anda na escola, por aqueles que se esqueceram que a educação não é necessariamente uma disciplina curricular, é muito mais do que isso.
Se isto já é preocupante, imagine-se quando pensamos que estes serão o futuro do país.
Pobre país...