31 de março de 2007

Alguém lhes explica o que é a democracia. Aquando do anterior referendo sobre a despenalização do aborto, porque o não ganhou, embora sem ser vinculativo, aos defensores do sim mais não restou do que aceitar democraticamente a vontade dos votos em urna.
Desta vez o sim ganhou, só que os defensores do não desconhecem o termo democracia e continuam com espírito de mau perder a achincalhar quem tem opinião diferente.
Vejam as declarações que um dos elementos do não fez à Lusa e que aqui deixo pelas palavras do Portugal Diário.
É preciso ter lata.

O CDS não terá mais capacidade para fazer oposição, é que faltar-lhe-á sempre legitimidade democrática a quem sair de umas directas que só existem porque Portas quando abandonou tinha deixado tudo organizado para não perder as rédeas do partido.

30 de março de 2007

Desfaçatez, isso sim! Na 13.ª sessão do julgamento do "saco azul" de Felgueiras a autarca primou novamente pela desfaçatez: utilizou um automóvel da Câmara Municipal de Felgueiras para se deslocar a Lisboa e participar num casamento, porque "Fui oficialmente em representação do município".
Foi representar o município num casamento? Mas nós somos todos estúpidos ou quê? Já na 12.ª sessão a mesma senhora declarou que "é normal as câmaras pagarem viagens com filhos" isto a propósito de uma viagem para Cabo Verde.
É preciso não ter o mínimo de ética para continuar como presidente da câmara, esta e outros senhores que por aí andam.

E por falar em ética... O DN de hoje fala de cinco administradores da Portugal Telecom, empresa privada mas onde o Estado português detem uma golden share, receberam por junto à volta de 10 milhões de euros, em 2006, quando deixaram de ser administradores.
O Público referiu, na edição de 27 deste mês, que Rui Cartaxo vai integrar o próximo conselho de administração da REN - Redes Energéticas Nacionais e que tinha saído da Galpenergia há cerca de um ano, tendo recebido para o efeito uma indemnização de cerca de meio milhão de euros. Uma e outra empresas têm participações públicas e o nome de Rui Cartaxo foi mesmo indicado pelo accionista Estado com o apoio dos accionistas privados recém-chegados ao capital da REN. Saliente-se que este senhor, que estava no ministério de Manuel Pinho, só não está na ERSE porque houve algum burburinho.
Na EDP o valor pago ultrapassa os seis milhões de euros.
Embora no caso da PT os contratos estabeleçam que os gestores não podem exercer actividade, num prazo de dois anos, em empresas concorrentes, penso não ser justificação para esta barbaridade.

E para finalizar nada melhor que a notícia de hoje do CM. Os números obrigam-nos a pensar maduramente.

28 de março de 2007

Boicote imediato. A empresa Mundo do Calçado vai ser a responsável pela abertura no nosso país de várias lojas monomarca da multinacional inglesa de calçado Clarks, que entrará também no circuito das lojas multimarca com o agenciamento da Calçado de Portugal (CDP). Fonte da CDP confirmou, através de comunicado, ter sido convidada para ser agente da Clarks no país e tratar do posicionamento daquela marca em várias sapatarias de todo o país.
Ao mesmo tempo a Clarks pretende apostar em Portugal, abrindo lojas monomarca nas principais cidades, tendo para o efeito nomeado como agente a empresa algarvia Mundo do Sapato. Ao que parece e com preços médios entre os 60 e os 140 euros, os sapatos Clarks vão estar disponíveis no mercado já na estação Primavera/Verão.
Tudo isto é muito engraçado, só que existe um ligeiro problema: a Clarks fechou as três fábricas que o grupo tinha em Portugal - Arouca (2001), Castelo de Paiva (2003) e Vila Nova de Gaia (Elefanten, 2004), lançando para o desemprego 1289 trabalhadores.
Portanto cá para mim os sapatos até podiam ser à borla que eu não irei calçar nenhuns e mais defendo que deveremos todos nós iniciar um boicote não só à marca, mas igualmente a quem se apressou a representá-los.

Vejam só a credibilidade desta gente. Ontem o líder da bancada social democrata no Parlamento, Marques Guedes veio, numa de chico esperto, atacar o ministro das finanças por causa dos impostos e o ministro da saúde por causa dos SAP.
A primeira matéria nem vou comentar, chamo só a vossa atenção para o meu comentário "Ontem foi dia de combate" onde encontram matéria que desmente o senhor do PSD.
Quanto ao segundo ataque, ele merece a minha atenção.
Então não é que o PSD faltou hoje à reunião da Comissão Parlamentar de Saúde em que discutiria o seu pedido de explicações ao ministro Correia de Campos sobre o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP).
Se recordarmos as palavras do líder parlamentar do PSD ("O ministro da Saúde andou a defender o encerramento de mais de cinco dezenas de SAP (...), escudando-se numa pretensa indicação de uma comissão técnica independente, com isso pretendendo sacudir do capote as suas responsabilidades. A verdade é que o ministro mentiu. Não houve qualquer estudo técnico sobre encerramento dos SAP") e depois ficamos a saber que não vai à reunião da Comissão onde tinha interposto um requerimento pedir a presença no Parlamento de Correia de Campos sobre o encerramento do SAP, só podemos e devemos pensar que estes tipos estão a brincar e que no fundo, no fundo eles se estão marimbando para os SAP ou outra qualquer questão. O que lhes interessa é fazer gincana política a par de um pouco de demagogia, já que para mais lhes falta capacidade e querer.

O Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo assinala, no mês de Abril, o centenário do nascimento de Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha. Para tanto o IAN/TT seleccionou, para a sua iniciativa do “Documento do Mês…” três mostras, que têm por base a documentação que se encontra à guarda do Instituto, no fundo documental do Arquivo da PIDE/DGS, e de que fazem parte vários processos relativos a Adolfo Correia Rocha, assim como um Boletim de Informação e o Registo Geral de Presos: o processo de 1939, aquando da publicação do “O Quarto Dia da Creação do Mundo”, publicação que foi considerada obscena e de propaganda comunista e que lhe valeu a prisão; o RGP 11803 e o processo de 1960, aquando da apresentação da sua candidatura ao Prémio Nobel da Literatura, candidatura essa que partilhou com o escritor Aquilino Ribeiro e que lhes valeu uma campanha na imprensa da época, com demonstrações de apoio e desafecto.
Assim, para quem o desejar e durante o mês de Abril do corrente ano a documentação seleccionada encontra-se patente ao público no Piso 1, no Hall principal, junto ao Bengaleiro, de 2ª a 6ª feira, das 9h30m às 17h15m e aos sábados das 9h30m às 12h15m, na morada Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo na Alameda da Universidade em Lisboa.

27 de março de 2007

O Botas ganhou. Este é o melhor título para resumir o concurso "Grandes Portugueses" da RTP. Claro que isto é tão só um concurso televisivo, mas mesmo assim...
Claro que já se adivinhava a vitória de Salazar desde o momento em que começou a propagandear-se a rivalidade entre Salazar e Cunhal nos meios de comunicação e que originou uma corrida desenfrada aos sms.
Claro que esta vitória envergonha o país.
E envergonha porque tenta branquear um ditador, pequenino é certo (nós também não somos grandes) que perseguiu muita gente, que deixou este país com um atraso que ainda hoje estamos a pagar. Isto não significa que devamos esquecer a sua capacidade quer em livrar o país da guerra, quer nas finanças.
33 anos é tempo suficiente para exorcizarmos os fantasmas do passado, sem no entanto permitir um qualquer laisser faire, laisser passer (célebre princípio que Turgot-Gournay) do porquê desta votação.

Ontem foi dia grande lá para os lados de Belém. Cavaco Silva comemorou os 50 anos do Tratado de Roma com critérios exclusivamente seus, sendo que Mário Soares não coube nesses critérios. Está no seu pleno direito.
Mas este critério não que Mário Soares deixe de ser o português que mais fez pela nossa adesão à Comunidade Europeia, assim que percebeu que o 25 de Abril derrubou o regime do "orgulhosamente sós" que até aí vigorava.
E isto são factos inegáveis e inquestionáveis e que estão muito para além de uns pretensos critérios que toda a gente percebeu o porquê de existirem.

Excelente artigo no DN. Merece ser lido, relido e meditado.

26 de março de 2007

Os queixinhas. Era uma vez uma associação que decidiu fazer queixa de um senhor. A história poderia começar assim. Mas não, vale mais dar os nomes às coisas.
A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) achou por bem emitir um comunicado onde acusa António Rodrigues, pároco de Santa Comba Dão, de ter uma condução “anti-social”, sendo que o padre António Rodrigues possui o único Ford Fiesta 2000 ST, de 150 cavalos, que circula nas estradas portuguesas.
Mas pasmem. esta associação não se limitou a emitir o comunicado. Foi mais longe, saindo mesmo dos limites da razoabilidade, enviou uma carta ao Papa Bento XVI e ao bispo de Viseu e pediu à hierarquia da Igreja Católica que ajude o pároco “a exorcizar o desmedido prazer” pela velocidade que o seu carro proporciona.
Já aqui disse uma vez que esta associação tem uma componente fanática que só lhe permite vislumbrar erros nos condutores. Para eles todos os que colocam as mãos nos volantes são demoníacos e únicos causadores dos males do mundo. É pena que não analisem o mau comportamento e desleixo dos peões.

Na sexta-feira passada apresentei aqui um comentário que tinha por título: Com formadores assim e que se referia a Júlia Pinheiro.
Hoje regresso com a 2.ª parte e também com ligações à TVI e ao novo programa desta estação. Leiam o CM de hoje e digam lá se não estamos desgraçados.

25 de março de 2007

A União Europeia completa hoje 50 anos de existência. O Tratado de Roma assinado a 25 de Março de 1957, na Piazza del Campidoglio, pela a Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos instituiu a Comunidade Económica Europeia (CEE), primeira designação daquilo que é hoje a União Europeia. Depois de duas grandes guerras mundiais, a Europa estava desejosa de paz e prosperidade. Os seis países que já, em 1950, haviam fundado a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço decidiram reforçar esta união económica e política lançando-se num grande projecto europeu. Cinquenta anos depois, a União Europeia é o maior bloco de países do Mundo, unindo 27 nacionalidades diferentes.
Estes 50 anos ficam assinalados pela Declaração de Berlim que julgo não ser um documento muito ambicioso e que se limita somente a transcrever aquilo que é possível neste momento, sendo que ela tem somente por finalidade congregar os países em torno de uma fórmula de alguma ambiguidade emblemática e alguma preocupação estilística fundamental para a manutenção e desenvolvimento da união e convenhamos isto é muito pouco.
Talvez seja importante nesta data ouvir as palavras de Delors (entrevista à revista "Única" do Expresso de ontem) e nomeadamente quando declara que 27 pode ser demais.
Para mais consultas sobre a CEE ver:





Ainda os 50 anos da União Europeia. O papa Bento XVI criticou ontem a União Europeia por excluir uma referência a Deus e a suas raízes cristãs nas declarações oficiais que marcam o cinquentenário da fundação do bloco. "A Europa parece ter perdido a fé", lamentou, em discurso durante encontro da Comissão Episcopal da Comunidade Europeia (Comece).
"Se os governos da União Europeia se querem aproximar mais de seus cidadãos, como podem excluir um elemento tão essencial para a identidade europeia como o cristianismo, com o qual a vasta maioria de sua população continua identificada?", perguntou Bento XVI. "Por acaso esta forma única de apostasia não conduz a Europa a duvidar da sua própria identidade?", acrescentou.
Referindo-se aos baixos índices de natalidade dos países do continente, o papa afirmou que a Europa parece estar a perder a fé também no seu futuro. "Alguém poderá infelizmente notar que a Europa parece estar seguindo um caminho que poderia eliminá-la da história", advertiu.
Utilizando uma linguagem ferroviária posso dizer que o Papa "fez mal a agulha".
Bento XVI deverá preocupar-se com o caminho que escolheu para a Igreja que lidera, embora eu saiba que os homens passam e as instituições ficam, julgo poder dizer com toda a propriedade que este Papa se arrisca, ao negar a evolução do mundo, a ser o responsável pelo aumentar da apostasia e não só na Europa, mas sim em todo o Mundo.

23 de março de 2007

Já era difícil, mas ultimamente... A maioria dos políticos é olhada pelo povo português com desconfiança e porquê, porque de quando em vez (mais vezes que quandos acrescente-se) esse mesmo povo é confrontado com atitudes, declarações, enfim uma série de panóplias por parte dos políticos que lhes retira credibilidade e os enterra ainda mais no escalonamento societário.
De certeza que estão a pensar "mas que raio de conversa". Mas isto tem uma razão de ser.
Juntemos três histórias distintas.
As atitudes e linguagem a que assistimos no final do Conselho Nacional do CDS/PP e que pelos vistos(acreditando nos diferentes relatos) aconteceu durante esse mesmo Conselho. E como se tudo isto não bastasse as declarações a posteriori quer de dirigentes com responsabilidade quer as declarações perfeitamente abstrusas de um senhor deputado sobre atitudes racistas ou coisa que o valha.
Passemos agora à entrevista de Valentim Loureiro que, para mim, só veio confirmar o que a justiça diz, para além de que esta entrevista caiu que nem sopa no mel, se bem que Judite de Sousa não lhe tivesse aparado os golpes que ele levava preparados.
Por último analisemos a questão da licenciatura de Sócrates, não pela licenciatura em si, mas pelo que já motivou. É público que a Universidade Independente atravessa uma fase complicada da sua vida (não entendo aliás a demora de Mariano Gago em resolver a questão). Mais pelo que as partes tem dito, facilmente se chega à conclusão de que lá dentro deveria ser uma balbúrdia. Sendo assim não acredito que somente o dossiê da licenciatura de Sócrates esteja nas condições descritas pelo jornal "Público".
Mas a questão não se prende com a licenciatura em si mesma. A questão prende-se com o facto desta matéria já ter servido de arma de arremesso político por parte do PSD e somente por parte deste partido, já que os outros acharam por bem possuir mais conhecimentos para posteriormente se pronunciarem.
Estas três histórias são bem ilustrativas do modo de alguns fazerem política. E é esta forma de fazer política que não só permite rotular os políticos, mas também agrava este profundo divórcio que existe entre o povo e os seus políticos.

Com formadores assim... Deixo-vos a análise feita pelo JN a uma conferência onde a oradora foi Júlia Pinheiro. Depois admiramo-nos dos conhecimentos dos licenciados...

Repita lá se faz favor. O Seminário sobre Estratégias Comerciais, organizado pela Development Systems, e que ontem decorreu, serviu para Luís Mira Amaral acusar as empresas de serviços públicos, designadamente de electricidade, gás e comunicações, de terem preços elevados e problemas de qualidade do serviço, afirmando mesmo que essas empresas têm "lucros fabulosos à custa do mercado doméstico".
Mas Mira Amaral não se ficou por aqui, acrescentou que as pequenas e médias empresas também "andam escamadas com PT, EDP e companhia", referindo que a falta de qualidade do serviço "está a acontecer em todo o país com total impunidade".
Para Mira Amaral, os gestores têm "a visão do marketing e das apresentações powerpoint" e "esquecem-se de que há redes físicas para operar". "Só são admitidos financeiros e homens do marketing; engenheiros, zero", criticou ainda Mira Amaral, que reafirmou que "há mais vida além do mercado de capitais", tendo ainda criticado "a degradação da qualidade técnica" em empresas de prestação de serviços públicos.
Agora vamos à outra face da moeda. Sabem quem é este senhor? Eu passo a explicar.
Luís Mira Amaral foi ministro da Indústria e Energia no tempo de Cavaco Silva, quem diria! Vejam como ele hoje se descarta da culpa que também tem nesta matéria.
Mas não fiquemos por aqui. Diz ele que hoje só são admitidos financeiros e homens do marketing e que engenheiros zero. É capaz de ter razão, mas talvez seja para contrastar com os engenheiros que ocupam o lugar dos financeiros. Atente-se no excerto do Curriculum:
Técnico Banco de Fomento Nacional (1979-84).
Presidente do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (1984-85).
Responsável Banca de Investimentos do Grupo BFE (1996).
Administrador do Banco Português de Investimento, S.A. (Grupo BPI) (1998-2002).
Presidente da Comissão Executiva do Banco de Fomento, SARL (Maputo),
Presidente da Comissão Executiva do Banco de Fomento (Luanda)
Administrador não executivo do Banco Post (Roménia) (1998-2002).
Administrador não executivo da CIMPOR - Cimentos de Portugal, SGPS, SA, da UNICER, SA, da VISTA ALEGRE - ATLANTIS, SA, da REPSOL PORTUGAL - Petróleos e Derivados, SA , da TVTEL - Grande Porto, Lda. (1997-2002), da ELECTRICIDADE DE PORTUGAL (2004). Administrador da Sociedade Portuguesa de Inovação, SA.
Vice Presidente da Caixa Geral de Depósitos (Nov.2002-Abril 2004).
Presidente Executivo da Caixa Geral de Depósitos (Abril 2004-Outubro 2004).
Aliás foi desta instituição que Mira Amaral saiu com uma reforma de 18 mil euros em Setembro de 2004. Na altura, segundo cálculos de sindicalistas, Mira Amaral acumulava uma pensão como deputado (1,8 mil euros) e como líder executivo da CGD (mais de 16 mil euros).
Comentários?!....

22 de março de 2007

Ontem foi dia de combate. Ontem a Assembleia da República foi palco do habitual debate mensal. O Governo atirou com o último número do déficit e a oposição defendeu-se como pode (mal, acrescente-se) com a Ota, a baixa de impostos, a subida dos juros, o modo como se chegou ao deficit e, na verdade, mais nada. Mas no meio ainda foi possível a alguns fazer malabarismo político.
Antes de continuar devo deixar aqui que o deputado do PSD Miguel Frasquilho deveria ter vergonha e pedir desculpas públicas ao Governo, em vez de optar pela demagogia como fez ontem na Assembleia. E digo isto, porquanto este senhor deputado disse no Parlamento, a 12 de Abril de 2006, que "A continuar tal estado de coisas, das duas uma: ou o objectivo do défice de 4,6% não será cumprido ou então vêm aí mais aumentos de impostos". Ontem queria baixar os impostos, sendo que sobre esta matéria o Governo já tinha falado em 31 de Março de 2006.
Portanto sobre a credibilidade de Frasquilho nestas matérias, estamos conversados.
Mas uma outra situação, também ela ontem ocorrida, merece destaque: refiro-me à intervenção de Santana Lopes.
É verdade que a guerra entre Santana e Mendes já estava acesa e não precisava de nenhum produto inflamante, mas ontem por ficar extremada, sendo que a culpa não se pode atribuir totalmente a Santana, pelo menos desta vez.
O caso é simples e conta-se em poucas palavras.
Após alguma troca de palavras entre Sócrates e Mendes sobre a Ota, Sócrates rematou dizendo "O que é inaceitável é que o sr. deputado enquanto Governo fosse a favor da Ota e agora só por ser da oposição defenda o contrário. Não me desmintam: esta era a posição do PSD".
Claro que Mendes foi obrigado a defender-se dizendo "O PSD não mudou de opinião, escusa de repetir uma mentira várias vezes porque ela não se transforma em verdade". Só que Sócrates tinha trunfos na manga e puxou por eles recordando as declarações dos ex-ministros Valente de Oliveira e de Carmona Rodrigues dos governos anteriores do PSD.
Estando as coisas neste pé, Santana não se conteve, pediu a palavra e disse "De facto, constava do programa de Governo a decisão de prosseguir com os estudos, no sentido da construção do novo aeroporto internacional, ou não, e em que localização. As citações que o sr. primeiro-ministro fez de governos anteriores eu conheço-as e correspondem, obviamente, à realidade".
Resultado KO técnico em Mendes.
Mas claro que nada disto é por acaso. Esta postura de Santana para com Mendes só acontece porque Marques Mendes tem feito questão em não defender por uma vez que seja o governo de Santana Lopes. Portanto, se as coisas correram mal a Mendes e viu-se que correram, fica a devê-las também a ele mesmo.
Curioso também foi verificar a cara dos deputados do CDS/PP (em especial a de Portas), quando Sócrates disse que "pensava que agradecer a Ribeiro e Castro era o mesmo que agradecer ao CDS".
Conclusão: Sócrates saiu de novo triunfal do debate: colheu os benefícios da redução do défice para 3,9 por cento do PIB em 2006, graças à “redução da despesa corrente”, tendo anunciado já que 3,3 por cento é a meta para a diminuição do défice em 2007, inferior aos 3,7 previstos e como se isto não fosse já suficiente ainda embrulhou mais a oposição à sua direita.

Mas ontem não foi só dia de debate, foi também o dia em que se ficou a saber quais os novos juízes que vão integrar o Tribunal Constitucional e, meus amigos, as conversas que ocorreram com o representante do PS e o do PSD deixam no ar alguma borrasca que deverá ser esclarecida com penas de o Tribunal Constitucional sair atingido na sua honra e edificante acção.
Atentem bem no texto que se segue e vejam como sai o TC de tudo isto.
Sobre a polémica gerada na sequência dos socialistas terem protelado sucessivas vezes as negociações com o PSD sobre os nomes dos novos juízes do TC, dado que queriam que a nova lei do aborto fosse aprovada pelos seus actuais membros, Marques Guedes(deputado e líder de bancada do PSD) limitou-se a afirmar que “seria melhor se se tivessem cumprido os prazos”. Ao que Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada socialista respondeu: “Não quero entrar por aí senão o PSD também teria que explicar muita coisa.”.
Isto é o quê?

21 de março de 2007

Hoje é o dia mundial de muita coisa.
OMS - Dia Mundial do Sono
UNICEF - Dia Mundial da Infância
ONU:
Dia Internacional Contra a Discriminação Racial
Dia Mundial da Floresta (Dia Mundial da Árvore), começa a Primavera
UNESCO:
Dia Mundial da Poesia
Dia Universal do Teatro

Dia Internacional da Língua Materna.

Hoje celebra-se, entre outros, o Dia Mundial da Poesia, instituído na 30ª Conferência Geral da UNESCO em 1999. Esta comemoração teve início em 1999 com o objectivo de estimular a promoção e a divulgação da poesia.
A minha singela contribuição aqui fica:

Fazer poesia

Noite adentro
olhos em brasa, rasos de água
a fazer poesia.
Verso a verso, como notas de música
numa esquecida melodia,
noite adentro a fazer poesia.
Já o hálito sabe a álcool
o cinzeiro transborda de beatas
e uma velha canção na boca
companhia na solidão,
noite adentro
preso no amor e na magia
noite adentro a fazer poesia.
Versos sem rima, sem luz,
versos de amor, de vida e de morte.
Versos e versos,
escape de uma vida sem alegria
noite adentro a fazer poesia.
Se morrer esta noite de pena na mão
quero ser enterrado bem no fundo do mar
em paz e melancolia.
Pois, aí mesmo, em profunda apatia
estarei noite adentro a fazer poesia.

Vítor Tomás

E após esta introdução, vamos à temática habitual. Ao que parece a Comissão de inquérito ao Envelope 9 já tem resultados e mais uma vez a montanha pariu um rato. Os culpados foi a Portugal Telecom e claro está o 24horas.

Nos últimos tempos temos assistido à tragédia do litoral português, tragédia essa que já "obrigou" Marques Mendes a deslocar-se às zonas em risco e a tecer mais alguns comentários demagógicos como é seu hábito.
Esta problemática não é só culpa do Governo e do INAG. Isto que está a acontecer é culpa de todos. Em primeiro culpa das pessoas que acham muito in ter as casas situadas em arribas, em cima das dunas, quase em pleno areal, se bem que o local mais indicado seria no sítio da rebentação..., saliente-se entretanto que muitas dessas casas são clandestinas.
O que digo das casas digo dos estabelecimentos comerciais (restaurantes e bares especialmente), porque estes se puderem ter uma varanda em cima do mar, não perdoam.
De seguida as culpas vão para todos os que a coberto não sei de quê passaram licenças de construção e alvarás de comércio às casa e estabelecimentos que referi anteriormente.
Claro que o Governo é culpado, este e todos os que o antecederam, porque ainda não teve a coragem de mandar deitar por terra esses empreendimentos construídos à margem da lei e da segurança.
Mas vamos ao caso do parque do Clube de Campismo de Lisboa. Eu percebo que é maravilhoso estar tão próximo do mar, aliás no site http://www.clubecampismolisboa.pt/, se formos a Costa da Caparica e analisarmos a sinalética vamos verificar que a gravura que representa o mar tem a indicação de 20 metros.
Resumindo: o alarido é grande, mas os culpados são todos e é importante não esquecer: o mar vem sempre buscar aquilo que lhe roubaram.

20 de março de 2007

Não ficou pedra sobre pedra. OCDS/PP desmoronou-se completamente. O verniz estalou e definitivamente nada poderá ser como dantes. As fracturas são profundas para que possam sarar com uma qualquer intervenção cirúrgica.
Claro que nada disto é por acaso e Ribeiro e Castro foi inteligente. Após ter suportado todas as diatribes que os seguidores incondicionais de Portas cometeram, teve ainda a luz suficiente para travar a impetuosidade desmedida de Portas, que pretendia que o partido lhe caísse aos pés qual D. Sebastião regressado de Alcácer-Quibir.
Claro que as cenas que a televisão mostrou do final do Conselho Nacional não dignificam ninguém, mas claro que são penalizadoras para Portas, já que foi ele que nunca deixou liderar Ribeiro e Castro e agora organizou esta macacada.
Como é evidente as declarações (a frio dizem uns) e as contra-declarações de ontem vieram demonstrar que não é só a barra (/) que divide o CDS do PP, é muito mais do que isso.
O que divide é antes a ambição desmedida de um conjunto de "yuppies" que de forma alguma se reveem nas linhas da democracia cristã.
O atraso e o aperto de mão tinham sido suficientes para, no Congresso de Coimbra, Paulo Portas apear Manuel Monteiro. Desta vez Portas não queria ter tanto trabalho, pensava que uma comunicação chegava para que todos lhe estendessem a passadeira e o entronizassem. Falhou rotundamente.

Disto a oposição não fala! Pudera. O passado dia 12 de Março vai ficar na historia pelo lado negativo. Foi neste dia que foi publicado o Dec.-Lei 55/2007 que veio alterar a lei que impunha a proibição de construir, num prazo de dez anos, em áreas florestais atingidas por incêndios.
Agora, e com este decreto vai ser possível construir desde que seja alegado interesse público ou se constatem ser empreendimentos com relevante interesse geral.
E o interesse pelo património florestal, onde é que entra? E o dinheiro que está a ser investido em reflorestações?
Um bocado para o esquisito.

No PSD há mais um candidato à liderança, trata-se de Santana Lopes que se junta assim a Filipe Menezes.
Estes são pois os declarados, no limbo ainda permanecem Aguiar Branco, Marcelo, António Borges e, quem sabe, talvez alguma surpresa oriunda da área de Cavaco.

Faz hoje um ano que foi inaugurado o Museu da Língua Portuguesa em S. Paulo, Brasil. Parabéns.
Para conhecer mais: estação da luz; museu.

Continuando na cultura, importa dizer que a Feira da «Primavera dos Livros» vai decorrer a partir de sexta-feira no Mercado da Ribeira, em Lisboa, com descontos entre os 20 e 80 por cento em livros novos e manuseados.

19 de março de 2007

Novamente. Regresso de novo ao último documento de Bento XVI uma vez que anteriormente centrei as minhas palavras nas alterações ao rito da missa.
Mas a "Exortação Apostólica da Eucaristia"(SACRAMENTUM CARITATIS), assim se designa o documento em causa vai mais longe. Relembra novamente a proibição do matrimónio dos sacerdotes e, numa perfeita negação da vida social dos nossos dias, proibe os católicos divorciados de receberem a comunhão, sendo que aqui num assomo perfeitamente utópico afirma que os divorciados que pretendam receber comunhão ou não podem viver com ninguém, tipo celibato, ou se viverem, essa vivência deverá ser igual à dos irmãos, sem sexo.
Isto para além de outras intrumentalizações perfeitamente absurdas.
A Igreja entra assim no reino da plena utopia.
Esta é a prova cabal de que com este Papa a Igreja vai entrar num período obscurantista, afastada da realidade social e num declive perigoso face a outras religiões e, porque não dizê-lo, face a outras seitas.
Estão pois confirmadas as apreensões que algum clero (nacional e internacional) e muitos leigos manifestaram quando viram assomar à varanda o cardeal Joseph Ratzinger como sucessor de João Paulo II.

Era espectacular. O argentino Luis Moreno Ocampo,procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI) admitiu, em entrevista ao jornal britânico "The Sunday Telegraph", que o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), George W. Bush, venham a ser processados por "crimes de guerra" cometidos no Iraque. Interrogado sobre se acreditava na possibilidade de Tony Blair e George W. Bush poderem vir a sentar-se algum dia no banco dos réus, no TPI, a fim de responderem pelos "crimes de guerra" que muita gente lhes atribui, o procurador-geral afirmou "Certamente, há essa possibilidade".
"Qualquer país que aderir ao TPI sabe que quem quer que cometa um delito no seu país pode ser processado por mim", disse o procurador. Segundo "The Sunday Telegraph", o embaixador iraquiano nas Nações Unidas, Hamid al-Bayati, afirmou que o país tenciona aderir ao Tratado de Roma, que estabeleceu o TPI, do qual é membro o Reino Unido, mas não os EUA, que rejeitam a jurisdição deste Tribunal. O TPI tem por objectivo promover o Direito internacional. Julga os indivíduos (por genocídios, crimes de guerra, crimes contra a humanidade). Não julga os Estados, que é tarefa do Tribunal Internacional de Justiça.
Seria divertido poder assistir a tal julgamento.
Imagino como é que não estão o Aznar e o Barroso que foram os outros dois a estarem presentes na célebre reunião dos Açores...

E por falar em Barroso. Esta coisa da Ota já começa a cheirar mal. Até aqui foi combate político puro e duro contra a Ota, agora passamos ao combate técnico e no entretanto vão todos querendo mais uns estudos que, como todos sabemos são tudo menos baratos.
Mas entretanto não entendo o porquê de só agora tanto alarido se esta matéria já foi equacionada em governos muito anteriores(Cavaco, Guterres, Barroso, Santana), sendo que por falta de coragem política, esta é que é a verdade, sempre foi relegada ou para a gaveta ou para o silêncio, sendo que a falta de coragem só originou o aumento do custo de tal empreendimento.
Que me desculpem mas o novo aeroporto faz-me lembrar a ponte Vasco da Gama e o CCB. A polémica foi avassaladora, mas hoje estão aí para gáudio e usufruto de quem deles se quiser servir.

Continuando para os lados de S. Caetano à Lapa, gostaria de falar da descida de impostos.
Custa-me a entender não a pura demagogia de Marques Mendes, mas antes o concordar de Miguel Cadilhe.
Tenho para mim que Miguel Cadilhe foi um excelente ministro das Finanças, assim como Leonor Beleza foi da Saúde, por isso causa-me algum arrepio a posição de concordância de Cadilhe face à ideia de baixa de impostos.
Vamos lá pensar claro e com seriedade.
O governo deu um profundo e duro apertão fiscal. Quando tal aconteceu, aqui del-rei porque o aumento de impostos não era promessa eleitoral, etc e etc. Entretanto e por muito que custe ao PSD o governo começa a equilibrar as contas públicas, chegando a números nunca vistos nestes últimos anos.
Mas emboras os números sejam muito bons é um facto que ainda não podemos rejubilar de alegria, até porque a economia nacional teima em permanecer num ritmo ainda lento. Mas claro que já há alguma folga. E claro, como há uma ligeira folga, nada melhor, segundo o PSD, do que estoirar com o que a muito custo se conseguiu amealhar que é para amanhã sermos obrigados a levar mais um apertão brutal.
Claro que nestas coisas há cabeças a funcionar devidamente como é o caso de Manuela Ferreira Leite, só que eles querem é esbanjar e pouco lhe importa o que ela diz.

Mas se na S. Caetano as coisas andam complicadas, no Largo do Caldas ainda é pior. Estou em crer que o Conselho Nacional não melhorou, antes piorou tudo, se bem que Portas é o único culpado desta confusão.

16 de março de 2007

"Boa malha". As regras para os arredondamentos em vigor para os contratos de crédito à habitação vão alargar-se aos restantes tipos de empréstimos e as companhias aéreas, agentes de viagens e operadores turísticos vão ser obrigados a indicar no preço das passagens aéreas todas as taxas.

Mendes teve ontem a sentença: os deputados não estão satisfeitos com ele e Santana Lopes disse mesmo que existem diferenças insanáveis.
Assim, bem pode o professor clamar ao domingo, que durante a semana já sabe que o seu amigo leva nas "orelhas"

15 de março de 2007

Ainda a propósito do programa da TVI vejam o que está hoje publicado no Correio da Manhã e que passo a transcrever:

"Tito - Namorado da jovem madeirense garante
Marina é boa aluna
Marina Rodrigues, ex-Miss Portugal que abraçou o desafio de participar no programa ‘A Bela e o Mestre’, da TVI, é mais do que uma simples cara bonita. Quem o diz é Tito, jovem futebolista do Marítimo, que mantém uma relação amorosa com a madeirense.

A empatia é evidente em todos os aspectos. “Gostamos de passear, ir ao cinema, ela até já gosta de futebol e eu também não desgosto de moda”, começa por apontar o futebolista.
Tito, avesso a conversas do tipo ‘cor-de-rosa’, acedeu dar o seu apoio a Marina através do CM, confessando acompanhar o seu desempenho com “prazer e nervosismo” e, claro, não teve pejo em explicar a razão que levou a cara-metade a não reconhecer o líder cubano Fidel Castro: “O facto de estar em frente das câmaras foi muito intimidante. A foto também era relativamente antiga, enfim. Todos os que criticam o facto de a Marina ter falhado essa questão deveriam ter uma experiência na televisão para perceber que, por vezes, se torna complicado raciocinar nessas alturas.”
O futebolista do Marítimo B, 21 anos, que passou pela formação do FC Porto, garante que a namorada “é boa aluna” e para comprovar isso releva: “Está no 2.º ano do curso de Relações Públicas e Cultura. Antes de entrar no programa, ela preocupou-se em rever algumas coisas de forma a não fazer má figura. Cultura geral tem muito que se lhe diga, podemos saber mais de determinadas coisas e menos de outras.”
A beleza de Marina foi, confessa, a força motriz da relação numa fase inicial, mas, com o passar do tempo, explica, “a forma de ser” da jovem acabou por se revelar “muito cativante”. Tanto que “temos uma relação séria. Aliás, ela pediu a minha opinião antes de entrar no programa e incentivei-a, porque considero ser uma boa oportunidade para ela. Pode ser um trampolim, pois está a ser vista”, releva.
Para Marina, esta é a segunda experiência na TV. Em 2004, ganhou o concurso Miss Portugal, ‘Sonho de Mulher’, exibido na SIC. Tito recorda-se do programa, embora não a conhecesse na altura. Mas, hoje, claro, conhece-a bem. “É uma líder por natureza. É extremamente interventiva, extrovertida e tem um apurado sentido de autocrítica. Está sempre a tentar melhorar e aprende com alguns erros que vai detectando”, define o namorado, que estará numa gala da TVI quando Marina for nomeada. “Prometi-lhe isso”, frisa ao CM aquele que é apontado como uma das maiores promessas dos verde-rubros e que tem tatuado na barriga a palavra Marina. Mas o nome de Tito também se pode ler – em chinês – no pulso da ‘bela’ concorrente.

A BELA CALINDADA
- Quais são As regiões autónomas de Portugal? ... Porto e Lisboa. Não? Então não sei!...”
- Há a mesopausa e a mesosfera. Mesopausa não é menopausa! Mesopausa é quando se pára?” (A mesopausa é uma das regiões da atmosfera. )
- Temos os Estados Federados da... microlândia? Acho que o meu dia de estudos está a correr muito bem!” (Estados Federados da Micronésia reúnem quatro estados das ilhas Carolinas na Oceânia.)

AMIGOS FAZEM DEFESA DE MARINA
Gonçalo Nuno, amigo de Marina e colega de equipa de Tito, vê "com muito prazer" o programa. "Tenho gostado da sua participação. O erro em relação ao Fidel Castro tem dado que falar, mas errar é humano, ainda para mais tendo em conta a pressão que deveria estar a sentir. Pelo seu carácter, a Marina tem muitas possibilidades de chegar ao fim do programa", afiança. Sandra Figueira, grande amiga da concorrente, diz que o formato “acaba por ter piada, pois une dois mundos completamente diferentes. Agora, não concordo que se diga que uma pessoa bonita não possa ser inteligente. A Marina pode ajudar a mudar esse conceito”. Edmar Fernandes"
Os sublinhados a verde são da minha responsabilidade.
Vejam só se não é a fome a juntar-se com a vontade de comer.
Acreditem que começo a ficar preocupado pelos rebentos que poderão advir de tal ligação.


Hoje é o Dia Mundial do Consumidor. Deixo-vos alguns links, para além dos que acompanham este blogue, para vos ajudar a ser consumidores informados

António Lobo Antunes.
1942. Nasce a 1 de Setembro, em Lisboa, filho de Maria Margarida Almeida Lima e João Alfredo Lobo Antunes.
1950. Viaja com o avô paterno, António Lobo Antunes, conhecendo a Europa, rumo a Pádua, Itália, devido a uma promessa que o avô fizera, ainda antes do neto nascer, na condição de que, se fosse rapaz e viesse a chamar-se António, o levaria à cidade que tem como patrono Santo António.
1970. Em 6 de Janeiro, é recrutado para o exército, para cumprir o serviço militar, donde sairia como alferes miliciano, mais tarde promovido a tenente. Casa com Maria José Fonseca e Costa, em Agosto.
1971. Também a 6 de Janeiro, embarca para Angola, um dos teatros de operação da guerra colonial. É nestas condições que viria a firmar uma longa amizade e cumplicidade com o então capitão Ernesto Melo Antunes.
1973. Regressa de Angola em Março. Ingressa no final do ano no Hospital Miguel Bombarda como médico psiquiatra.
1976. Começa a escrever Memória de Elefante, o seu primeiro romance publicado.
1977. Termina Memória de Elefante e inicia Os Cus de Judas.
1978. Começa a escrever Conhecimento do Inferno.
1979. Ano em que oficialmente inicia a sua carreira literária, com a publicação dos livros Memória de Elefante e Os Cus de Judas, ambos editados pela Vega (colecção o Chão da Palavra). A publicação deveu-se ao grande incentivo dos amigos, principalmente de Daniel Sampaio.
1980. É publicado, pela Vega, Conhecimento do Inferno.
1981. Ainda na Vega, publica Explicação dos Pássaros.
1983. Em Novembro publica Fado Alexandrino, já pela Dom Quixote (editora onde publicará toda a sua obra). Primeira tradução para uma língua estrangeira (inglês), com Os Cus de Judas (South of Nowhere).
1985. Dedica-se totalmente à actividade de romancista, deixando aos poucos de exercer a psiquiatria, embora não abandone o Hospital Miguel Bombarda, onde manterá alguns doentes. Publica Auto dos Danados, com que recebe o Grande Prémio de Romance e Novela da APE.
1988. Em Abril publica As Naus, cujo título original seria O Regresso das Caravelas, mas impedido de o usar porque alguém já o tinha registado.
1990. Publica Tratado das Paixões da Alma. Começa a ser falado para o Prémio Nobel da Literatura.
1992. Morre a sua tia Madalena, referida em A Ordem Natural das Coisas, que é publicado em Novembro desse ano.
1994. Publica A Morte de Carlos Gardel. Prefacia a edição pela Dom Quixote de O Som e a Fúria, de William Faulkner.
1995. Publica o seu primeiro Livro de Crónicas, dedicando-o ao homem que marcou a sua vida, o avô António.
1996. Publica Manual dos Inquisidores. É laureado com o Prémio France Culture (França), pelo romance A Morte de Carlos Gardel.
1997. Recebe novamente o Prémio France Culture pelo romance Manual dos Inquisidores. Publica O Esplendor de Portugal. O seu nome continua sendo apontado como um dos candidatos ao Prémio Nobel da Literatura.
1999. Publica Exortação Aos Crocodilos, e recebe o seu segundo Grande Prémio de Romance e Novela da APE, e ainda o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus.
2000. Publica Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura. Recebe o Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco pelo romance Exortação Aos Crocodilos.
2001. Publica Que Farei Quando Tudo Arde?.
2002. A editora publica o seu Segundo Livro de Crónicas.
2003. É publicado o romance Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo. É galardoado com o Prémio Internacional União Latina e com o Prémio Ovidius, da União de Escritores Romenos. O seu nome não deixa de ser falado como futuro Prémio Nobel.
2004. Recebe o Prémio Fernando Namora da Sociedade Estoril Sol, pelo romance Boa Tarde Às Coisas Aqui Em Baixo, e pelo conjunto da obra é galardoado com um dos grandes prémios internacionais de literatura, o Prémio Jerusalém. Publica Eu Hei-de Amar Uma Pedra, no mesmo ano em que comemora 25 anos de vida literária.
2005. É distinguido pela Grande Ordem de Santiago de Espada, e recebe o Globo de Ouro Sic / Caras 2004 na categoria Artes. Em Junho, a Biblioteca Municipal de Nelas adopta o seu nome. Suas filhas Maria José e Joana publicam em Novembro as cartas que escreveu a sua mulher durante o período em Angola, sob o título D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto - Cartas da Guerra.
2006. Publica em Março o seu Terceiro Livro de Crónicas. Recebe o Prémio José Danoso 2006 atribuído pela Universidade Chilena de Talca. Em Outubro publica o 18º romance, Ontem não te vi em Babilónia. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro.
2007. A "mestria em lidar com a Língua Portuguesa" e a "capacidade de descortinar os recessos mais inconfessáveis dos homens, transformando-o num exemplo de autor lúcido e crítico da realidade literária" estiveram na origem da atribuição do Prémio Camões 2007 por decisão unânime de todo o juri.

foto: David Clifford

14 de março de 2007

Algo se está a passar no "reino" de Jardim. As declarações de Alberto João Jardim à Agência Lusa, deixam antever que algo se passa na ilha da Madeira, para além de que está a começar a "fazer agulha" para Cavaco.
Vejamos essas declarações: «não ter maioria absoluta de deputados aconselharia a que fosse outra pessoa do PSD-M a formar governo visto que teria sempre melhores condições para isso»; «para minha surpresa, e utilizando um estranho critério ético-político, o PR promulgou a lei, mas fazendo-a acompanhar de uma declaração da sua Casa Civil onde diz que os órgãos de governo próprios da região poderão a qualquer altura recorrer ao TC para apreciação sucessiva de eventuais inconstitucionalidades. Isto parece o jogo do empurra»; «não compreendo bem a actuação do Chefe de Estado neste seu primeiro mandato»; «para já, o PSD-M mantêm toda a sua lealdade ao Presidente da República».
Talvez isto indicie que afinal as coisas podem não ser tão lineares como ele sempre quis fazer transparecer.

Quem nos defende desta magistratura? O Tribunal da Relação do Porto (TRP) absolveu, no passado mês de Fevereiro, um homem acusado por um crime de maus tratos à mulher e condenado no Tribunal de Peso da Régua por dois de ofensa à integridade física simples. Para além de uma questão processual (prazos) os juízes desembargadores também consideraram que o indivíduo não cometeu um crime de maus tratos, porque bateu na mulher "apenas duas vezes".
Os juízes desembargadores Élia São Pedro, António Valente de Almeida, Maria Esteves e José Papão não aceitaram a tese dos maus tratos, tendo declarado no acórdão que "Deu-se como provado que o arguido por duas vezes agrediu a ofendida com murros na cara e no corpo, tendo ainda puxado o cabelo à ofendida, a qual sofreu dores, hematomas e nódoas negras". Mas, continuaram os juízes, "não se provou a prática reiterada (apenas duas vezes), a dimensão dos referidos hematomas e nódoas negras (...). As lesões psíquicas também não foram minimamente identificadas".
Não é a primeira vez que tribunais superiores avançam com acórdãos perfeitamente caricatos, alguns dos quais acabam por merecer reparo de instâncias internacionais.
Claro que é urgente uma vassourada séria nalguns grupos sociais.

Não sei porquê, mas estou convicto que ainda vamos ter que pedir desculpa a Fátima Felgueiras e de lhe dar uma condecoração pelos relevantes serviços prestados.
Realmente um país onde a corrupção é o que é, onde um arguido quer ser julgado em praça pública e não nos tribunais, uma autarca "dá à soleta" para outro país e mais tarde regressa, concorre e vence as eleições, onde são proferidos acórdãos como o que anteriormente falei, onde a câmara da capital está embrulhada até aos cabelos em processos menos claros, onde a mediocridade é elevada a estrelato, onde se dão diplomas a quem nada fez para os merecer e etc. e etc., é um país que dificilmente se salvará.
Afinal de que vale o nosso esforço?

13 de março de 2007

Assim não há hipótese. Ao que parece o Estado vai intervir em defesa dos moradores dos chamados "bairros de lata" que as câmaras têm vindo a demolir no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER) como aconteceu, por exemplo, recentemente nos municípios da Amadora, Cascais e Lisboa.
O grande problema que eu vejo nisto tudo é que estas pessoas reocuparam barracas que haviam sido anteriormente abandonadas por outras famílias que conseguiram um realojamentos em habitações sociais no âmbito daquele programa de realojamento.
Quer isto dizer que nós, sim porque o Estado somos nós todos, passamos a vida a pagar casas para uns quantos.
Isto mais parece uma rede do que outra coisa. Sai um para uma casa nova, entra imediatamente outro para a barraca (às vezes até entra o mesmo após alugar a casa nova) que passado algum tempo está a reclamar porque ainda não recebeu casa.
Desculpem lá, mas para nós que andamos uma vida inteira a pagar uma casa e que temos ainda de pagar mais umas quantas para estes artistas, começa a ficar muito complicado.

Será que temos um letreiro na testa a dizer que somos imbecis? Carmona Rodrigues deve pensar que somos todos parvinhos (assim tipo as meninas do concurso da TVI).
O sr. presidente da autarquia lisboeta (se fosse eu já tinha tido a dignidade e o discernimento de pedir a demissão) veio hoje anunciar um novo sistema de «gestão centralizada de compras». Carmona garante que, ao concentrar numa única entidade todas as aquisições da autarquia, vai poupar cerca de 33 milhões de euros em seis anos e conseguir «economias de escala».
Bem, a história da escala deve ser defeito de profissão; quanto à poupança de 33 milhões, apraz-me dizer que são muitos milhões, para alé de que então têm andado a fazer gastos supérfluos e que a vontade de poupar deu-lhe agora após aquela turbulência toda; quanto aos seis anos, tenha dó e paciência e não insulte a nossa inteligência.

12 de março de 2007

Eu andava a evitar falar da TVI, mas não há hipótese alguma de não o fazer. A história de colocar no ar a "Gala das Maravilhas do Mundo" no mesmo dia em que a televisão fazia 50 anos em Portugal já não me tinha caído lá grande coisa.
Eu percebo que a RTP e a TVI são dois canais diferentes e que a programação de um nada tem que ver com a do outro ou que não tem que haver jogos de fair play, etc. e etc., mas que diabo a TVI programou para o dia em que se comemoravam os 50 anos de entrada em funcionamento da televisão a "Gala das Maravilhas do Mundo", sabendo desde sempre que a RTP nunca poderia deixar de comemorar a data em questão.
Eu que já sinto algum frenesim com a programação medíocre que a TVI vai passando (novelas de faca e alguidar, séries juvenis perfeitamente abstrusas -Morangos) chego a momentos destes e fico em autêntico pé-de-guerra.
Estava eu ainda a digerir este lamentável episódio quando ontem aparece um novo programa digno de figurar nos anais da imbecilidade. Refiro-me como é evidente ao "A Bela e o Mestre".
Estamos perante um programa que se pode inserir nos reality shows rasteiros com que os canais nos têm brindado (a TVI: 2000-Big Brother; 2001-Big Brother2, Big Brother3; 2002-Big Brother Famosos e Big Brother Famosos2; 2003-Academia de Famosos e Big Brother4; 2004-Quinta das Celebridades e Fear Factor; 2005- 1.ª Companhia, 1.ª Companhia2 e Quinta das Celebridades 2; 2006-Doutor, Preciso de Ajuda, Canta Por Mim, Pedro O Milionário, O Meu Odioso e Inacreditável Noivo e Circo das Celebridades; 2007 o primeiro é este A Bela e o Mestre; a SIC Acorrentados, O Bar da TV, Senhora Dona Lady, Esquadrão G) e que mais não são do que autêntico lixo.
Mas voltando ao "A Bela e o Mestre" apraz-me salientar que este programa merece destaque. Merece destaque porque aparece três dias após a comemoração do Dia Internacional da Mulher, sendo que é o maior ataque que tenho visto nos últimos tempos à dignidade da mulher.
Neste programa a mulher é tratada tão só como um simples e mero objecto sexual, desprovida de inteligência, sendo que para este programa somente tiveram que treinar um cruzar e descruzar de pernas, numa imitação rasca e barata do Instinto Fatal 1(Basic Instinct, 1992)da Sharon Stone e achar que a autora de "A Sibila" depois de algumas tentativas era Agustina Bessa Luz(só perceberá este trocadilho quem viu o programa, já que ele está relacionado com pistas dadas pelo apresentador).
Mas se as mulheres ficam mal no retrato, os homens também não ficam melhor.
Os chamados "mestres" são uns tipos pseudo-inteligentes (se fosse inteligentes não estavam ali) com um corpo pior que ruim e que vão ensinar as meninas e ao mesmo tempo sair dali tipo playboy.
Quanto aos apresentadores, não farei uma única referência, porquanto não entendo como é que algém com o mínimo de inteligência se presta a apresentar o programa.
Mas se não falo dos apresentadores, falo do júri.
Um tal qualquer coisa Quevedo que não sei quem é e que fiquei a saber que é argentino de nascença não me merece qualquer referência, para mim não existe sequer.
Os outros três elementos merecem algumas referências.
Não sei o que é que a Marisa Cruz, que eu acho inteligente, está ali a fazer. A sua imagem em nada sai beneficiada, antes pelo contrário.
Quanto aos outros dois elementos, a coisa é mais séria.
Como é que é possível que a Clara Pinto Correia e o Rui Zink se tenham prestado a semelhante papel, só se andarem mesmo mal de finanças e o cachet seja fabuloso, mas mesmo assim eu era incapaz de me "vender".
Nunca mais, a partir deste momento, se poderá reconhecer autoridade moral ao Zink nem à Clara para dissertarem sobre os ataques à dignidade do ser humano.
No que a mim diz respeito esclareço que regressou à estante sem acabar de ser lido o romance "A primeira luz da madrugada" de Clara pinto Correia o que atesta bem a minha decepção.

E por falar em decepção. Decepcionado fiquei hoje ao ler o editorial do DN. No caso de Luís Delgado que no mesmo jornal e num artigo de opinião fala um pouco do mesmo tema já nada me surpreende, aliás só me surpreende ele continuar a ser cronista de coisa nenhuma.
Fico decepcionado porque nenhum diz que a Iñaki De Juana só lhe faltava pouco mais de um ano para cumprir pena pelo crime de ameaças terroristas”.
Estes dois senhores recusaram perceber que esta decisão do governo espanhol, foi uma decisão difícil e que só existiu para não criar mais um mártir da ETA. Porque não haja a menor dúvida que Iñaki não sobreviveria muito mais tempo (encontrava-se em greve de fome à 114 dias).
“Chaos”, como também era conhecido, saiu do hospital madrileno de Doce de Octubre, em direcção a Donostia, no País Basco, onde ficará internado e será alimentado à força até estar em condições de regressar a casa, onde irá cumprir o resto da pena sob vigilância policial.
Gostaria de saber o que é que estes senhores escreveriam se Iñaki de Juana tivesse falecido na prisão?

9 de março de 2007

O produto interno bruto português registou um crescimento de 1,3% em 2006. Estamos perante o ritmo mais acelerado desde 2004, ano em que se realizou em Portugal o campeonato europeu de futebol Euro’2004. As exportações, com uma subida de 8,8%, foram as que mais contribuíram para o crescimento económico.
Importa lembrar que o Governo antevia um crescimento de 1,4%.
Mas convém não esquecer igualmente que o Banco de Portugal e a Comissão Europeia previam um crescimento de 1,2%.
Já a OCE acertou Em "cheio" foi a OCDE que previa um crescimento de 1,3% no PIB português.

Porque falamos de economia, importa salientar que o Banco Central Europeu subiu novamente o preço do dinheiro. A taxa directora está agora em 3,75%.
Esta subida fica a dever-se ao temor dos governadores dos bancos centrais em que existam tensões inflacionistas provocadas pelos aumentos salariais.
Claro está que estes senhores só podem estar a mangar com o pessoal.
É verdade que a economia europeia cresceu a um ritmo de 2,6% em 2006. É verdade que se espera um ritmo de 2,7% para 2007. É verdade que as fábricas começam a estar a laborar a todo o vapor.
É verdade tudo isto, mas é curto para explicar a subida destes 25 pontos-base (0,25%).
Com o dinheiro a ficar mais caro como é que querem que seja o consumo das famílias a assumir o papel de motor das economias.
Nâo nos podemos esquecer que na zona euro o nível do desemprego é elevado. Mais, as empresas têm estado a obter lucros mínimos, pelo que neste momento pretendem estabilizar custos e obter mais lucros, logo ou os aumentos vão ser diminutos ou o desemprego vai aumentar.
Embora o nosso país não possa servir de exemplo para aquilatar o que ocorre na zona euro, importa salientar que os portugueses começam a não conseguirem fazer face às despesas que possuem. Só a mero título informativo pode-se dizer e a Euribor a 6 meses, que é só a taxa mais usada no crédito à habitação, subiu 45% no ano anterior.
Em face disto, não esperem que seja a população o tal motor.
Talvez seja tempo de todos nós mostrarmos a esse grupo de pseudo-sábios que a economia é algo mais do que gráficos e números traçados numa qualquer folha.

Deixemos a economia e viremo-nos para a história. Alemanha quer aproveitar a presidência da União Europeia para criar um Livro Europeu de História para os estudantes dos 27 estados-membros. E, ao que parece, até já tem um manual franco-alemão para servir de modelo.
Cá por mim a União Europeia já impõe demasiadas harmonizações, por isso não nos queiram agora impor mais esta.
Arthur Schopenhauer disse que: "o que a história conta não passa do longo sonho, do pesadelo espesso e confuso da humanidade".
Pois bem, nós portugueses (sem falsos nacionalismos) temos direito ao nosso sonho e ao nosso pesadelo, assim como toda e qualquer outra nação tem.

Tribunal civil versus justiça militar. Alguma coisa se está a passar que não consigo perceber. O tribunal administrativo de Sintra decidiu manter, embora com carácter provisório, as providências cautelares (de 14 e 15 de Fevereiro deste ano) que suspenderam a aplicação da pena de detenção - de cinco a sete dias, ordenada pelo comandante operacional da Força Aérea - a 10 sargentos deste mesmo ramo das Forças Armadas.
Quer isto dizer que o Tribunal decidiu manter em liberdade os sargentos que tinham sido punidos disciplinarmente pela Força Aérea.
As Forças Armadas assentam numa base onde a disciplina e a hierarquia são a referência fundamental do seu funcionamento. O que este tribunal civil fez foi derrubar esses pilares. Ao ajuizar neste sentido fez tábua raza de um RDM que está em vigor e disse que daqui para a frente os militares podem contestar o que quer que seja e da forma como quiserem porque jamais vão sentir o peso de um Regulamento que aceitaram de viva voz quando entraram para a instituição.
Andou mal o Tribunal neste caso como continua a andar mal em muitos outros. E já agora quem julga os juízes?
Para mais sobre esta matéria pode ver-se o RDM e o Código de Justiça Militar.

8 de março de 2007

Pintura de Fernando Barbosa


O olhar
Canto I

No princípio está o olhar.
Ocasional e inconsequente olhar de ver,
como se vê o dia, a noite, o automóvel e o pássaro, o cão vagabundo;
como se vê o próprio umbigo.
Sem emoção.

Mas quando se olha, corre-se o risco
de ver,
entre tanta coisa e tanta gente, alguém que estala,
- às vezes rebenta –
alguém que salta à nossa frente e se ilumina, ali aos nossos olhos,
como um fogo de artifício, ponto de luz, inevitável foco
para o não mais distraído olhar que nesse alguém se deixa,
se planta
e se vislumbra,
como o olhar de uma criança que encontra o brinquedo perdido.
Então não mais se olha.
Apenas se vê.
E quanto mais se vê, mais se olha
porque olhar é o primeiro gesto de dizer que a vi.
E que o meu olhar lhe diga que a percebo
- entre tanta coisa e tanta gente –
e a percebendo gosto e gostando a quero.
O olhar aí é a descoberta. O sinal de aviso.
E quando ela se descobre olhada, também vê.
E se quando vir percebe, e percebendo gosta,
olha também.

Canto II

É ela, já se viu!
E, se olhou... meio caminho andado,
- porque andar é preciso -.
Segui-la na multidão,
atropelar os passantes, atravessar com o sinal fechado,
negar a esmola a quem pede, fingir que não se vê o amigo,
esquecer mesmo a hora marcada.
É ela sem dúvida.
Que longos caminhos teremos feito estupidamente.
Quanto tempo perdido para chegar até aqui,
a esta esquina tão comum, num dia como qualquer outro,
neste prosaico começo de tarde?
É ela!
O seu jeito de andar não chega a ser sensual.
Ela desliza e sabe que desliza, com um andar que não usa todos os dias.
Mas sabe que eu vou ali,
Tímido e ardoroso à espera de a encontrar.
Naquele momento ela não vai a lugar algum. Esqueceu-se onde ia.
Está simplesmente na minha mira e anda.
Não anda, dança.
Dança um balet furtivo.
Os seus passos soltos pela rua e pela tarde.
O seu olhar não vê nada. Distrai-se com tudo.
Refreia o passo. Aguarda-me.

Canto III
Um olhar, uma caminhada.
Já me sinto apaixonado como se ninguém tivesse visto antes
e nada tivesse andado.
- Eu sou o João!
- Eu sou a Maria!
Quem já terá visto um sorriso tão bonito?
Quem terá ouvido coisa assim: eu sou Maria?
Apenas um olhar, um nome e um sorriso,
um jeito de andar,
um sorriso e um nome de mulher,
uma mulher, um olhar e um sorriso.
Um jeito de andar.
Apenas só isso?
Maria falava com um timbre de violoncelo, mas não era tudo, não era apenas música.
Enquanto ela falava,
sorria
- então não era sorriso, ela falava -.
Ela sorrindo dizia docemente: eu sou Maria.
- Eu sou Maria.

Poema de Vítor Tomás

Para as Mulheres neste Dia Internacional da Mulher.

7 de março de 2007

Bardaonça com esses gajos. O relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre direitos humanos aponta imensas críticas a Portugal, nomeadamente abusos das forças de segurança, más condições das cadeias, recurso excessivo da prisão preventiva e tráfico de mão-de-obra estrangeira e de mulheres.
Se não fosse lamentável, até podia divertido.
Desde quando é que um país que faz o que faz em Guantanamo, que faz o que faz aos hispânicos e negros residentes nos EUA, onde os polícias utilizam uma brutalidade vergonhosa, para além de muitas outras práticas contrárias aos direitos humanos, tem autoridade para criticar os outros? Ora tenham lá paciência.
Boa malha a resposta do nosso MAI.

Fechem-se ainda mais. A Igreja em vez de se abrir para o Mundo, insiste em fechar-se cada vez mais dentro da sua concha.
O Vaticano vai divulgar no próximo dia 13 de Março um documento do Papa sobre a eucaristia, onde este defende um maior "decoro e sobriedade" nas celebrações.
A exortação apostólica de Bento XVI, que tem por título "Sacramentum Caritatis", propõe diversas reformas litúrgicas nas missas, como a recuperação do canto gregoriano ou a música polifónica clássica, por forma a que o seu uso seja mais generalizado na celebração das missas.
O Sumo Pontífice pretende que sejam excluídas um conjunto de liberdades litúrgicas que foram introduzidas à sombra da reforma conciliar do Vaticano II (1965), como sejam as músicas de origem secular e os instrumentos "inadequados para o serviço litúrgico" (guitarras eléctricas e baterias, entre outros instrumentos).
Mas o que mais surpreende na reforma da "Sacramentum Caritatis" é a solicitação papal para que o latim seja usado com maior frequência nas celebrações (na missa e outros actos litúrgicos), contrariando assim mais uma das disposições do Vaticano II que determinou o uso das línguas vernáculas em todos os actos litúrgicos da Igreja Católica.
Ainda não é público todo o conteúdo do novo documento papal, mas só o facto de "propor" a adopção da missa em latim já merece a nossa contestação, para além de que se pode aferir daqui que o sector mais conservador da Igreja (Sociedade São Pio X, por exemplo, cujos seguidores foram considerados cismáticos pelo próprio João Paulo II) de que Bento XVI é admirador está apostado em dominar a Igreja.
(Vaticano II tem duas ligações diferentes)

Cavaco dá "segundo tiro" em Jardim. O facto do Presidente Cavaco Silva ter promulgado a Lei de Finanças Regionais sem quaisquer reparos já tinha sido visto como um tiro do "sr. Silva" no porta-aviões de Jardim. Claro está que Jardim no seu diário de bordo falou de tudo e de todos, menos do tiro dado pelo "sr. Silva".
Pois bem o "sr. Silva" acaba de lhe dar mais um fogacho.
Marcou para o dia 6 de Maio as eleições antecipadas na Madeira, mas deixou um aviso a Alberto João Jardim: o Governo regional fica “limitado à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos da Região”, sendo que a recomendação de Cavaco Silva ao Governo regional surgiu após o alerta feito pelos partidos da oposição durante a ronda de audiências na semana passada, para os alegados abusos de João Jardim na pré-campanha. Estamos pois, perante um "tiro" que Cavaco só disparou após a oposição ter apontado e desprezando as palavras do artilheiro.

E Marques Mendes o que acha da nota, lida ontem pelo chefe da Casa Civil da Presidência da República, Nunes Liberato, onde Cavaco Silva deixou o seguinte apelo: “Que este acto eleitoral, bem como a campanha que o precede, decorram com serenidade e elevação, e que o debate democrático entre as diversas forças políticas constitua uma oportunidade para o esclarecimento de todos os madeirenses quanto ao seu futuro”.
E já agora o que é que ele pensa do PSD-Madeira ter criticado a ida de elementos da Comissão Nacional de Eleições (CNE) à Madeira, no âmbito das eleições antecipadas, por considerar que a sua visita se trata de uma “vilegiatura que indica conflitualidades”, sendo que no comunicado distribuído no Funchal, o PSD-Madeira salienta que “nunca reconheceu a comissão” porque a sua constituição, sendo composta por representantes dos partidos e vários ministérios, “não lhe garante objectividade”.

6 de março de 2007

A Independente. Mariano Gago deve intervir já na Universidade Independente. Neste momento, o que está em causa é tão só os alunos, sendo que estes deverão ser distribuídos por outras Universidades, sendo que a Independente deverá ser responsável por todo e qualquer pagamento.
Isto não é só fundar universidades na procura de lucros cegos.
E porque hoje tudo tem uma componente económica importa salientar que com estes casos (não é o primeiro) talvez o Estado vá percebendo que a educação não pode ser objecto de OPAs e que não pode abdicar da golden share que tem no sector.

O líder do PSD propôs hoje a criminalização do enriquecimento ilícito para titulares de cargos públicos, cabendo às autoridades fazer prova da disparidade entre os rendimentos do investigado e o seu património e estilo de vida.
Estou em crer que esta terá sido a proposta mais importante dos ultimos tempos feita por Marques Mendes. É pena que a ideia inicial não seja dele, antes tenha como patrono o ex-deputado socialista João Cravinho.
E já agora quais são os cargos abrangidos por esta proposta? É que eu não gostaria de ver excluídos deste ramalhete os autarcas e os directores gerais para além de algumas outras.

Hoje
1899 - A Bayer regista a aspirina como propriedade industrial;
1980 - A escritora belga Marguerite Yourcenar torna-se a primeira mulher eleita para a Academia Francesa;
2001 - Um juiz federal argentino declara inconstitucionais as leis de amnistia de Ponto Final e Obediência Devida, que impediram o julgamento de mais de mil militares e polícias pelos crimes cometidos durante a ditadura

5 de março de 2007

Lá foi a OPA. A Opa proposta por Paulo e Belmiro foi à vida. Para a história fica um ano de propostas e contrapropostas, de guerras surdas pelo meio, de posições de força, enfim fica muita coisa. Agora o que ressalta em primeiro lugar é tão só uma grande derrota da Sonae e uma vitória incontestada de Ricardo Espírito Santo, Berardo, de Granadeiro e Zeinar Bava.
O futuro já ditou a sua lei e que se pode resumir em: a Sonae pode avançar para a PTMultimédia, mas terá de ter muitas cautelas e não vai ser nada fácil.
Mais, a Sonae deixa de ter um parceiro fabuloso que é a Telefónica. Queiramos quer não, a Telefónica só ficou ao lado da Sonae, porque caso esta ganhasse, tinha o caminho aberto para ficar com a Vivo (a operadora móvel do Brasil) a um preço fabuloso. Como é evidente este negócio interessava quer à Sonae, quer à Telefónica.
À Sonae porque realizava de imediato dinheiro que era muito bem vindo face ao negócio. A Telefónica porque comprava a preço de saldo a outra metade da Vivo ficando senhora e mandadora de uma operadora móvel do Brasil, operadora essa que já representa cerca de 30% do tráfego móvel brasileiro.
Era um negócio supimpa para os dois. Azar. Quem tudo quer tudo perde.
Merece destaque a posição do Governo que se absteve, deixando funcionar o mercado.

Por falar em Governo, diga-se que estou com uma enorme curiosidade sobre o sistema de pagamento do lixo e sobre a reestruturação das forças de segurança.
Já não estou com curiosidade sobre a asneira que o Governo vai fazer vendendo uma vasta série de veículos.
Numa altura em que a componente ambiental é de suprema importância, componente essa que vai aliás se repercutir no preço dos veículos, o Governo vai vender uma quantidade enorme de veículos, sendo que a quase totalidade está em péssimas condições. Ora sendo assim o porquê do Governo não os entregar nos centros de abate.
Isto não é só criticar o cidadão, é preciso dar o exemplo e neste caso o exemplo deixa muito a desejar.

Não tenho por hábito dissecar aqui matéria ligada ao futebol. Tenho as minhas preferências clubísticas, mas não passo daí.
Mas este fim-de-semana ocorreu uma situação que não posso deixar passar em claro.
Nos jogos de futebol deste fim-de-semana deveria ser guardado um minuto de silêncio em memória daquele que foi guarda-redes do Benfica e da Selecção Nacional.
Em todos os estádios isso aconteceu, com excepção do estádio do Dragão, onde a claque dos Super Dragões fez questão de assobiar e de entoar cânticos menos próprios para com o Benfica.
Trata-se de uma atitude inqualificável que prontamente foi abafada pelas palmas dos restantes espectadores presentes no estádio e que fizeram questão de dar a saber que não acompanhavam o pensamente daquela claque portista.
Como todos sabemos a problemática das claques ultrapassa o grupo de adeptos que as formam. As claques quer queiram quer não, são um problema do clube e se hoje elas são o que são é porque os clubes as deixaram à solta.
Impunha-se que no sábado o sr. Pinto da Costa sempre tão rápido e verrinoso nas apreciações, tivesse sido rápido a condenar publicamente a atitude dos Super Dragões. E mesmo que não o quisesse fazer pelo Bento guarda-redes do Benfica, deveria te-lo feito pelo Bento guarda-redes da Selecção ou pelo Bento homem que merece o respeito de todos e cada um de nós.

2 de março de 2007

O regresso do rapaz. Ontem Paulo Portas, de uma penada, ignorou Marques Mendes, derrubou Ribeiro e Castro e fez-se à aliança com Sócrates.
Mas vejamos melhor a situação e analisemos a falta de credibilidade deste rapaz tão afoito.
Para início coloquemos a questão: o que é que Portas tem hoje que não tinha há dois anos atrás quando abandonou a liderança? A resposta é simples e clara: nada.
Por outro lado importa dizer que a crise que o CDS/PP atravessa teve origem no preciso momento em que Telmo Correia perdeu para Ribeiro e Castro a direcção do partido. E mais essa crise tem culpados e eles são Paulo Portas e os seus apaniguados.
Mas a intervenção de ontem, que ocorreu na sala Fernando Pessoa (coitado do poeta) no CCB, demonstrou mais umas quantas atitudes reprováveis.
Por exemplo, quando Portas falou de Sócrates e do governo fê-lo como se fosse já presidente do partido. Ora isso é uma falta de respeito pelo actual líder e uma enorme falta de ética, factos que nada abonam em favor de quem se diz ter uma diferente conceito de estar na política.
Mas embora isto já fosse suficiente para o descredibilizar, há mais.
Como é que se pode classificar a actual atitude de Portas que se permite desafiar uma direcção que se encontra a meio de um mandato legitimamente concedido pelos militantes, sendo que ele não desafia, quer o seu derrube ainda antes das eleições da Madeira.
Realmente a Portas sobra-lhe em petulância o que lhe falta de democrata.

Portas e o PSD. Esta tentativa de Paulo Portas recuperar a liderança do CDS/PP está a causar preocupação entre as hostes sociais-democratas, aliás os últimos comentários de Rebelo de Sousa sobre a matéria já mostravam isso mesmo.
Eu percebo que a Direcção Nacional do PSD insista, a todo o custo pelo menos para o exterior, em desvalorizar a situação que se vive no CDS mas internamente eles sabem que o regresso de Portas pode tirar visibilidade a Marques Mendes e ainda por cima numa altura em que os críticos apertam lhe apertam o cerco, como foi ontem o caso de Santana Lopes ao tecer um violento ataque à liderançade Mendes.
Claro que Luís Filipe Menezes já percebeu que se Portas assumir a liderança todo o espaço mediático à direita de Sócrates pertencerá a Portas e não ao PSD, e foi por pensar assim que Menezes comentou imediatamente após a declaração de Portas, que o PSD precisa também de um clic.
Veremos no futuro qual a estratégia de Mendes, sendo certo que era conveniente olhar bem para o terreno que pisa porque de um momento para o outro ele cederá sobre os seus pés.

Mais sobre o regresso com Fernanda Câncio hoje no DN.

Estarei com alucinações? O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, revelou ontem no programa "Grande Entrevista" da RTP, estar disponível para se candidatar às eleições autárquicas de 2009.
Então para onde foi a vergonha, a decência, a ética, o que lhe quiserem chamar?! É fantástico o que o poder faz às pessoas.

1 de março de 2007

Será que perante os exemplos da Moderna, da Independente e de outras o Governo ainda pretende entregar a edução superior aos privados?
Vai ser um ver se te avias.
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 1916, pelas 15 horas, nasce no concelho de Gouveia Vergílio António Ferreira, filho de António Augusto Ferreira e Josefa Ferreira.
Os pais de Vergílio Ferreira emigram, em 1920, para os Estados Unidos, deixando-o, com seus irmãos, ao cuidado das suas tias maternas. Esta dolorosa separação é descrita em Nitido Nulo. A neve - que virá a ser um dos elementos fundamentais do seu imaginário romanesco - é o pano de fundo da infância e adolescência passadas na zona da Serra da Estrela.
Com 10 anos e após uma peregrinação a Lourdes, entra no seminário do Fundão onde permanecerá durante seis anos. Esta vivência será o tema central de Manhã Submersa.
Em 1932, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda. Começa a dedicar-se à poesia. Entra para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, continuando a dedicar-se à poesia, nunca publicada, salvo alguns versos lembrados em Conta-Corrente e, em 1939, escreve o seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe. Licenciou-se em Filologia Clássica em 1940. Conclui o Estágio no Liceu D. João III (1942), em Coimbra. Começa a leccionar em Faro. Publica o ensaio Teria Camões lido Platão? e, durante as férias, em Melo, escreve Onde Tudo Foi Morrendo.
Em 1944, passa a leccionar no Liceu de Bragança e publica Onde Tudo Foi Morrendo e escreve Vagão J. Na sua vida de professor liceal, há dois momentos fundamentais: a sua estada em Évora (1945-1958) - que entrará para o nosso imaginário através de Aparição - e a sua vinda para Lisboa (1959), onde ensinou no Liceu Camões até à sua reforma.
A primeira fase do seu percurso romanesco, agora retirada da edição da Obra Completa enquadra-se no neo-realismo então vigente. Ainda assim, Vagão J (1946) opera já uma pequena revolução sem consequências: o movimento neo-realista passou-lhe ao lado, e o autor, perante a incompreensão da crítica, recuou e só viria a reincidir muito mais tarde.
Com Mudança (1949) começa Vergílio Ferreira a conquistar a sua voz própria. Aliás, em maior rigor, dever-se-ia dizer que é a voz própria que começa a conquistar o seu autor. De facto, Mudança estava arquitectado para ser um romance neo-realista exemplar (e não deixa de o ser em muitos aspectos) mas é também outra coisa, que posteriormente se veio a interpretar como sendo a deslocação do neo-realismo para o existencialismo. Tal deslocação ter-se-lhe-á imposto inconscientemente no processo de escrita, sobretudo no tratamento do tempo e da figura da infância. Na velocidade do tempo que estrutura o romance e que decorre do modo de representação neo-realista: materialismo histórico e materialismo dialéctico, a figura da infância enquanto queda para o passado e queda tanto mais desamparada quanto esse passado não é apenas uma memória mas sobretudo o sem fundo que fecha e vela o próprio sentido do nosso trânsito pelo tempo, a figura da infância introduz a desaceleração que toda a hipótese de um sentido arqueológico introduz. Não significa isso que essa atenção ao mais original solucione os problemas de sentido, ela desloca apenas as coordenadas da procura. Mas com esse movimento transforma-se também o modo de representação.
É já de uma forma deliberada que Vergílio Ferreira se distancia do neo-realismo nos romances escritos antes de Aparição (1959) mas só publicados depois deste. Em Apelo da Noite (1963) reivindica-se face ao homem de acção, o "crime de pensar "; em Cântico Final (1960) é a arte, como encontro de um "mundo original", de um sagrado ou absoluto agnóstico, que se furta a qualquer compromisso ideológico. Mas é sem dúvida Aparição - que juntamente com A Sibila (1953) de Augustina Bessa-Luís o romance português contemporâneo - que imporá o seu universo romanesco, seja naquilo a que se chamou, não sem verdade, mas com alguma pressa reducionista, o eu existencialismo, seja no seu estilo ensaístico ou filosofante. Tentando descrever a experiência, no limite inenarrável, do aparecimento do eu a si próprio, e circunscrevendo-a dentro de uma problemática decididamente metafísica e existencial, Aparição é o limiar de uma agónica mas sempre deslumbrada interrogação sobre a condição humana. Estrela Polar (1962) e sobretudo Alegria Breve (1965), onde o pathos da sua escrita atinge o ponto de máxima exacerbação mas também de máxima perfeição, além de aprofundarem e completarem a temática de Aparição, introduzem um experimentalismo que terá larga descendência na nossa ficção.
A partir de Nítido Nulo (1972) o tom da sua obra começa a ser matizado pela ironia. É uma ironia que vem daquilo que o desgaste ensina. E o que ele ensina é que toda a verdade se esvazia, toda a evidência se torna opaca, todas as ideias pesam para o lado da morte. O pathos até aí predominante era o era o tom de quem falava do interior de uma evidência estética, de uma Stimmung umbilical. Nunca em Vergílio Ferreira uma árvore provoca náusea ou uma praia com sol induz um crime absurdo. Se há náusea (mas praticamente não a há) ou absurdo (este sim, mais visível), eles não começam logo na facticidade do mundo mas somente na condição humana em si mesma. O mundo apenas é. Experienciá-lo esteticamente é já um limiar de sentido. Daí que os narradores vergilianos se sintam tentados a configurá-lo como uma verdade, existencial e não sistemática, é certo, mas suficientemente segura para se afirmar contra todas as ideologias. Ora o que acontece no "niilismo activo " de Nítido Nulo, no seu "morrer tudo", é tudo envolve também esta hipótese de verdade que os narradores anteriores utilizavam como escudo no combate cultural. O deslizar insensível da aisthesis para o logos é agora difícil, e sê-lo-á cada vez mais. Por isso os romances se começam a distribuir por dois espaços - tempo: um passado onde decorre o diferendo ideológico - cultural, diferendo não só incomensurável como, em última instância (revelada por aquilo que o desgaste ensina), inútil; e um presente de pura afirmação de ser.
O primeiro pólo perderá progressivamente a sua capacidade de engendramento narrativo, o combate que nele se desenrolará é apenas o ruído do mundo, não uma alínea de qualquer história teleologicamente configurada - daí a paralisia da história em Signo Sinal (1979). O segundo pólo, impossibilitado agora de funcionar como " fundamento mítico " de uma macronarrativa, apresenta-se como uma espécie de justaposição de hauikus, de nós de revelação que não constróem o "sentido de um final " mas uma litania de apaziguamento, uma pietas para com aquilo que mais primordialmente somos - um sujeito - casa atravessado por tudo o que vem de todos os pontos cardeais, e todavia lateral a essas múltiplas orientações, sempre não sabendo, como em Para Sempre (1983) ou nas séries de Conta-Corrente (1890 a 1992).
É este não-saber que obriga Vergílio Ferreira ao continuar da escrita e faz que os narradores vergilianos envelheçam como o seu autor. Envelhecer, por exemplo, é passar de filho a pai. De Até ao fim (1987) a Cartas a Sandra (1996), o narrador, entre outras coisas, é um pai a quem o filho morre. O que morre na morte do filho é aquela força que não suporta a suspensão da história e se autodestrói na procura da resposta que não há. Poder-se-ia mesmo dizer que a morte do filho é a prova por absurdo de que a lateralidade axiológica em que se coloca o pai não é simplesmente a desistência do cansaço mas a sabedoria da suplementaridade, seja a do puro possível da verdade branca do mar que move Até ao Fim, seja a da ironia dos contrafactuais ontológicos que se experimenta em Na Tua Face (1993).
Envelhecer é também passar da despesa do tempo à sua reinvenção no absoluto da memória. Mas esta lição (ou condição) proustiana tem em Vergílio Ferreira as condicionantes contemporâneas de uma sociedade tardo-capitalista, aquela em que a redescrição metafórica do que foi não pode já competir com os meios tecnológicos de representação (cinema, TV, vídeo, etc.) e por isso constrói a afectividade do acontecimento puro: " Não bem o seu corpo esbelto como um voo de ave, mas só esse voo. Não bem a sua juventude eterna mas a eternidade. Não o gracioso dela mas a graça " (Em Nome da Terra, 1990).
Claro que há ainda romance, e até na sua dimensão mais consensual e acidentalmente romanesca, que é a da história de amor. Mas se, na sequência da tradição, também aqui o amor é aquilo que só se sabe depois, diferentemente dela, este depois não é a origem reencontrada mas um frágil presente que se sustenta apenas da escrita do nome amado, como em Cartas a Sandra, romance que deixa incompleto e que foi publicado no ano da sua morte. Vergílio Ferreira morre em Lisboa, a 1 de Março de 1996 e é sepultado em Melo. Passam hoje 11 anos.

Existencialismo
Mas falar de Vergílio Ferreira é falar de existencialismo, essa corrente filosófica que se funda na situação do indivíduo vivendo num universo absurdo, ou sem sentido, em que os homens são dotados de vontade própria. Os existencialistas sustentam que as pessoas são responsáveis pelas suas próprias acções, e o seu único juiz, na medida em que a sua existência afecta a dos outros. A origem do existencialismo é geralmente atribuída ao filósofo dinamarquês Kierkegaard. Entre os seus outros proponentes destacam-se Martin Heidegger, na Alemanha, e Jean-Paul Sartre, em França.
Todos os indivíduos dotados de autoconsciência podem compreender ou intuir a sua própria existência e liberdade, daí que não devam deixar que as suas escolhas sejam limitadas por nada - nem pela razão, nem pela moral. Esta liberdade para escolher conduz à noção de "não-ser", ou "nada", que pode provocar a angústia ou o medo. O existencialismo possui muitas variantes. Kierkegaard salientou a importância da escolha pura na ética e na crença cristã, Sartre procurou combinar o existencialismo com o marxismo.
O pensamento filosófico dos autores existencialistas não se caracteriza nem por uma sistematização racional sobre a vida nem por reflexão abstracta e logicizante acerca do ser humano. O homem é o problema central do existencialismo, não enquanto ser abstracto, com uma natureza definida, mas como um ser concreto, que sofre, que trabalha e ama.
Para os filósofos existencialistas contemporâneos, a existência humana é entendida como algo demasiado fluído e rico e, por isso, escapa a todas as sistematizações abstractas. Assim, para estes autores, acima de tudo a vida é para ser vivida. Faz parte inerente da existência humana o devir, a inquietação, o desespero e a angústia. A existência é algo em aberto, sempre em mudança, e não há nenhum tipo de determinismo ou fatalismo.
A negação de um destino faz da vida um jogo de possíveis entre possíveis. Cabe ao homem, a cada momento, escolher, optar e, por isso mesmo, ele torna-se um ser responsável pela sua vida. A escolha humana traz consigo inevitavelmente a angústia e muitas vezes também o desespero.
Para os existencialistas, o indivíduo não pode ser diluído e apagado num todo, uma vez que cada um é um ser concreto, único e de valor insubstituível. Por isso, nesta reflexão, o homem é sempre entendido como um ser individual e concreto, na sua vida quotidiana, no seu contexto particular, e nunca entendido como uma entidade metafísica e abstracta. Nesta medida, os autores existencialistas são aqueles que colocam a existência do homem no plano central das suas reflexões, como dirá Sartre, a existência precede a essência. O homem à partida não está definido, ele é um projecto em construção, cada pessoa é aquilo em que se torna consoante aquilo que faz.
Em Vergílio Ferreira "o existencialismo ergue o seu protesto, afirmando que o Homem é pessoalmente, individualmente, um valor; que a sua liberdade (em todas as suas dimensões e não apenas em algumas) é uma riqueza, uma necessidade estrutural de que não deve perder-se entre a trituração do dia-a-dia; e finalmente que, fixando o homem nos seus estritos limites, só por distracção ou imbecilidade ou por crime se não vê ou não deixa ver que ao mesmo homem impende a tarefa ingente e grandiosa de se restabelecer em harmonia no mundo, para que em harmonia a sua vida lucidamente se realize desde o nascer ao morrer.
Possivelmente gostaríeis ou teríeis curiosidade de me ouvir falar de mim, já que vou sendo insensivelmente investido na qualidade de uma espécie de delegado nacional ou regional do Existencialismo. Mas eu jamais me disse "existencialista", embora muito deva à temática existencial e pelo Existencialismo tenha manifestado publicamente o maior interesse. É que aceitarmos um rótulo automaticamente obriga a aceitar-lhe todas as consequências, entre as quais a de nos responsabilizarmos por tudo quanto sob este rótulo se disser ou fizer.
Por mim, preferia definir o Existencialismo como a corrente de pensamento que, regressada ao existente humano, a ele privilegia e dele parte para todo o ulterior questionar. Ou então - e paralelamente ou implicitamente a essa definição - preferiria dizer, continuando Sartre, aliás, que o Existencialismo é uma corrente do pensamento que reabsorve no próprio "eu" de cada um toda e qualquer problemática e a revê através do seu raciocinar pessoal ou preferentemente da sua profunda vivência. Aí se implica portanto que nenhum questionar se estabelece em abstracto, de fora para dentro, mas antes se retoma a partir da nossa dimensão original, ou seja, verdadeiramente, de dentro para fora." F. Vergílio, Espaço Invisível II