30 de novembro de 2005

Está tudo doido

O caso GALP/ENI está longe de atingir o fim, faz-me mesmo lembrar aqueles jogos de futebol que são decididos por grandes penalidades. Para já estamos no prolongamento.
Ao que parece o grupo italiano desta vez foi demasiado longe, tendo, no dizer do administrador executivo da GALP, copiado o plano estabelecido pela empresa portuguesa.
Julgo que chegámos a um ponto sem retorno, que o mesmo é dizer só uma coisa interessa e importa e essa coisa é tão só a data em que os italianos fazem as malas, tudo o que seja para além disso é pura especulação com folclore à mistura.
Mas no meio disto tudo duas coisas há que me fazem alguma confusão.
A primeira é que se fosse ao contrário estou crente que o governo italiano já teria resolvido a questão, sendo que a resolução tinha passado por mandar os portugueses dar uma volta ao bilhar grande e isso tinha acontecido no final do tempo regulamentar, se não mesmo no fim da primeira parte.
Por isso não percebo o porquê de tanta cerimónia por parte do nosso governo.
A segunda prende-se com o facto de não ter ouvido da parte dos partidos na oposição qualquer referência a este caso. Estamos ou não perante uma questão de interesse nacional? Se estamos, e não há a menor dúvida que sim, porquê o PCP, o PSD, o CDS/PP, o Bloco, sei lá mais quem não vieram já expressar o seu apoio ao governo? Ou será que os pactos de regime são só para matérias que lhes possam trazer benefícios?

As escutas

Nunca aqui me referi directamente ao processo Casa Pia porque acho este processo demasiado complexo e cuja verdade estará demasiado longe quer para mim quer para a maioria dos portugueses. Após este tempo todo acreditem que não sei quem são os arguidos ou as vítimas. Não sei se há presentes que deviam estar ausentes e se há ausentes que deviam estar presentes. Uma coisa eu sei: para além do muito fumo que se tem lançado um culpado existe (no meu ponto de vista é claro) e é real. Trata-se da Casa Pia. A instituição foi incapaz de tomar conta dos menores que tinha à sua guarda.
Mas este texto não se prende com o processo em si mesmo, tem sim a ver com o que apareceu ontem num determinado jornal. Trata-se de escutas realizadas e posteriormente validadas no processo, escutas essas que, pelo que foi transcrito, são meramente pessoais e irrelevantes para o processo.
Se as escutas são irrelevantes para o processo porque é que nele figuram? Com que direito se mete ao barulho alguém que actuou num gesto de amizade e/ou de solidariedade?
Espero sinceramente, e sem fazer cavalo de batalha da tese conspirativa, que isto não seja encomenda de ninguém.

E por falar em políticos

Não entendo, nem aceito, as faltas de Manuel Alegre à votação do Orçamento de Estado. Se não se quer comprometer com este orçamento e porque está em campanha só terá uma coisa a fazer: pedir suspensão do mandato, quanto mais não seja em prol da tão propalada renovação dos políticos que tantas vezes tem servido de justificação para a sua campanha.
Mas o pedido de suspensão não deve ser somente para Alegre.
Que eu saiba nenhum dos candidatos presidenciais e ao mesmo tempo deputados são omnipresentes, portanto ou fazem campanha ou estão na Assembleia.

70 anos

Fernando Pessoa faleceu faz hoje 70 anos. E porque a melhor forma de homenagear um escritor é lendo o que ele escreveu ou escreve, deixo-vos alguns poemas.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa, Cancioneiro


VII - Da Minha Aldeia

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro, O guardador de rebanhos

Lídia

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde que quer que estejamos.

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros
Onde quer que moremos, Tudo é alheio
Nem fala língua nossa.
Façamos de nós mesmos o retiro
Onde esconder-nos, tímidos do insulto
Do tumulto do mundo.
Que quer o amor mais que não ser dos outros?
Como um segredo dito nos mistérios,
Seja sacro por nosso.

Ricardo Reis

Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...

Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...
Álvaro de Campos

29 de novembro de 2005

É impossível deixar passar em claro o artigo que Eduardo Prado Coelho escreveu no “Público” e que tem por título:

Precisa-se de matéria-prima para construir um País

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país.Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler" e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!

Infelizmente e embora discorde de uma ou duas apreciações, sou forçado a concordar com a ideia global que nele está inserta.
Este país

Estava Portugal sossegado assistindo aos embates desportivos, às manifestações corporativas, a uma corrida eleitoral sem intervenientes interessantes e preparando um Natal mais apertado quando, de repente e como se de uma bomba se tratasse, caíu "em cima da mesa" a questão dos crucifixos nas escolas.
Começou de imediato o "tumulto". Padres, bispos, alguns candidatos presidenciais, associações de pais, associação das famílias numerosas (julgo ser este o nome - e já agora isto é o quê!?), professores, enfim toda uma vasta pléiade de pessoas se meteu ao barulho dando conta do seu sim e do seu não a esta medida, que, ao que parece, resulta de uma queixa da Associação República e Laicidade (a carta e o documento que a acompanhou podem ser lidos em http://www.geocities.com/CapitolHill/Senate/4801/Comunicados/ME.htm e http://geocities.yahoo.com.br/patriciasg1610/RL-repertorio-1.pdf).
Somente num país como o nosso é que tal assunto pode receber os epítetos que recebeu (inadmissível, uma vergonha, querem encurralar a Igreja, etc., etc.), porque num outro qualquer que tenha a nossa Constituição isso teria sido um facto banal. Mais. O candidato Cavaco Silva sustentou agora que era inadmissível que isto tivesse acontecido, mas disse-o somente agora que está em campanha, porquanto não me lembro de ter ouvido da sua boca qualquer reacção ao documento que preconizava isto mesmo e que foi emanado pela Provedor de Justiça em 1999, Menéres Pimentel (actualmente presidente da Comissão da Liberdade Religiosa) quando, na sequência da queixa do pai de um aluno, endereçou a uma escola lisboeta uma vigorosa recomendação no sentido da retirada dos crucifixos e considerando mesmo a sua presença em escolas públicas "uma clara ilegalidade com a qual é preciso acabar".
Mas enfim, este é o país que temos, onde o importante é sempre suplantado pelo acessório.

Tolerância

E quanto a tolerância deixo-vos um texto da jornalista Fernanda Câncio e inserto no DN de hoje que merece não só uma leitura atenta, mas igualmente uma reflexão cuidada. Aqui vai:

"Escola católica despede grávida solteira

A Igreja Católica americana enfrenta mais um escândalo, desta vez relacionado com o despedimento de uma professora que engravidou fora do casamento.

Michelle McCusker, de 26 anos, dava aulas às crianças mais novas de uma escola católica, quando engravidou de uma relação ocasional. Decidindo levar a gravidez a termo, avisou os seus superiores. Dois dias depois, foi despedida. Um processo contra a diocese de Brooklyn, à qual a escola pertence, foi instaurado esta semana por uma organização de defesa dos direitos civis.
A diocese é acusada de violar a lei federal que proibe a discriminação de grávidas e o tratamento desigual em função do género, alegando que Michelle só foi despedida por ser mulher, já que se fosse homem seria impossível saber se tinha tido sexo fora do casamento.
Uma acusação que a diocese rejeita, alegando que os professores de uma escola católica estão obrigados a assumir os ensinamentos da Igreja em palavras e acções e que é um direito da dioces e ensinar esses valores nas suas escolas e exigir aos professores que os respeitem. "A ideia de que a Igreja está a discriminar uma mulher grávida porque é mulher é ridícula, porque é óbvio que os homens não engravidam", disse, a propósito, um porta-voz da Liga Católica. "Esse é um problema a discutir com a Natureza, não com a Igreja".
Para a Liga Católica, o que está em causa é o exemplo moral - quando uma mulher engravida fora do casamento isso é visível, e admitir isso perante as crianças é assumir que está certo. Uma asserção à qual Michelle McCusker e os seus defensores respondem com uma acusação de hipocrisia "Se ela, em vez de ensinar, fosse uma aluna de uma escola católica e estivesse nas mesmas circunstâncias, as autoridades eclesiásticas teriam feito tudo para a convencer a manter a gravidez. Mas como empregadoras, apesar de toda a propaganda pró-criança e pró-família, despediram-na", diz um membro da organização Católicos pela Livre Escolha. Mc Cusker vai mais longe "Se eu tivese abortado, nada disto teria acontecido, eles nunca saberiam.""
Estamos conversados meus senhores.

Vejam esta pérola

"À falta de assunto, alguns políticos, partidos e comentadores estão muito preocupados com a passagem de aviões da CIA por território nacional, e, em alguns casos, com a sua aterragem em aeroportos, supondo-se que para reabastecimento. Há fotografias, filmagens, e um sem-número de pormenores que dão à história um conteúdo interessante. É da época.
Vamos por pontos alguém imagina, mesmo que por alto, quantos aviões circulam todos os dias, ou até horas, fretados por vários serviços secretos (e não estamos a falar de polícias políticas e quejandas...), por esse espaço fora, de um lado para o outro? Não devem ser poucos, e talvez a CIA faça como os serviços britânicos, franceses, alemães, israelitas e sei lá que mais. Alguém, por acaso, viu que esses aviões levam e trazem prisioneiros ou membros da Al-Qaeda ou de outros grupos de terroristas? E mesmo que os transportem, qual é o crime?
A CIA, por enquanto, é uma agência de informações do mais democrático de todos os países, onde o escrutínio dos suas instituições, abertas e secretas, é feito diariamente, ao milímetro, por dezenas de grupos independentes, Congresso, comissões, e uma imprensa com um poder inigualável no mundo.
É do conhecimento público que muitos dos prisioneiros de grupos terroristas são transportados para a base de Guantánamo, em Cuba. Diz-se, mas essa é uma questão diferente dos voos da CIA, que esses terroristas são torturados e maltratados, mas muitos congressistas da oposição já visitaram o local, e nada disso foi dado como certo.
É conveniente, no entanto, que maiores investigações se façam nesse domínio. A questão que preocupa alguns partidos nacionais, contudo, é se alguns aviões fretados pela CIA aterram ou passam por território nacional. E então? Será que na nossa pequenez ainda temos a ilusão de pensar que não existe um vaivém permanente, com aviões civis ou militares, que transportam dezenas de coisas, incluindo agentes, e não prisioneiros, todos os dias do ano? Será que os portugueses pensam, ou acham, que não existem outros meios e rotas para levar e trazer? Haja pachorra."
Este texto tem por título "Os aviões da CIA", foi escrito por Luís Delgado no DN de ontem.
Realmente numa coisa ele tem razão: haja pachorra... mas para o aturar.

26 de novembro de 2005

Continuemos então

Parece que a polémica instalada entre Governo e Magistrados está para lavar e durar. Sócrates respondeu ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e por sua vez este respondeu novamente ao Governo e ainda houve tempo para no meio o Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Baptista Coelho, se "esparralhar ao comprido".
Este magistrado desafiou Sócrates a dizer onde é que a redução das férias estava prevista no programa de governo. Perante isto ficámos todos elucidados. Então sempre é verdade que os magistrados têm dois meses de férias. É que no início a magistratura portuguesa recusava-se a admitir que tinha esse tempo de férias. Sendo assim começamos a pensar se o resto não é verdade.
Foi um desafio que custou a imagem dos magistrados perante a opinião pública.
Talvez fosse interessante os magistrados escutarem com atenção as palavras da juíza Fátima Mata-Mouros.

Enquanto isso

Enquanto o Governo e os Magistrados vão argumentando e contra-argumentando os casos curiosos vão acontecendo.
Leiam este e meditem
http://jn.sapo.pt/2005/11/26/sociedade/professor_julgado_engano.html.

E por falar em ler

E já que estamos em fase de leitura, recomendo muito vivamente o artigo de Fernando Madrinha "A escola no 'Prós e Contras'" do "Expresso" de hoje. É sublime

25 de novembro de 2005

Choque tecnológico

Finalmente lá foi apresentado o choque tecnológico.
Não discordo de que se trata de algo fundamental para a dinamização do nosso país, mas apraz-me dizer que o choque tecnológico não é exclusivo do governo.
O incremento da tecnologia é uma soma, sendo que o comum dos mortais é igualmente uma parcela dessa operação.
Sendo assim não compreendo que o Governo não apoie e nem incentive como deve ser os particulares que investem na tecnologia.
É claro que estou a referir-me à aquisição de computadores e à internet.
Como sabemos o incentivo fiscal na compra de computadores é mínimo, para além disso em Portugal é caro navegar na internet, sendo que esta é dominada por monopólios que fazem o que bem lhes apetece na exploração.
Sendo assim deixava aqui uma sugestão para o Plano Tecnológico: mais incentivos aos particulares que dotem os seus lares de sistemas computacionais e uma moralização da exploração da internet, não só nos preços mas igualmente na velocidade e numa fiscalização apertada aos períodos de inactivação da rede, sendo que sempre que um operador estivesse com problemas o utilizador deveria ter a faculdade de mudar de operador sem que fosse necessário modems ou outros aparelhos que tais.

Vamos ao eucalipto

Sempre fui de opinião que Miguel Cadilhe foi e é alguém com "cabeça, tronco e membros". A sua passagem pelo ministério das Finanças, deixou marcas. E vou mesmo mais longe: talvez o seu afastamente prematura dessa pasta seja o responsável por estas medidas todas que nos foram agora despejadas de sopetão.
Pois bem Miguel Cadilhe deu à "Visão" uma entrevista de 4 páginas onde faz uma análise lúcida e objectiva sobre a política e a economia à portuguesa.
É um texto imperdível (www.visaoonline.pt).
Claro está que esta entrevista provocou alguns engulhos, nomeadamente no staf cavaquista e alguns elementos do PSD. E digo alguns, porquanto estou certo que muitos houve que aplaudiram de pé - embora às escondidas - as suas palavras, em especial a comparação de Cavaco com um eucalipto. Sim que isto de encher o peito de ar e gritar a plenos pulmões não é para todos.
Claro está que já veio o cronista de serviço (Luís Degado) fazer as primícias de Cavaco.

24 de novembro de 2005

Ao que isto chegou!!!

Realmente este país bateu não no fundo mas lá mesmo no fundinho de tudo.
Onde é que já se viu um alto dignitário de um órgão de soberania chamar mentiroso a um outro órgão de soberania.
Claro que me estou a referir ao facto do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça acusar o Governo de mentir sobre os juízes.
Isto é mau de mais para ser verdade. As "repúblicas" (e coloco entre aspas para diferenciar das verdadeiras Repúblicas) da América Latina não fariam melhor.
Porque é que não publicam num jornal, como publicidade paga, o que é que uns usufruem e o que os outros querem que os primeiros passem a usufruir e acabam de uma vez por todas com esta marmelada que em nada dignifica uns e outros?

Tão engraçados que eles são

Ao que parece Dezembro vai ser um mês com novidades no que respeita ao seguro automóvel. E tudo isto porque e no dizer de Jaime d'Almeida, Presidente da Associação Portuguesa de Seguros, "cerca de 20 por cento do total dos contratos de seguro não são pagos a tempo e horas", sendo que isso representa, segundo o mesmo senhor, "três milhões de calotes dados todos os anos no pagamento de prémios, o que obriga as companhias a correr atrás dos segurados para os obrigar a pagar".
Acredito que esta deve ser uma situação desagradável, mas que é muito bem feita que é para ver se esse senhores aprendem o que é que custa aos segurados andar atrás das companhias de seguros quer para receber as indemnizações quer somente para a resolução de um simples acidente.
Aceito que se mude a Lei, mas exijo que igualmente se mudem os prazos de resolução dos sinistros por parte das companhias e mais, e que todas as demandas efectuadas pelo segurado lhe sejam retribuídas.
Para ser o mais honesto possível não sei quem terá mais razões de queixa, se as companhias se os segurados. Julgo que os segundos.
Se é para doer que não seja só para um lado, que doa para todos os lados.

23 de novembro de 2005

Ratzinger himself

Era previsível que quando assentasse a poeira levantada pela sua eleição aparecesse em cena o verdadeiro Papa Bento XVI, ou seja o todo-poderoso Cardeal Joseph Ratzinger.
Bento XVI emitiu um decreto que limita a autonomia dos monges Franciscanos, encarregues de guardar os restos mortais de S. Francisco de Assis, sendo que a partir de agora, os monges, considerados de esquerda por muitos católicos italianos, vão ser controlados por um bispo local, um cardeal do Vaticano e o chefe da Conferência Episcopal italiana.
Esta é a primeira tentativa do actual Papa para disciplinar uma ordem religiosa, tendo para isso revogado um decreto anterior, assinado em 1969 por Paulo VI, que dava aos monges de Assis uma ampla autonomia.
Mas tudo isto é mais abrangente, e porquê? Porque nas últimas décadas, os monges de Assis -- um dos lugares mais sagrados e visitados do Cristianismo -- têm-se associando a partidos e causas de esquerda. A marcha pacifista tradicionalmente organizada pelos monges na Páscoa é frequentada por líderes de esquerda e frequentemente boicotada por políticos de centro-direita.
Os monges costumam, igualmente, receber figuras polémicas, como o ex-chanceler iraquiano Tariq Aziz, líderes comunistas italianos ou o actor Roberto Benigni, conhecido por ser um ativista de esquerda.
Ora o decreto pontifício determina que os monges precisam de autorização do bispo local para as suas futuras iniciativas. O papa, que antes de chegar ao cargo passou 25 anos como guardião da doutrina do Vaticano, disse igalmente aos monges que suas celebrações religiosas precisam de se adequar às normas, o que deve ser entendido como uma referência às reuniões e orações inter-religiosas feitas por eles e consideradas ousadas demais por alguns conservadores da Igreja, por aproximar o sincretismo.
O monges eram protegidos pelo falecido João Paulo II, que visitou Assis várias vezes e ali realizou duas das suas reuniões de paz com outros líderes religiosos.
A Igreja obscurantista e conservadora não podia ter encontrado melhor líder que o actual Papa.

O comentário de ontem

Relativamente ao comentário de ontem, gostaria de dizer que não são as "personagens" que fazem falta à democracia, o que faz falta à democracia são projectos políticos sérios, criteriosos (liderados dos pés à cabeça por elementos da mesma estirpe) que nunca relegando a sua essência (seja do centro, da esquerda ou da direita) saibam adaptar-se e tomar em consideração a nossa especificidade.
Como forma de complemento sugiro a leitura de:
http://dn.sapo.pt/2005/11/23/editorial/sequestro.html.

22 de novembro de 2005

Estou admirado

Mário Soares afirmou ontem que tem dúvidas sobre o projecto do aeroporto da Ota, por não conhecer os relatórios. Já a proposta da linha de TGV Lisboa-Madrid para 2013 é defendida como sensata, apesar de, igualmente, desconhecer os custos e os relatórios.
Para onde foi o candidato que recentemente afirmou, a propósito da Casa da Música, que as derrapagens não são importantes, porque o dinheiro acaba por aparecer?

Eu avisei

Quando Ribeiro e Castro assumiu a liderança do CDS/PP, caíu-lhe no colo uma bancada parlamentar formada sob a batuta de Paulo Portas. E que possui alguns dos elementos que mais de perto trabalharam com o ex-líder do CDS e não deixa de ser curioso ver que todos estiveram ao lado de Telmo Correia, o outro candidato a liderança do CDS/PP.
As críticas à direcção do CDS começaram no congresso. Primeiro foram as eleições directas, depois as presidenciais e os resultados das autárquicas. As divergências são acentuadas e estendem-se desde as questões de estratégia até às posições de princípio.
Mas se o executor é Pires de Lima, o mandante é Paulo Portas.
É certo que ele abandonou a liderança, mas não abandonou o partido. E toda a estratégia que tinha delineada caíu com a eleição de Ribeiro e Castro, sendo assim teve que arrepiar caminho.
Desenganem-se todos aqueles que julgavam que Portas estava "morto", ele está vivo e bem vivo. Aliás, diz-se nos mentideros que a entrevista de Constança Cunha e Sá a Cavaco teve dedinho seu e olhem Cavaco penou e penou bem.
Para concluir podemos dizer que Ribeiro e Castro escapou ao aperto de mão em Coimbra, mas não vai escapar à palmadinha nas costa no Caldas.

19 de novembro de 2005

Outras formas de luta

O "DN" de hoje dizia, sobre a manifestação de professores, "Revolta dos professores pára escolas e enche as ruas da capital".
Independentemente do que eu penso sobre esta onda de manifestações e protestos que tem assolado este Governo, gostaria de propôr uma forma de luta mais original.
Assim como indiquei aos estudantes do ensino superior que a sua presença nas aulas seria um protesto mais válido, também neste caso defendo que a contestação poderia ser com os professores nas escolas e os que pretendem contestar as medidas governamentais pura e simplesmente não dão aulas, mas permanecem na escola.
Mas isto que proponho para os professores, proponho para todos os trabalhadores. Fazer greve é estar no seu local de trabalho e não trabalhar.
É que tudo isto é muito bonito, mas se formos a ver a questão na sua essência verificamos que alguns fazem greve e depois descontam o dia nas férias e mais, fazem greve mas não contestam, ou ficam em casa, ou vão tratar das suas coisas e quando são greves à sexta-feira então é uma beleza.
É verdade que tudo isto passa por uma profunda mudança, mudança essa que deve começar dentro dos sindicatos. Sabemos todos nós que muitas das cúpulas sindicais são o resultado de alguns "aconchegos" e "empurrões" e não propriamente por vocação.
Mais. Como se vão perpetuando nos cargos, muitos há que ficam afastados da dura realidade do trabalhador até porque não trabalham (no sentido dito laboral) há muito tempo.
A luta dos trabalhadores não se define somente nas palavras de ordem e nas marchas. Ela vai para além disso. Ela é o combate diário no seu local de trabalho quer apontando os defeitos, quer sugerindo e não a "política do deitar-a-baixo a esmo" somente nas alturas de negociação ou de apresentações de alterações.
Talvez assim existisse maior abertura por parte do patronato e se evitassem umas quantas greves folclóricas que não conduzem a nada a não ser ao extremar de posições.
A terminar gostaria de deixar aqui duas notas.
A primeira prende-se com a luta dos professores. Sempre disse alto e bom som que os professores têm razão em alguns pontos, sendo que a idade da reforma é um deles.
A segunda nota vai para Francisco Louçã. Embora eu saiba que ele é professor a sua presença na manifestação só o diminui, porquqnto ele queira ou não é professor do superior, é candidato às presidenciais e é deputado, resumindo: a sua presença é um aproveitamento político da situação quer ele queira quer não.

18 de novembro de 2005

Fanatismo

A luta anti-tabágica que alguns vêem desenvolvendo, assumiu agora foros de imbecilidade por parte da Câmara Municipal de Mértola.
Este município assinalou o Dia do Não Fumador com a aprovação por unanimidade de uma proposta que proíbe que se fume em todos os edifícios autárquicos e que prevê impor trabalho comunitário aos prevaricadores. Sendo que só nos próximos seis meses os prevaricadores "serão perdoados", a partir dessa data toma lá que são cerejas.
Acreditem que me faz pena ver uns quantos personagens armados em papagaios.
Que os senhores de Mértola queiram proibir o fumo dentro dos edifícios do município, vá lá que não vá, embora a lei determine a criação de espaços reservados aos fumadores, agora obrigar a trabalho comunitário não lembra nem ao diabo.
Sempre gostaria de ver o que é que dizem os sindicatos deste caso, eles que são tão afoitos na defesa dos trabalhadores.

Enganou-se

O ministro da Saúde enganou-se no número de médicos oftalmologistas que prestam serviço no Hospital dos Capuchos. Claro está que saltaram-lhe logo em cima.
Seja de que forma for e com enganos ou sem eles, Correia de Campos está de parabéns, porquanto não teve medo de enfrentar os lobbies poderosíssimos que "atacam" a saúde.

17 de novembro de 2005

Finalmente

Ao que parece a Autoridade da Concorrência vai propor ao Governo uma mudança profunda da lei que rege a propriedade das farmácias. Isto porque esta mesma Autoridade chegou à conclusão que a legislação actual não favorece uma concorrência saudável neste mercado(eu diria mesmo que a legislação e a ANF impossibilitam qualquer concorrência). As recomendações apontam para a liberalização da propriedade dos estabelecimentos de ambulatório - hoje apenas ao alcance dos farmacêuticos - e da sua instalação - que obedece a limites de distância e população servida.

Voltamos às passagens administrativas?

Os estudantes repetentes do ensino básico que estejam prestes a chumbar outra vez vão, já a partir de Janeiro, poder beneficiar de uma avaliação extraordinária que irá determinar até que ponto uma nova retenção será benéfica. Na prática isto quer dizer que estes alunos poderão transitar de ano independentemente do seu número de negativas. Isto é o que podemos inferir do Despacho Normativo nº50/2005 do Ministério da Educação, que define um conjunto de estratégias para combater o insucesso e o abandono escolar no ensino básico. Segundo o mesmo documento, a avaliação extraordinária caberá aos conselhos pedagógicos das escolas, que avaliarão da existência ou não de vantagens de nova retenção.
Isto é extraordinário. Dêem-lhe o certificado sem que eles vão à escola.
Já imaginaram se algum destes alunos se entusiasma e segue os estudos? Pois é! Acaba numa qualquer lista de candidatos a deputados.

15 de novembro de 2005

Já chateia

Ultimamente temos sido bombardeados pela comunicação social com o anda e desanda da ENI dentro da Galp.
Se para muitos isto não passa de mais um fait-divers, para mim, acreditem, está a tornar-se numa seca, para além de já não ter pacência para tal caso.
O Governo português pretende que a ENI diminua a sua posição, que actualmente é de 33,34%, na Galp. Os italianos depois de um não passaram a um sim e agora voltaram ao não. Quer isto dizer que os italianos têm enrolado os sussessivos governos com quem têm negociado. Sendo que agora - pelo menos é o que transparece - endureceram a sua posição.
Sinceramente não percebo o Governo (este e os anteriores). E digo isto porquanto é tempo de tratar os italianos da mesma forma que eles nos tratam a nós, que o mesmo é dizer sacaneá-los. Vejamos: os italianos aprovaram a saída da Galp do designado bloco 14 em Angola mas, e isto é curioso, a ENI fazia parte da lista de compradores interessados nesse mesmo bloco após a saída da Galp; a ENI, apesar de sócia da Galp, não teve pejo em se juntar à Chevron e à Texaco americanas para concorrer contra a Galp/Petrobrás no Brasil; mais ainda o acordo firmado aquando da união ENI/Galp previa que os italianos não pudessem tomar parte em operações no petróleo ou no gás em Espanha, ora o que é que se verificou, a ENI marimbou-se no acordo firmado e adquiriram uma participação na Fenosa e concorreram contra a Galp na privatização da Naturcorp e como isso ainda não chegasse adquiriram duas distribuidoras (Saras e Avanti); mas o mesmo acordo prevê que os italianos não façam concorrência à Galp no nosso país e o que se passa é que eles mantêm os postos Agip que concorrem directamente com a petrolífera portuguesa.
A este rol adicione-se o facto do sr. Scaroni, actual presidente do grupo italiano, ter afirmado que saía da Galp se esta lhe pagasse 1,8 mil milhões de euros e quando tudo estava pronto para lhe entregar a massa o sr. volta com a palavra atrás. Mas quanto à palavra dele, ela vale zero já que ele fez questão de não cumprir a palavra dada pelo anterior presidente Vitorio Mincato que tinha afirmado que o grupo italiano nunca ficaria na Galp contra a vontade do Governo português.
Por tudo isto que se vai sabendo e por tudo o que não transpira das salas de reuniões, eu digo que não entendo o porquê de Portugal continuar a andar com estes senhores italianos ao colo. Abram os braços e deixem que eles caiam redondos. Acabem com as palmadinhas nas costas e denunciem unilateralmente o contrato e obriguem-nos ainda a indmenizar-nos por todas as sacanices que nos têm feito.

Nada, nada, nada

Ontem estive de propósito a ver e ouvir a entrevista de Cavaco Silva a Constança Cunha e Sá na TVI e isto porque ainda acalentava uma certa esperança de que o homem dissesse alguma coisa de novo ou tivesse alguma opinião sobre este ou aquele assunto.
Afinal enganei-me.
Toda a entrevista se pode resumir na célebre frase da justiça e que é: e aos costumes disse nada.
Mais valia ter levado um bolo-rei e ir comendo. Sempre havia a desculpa de que não falou porque estava a comer.

14 de novembro de 2005

Será Deus!?

Estava eu posto em sossego, quando me aparece pela frente um cartaz da candidatura de Cavaco Silva às presidenciais. Não é que o referido candidato me entusiasme, mas havia algo de estranho no cartaz.
Li e reli com atenção e finalmente descobri: era a frase slogan.
Diz a referida frase : "Portugal precisa de Si".
À primeira vista estamos perante mais um dos muitos slogans que inundam as campanhas e pelas quais os homens do marketing levam "coiro e cabelo", só que neste caso é diferente.
A palavra "Si", com S maiúsculo é aplicável somente a Deus e não ao comum dos mortais.
Aníbal Cavaco Silva é um comum mortal, ou será que é Deus?!
Será que se julga tão importante que se quer equiparar a Deus?
Se assim é desista, porque o que o povo português quer e precisa é de um ser humano, porque de deuses estamos nós fartos.

Leiam senhores, leiam

http://dn.sapo.pt/2005/11/14/opiniao/enjoo.html

11 de novembro de 2005

Eles "andam" aí

Oito dos doze deputados do CDS/PP discordaram da posição do partido de votar contra um projecto do PSD sobre procriação medicamente assistida, que foi imposta a toda a bancada pela direcção. O líder parlamentar do CDS/PP, Nuno Melo, o ex-presidente do partido Paulo Portas e os ex-dirigentes Telmo Correia, António Pires de Lima, João Rebelo, Diogo Feio Nuno Magalhães e Teresa Caeiro subscreveram uma declaração de voto.
É evidente que qualquer deputado tem o direito de discordar das opções ditadas pela direcção do partido. Ser militante não é o mesmo que ser "carneirinho".
Mas este caso é curioso. Vejam só quem subscreve a declaração de voto. Quantas vezes aconteceu tal coisa no "reinado" de Portas.
Ribeiro e Castro que se acautele, porque eles, embora devagarinho, andam aí.

Até que enfim!

O Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) vai recolher dados, in loco, junto das lojas de medicamentos para perceber se existem "anomalias" no abastecimento por parte dos grossistas. Esta decisão surge depois de um grossista ter assumido, pela primeira vez, que sofreu pressões por parte das farmácias para não abastecer as lojas que agora vendem medicamentos não sujeitos a receita médica.
Não é por uma razão qualquer que a Autoridade da Concorrência se viu impedida de avançar dentro da ANF, não que isto é um nicho de mercado muito importante e os seus elementos não admitem concorrência e muito menos fiscalização.

Os "livros estão de luto"

Faleceu ontem em Coimbra um editor de luxo. Joaquim Machado foi o fundador e durante anos a fio dirigiu a Livraria Almedina. Como editora, em especial na área do direito, grangeou o respeito de autores, professores, estudantes, público em geral e dos outros editores.
Conhecedor profundo do livro em todas as suas facetas Joaquim Machado nunca deixou de ser o mesmo homem simples e prático que um dia fundou uma pequena livraria no Arco de Almedina.
Quanto a mim, resta-me agradecer-lhe o muito que me ensinou sobre os livros e o prazer que eles nos dão desde a sua feitura até à sua leitura.


Foto retirada do "Diário de Coimbra"

10 de novembro de 2005

A vingança de Guterres

Se António Guterres cá estivesse ontem ter-se-ia sentido vingado.
Ficou célebre o engasganço de Guterres relativamente aos números do PIB num certo dia em que estava a sair dos Hospitais da Universidade de Coimbra (onde tinha recebido uma notícia sobre a saúde da sua esposa, que acabaria por falecer).
Todos riram, todos gozaram e mesmo hoje alguns lembram o episódio.
Pois bem, ontem Marques Mendes embrulhou-se com os números e não foram os do PIB, foi somente uma simples conversão de euros em escudos (se fosse os do PIB, nem quero imaginar).
O líder do PSD disse na AR, na discussão do Orçamento, que passam a ser tributados os “reformados com pensões superiores a 355 euros, 107 contos em moeda antiga”.
355 euros são cerca de 71 mil escudos. O que ele devia ter dito era 535 euros.
A vingança é um prato que se serve frio.
Para além disso, e na sua intervenção final, Marques Mendes justificou o voto contra do PSD por, “apesar de apontar no bom caminho”, pecar por “falta de ambição” na redução da despesa, pela “voracidade fiscal”, desta vez extensível aos reformados, e por insistir em investimentos públicos como o novo aeroporto da Ota.
Então está no bom caminho e é reprovado?!

Que triste imagem

A manifestação ocorrida ontem dos estudantes do ensino superior em Lisboa fica assinalada não pela contestação, mas sim pela divisão entre os estudantes.Trata-se de um facto inédito e que, segundo dirigentes associativos, se ficou a dever a tentativas de partidarização do movimento estudantil. Dois mil estudantes universitários de todo o país manifestaram-se na capital, em protesto contra os cortes orçamentais do Executivo no ensino superior, as propinas e a falta de condições das faculdades.
As divergências começaram cedo. As primeiras foram logo à saída da Cidade Universitária, local da concentração, e adensaram-se em Entrecampos, com metade dos estudantes a ir para o Ministério da Ciência e do Ensino Superior e a outra metade para a Assembleia da República. "Trata-se de oportunismo do movimento partidário da JCP. Existem estudantes que pertencem ao partido e que formaram uma lista para concorrer à Associação Académica de Coimbra (AAC) e que quiseram fazer aqui uma prova de força", nas palavras de Filipe Sousa, da AAC. Os alunos que se concentraram na Assembleia da República rejeitaram as acusações. Entre palavras de ordem e faixas curiosas, alusivas ao valor das propinas - "com 901 euros casava-me" - os estudantes que se concentraram frente ao ministério entregaram à tutela um documento reivindicativo no qual afirmam que os cortes orçamentais no ensino superior são desastrosos e que contribuem para a degradação do ensino superior.
Já expressei aqui a minha opinião sobre as propinas, mas se os estudantes querem protestar, tenho um conselho a dar: avancem com acções que tenham sentido, como por exemplo marquem um dia e vão todos às aulas, esta sim seria a melhor imagem da falência do sistema educativo universitário e entretanto deixem-se de andar a "passear" de autocarros e comboios.
Foto de http://o-microbio.blogspot.com

9 de novembro de 2005

Tinham dúvidas, pois aí está

Imigração, confrontos, explosões na periferia: Basta é a palavra de ordem para a manifestação que o partido de extrema-direita Front National, de Jean-Marie Le Pen, convocou para a próxima segunda-feira, 14, no centro de Paris (Palais Royal), insistindo na ideia ‘França amem-na ou deixam-na’. Os incidentes que se tem verificado deram origem a muitos convites a Le Pen para entrevistas na rádio e TV, sendo que estará no próximo domingo no ‘Grande Júri RTL’.
Agora é só esperar e ver o que é que os jovens arranjaram para eles e para os outros.

E por cá nã estamos melhor

Nuno Melo, líder parlamentar do CDS-PP diz que não há volta a dar: “Em primeiro lugar deve-se repor a ordem. E depois discute-se Sociologia”. Estas são palavras proferidas no encerramento das jornadas do partido, atribuindo a violência em França ao resultado de “políticas de imigração laxistas” de executivos de esquerda.
Como todos eles são previsíveis.

Também este?!

Francisco Louçã apresentou ontem o seu manifesto eleitoral e quando todos esperavam um manifesto irreverente e com algo de novo, eis que se nos apresenta mais um candidato mas a primeiro-ministro.
Louçã defendeu a convergência das pensões mínimas com o salário mínimo nacional e o seu alargamento aos “800 mil reformados que estão abaixo da pensão básica, aos que têm de pagar para ter o mesmo apoio na doença que os beneficiários da ADSE e aos que têm de trabalhar mais de 40 anos até atingirem a idade da reforma”. Para assegurar o financiamento sustentável da protecção social, Francisco Louçã propôs a “redução da taxa social única em 3,5 por cento (...) conjugada com a compensação por uma taxa de três por cento sobre o Valor Acrescentado Bruto das empresas”. Apoiado em gráficos e números que sustentam as suas ideias, o candidato assegurou que, com as metas propostas para a alteração do modelo de financiamento, “não haverá rupturas financeiras” e “não haverá colapso do sistema de protecção social”.
Mas isto não é matéria e competência do Governo?
Eu já aqui tinha dito que o país dispensava bem estes candidatos e o passar do tempo está a confirmar isso mesmo.

Expliquem-me, porque não entendo

Não consigo compreender o desentendimento que se gerou à volta do Orçamento de Estado que hoje começou a ser discutido na Assembleia da República. E não consigo, porquanto verifico que os socialistas, os sociais-democratas e até mesmo o CDS/PP estão de acordo com os princípios gerais enunciados e a urgência em aplicar as medidas que estão a ser concretizadas, e se é assim porque é que votam contra?
Uma das personagens de "Os Maias" do Eça, diz que o máximo que viajou foi até Badajoz, mas isto era século XIX. Hoje, século XXI, não é necessário viajar fisicamente para constatar que os pactos governativos e o trabalhar em comum foram a pedra de toque quer no caso da Filândia quer no da Irlanda.
Por isso meus senhores cultivem-se. Leiam, pesquisem, façam o que for preciso, mas façam-no não a olhar para o vosso próprio umbigo, mas sim para o de todos.

8 de novembro de 2005


Ainda a França

Ao lerem o meu comentário de ontem, podem pensar que nutro simpatia ou mesmo que desculpo algumas atitudes dos "revoltosos". Enganam-se. Enoja-me a violência e esta especialmente.
Relatos havia que já me deixavam indignado e preocupado tais como:

Aos 60 anos, Jean-Jacques Le Chenadec era um recém-reformado. Trabalhou para a Alpine-Renault, onde montava carros de desporto. Tinha orgulho no seu trabalho, trabalho esse que o levou a coleccionar os modelos em miniatura que ele tão bem conhecia da linha de montagem. Há quem com muito menos que 60 anos fique em casa. Jean-Jacques, na passada sexta-feira, estava na sua rua, em Stains, nos arredores de Paris, para guardar... o caixote de lixo (não o seu particular, mas o do prédio), que já tinha sido queimado um vez. Um garoto de capuz agrediu-o na cabeça, mandando-o, em coma, para o hospital.

Jean-Claude Irvoas também gostava do que fazia. Ia como a mulher e a filha de carro, em Epiney-sur-Seine, nos arredores de Paris, quando viu um candeeiro de rua, feito na sua empresa. Saiu para fotografá-lo. Três jovens cercaram-no e, aos pontapés, mataram-no no chão. Ontem, Jean-Jacques, o reformado de Stains, não resistiu e morreu.

Mas desta noite novos relatos nos chegam. Para além dos mais de 1000 veículos incendiados, foram ainda incendiados um ginásio (Seine-Saint-Dennis), várias creches (Bordéus, Havre e Brest) e uma agência de emprego (Bordéus) e lançado um ‘cocktail molotov’ contra a fachada de um hospital (Vitry-sur-Seine, na zona leste de Paris), além de agredidos dois jornalistas italianos.
Creches? Hospitais? É a barbárie pura e dura.


E cá?!

‘Tarde Quente’, o programa de João Kléber na TV Manchete do Brasil, foi suspenso por decisão jurídica, sob a alegada acusação de homofobia.
Que pena que a decisão de suspensão não abrange a idiotice do "Fiel ou infiel" da TVI.

7 de novembro de 2005

A França hoje

Vamos no 12.º dia de confrontos. A violência alastrou-se a toda a França. Cerca de 4.000 veículos foram queimados, estabelecimentos comerciais, repartições públicas, fábricas e, pior que tudo isto vítimas mortais.
Porquê questionarão uns.
Um Maio, não de 68 mas de 2005, dirão outros.
Sinais dos tempos modernos avançam alguns.
O fim do mundo pensarão ainda uns quantos.
A resposta não será assim tão simples, pois poderá ser tudo isto e nada disto.
Comecemos então pelo princípio.
Dois jovens morreram electrocutados na estação eléctrica de Clichy-sous-Bois, local que lhes serviu de refúgio face a uma perseguição policial que tinha sido encetada por suspeita das autoridades de eles serem os autores de um assalto.
Dir-me-ão que não estamos perante causa suficiente para esta guerrilha urbana. Sim, porque é de autêntica guerrilha urbana que se trata.
Este foi o detonador para atear uma bomba que permanecia em stand-by à muito tempo.
Esta situação é o resultado de uma imigração perfeitamente desordenada e desorganizada que atingiu a Europa.
À procura do el dourado europeu, milhares de habitantes dos designados países do Terceiro Mundo percorreram (e continuam a percorrer, vejam-se os últimos casos em Espanha) distâncias loucas, em condições verdadeiramente deploráveis.
Chegados aceitam qualquer trabalho, muitas vezes em condições de pura escravidão, com o objectivo final de iniciarem uma vida digna e que o país natal não foi, nem é, capaz de lhe oferecer.
Tudo corre bem mas, de repente, o el dourado transforma-se no pior dos infernos. E o pior é que o inferno se alastra e prolonga. Mas entretanto os que vieram casaram-se, tiveram filhos, que por sua vez também se organizaram e constituíram família e são estas segundas e terceiras gerações que vêem desabar-lhe em cima todo um caos do qual não são responsáveis, antes pelo contrário vítimas.
Sem emprego na maioria dos casos, vivendo em bairros que lembram guettos que a Europa viu em tempos idos, estes “emigrantes” (entre comas porque eles já são naturais) enfrentam o vazio dia após dia. Mas o vazio não permanece, antes pelo contrário, vai sendo ocupado com revolta, ódio mal disfarçado e desejo de vingança.
Qualquer motivo será válido para expor na prática estes sentimentos. Não quero com isto dizer que esta a morte é um motivo menor, antes pelo contrário. E neste caso, como em tantos outros ela deve servir para repensarmos com seriedade o problema da emigração nesta aldeia global em que estamos inseridos.
Mas isto poderá não ficar por aqui. È que se o actual cenário é mau, ele poderá ainda ficar pior.
Todos nós sabemos que os partidos de direita e extrema direita assentam os seus fundamentos nas questões de segurança, ou mais precisamente da falta dela, na emigração e nos efeitos perniciosos que, no ponto de vista deles, esta causa, no desemprego e outros pregões que melodias para os ouvidos de muitos.
Sendo assim, e tomando em consideração tudo o que está acontecendo, fácil será esperar que em próximas campanhas eleitorais isto sirva de pano de fundo e que dê votos a esses mesmos partidos e associações, e em França a direita e a extrema direita tem uma força que não se deve desprezar.
E se isto der frutos em França, facilmente se alastrará a outros países da Europa.
Teremos então que esta revolta é uma espada de dois gumes para quem a fomenta, sendo que os “feridos”, de uma maneira ou de outra, serão sempre os actuais revoltados. Até quando estarão quietos aqueles que vêem nos emigrantes ou/e seus descendentes a raiz de todos os problemas?
E Portugal?
Neste momento é dado a conhecer que esta violência já alastrou à Bélgica e à Alemanha.
Aguardemos



A foto, retirada da SIC, mostra os locais de confronto junto a Paris
Linhas direitas, tortas, quebradas, ...

Leva às lágrimas o artigo de hoje que Luís Delgado publica no "DN". Será que o homem está a ficar preocupado ou tudo não é mais do que "Contos da loucura normal".
Leiam em http://dn.sapo.pt/2005/11/07/opiniao/a_mistura_alegre.html e vejam se não tenho razão.

Absurdo

Absurda é a posição de Rui Rio perante as notícias. Só por escrito, mais nada. Ao que consta não gosta dos títulos do "JN". E já agora, as perguntas também são de sua autoria?
Troquemos isto por miúdos: o que teme Rui Rio?

Ficou-se pelo aviso

Já tinha questionado neste espaço quem seria a pessoa que iria "apertar a mão" a Ribeiro e Castro na reunião de Coimbra.
Afinal precipitei-me ainda não lhe apertaram a mão, somente o cumprimentaram de longe.
António Pires de Lima foi o autor do acenar.
O estado-maior do PP mais revanchista iluminado pela luz suprema de Paulo Portas iniciou o destronar de Ribeiro e Castro.
Era de prever que, habituados ao estilo populista, os ex-homens fortes de Paulo Portas - que nunca perceberam como é que Telmo Correia, ilustre membro desse grupo, foi derrotado - nunca aceitariam por muito tempo esta actual liderança.
E todos os pretextos são bons para "lançar às feras" Ribeiro e Castro. O apoio a Cavaco é a cereja num bolo já com a massa a pender para o azedo.
E a Juventude não se faz rogada e ansiosa por poder segue os trilhos que o ex-ministro da defesa lhes faz questão de mostrar.
Sim que todas estas movimentações têm um rosto: Paulo Portas.

França

A situação em França continua sem mostrar sinais de abrandamento.
É uma situação muito delicada a que nenhum país está imune. Portugal não foge à regra. Mas isto é um assunto demasiado sério para ser alvo de misturas.