9 de julho de 2007

Foi destaque de hoje no "Público" a reunião do conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que vai ocorrer amanhã, em Fátima, reunião essa que tem uma agenda carregada de zangas com o Governo: solidariedade, comunicação social, educação, segurança social, capelanias hospitalares e prisionais e aplicação da Concordata.
Não é novidade para ninguém que o Governo e o seu líder estão a passar por um período complicado. Algumas das medidas que foram e continuam a ser tomadas merecem sérias reservas de todos nós e sendo que elas eram prementes, elas foram objecto de ou de má regulamentação, ou de má explicitação e algumas até de má aplicação.
Mas o facto de estarmos conscientes não é justificação para a Igreja se colocar em bicos-de-pés. O que também aqui aconteceu é que a revisão da Concordata veio retirar uma série de prerrogativas a alguns elementos da Igreja. Para além disso a Igreja nunca aceitou os resultados do referendo da interrupção da gravidez. Se a isto juntarmos o facto de terem perdido o monopólio relativamente aos casamentos e algumas outras situações, tem provocado uma certa azia na CEP.
O que acontece é que em vez de tomarem uns sais de fruta, decidiram reunir-se.
Acho muito bem.
E já agora aproveitem a reunião para fazer uma introspecção. Libertem-se do obscurantismo que ainda pregam por muitas vilas e aldeias deste país.
Quando a democracia for parte integrante da Igreja, quando pensarem que todos somos iguais aos olhos de Deus, deixaram de querer somente para si alguns privilégios.
E para terminar convém não esquecer: a Deus o que é de Deus, aos homens o que é dos homens.

Um espectáculo. Leiam e depois falemos de ética.

Porque estamos a uma semana das eleições em Lisboa, talvez seja interessante falar de um livro cujo tema são as eleições em Lisboa, mas as de 2001.
A obra foi escrita pelo jornalista João Ramos de Almeida, tem por título «Eleições Viciadas» e
é o resultado de uma investigação às eleições autárquicas de 16 de Dezembro de 2001, em que o social-democrata Santana Lopes conquistou a Câmara de Lisboa e derrotou o socialista João Soares por 856 votos, contribuindo assim para a demissão do primeiro-ministro António Guterres.
O livro nasceu a partir das suspeitas de Alberto Silva Lopes (entretanto falecido), sendo que o autor salienta que «alguém, algures entre o apuramento nas freguesias e a comunicação ao Governo Civil, alterou os resultados eleitorais de 27 das 53 freguesias do concelho de Lisboa».
O jornalista escreve ainda que o conjunto das diferenças «foi mesmo superior à vantagem de 856 voto com que a lista do social-democrata Pedro Santana Lopes venceu a noite das eleições para a Câmara Municipal de Lisboa».
Este é um livro que merece uma leitura atenta, por isso prometo voltar a ele quando terminar.

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